Meio Ambiente (água, ar e solo)

Fenasan: Demanda por novas tecnologias cresce com déficit hídrico

Marcelo Fairbanks
24 de outubro de 2015
    -(reset)+

    A Fenasan e o Congresso da Aesabesp cumprem o papel de impulsionar a cadeia tecnológica do saneamento e meio ambiente. Isso também se reflete no incentivo à pesquisa científica e tecnológica no país. “Desde 2010, com as políticas de desenvolvimento do setor, o Brasil começou a criar tecnologia própria, mas esse é um trabalho lento, com resultados a médio e longo prazo”, afirmou. Ele ressaltou a colaboração entre Sabesp e Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a primeira indicando sua relação de demandas prioritárias (como redução de perdas, tratamento avançado de esgoto e economia de energia) e aportando verbas, cabendo à segunda organizar os editais e selecionar os projetos aptos a receber o apoio para pesquisas.

    Com mais de três décadas de atuação profissional no ramo, incluindo um período de docência de nível superior, Ribeiro comenta que a introdução de tecnologia importada nem sempre traz os resultados esperados. “No passado, houve casos de tecnologias importadas que viraram elefantes brancos”, disse. Ele atribuiu o fracasso, nesses casos, à cultura imediatista que muitas vezes domina a tomada de decisões. “Na pressa para obter resultados, às vezes se escolhia uma tecnologia que não era adaptada à realidade local”. Ele defende a busca por soluções tecnológicas nos centros mais avançados, mas ressalta a necessidade de customizá-las aos rigores nacionais. “Isso exige contar com profissionais qualificados”, ressaltou.

    A Fenasan cumpre seu papel ao exibir as novidades para o setor, mas muito mais ao promover o congresso e os cursos paralelos. “A Aesabesp prioriza o intercâmbio de conhecimentos, não esperamos que as pessoas venham fazer negócios durante a feira, mas que encontrem tecnologias, os negócios vêm depois”, disse.

    Ribeiro avalia que os cursos superiores relacionados à atividade melhoraram nos últimos cinco anos, mas ainda são poucos, incapazes de atender toda a demanda setorial. “Basicamente, os esforços partiram da adaptação dos cursos de engenharia sanitária para engenharia ambiental, mas precisamos de mais profissionais, a procura é alta”, comentou, além de ressaltar a importância da formação continuada.

    Na área de pós-graduação, Ribeiro lamenta que exista apenas um curso específico para engenharia de saneamento ambiental no Estado de São Paulo, oferecido pelo Instituto Mackenzie. “Esse curso surgiu por iniciativa da Abes [Associação Brasileira de Engenharia Sanitária], da Aesabesp e da Apecs [Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Meio Ambiente]”, explicou. O antigo curso que existia na Faculdade de Saúde Pública, no qual Ribeiro se formou, foi extinto há dez anos, segundo o presidente.

    Tema instigante – A escolha do tema “A crise da água e suas consequências para o século XXI” representa uma provocação para iniciar o debate entre os vários agentes envolvidos nesse mercado. “No mundo todo, a questão do abastecimento de água potável é crucial, exigindo respostas”, comentou Ribeiro. O difícil é apontar os rumos a seguir. “Ou se reduz a demanda, ou se amplia a oferta, ou ambas, mas isso é que deve ser discutido, verificando o que é mais viável economicamente e tecnicamente possível”.

    Além da gravidade técnica, no Brasil, o setor também deverá enfrentar algumas limitações que resultarão da Operação Lava-Jato, atingindo as grandes empreiteiras de obras públicas e também os mecanismos atuais de liberação de recursos oficiais. “Antes de tudo, é preciso separar o joio do trigo, ou seja, não se pode demonizar todos os profissionais das empreiteiras por causa dos desvios que foram praticados”, afirmou. “Eu conheço o pessoal técnico dessas companhias e sei que há nelas um corpo de engenharia de alta qualidade.”

    Ribeiro prevê algum efeito das ações anticorrupção nas obras públicas, a exemplo do afastamento das companhias que venham a ser condenadas, mas isso não deve impedir o avanço do setor de saneamento. “Há várias outras empreiteiras no país que, embora tenham menor porte, são capacitadas e éticas, isso poderá ser bom para o setor pelo aumento do número de interessados”, comentou.

    Como decorrência do processo depurativo, ele imagina a possibilidade de rediscutir a atualização da Lei 8.666/1993, reguladora das licitações públicas. “Essa lei foi criada exatamente para combater a corrupção, mas ela acabou engessando as contratações e concentrando os negócios nas grandes empreiteiras; já existem vários projetos para aprimorá-la e modernizá-la”, comentou.

    Um dos caminhos para tornar mais céleres e eficientes as licitações foi a criação do Regime Diferenciado de Contratações (Lei 12.462/2011) para atender às necessidades das obras previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. “Os estados e municípios só podem usar esse RDC quando atuarem em parceria com o governo federal, usando recursos previstos no PAC, caso da ligação do Sistema Cantareira com as represas do Vale do Rio Paraíba do Sul”, informou.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *