Meio Ambiente (água, ar e solo)

Fenasan 2019: Tratamento de esgoto pode gerar eletricidade

Marcelo Furtado
28 de outubro de 2019
    -(reset)+

    Química e Derivados - Fenasan 2019: Tratamento de esgoto pode gerar eletricidade

    Química e Derivados - Fenasan 2019: Tratamento de esgoto pode gerar eletricidade

    Tratamento de água e esgoto pode gerar eletricidade e ficar ainda mais sustentável

    A Fenasan 2019 reuniu 205 expositores, número um pouco maior do que o ano passado, quando 199 empresas marcaram presença no mesmo Expo Center Norte, em São Paulo. Ainda não chega a ser um número muito elevado em comparação com feiras de outros setores, mas de certa forma reflete a dimensão do mercado de saneamento no Brasil, ainda bastante atrasado, com 100 milhões de pessoas desconectadas da rede de coleta de esgoto, praticamente metade da população do país. Em algumas regiões, como no Norte, a média de tratamento de esgoto é de apenas 22% e no Nordeste, de 34,7%.

    Apesar do panorama ainda desfavorável, foi possível aos quase 21 mil visitantes durante os três dias do evento, entre 17 e 19 de setembro, encontrar algumas novidades nos estandes dos expositores, entre empresas de serviços e tecnologias empregados em tratamento de água e efluentes, sejam para área de saneamento básico como para o setor industrial.

    Uma solução interessante foi apresentada pela Higra, de São Leopoldo-RS. Trata-se de turbina para aproveitamento do potencial hidroenergético de adutoras e tubulações de redes de saneamento, principalmente da distribuição de água, mas também de esgoto, caso seja desejado. O sistema completo, desenvolvido pela própria empresa nacional, foi denominado como Ucha, de usina compacta de hidrogeração anfíbia.

    Química e Derivados - Turbogerador reduz pressão nos dutos ao gerar eletricidade

    Turbogerador reduz pressão nos dutos ao gerar eletricidade

    Segundo o engenheiro da Higra, Ismael Schroer, a tecnologia completa inclui todo o sistema de acionamento, controle e devolução da energia elétrica para a rede existente. Nesse caso, foram constituídas parcerias com grupos especializados no controle automatizado de energia e de rotação do gerador elétrico.

    Mas o coração do sistema é o turbogerador anfíbio, um equipamento integrado com turbina e gerador elétrico. A turbina (em pás fixas ou móveis) é projetada de acordo com as condições operacionais da aplicação, via ferramenta computacional CFD (Computacional Fluid Dynamics), utilizada por grandes indústrias, como a aeronáutica e a automobilística, para otimizar a geometria e o rendimento, por meio da simulação do escoamento de fluidos. O gerador elétrico é do tipo submerso molhado, refrigerado pelo fluido que passa pela máquina.

    Os turbogeradores são tipicamente aplicados como by-pass em tubulações de barragens e canais, em chegadas de reservatórios em quedas d´água de rios ou cachoeiras e em adutoras de água bruta, tratada ou de esgoto tratado. Uma das principais aplicações, porém, é como substituta total ou parcial de válvulas redutoras de pressão (VRP) em sistemas de distribuição de água. Isso porque o turbogerador pode funcionar no controle de pressão requerida na saída e ao mesmo tempo aproveitar a energia antes dissipada na válvula. Há uma turbina com essa aplicação na Sabesp.

    Segundo Schroer, é possível utilizar vários turbogeradores para atingir potências maiores de geração, por exemplo, utilizando vários em paralelo, como a exposta na feira, de 100 kW. Além de já ter também um outro sistema em operação no Semae de São Leopoldo, há a expectativa de expansão de uso na Sabesp, que tem planos de contratar via licitação 31 MW em turbinas para aproveitamento do potencial hidroenergético de sua rede de distribuição no estado paulista. A Higra pode produzir turbogeradores de 5 kW até 500 kW, para operar em vazões até 10 mil m³/h, em quedas com pressões de 4 a 200 mca. O potencial é para uso sempre conectado à rede elétrica, on-grid.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *