Meio Ambiente (água, ar e solo)

Fenasan: Alternativas técnicas para reduzir consumo e perdas atraem mais visitantes

Hamilton Almeida
10 de setembro de 2014
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    Química e Derivados, Pavilhão Azul do Expo Center Norte acomodou bem os participantes

    Pavilhão Azul do Expo Center Norte acomodou bem os participantes

    Química e Derivados, Fenasan: Alternativas técnicas para reduzir consumo e perdas atraem mais visitantesQuem sabe o Papa Francisco pode promover a paz entre São Pedro e São Paulo!” A frase, dita em tom de brincadeira pelo senador paulista Eduardo Matarazzo Suplicy, ilustra a seriedade da escassez de recursos hídricos que afeta, especialmente, a região metropolitana de São Paulo. A esperança é que São Pedro mande chover (e muito) em São Paulo para que não haja uma catastrófica crise de abastecimento de água em 2015.

    “Não há solução técnica a curto prazo, estamos à mercê do clima.” Com essas palavras, mais duras, o professor Antonio Carlos Zuffo, da área de hidrologia e recursos hídricos da Unicamp, sintetizou a real situação da disponibilidade de água em São Paulo, durante a mesa redonda “Gestão de recursos hídricos, escassez, abastecimento da macrometrópole – quais as alternativas?”, realizada no primeiro dia do 25º Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente – Encontro Técnico da Associação de Engenheiros da Sabesp (AESabesp). Na ocasião, na maior seca dos últimos 80 anos, o volume útil do Sistema Cantareira chegou a 15%, já incorporado o “volume morto”, ou reserva técnica.

    Química e Derivados, Zuffo: Cantareira foi calculado em anos de alta pluviométrica

    Zuffo: Cantareira foi calculado em anos de alta pluviométrica

    Os especialistas reunidos para debater o tema apresentaram ideias convergentes na busca de alternativas para reduzir o consumo e combater o desperdício de água, as únicas opções para tentar contornar ou adiar as consequências do racionamento.

    Mas, ninguém tem resposta para a grande questão: vai chover no próximo verão o suficiente para recuperar a capacidade dos reservatórios que abastecem a região? “Os modelos climáticos não conseguem prever as chuvas. Por isso, fala-se em probabilidade de ocorrência de chuvas…”, deixou claro a pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Luz Adriana Cuartas.

    Mesmo assim, ela fez uma grave advertência: “Se o fenômeno El Niño atrasar – pensava-se que seria mais forte e, agora, projeta-se que ele poderá ser moderado –, o sistema de abastecimento de água no Sudeste ficará em pior situação.” A expectativa é que ocorram chuvas fortes na região Sul. Mas, o que acontecerá no Sudeste é uma incógnita.

    Química e Derivados, Luz: em 2015, apenas 47% das cidades terão água garantida

    Luz: em 2015, apenas 47% das cidades terão água garantida

    A presidente da RB Recursos Hídricos, Engenharia Ambiental e Meio Ambiente, Roberta Baptista Rodrigues, propôs a criação de um órgão de Vigilância da Água, nos moldes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para fiscalizar e punir o desperdício de água. Ela estima que há perdas de até 34% nos sistemas do Alto Tietê, Billings/Guarapiranga e Cantareira. O consumo de água por habitante na capital paulista é de 200 litros/dia.

    Para reduzir perdas, Roberta sugeriu também que não se use água potável para lavar automóveis, calçadas e quintais. E que se incentive o reuso nas casas, prédios, indústrias e comércio. Ela chegou a dizer que o problema “não é a falta de água em quantidade, mas sim a escassez de água com qualidade adequada para consumo humano”.

    O “grande vilão” dos recursos hídricos é o esgoto doméstico. Nos 34 municípios da região metropolitana de São Paulo concentram-se 20 milhões de habitantes. No curto período de 1962 a 2002, a mancha urbana passou de 874 km2 para 2.209 km2; e hoje é de 8.500 km2. Nessa área de grande adensamento populacional, apenas 40% do esgoto é coletado e tratado.

    Química e Derivados, Roberta: perdas no sistema de abastecimento são elevadas

    Roberta: perdas no sistema de abastecimento são elevadas

    Pior para os reservatórios que estão sendo degradados também pelo avanço das áreas agrícolas, pela especulação imobiliária e pela ocupação irregular. Para Roberta, não se pode falar em boa gestão dos recursos hídricos sem se contemplar uma boa gestão do solo.

    Favorável a uma ação integrada entre os diversos governos, Roberta criticou a forma de gestão atual dos recursos hídricos: “Uma outorga pelo uso da água jamais deveria ser concedida a uma indústria, por exemplo, sem se analisar o enquadramento pelo uso da água, ou seja, a gestão de qualidade e de quantidade da água de forma integrada. É necessária a articulação entre os órgãos gestores.” Ao mesmo tempo em que se posicionou contrária ao uso do volume morto dos reservatórios – “e o biomonitoramento?” –, ela lançou outra pergunta inquietante no ar: “Vamos construir mais reservatórios sem estarmos cuidando adequadamente dos atuais?”


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