Fenasan – Baixo investimento em saneamento aumenta o temor da falta de água

Química e Derivados, Fenasan: Baixo investimento em saneamento aumenta o temor da falta de água

Química e Derivados, Fenasan - Prévia 2016: Setor discute como eliminar o risco de desabastecimentoUm velho tema – o baixo índice de tratamento de água e esgoto no país – preocupa os técnicos do setor, em meio à ameaça da crise hídrica, que já adquire contornos planetários. Esta temática rondou as mentes dos participantes do Encontro Técnico AESabesp, 27º Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente, realizado entre os dias 16 e 18 de agosto no pavilhão Vermelho do Expo Center Norte, em São Paulo.

Embora apareça entre as dez maiores economias do mundo, o Brasil ocupa a 112ª posição em um conjunto de 200 países no quesito saneamento básico, aponta estudo divulgado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, realçando “o longo caminho que deve ser percorrido em busca do melhor acesso da população à água e ao esgoto tratado”, analisa Igor Freitas, da Bauminas Química.

O Instituto Trata Brasil sinaliza que 82,5% da população é atendida com água tratada. Por outro lado, há pelo menos 35 milhões de brasileiros que não têm acesso a esse serviço básico. A coleta de esgoto beneficia 48,6%, ou seja, há mais de 100 milhões de pessoas à margem desse serviço público.

Química e Derivados, Segamarchi: Plano Nacional apresenta atrasos na execução
Segamarchi: Plano Nacional apresenta atrasos na execução

O congresso contou com 1.710 integrantes e transcorreu, paralelamente, à Fenasan – Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente, que exibiu as mais recentes novidades em produtos e soluções tecnológicas. Juntos, formam o maior evento técnico-mercadológico do ramo na América Latina, uma promoção da Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp).

Na palestra magna, o secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Alceu Segamarchi Jr., mostrou o descompasso entre o volume de recursos liberados pelo Governo Federal para melhorar o saneamento e os valores compromissados: entre 2003 e 2014, houve um desembolso de R$ 82,18 bilhões frente a compromissos da ordem de R$ 140,23 bilhões.

Embora o Plano Nacional de Saneamento Básico, concluído em 2013, contemple, nos centros urbanos, a universalização do abastecimento de água até 2023 e 93% do tratamento de esgoto sanitário até 2033, envolvendo aportes totais de R$ 508 bilhões (em valores de 2013), a realidade é que a evolução não segue o ritmo planejado. Para ser cumprido, o Plano exige, na média, gastos de R$ 15 bilhões/ano: “O Brasil não está gastando isso”, afirmou Segamarchi.

Química e Derivados, Kelman: tarifa média poderá subir para custear expansão
Kelman: tarifa média poderá subir para custear expansão

Para o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, há “dificuldades concretas” para a implementação do Plano nos municípios. E disparou: “A Sabesp está empenhada em fazer contratos que devem registrar o que se pode e não o que se pretende fazer”. Ele também falou que há uma ênfase no país na construção de estações de tratamento de esgoto, mas não se confere a mesma atenção na sua operação e manutenção.

Ciente de que “estamos longe da universalização do saneamento” e que muitos investimentos devem ser orientados nesse sentido e na segurança hídrica, Kelman aludiu à possibilidade da elevação da tarifa média para custear os gastos necessários. No caso específico da Sabesp, uma das maiores empresas do mundo em número de clientes, admitiu que a “estrutura tarifária não contempla uma razoável distribuição de custos”. Por tudo isso, se houver uma mudança nesse modelo, ele opina que “deveria ocorrer ao longo de vários anos”.

Química e Derivados, Jamyle: saneamento contribui para melhorar a saúde do país
Jamyle: saneamento contribui para melhorar a saúde do país

Na palestra “Saneamento, segurança da água e as consequências para a saúde”, Jamyle Grigoletto, analista do Ministério da Saúde, lembrou que o saneamento é um dos determinantes sociais da saúde pública, deixando claro que os investimentos auxiliam na redução de doenças de transmissão hídrica e por vetores (como o Aedes aegypti).

Ao citar que, no Brasil, 6% do total da população é abastecido por água sem nenhum tipo de tratamento, Jamyle exclamou. “É muita gente!”. Não é por acaso que o Ministério da Saúde contabiliza 3.508 óbitos este ano causados por diarreia aguda. As maiores incidências estão nas regiões Norte e Nordeste. Além disso, há 206 municípios, distribuídos por quase todos os Estados, em situação de risco de surtos de dengue, chikungunya e zika. E já foram computados 8.890 casos de microcefalia em 1.510 dos 5.570 municípios (4,4% de óbito fetal).

O caminho para melhorar esse cenário passa, na opinião de Jamyle, pelos planos municipais de saneamento básico. Mas, no momento, “só 20% a 30% dos municípios” atendem os requisitos. “O desafio é integrar as políticas públicas de saúde, saneamento e recursos hídricos, entre outras”, arrematou.

Química e Derivados, Braga: gestão da água deverá computar variações climáticas
Braga: gestão da água deverá computar variações climáticas

Benedito Braga, secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, defendeu que a gestão da água seja incorporada ao contexto mais amplo das mudanças climáticas que afetam o mundo. “Temos que ser mais resilientes às variações climáticas no futuro”, ponderou. “A tecnologia pode e deve trazer soluções para os problemas hídricos”.

Olavo Sachs, presidente da AESabesp, frisou que a crise hídrica “é uma questão mundial”, tanto que, na Austrália, já é encarada como “a crise do milênio”. 23% de toda a água doce do mundo está na América do Sul – e metade disso no Brasil. De cada 100 litros disponíveis no mundo, 12 são do Brasil.

Lições – A mais grave seca em 84 anos de monitoramento na Região Metropolitana de São Paulo, em 2014-15, deixou algumas lições, na avaliação de Marco Antônio Lopes Barros, superintendente da unidade de produção de água RMSP da Sabesp. O sistema Cantareira agora é “mais flexível”.

A reserva técnica foi usada durante 18 meses (288 milhões m3) e colaborou, com outras medidas, para se evitar o colapso do sistema. Essa medida emergencial deixou de ser praticada em dezembro de 2015, e os técnicos não querem utilizá-la novamente. Antes da crise, a produção de água da Sabesp era de 71,4 m3/seg. Atualmente, é de 58 m3/seg.

Química e Derivados, Lopes: crise hídrica tornou Sistema Cantareira flexível
Lopes: crise hídrica tornou Sistema Cantareira flexível

A crise também ensinou a reduzir a pressão nas tubulações no período noturno, o que diminui os vazamentos. O índice nacional de perdas na distribuição de água, em 2014, foi de 36,7% e, em alguns locais, como na região Norte, atingiu 70%, uma marca rotulada de “absurda” por Segamarchi.

Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp, acrescentou que a companhia está “melhor preparada para enfrentar qualquer crise e garantir o abastecimento da população”. A curto prazo, ele não vê nenhum perigo à vista.

“A crise ainda não acabou”, proclamou o professor da Unicamp, Antonio Carlos Zuffo. Os seus estudos indicam que somente a partir de 2040 haverá um ciclo de chuvas mais intensas. Ele recomendou: a variabilidade climática deve ser levada em conta nas ações de planejamento, sem viés ideológico, pois os níveis de precipitação devem cair abaixo da média nos próximos dois a três anos; educação ambiental; redução de perdas; tratamento de efluentes e reuso da água – “Os efluentes de hoje serão a água de amanhã”; aproveitamento das águas pluviais; e compatibilização entre os marcos regulatórios.

Química e Derivados, Zuffo: os efluentes de hoje serão a água de amanhã
Zuffo: os efluentes de hoje serão a água de amanhã

O exemplo europeu no “gerenciamento circular das águas de esgoto municipais” foi abordado pelo PhD em biotecnologia ambiental e professor da disciplina de Instalações e processos químicos da Universidade de Verona, Francesco Fatone. “O objetivo é transformar os efluentes em biorrefinarias urbanas”, resumiu.

O Smart Plant, do qual ele é coordenador, faz parte de um programa de pesquisa e inovação da União Europeia, chamado Horizonte 2020. Foi iniciado no dia 1º de junho deste ano com previsão de gastar € 10 milhões em quatro anos. Envolve 25 parceiros (18 empresas e sete universidades) de seis países: Itália, Espanha, Holanda, Grã-Bretanha, Grécia e Israel. Sete sistemas serão montados, um em cada país e dois na Itália.

Otimista, Fatone aposta que o projeto vai gerar uma economia de “centenas de milhões de euros” mediante a recuperação de aditivos para a indústria de asfalto, biopolímeros, fertilizantes (nitrogênio, fósforo etc.), biocombustíveis, água de reuso, etc. Na Europa, um quilo de biopolímero está avaliado entre € 3 e € 5. Os dois primeiros anos servirão para provar a funcionalidade da tecnologia e fazer as validações. O terceiro ano será dedicado à utilização. Uma joint venture deverá ser criada para analisar os produtos que podem ser recuperados das águas de esgoto.

Química e Derivados, Fatone quer transformar ETEs em biorrefinarias urbanas
Fatone quer transformar ETEs em biorrefinarias urbanas

Fatone informou que a dificuldade da realização desse modelo não é tecnológica e sim de mentalidade: “Não há uma legislação que facilite o gerenciamento circular no saneamento”. No Brasil, a Sabesp, por exemplo, não pode comercializar biopolímeros.

A Itália possui cerca de 18 mil estações de tratamento e gerencia mais de 440 mil km de redes de esgoto, com 60% de água tratada. A tradição do país em saneamento básico remonta à época do Império Romano, quando se construíram aquedutos ao longo do seu imenso território. Somente em Roma foram erguidos 11, o maior com 92 km de extensão. Muitos estão em operação até hoje.

Exposição – Perto de 17 mil visitas foram registradas na 27ª Fenasan. Quem foi pode apreciar os lançamentos e as surpresas reservadas por 180 expositores, entre empresas nacionais e estrangeiras.

Com o intuito de reforçar a sua imagem institucional, a Bauminas Química apresentou a nova geração de coagulantes inorgânicos com cadeias polimerizadas: PAC – policloreto de alumínio e Polisal. Segundo Igor Freitas, gerente de marketing, esta é a “última tecnologia de coagulantes em larga escala”. Ele diz que esses produtos possuem uma “alta performance de coagulação com grande velocidade de decantação”.

Química e Derivados, Bueno: membranas selecionadas para nova produtora de celulose
Bueno: membranas selecionadas para nova produtora de celulose

No intercâmbio de informações com o público da feira, a empresa também ligou a sua imagem à tecnologia e à inovação. “A Bauminas Química investe em pesquisa e acredita que a inovação constante é a melhor maneira de manter a posição de liderança”, acentuou Freitas. Para tanto, foi criado o Centro Tecnológico Bauminas (CTB), voltado, principalmente, à pesquisa e ao desenvolvimento de novos produtos, que conta com “uma moderna estrutura para a realização de testes comparativos e análises técnico-laboratoriais”.

Outros braços do grupo também têm novidades. A Bauminas Distribuição está com novos produtos no portfólio: peróxido de hidrogênio, carvão ativado, polímeros para tratamento de água e copolímeros, polióis e TDI para produção de espumas flexíveis. “A partir de outubro vamos comercializar os surfactantes aniônicos, catiônicos e não iônicos da Stepan Química”, revelou Jorge Gonçalves, gerente de distribuição. A Bauminas Ambiental trabalha com soluções técnicas para operação de estações de tratamento de água e esgotos: conforme o caso, faz projetos e o gerenciamento da operação.

Química e Derivados, Freitas exibiu nova geração de polímeros coagulantes
Freitas exibiu nova geração de polímeros coagulantes

O grupo Bauminas, líder nacional em coagulantes para o tratamento de água e efluentes, ficará ainda maior no segundo semestre deste ano com a inauguração de três novas fábricas: Luziânia-GO, Rio de Janeiro-RJ e Manaus-AM.

A partir da associação com a finlandesa Lamor, há um ano, a aQuamec foi reestruturada, fechou contratos de licenciamento com empresas europeias e dos Estados Unidos para dispor das tecnologias mais modernas, e chegou à Fenasan oferecendo produtos com consumo de energia reduzido (da ordem de 20% a 30%).

Essa performance foi obtida, de acordo com o diretor executivo, Marco Formicola, com a utilização de novos materiais, processos e sistemas computadorizados. A empresa atua em todas as instâncias de utilização de águas contaminadas com a finalidade de reuso ou potabilidade: equipamentos e sistemas especializados para remoção de sólidos grosseiros e finos, aeração, estações compactas para água e para esgoto, filtração por membrana, bombeamento, removedores de lodo, adensadores e desidratadores de lodo, desinfecção por ultravioleta, filtro disco, remoção de areia, remoção de H2S e controle de odores, bombas centrífugas, submersíveis e válvulas, e sistemas de tratamento de água, esgotos e efluentes.

Química e Derivados, Formicola: tecnologia reduz em até 30% o consumo de energia
Formicola: tecnologia reduz em até 30% o consumo de energia

“A tecnologia já permite chegar a um grau de potabilidade em águas altamente contaminadas”, observou Formicola. A legislação, no entanto, é restritiva. A empresa anunciou o lançamento do Centro de Distribuição da Selwood na América Latina. As motobombas Selwood passarão a ser montadas na fábrica da aQuamec em Itu-SP, oferecendo a possibilidade de aluguel ao mercado brasileiro.

Outra grande parceria inédita é com a americana Water Planet, empresa inovadora no fornecimento de soluções em membranas. O sistema é capaz de entregar mais água tratada, evitando desperdícios e minimizando custos de manutenção. Também foi apresentado na feira o novo sistema de monitoramento e automação para o uso do ácido peracético no tratamento de água e esgoto, municipal e industrial. Desenvolvido e licenciado pela Vodaflo, já é amplamente utilizado na Europa e nos EUA. A aQuamec anunciou ainda que passará a fabricar com exclusividade os aeradores da belga Aquaturbo para distribuí-los em todo o mercado latino-americano.

A Merck levou para o seu estande os espectrofotômetros Prove, lançados este ano no país, que permitem análise simplificada, durável e segura de todos os tipos de águas. Caio Gomes, especialista de marketing de Advanced Analytics, comentou que “já está havendo uma venda grande do equipamento”, que é importado da Alemanha. O feed back é que os clientes estão gostando da robustez, repetibilidade e reprodutividade.

Química e Derivados, Gomes: espectrofotômetro tem mais robustez e confiabilidade
Gomes: espectrofotômetro tem mais robustez e confiabilidade

A família Prove conta com três modelos, oferecendo variedade de kits e métodos de ensaio da água, incluindo a documentação completa. A nova tecnologia óptica referencial dos instrumentos minimiza os custos na troca de lâmpadas, que têm longa duração; possui smart screen para navegação no menu intuitivo; as configurações são flexíveis e o cliente define visualização simultânea dos valores de absorção e concentração; correção de turbidez; e inclusão do fator de diluição na tela, por amostra.

Os dados podem facilmente ser transferidos para outros dispositivos. No teste de reagentes, basta inserir o autoseletor e a cubeta retangular. O Prove faz o resto. O equipamento também foi feito para suportar reagentes químicos do laboratório. Fundada em 1688 na Alemanha, a Merck é a empresa química e farmacêutica mais antiga do mundo.

A multinacional japonesa Toray divulgou o seu rol completo de membranas filtrantes para tratamento de águas e efluentes. Marcelo Bueno, gerente regional – América do Sul, explicou que as membranas para sistema MBR (biorreator com membranas) são utilizadas para tratamento de efluentes e reuso. A linha Membray, que compreende membranas de ultrafiltração do tipo placa plana, feitas de PVDF com poros de 0,08 micrômetros, operam submersas, nas versões TMR140 e TMR090, esta última para sistemas compactos em contêineres e aplicações com limitações de altura.

Química e Derivados, Reis: demanda por tratamento está crescendo no Brasil
Reis: demanda por tratamento está crescendo no Brasil

Já o tipo Romembra de membranas de osmose reversa é “largamente utilizado” em projetos de dessalinização, água salobra ou efluentes, podendo gerar água potável ou de alta qualidade para processos industriais.

Bueno comentou que a Toray foi escolhida pela Veolia Water Technologies Brasil para fornecer 1.080 membranas de OR Romembra, para a expansão de uma das maiores plantas de tratamento de água industrial do Brasil. Este sistema terá capacidade instalada de 828 m³/h, com produção de 690 m³/h de água desmineralizada, que alimentará a caldeira de alta pressão da fábrica da Fibria, em Três Lagoas-MS.A membrana selecionada foi a low fouling TML20D-400 que, prossegue Bueno, combina ótimas propriedades contra entupimento e alta rejeição de sais, o que foi fundamental para que a Toray fosse escolhida. Os produtos estão programados para serem entregues ainda em 2016, sendo comissionados em 2017.

Química e Derivados, Vargas: floculante extraído da acácia mostra sua eficiência
Vargas: floculante extraído da acácia mostra sua eficiência

Completando o catálogo disseminado durante o evento, a série Torayfil de membranas de ultrafiltração tipo fibra oca, feitas de PVDF com poros de 0,01 micrômetros e módulos pressurizados. Na versão HFU-2020, com 72m² de área filtrante, proporciona um sistema compacto e adequado para diversos tipos de aplicações, como produção de água potável, industrial, tratamento de efluentes e reuso. Uma versão piloto em exposição mostrou a eficiência na remoção de sólidos suspensos.

Bueno aposta que o mercado é promissor. “Após esta crise hídrica, há maior consciência do valor da água. Em um cenário de escassez, essas três tecnologias são fundamentais para empresas públicas ou privadas alcançarem maior eficiência na gestão de águas e efluentes”.

Química e Derivados, Morvai: rosca desaguadora é automática e fácil de operar
Morvai: rosca desaguadora é automática e fácil de operar

A norte-americana Pentair promoveu os vasos de pressão feitos de fibra de vidro Codeline, fabricados na Índia. “São vasos para OR com vedação plana, porta lateral com rosca e sistema de trava rápida. A tecnologia Multiport reduz o espaço ocupado pelo sistema. Os vasos Codeline cumprem os requisitos da seção X da Asme”, realçou Eduardo Reis, assistente de vendas.

A Pentair também expôs o sistema de filtração Aqualine, com vasos de fibra de vidro reforçado, que tem capacidade de retenção de partículas em suspensão de 0,6 a 100 micrômetros, tornando-o adequado para pré-filtração em vários setores, como processos químicos, farmacêuticos e pré-tratamento para sistemas de OR. Estes vasos permitem que os operadores acessem e troquem os cartuchos em questão de minutos, não sendo necessário desmontar porcas nem parafusos. Para obter água limpa com menor área de instalação, foi desenvolvido o reator com membranas Cross Flow, combinando a etapa de degradação biológica com o processo de separação por membranas.

Química e Derivados, Paltrinieri: bomba bipartida recebeu avanços de engenharia
Paltrinieri: bomba bipartida recebeu avanços de engenharia

As membranas de ultrafiltração Aquaflex constituem, nas palavras de Reis, uma tecnologia de filtração excelente para o tratamento de água de superfície e subterrânea, tanto para os padrões de potabilidade ou polimento de efluentes. As membranas de fibra oca removem vírus, bactérias, cor por turbidez e matéria orgânica. Ou seja, são capazes de barrar os sólidos suspensos e só não filtram sólidos dissolvidos. “Também tem um baixo custo energético”, agregou. Reis constata um aumento da demanda para o tratamento de água e efluentes no país.

Referência no segmento de tecnologia verde, a Tanac, de Montenegro-RS, comemora a expansão dos seus negócios em ritmo chinês: de 12% a 20% ao ano, nos últimos dez anos, na área de tratamento de água. Mesmo que não repita aquelas cifras em 2016, quando se projeta um crescimento entre 5% a 7%, as exportações deverão se ampliar de 35% a 40%, em comparação com o desempenho do ano passado. As vendas externas, aliás, são um ponto forte da empresa, que vende para 22 países, em todos os continentes. A comemorar também que não se perdeu clientes ao longo da crise que emperra a economia nacional.

Fundada em 1948, a Tanac é líder mundial em taninos para curtumes e tratamento de água. O Tanfloc é um agente coagulante/floculante de origem vegetal, tirado da casca da acácia negra. “O produto é extremamente eficiente. O Tanfloc é um polímero orgânico catiônico, com baixo peso molecular”, destaca Leandro Vargas, gerente de vendas – tratamento de águas Tanfloc – Brasil & exportação.

Química e Derivados, Mello: expert em filtrações prevê investimentos da Sabesp
Mello: expert em filtrações prevê investimentos da Sabesp

O Tanfloc possui certificação internacional NSF. O produto não consome a alcalinidade do meio em que atua, é solúvel em água, combina-se com metais dissolvidos, atuando com frequência como agente quelante, é biodegradável e atua em uma ampla faixa de pH. Nas águas de abastecimento, atua como coagulante primário e como auxiliar de floculação.

No estande da Andritz Separation, os visitantes puderam, através de um simulador de realidade virtual, passear por um show room e conhecer todos os equipamentos dessa empresa austríaca reconhecida no segmento de equipamentos, soluções e serviços para processos de separação sólido/líquido em diversos ramos industriais, como saneamento, alimentos, químicos, minérios e mineração.

Resultado de 20 anos de experiência no desenvolvimento e fabricação de roscas desaguadoras, o C-Press foi objeto de destaque. A sua capacidade de desaguamento de lodo “é a maior disponível no mercado”, ressaltou László Morvai, gerente de aplicação A capacidade de saída vai de 50 a 890 kg de matéria seca por hora, dependendo do modelo.

Com exclusivo design compacto e características específicas, possui operação simplificada, evitando contato dos operadores com o lodo desaguado, aliado a baixos custos de manutenção e de consumo de energia. Reduz o consumo de água de lavagem de telas em até 50%. O equipamento é totalmente automático com controle contínuo de desempenho, velocidade da rosca, contrapressão e lavagem.

A KSB Brasil exibiu as bombas Omega, de alta performance, agora com melhorias técnicas, e a tradicional KRT, aplicada no bombeamento de esgoto e efluentes. Laércio Paltrinieri, gerente setorial de vendas da divisão Água e meio ambiente, disse estar otimista com relação à demanda, que tende a crescer: “O mercado é propício”. Até agora, os negócios sobreviviam na crise, já que as obras “estavam praticamente paradas”.

Química e Derivados, Rossi: reservatório de plástico substituirá os de concreto
Rossi: reservatório de plástico substituirá os de concreto

Desenvolvida também para o setor de saneamento, a bomba bipartida KSB Omega ganhou avanços de engenharia, melhor rendimento, condições de sucção e facilidade na hora da montagem e manutenção. De estágio único, corpo espiral bipartido axialmente, com rotor radial de dupla sucção, para instalação horizontal e vertical, traz vazão de até 3.000 m3/h, elevações até 20 bar e capacidade para suportar temperaturas de 105ºC. A qualidade está garantida pelo certificado da norma ISO 9001.

A gama de bombas KSB KRT é indicada para todos os tipos de esgotos e efluentes em estações de tratamento de água em indústrias, particularmente para esgoto bruto não tratado e lodos, processos industriais e águas de despejo. Disponível nas versões com rotor aberto, de uma só palheta, rotor tubular e para tamanho 40 tipo triturador, traz tamanho que varia entre DN40 até 750 mm, vazões de 5 até 10.000 m3/h e potência máxima de 1080 HP.

A estreia da Petranova na Fenasan foi em alto estilo. Reservou uma área de 138 m2, o maior estande, onde surpreendeu com uma maquete em escala real do Sistema Produtor de Água São Lourenço, da Sabesp – maior obra hidrográfica do país –, e expôs novos produtos, como os blocos universais para fundos de filtros tipos PCR e BCR e os perfis tubulares e laminares para decantadores.

O diretor José Antônio de Mello Jr. relatou que a empresa tem sede em Jacareí-SP e atua no segmento de saneamento básico desde 1960, quando foi fundada pelo seu pai. Para sobreviver à paralisação de obras em várias frentes, devido à crise econômica, adotou um perfil arrojado, tornando-se fornecedor de equipamentos em todo o país. O futuro imediato entusiasma: “A Sabesp já indica que obras serão tiradas do papel”. A Petranova é produtora tradicional de materiais filtrantes, além de ser especializada na construção reforma e automação de estações de tratamento de água.

No Brasil desde 1995, o grupo italiano Pieralisi propagou os decanters centrífugos da série Major HS, que oferecem soluções de separação sólido-líquido e sólido-líquido-líquido. “Esta é uma máquina mais eficiente”, garante Carlos Rico, gerente comercial.

Para enfrentar a cada vez mais complexa destinação final do lodo resultante do tratamento de água e esgoto, tanto industrial como doméstico, a Pieralisi dispõe do secador térmico em aço inox 316 L. O produto é capaz de reduzir a quantidade de água no lodo para taxas que variam de 5% a 20%, realizando, ainda, a adequação sanitária do material e eliminando os patógenos. Uma vez processado adequadamente, o lodo pode ser vendido aos agricultores, reduzindo os custos operacionais das ETEs.

A tecnologia da empresa tem como princípio a evaporação da água por meio de troca de calor por convecção. O lodo resultante chega a 95% de sólidos secos. A Pieralisi é um dos maiores fabricantes de secadores térmicos do mundo e sua base no Brasil está instalada em Louveira-SP. Rico sustenta que a “vontade política” pode mudar a face do setor, já que o mercado tem uma certeza: “Cada R$ 1 investido em saneamento, economiza R$ 3 em saúde pública”.

A Tecniplas difundiu os megatanques de compósitos em PRFV (plástico reforçado com fibras de vidro) para armazenagem de até 4,5 milhões de litros, que substituem com vantagens os similares de concreto e aço vitrificado em aplicações na área de saneamento. “Já estamos recebendo pedidos de cotações”, revelou o diretor Giocondo Rossi Neto.

A sua expectativa é grande com relação ao futuro desse produto, principalmente a partir da retomada da economia brasileira. Acredita-se que, lentamente, o setor de saneamento irá deixando para trás o tradicional reservatório de concreto.

“Por ser muito poroso, o concreto requer a impermeabilização com borracha. Além de elevar o preço do tanque, esse revestimento tem vida útil limitada”, declarou Rossi. “Então, depois de três ou quatro anos, a água começa a atacar a estrutura de aço presente no concreto, exigindo investimentos pesados em manutenção ou até mesmo a troca do reservatório”. Os compósitos em PRFV são imunes à corrosão, possuem elevada resistência mecânica e podem ser formulados com resinas próprias para o contato com a água potável.

Química e Derivados, Ricco: separador térmico gera lodo com 95% de matéria seca
Ricco: separador térmico gera lodo com 95% de matéria seca

Três novos equipamentos fabricados em conjunto com a suíça Terra AG para instalação não destrutiva de cabos e dutos foram expostos pela Empretec: o X400 é utilizado para substituição de tubulação. Raphael Feltrin, executivo de vendas, informou que a tubulação antiga é quebrada e compactada no solo, ao mesmo tempo em que é instalada a nova. A tubulação nova pode ser do mesmo diâmetro ou maior que a anterior. O Mini-Jet (MJ 1600) opera em condições mínimas de espaço e é considerado ideal para trabalhar em ligação de ramais.

O TJ 5415 (perfuratriz direcional) é utilizado na instalação de tubulações de até 660 mm. O equipamento é capaz de perfurar até 200 m de distância. Com sede em Guarulhos-SP, a Empretec atua há 46 anos no país e mantém parceria com a Terra há dois anos.

O presidente da AESabesp, Olavo Sachs, encerrou os eventos informando que, em 2017, a Fenasan e o Encontro Técnico acontecerão, simultaneamente, com o 29º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES, “no moderno e amplo complexo São Paulo Expo, de 2 a 6 de outubro”. E comemorou: “40% da área de exposição já está reservada”.

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