Fenasan 2008: Resposta ao alerta da ONU

Saneamento mostra competência tecnológica e legislativa em resposta ao alerta da ONU

Não poderia ser mais apropriado o slogan aludindo ao advento de uma verdadeira nova era com a abertura de horizontes para o setor de águas e esgotos, na 19ª edição da Feira Nacional de Materiais e Equipamentos para Saneamento – Fenasan 2008, no Expo Center Norte, em São Paulo, entre 19 e 21 de agosto.

Segundo os organizadores do evento na Associação dos Engenheiros da Sabesp (Aesabesp), a feira superou as conseqüências previsíveis de sua proposta como o “mais importante evento mercadológico do setor”, para se apresentar como uma pronta resposta da competência tecnológica, legislativa e financeira local ao alerta da Organização das Nações Unidas (ONU) para a necessidade de universalizar os serviços com qualidade no fornecimento de água potável e coletas de esgotos como ações preventivas de saúde pública, intrínsecas à declaração de 2008 como Ano Internacional do Saneamento.

O recente estabelecimento de um marco regulatório – por meio da lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007 – como instrumento controlador e fiscalizador das atividades entre operadores de saneamento e prefeituras (leia box na pág 112) e o volume de investimentos já assegurados para o desenvolvimento de projetos de ampliação dos sistemas de águas nos próximos anos são nos principais agentes catalisadores que aceleram as tendências de aquecimento do setor em um futuro próximo.

Na opinião do presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp (Aesabesp), Luiz Narimatsu, essas novas circunstâncias configuram a realidade ascendente do setor e, naturalmente, despertaram o senso de oportunidade dos empresários para a urgência de colocar as suas linhas de negócios com produtos e serviços em exposição na Fenasan 2008.

A demanda por espaço na feira atingiu tal ponto que, na última hora de fechamento dos contratos de vendas dos estandes, os organizadores chegaram a levantar a hipótese de ampliar as áreas para os mezaninos do pavilhão amarelo do Expo Center Norte.

Resultado: a abertura da feira contou com a participação de 146 empresas, o que representou o aumento de 40% na soma dos expositores em relação à sua edição anterior.

Química e Derivados, Luiz Narimatsu, Associação dos Engenheiros da Sabesp (Aesabesp),
Fenasan 2008 – Saneamento mostra competencia tecnologica, financeira e legislativa em resposta ao alerta ONU

A Fenasan 2008 também acabou batendo todos os seus recordes anteriores de público: algo em torno de 15 mil profissionais – de empresários e industriais a administradores, engenheiros sanitários, ambientais, técnicos e estudantes, além de pesquisadores de organismos públicos e da empresa privada, em busca da reciclagem e troca de experiências nos encontros de profissionais em torno das tecnologias para conter desperdícios de água potável e os impactos da nova regulação, para esclarecer detalhes do papel da recém-criada Agência Reguladora de Saneamento e Energia no Estado de São Paulo (Arsesp) na aplicação do novo marco legal para o setor.

Aportes de investimentos – Num mapeamento de investimentos já aportados e previstos para a área de saneamento básico, na abertura da feira o secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar da Cunha Tiscoski, anunciou investimentos de R$ 18,5 bilhões para o setor no primeiro quadrimestre de 2008.

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, a informação desses investimentos, por si só, denota o potencial de expansão do setor – o que segundo ele justifica a recente criação de um conselho de saneamento ambiental na entidade que dirige.

O estado de São Paulo tem assegurado o aporte de R$ 7 bilhões para buscar a meta da universalização no fornecimento de água tratada e, até 2010, chegar a pelo menos 84% na coleta de esgoto pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em 367 dos 645 municípios paulistas.

Outros investimentos estão sendo destinados ao projeto Programa Onda Limpa – um programa de saneamento financiado por fontes japonesas, no valor de R$ 1,2 bilhão. Trata-se de um conjunto de empreitadas de obras e serviços, com o objetivo de aumentar a cobertura de coleta e tratamento de esgoto dos atuais 53% para 95% nos nove municípios da Baixada Santista, até o início de 2011.

Sintonia fina: mercado x governo – Diante do volume dos investimentos previstos para saneamento e da expectativa de equilíbrio nas relações que o lançamento do novo marco regulatório legal do setor de saneamento proporciona, os operadores do sistema começaram a entabular suas táticas.

O diretor da Poly Easy do Brasil, Renato Salomão, foi um dos empresários que aguçou o seu faro para a possibilidade de abertura de novos negócios no ramo de tubos e conexões. “Agora estão estabelecidas todas as condições para o poder público e a empresa privada entrarem em uma fase de sintonia fina”, afirmou o empresário da Poly Easy.

De acordo com Salomão, durante os últimos quarenta anos o setor de saneamento instalou aproximadamente 400 mil quilômetros de tubulações na busca da cobertura da meta de 100% do fornecimento de água potável em todas as cidades brasileiras.

Química e Derivados, Salomao, Salomao, da Poly Easy: lançamento de tê de serviço que mantém fornecimento durante reparos, em momento também propício para os tubos de polietileno, Fenasan 2008 - Saneamento mostra competencia tecnologica, financeira e legislativa em resposta ao alerta ONU
Salomao, da Poly Easy: lançamento de tê de serviço que mantém fornecimento durante reparos, em momento também propício para os tubos de polietileno

Para dimensionar o tamanho do mercado de equipamentos, serviços e insumos para o setor de saneamento atualmente, o diretor da Poly Easy lembra que uma de suas peculiaridades é a exigência de investimentos sistemáticos e constantes em operações de obras de manutenção, com resultados de receita no longo prazo.

Sob o ponto de vista econômico, outro denominador comum do setor de saneamento básico na maioria dos países é seu caráter monopolista – por causa das dificuldades práticas na instalação de duas ou três redes de água ou esgotos por empresas diferentes.

Baseado nesses pressupostos – e ainda levando-se em consideração as necessidades de investimentos em equipamentos e serviços para as operações em obras de manutenção e melhoria da medição, redução de desperdícios na produção de água e vazamentos nos milhares de quilômetros de dutos do sistema de saneamento básico em todo o país –, Salomão concluiu que o mercado é vasto.

“E com a perspectiva para ser trabalhado no longo prazo”, acrescentou.

“Porque os investimentos planejados para a renovação da infra-estrutura, medição de controle, substituição de ramais, hidrômetros e aplicação de técnicas modernas de construção não-destrutiva e detecção de vazamentos devem ser periódicos e constantes.”

Na esfera de seu ramo de negócios, Salomão acredita que todos os pré-requisitos para consolidar a empresa lhe são favoráveis, como as recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) sobre os dutos de polietileno como referência de qualidade na instalação das redes de água potável.

No estande de 60 m2 da Poly Easy, o segundo maior da feira, o empresário tratava da promoção do principal produto da empresa – o Easy Ramal, um tê de serviço mecânico integrado e autotravado para ligações prediais:

“É um equipamento que permite ligações entre a rede predial e a pública sem precisar interromper o fornecimento de água durante os reparos, como ocorre quando esse tipo de ramal é utilizado”, explicou Salomão.

Estratégias rearticuladas – Enquanto nas mesas de debates técnicos se discutia a posição estratégica que o setor de saneamento deve estabelecer para enfrentar os desafios do setor no século 21, os operadores em todos os elos da cadeia produtiva de saneamento reforçavam os diferenciais específicos em seus argumentos em busca de correspondência com as exigências de qualidade embutidas no novo marco regulatório do setor.

No conjunto de empresas especializadas que ofereceram alternativas para tratamento de água e esgotos, efluentes industriais, reúso de efluentes, controle de poluição atmosférica e tratamento de resíduos destacaram-se as ilhas agrupando as indústrias ligadas à Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) – co-promotora da Fenasan 2008 –, à Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços de Saneamento e Meio Ambiente (Apecs) e ao Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco).

Na ilha da Abimaq, o gerente executivo da Ecosan Equipamentos de Saneamento, André Telles, anunciou que sua empresa aproveita este momento favorável da economia como um todo, e do setor em particular, para criar um novo planejamento estratégico.

Por meio de parcerias internacionais, o objetivo da Ecosan focaliza o ajuste dos padrões de qualidade locais com as exigências de ponta praticadas por empresas estrangeiras. Telles destacou seu interesse em fi rmar parcerias, mais diretamente com as empresas do Chile.

Segundo ele, pelo fato de a legislação para as operações de saneamento básico nesse país ser extremamente mais rigorosa em diversos aspectos – como é o caso da exigência de pré-tratamento do esgoto nas ligações domiciliares, antes do despejo na rede pública.

André Telles, gerente executivo da Ecosan Equipamentos de Saneamento, Fenasan 2008 - Saneamento mostra competencia tecnologica, financeira e legislativa em resposta ao alerta ONU
André Telles, da Ecosan: parcerias chilenas

O gerente de vendas lembrou que a Ecosan foi deixando um traço de sua presença em praticamente todos os países latino-americanos – com a instalação de 60 mil equipamentos e produtos de seu catálogo – desde o início das operações da empresa, em 1983. ETEs e ETAs, aeradores, grades automáticas e manuais, medidores Parshall, sistemas de abrandamento e desmineralização são alguns desses equipamentos.

Para a Fenasan 2008, a Ecosan destinou uma série de grades autolimpantes e, como atração principal, um fi ltro de poliuretano injetado com custo 30% abaixo dos similares convencionais no mercado, de fácil manutenção e maior durabilidade, segundo informou o gerente de vendas da empresa.

Parcerias sustentáveis – A abertura de todo o leque de serviços e equipamentos para distribuição de água e tratamento de esgotos levou a Aquamec Equipamentos e a Haztec Tecnologia e Planejamento Ambiental a firmar uma associação comercial, com o objetivo de intercambiar a experiência e o conhecimento acumulados pelas duas empresas no desenvolvimento de projetos fundamentados em critérios de sustentabilidade e meio ambiente no setor de saneamento.

A Haztec é uma empresa carioca da área de tecnologia e planejamento ambiental para os setores de saneamento, geração de energia, petroquímico e de mineração, que desenvolve um programa estratégico de fusões e aquisições como forma de ação para avançar no mercado, realizando diagnósticos para o gerenciamento ambiental integrado, gestão de águas, remediação de áreas impactadas e atendimento a emergências ambientais.

Na parceria comercial e tecnológica, a linha de negócios da Haztec deverá complementar a especialidade da Aquamec em tratamento de água e efluentes em diversos outros segmentos – do tratamento de águas e efluentes à indústria de transformação, química e petroquímica, siderurgia e mineração.

Legislação  amplia a transparência

Como consequência natural  do estabelecimento do novo marco regulatório  do setor de saneamento básico, em novembro de 2007 foi instituída a Agencia Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), com a função de fiscalizar e controlar as atividades no relacionamento entre as empresas operadoras de Sanamento e o Poder Público.

Conforme determina a nova lei, são estas agencias reguladoras que, a partir de agora, deverão se encarregar de definir com mais especificidade e datalhamento os deveres e direitos dos municípios, empresas de saneamento e os clientes, na ponta final do atendimento dos serviços.

Química e Derivados, Custo mais reduzido nas novas formas de controle biotecnológico, Fenasan 2008 - Saneamento mostra competencia tecnologica, financeira e legislativa em resposta ao alerta ONU
Custo mais reduzido nas novas formas de controle biotecnológico

A nova regulação abrange desde aspectos economicos como tarifas, ativos, financiamento de investimentos, estrutura de prestação de serviços, até os sociais, ambientais e de saúde pública.

De acordo com a secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Dilma Pena, “os serviços de agua e esgoto deverão ser universalizados com qualidade e eficiência e a missão da Arsesp é justamente buscar  o cumprimento desses objetivos, dentro de um novo rumo nos programas de saneamento.”

Para caminhar conforme esses parâmetros, a nova lei prevê outros instrumentos legais além do contrato de concessão da Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabeso) com cada municio atendido.

Nos casos em que não há possibilidade de acordo de renovação ou até cancelamento do contrato, se em algum momento o município decidir pela  retomada dos serviços terá que indenizar a empresa de saneamento perdedora, em uma determinada proporção dos investimentos nos anos interiores.

O gerente da Mizumo, Giovani Toledo, disse que a empresa estava se esforçando para destacar os diferenciais de seus produtos dentro dos critérios de sustentabilidade ambiental no tratamento de esgotos.

“Esses conceitos ambientais já faziam parte da nossa divisão de negócios há seis anos, como ponto de referência para o desenvolvimento eficaz dos projetos”, disse Toledo – que durante os três dias de feira se empenhou na promoção do Mizumo Plus e Mizumo Towers, dois modelos de estações compactas de tratamento para condomínios, conjuntos habitacionais e áreas comerciais de grande porte como shopping centers.

Química e Derivados, Giovani Toledo, Giovani Toledo, gerente da Mizumo, Fenasan 2008 - Saneamento mostra competencia tecnologica, financeira e legislativa em resposta ao alerta ONU
Giovani Toledo: diferenciais dos produtos da Mizumo se fixam no ambientalismo

Toledo revelou seu esforço para tentar alcançar a meta de aumentar em pelo menos 25% o total dos negócios fechados, em relação ao volume alcançado pela Mizumo na edição da Fenasan 2006.

Além do lançamento das estações compactas de tratamento de esgoto, a empresa colocou em exposição toda a sua linha standard de produtos: estações elevatórias de esgoto, filtros de carvão, areia e reservatórios verticais e horizontais.

A Ag Solve Monitoramento Ambiental apresentou sua série de equipamentos indicados como soluções para avaliar e remediar água.

O diretor da empresa, Mauro Banderali, informou que o destaque dos lançamentos da empresa foram as sondas multiparamétricas portáteis, que segundo ele têm a capacidade de analisar continuamente a qualidade das águas de reservatórios de efluentes, mares, rios e lagos.

Estações meteorológicas automáticas para ETEs e outros equipamentos destinados ao controle, prevenção e correção de danos ambientais fazem parte da família de produtos da Ag Solve, que esperou a Fenasan 2008 para lançar seu Levelogger: “Esse equipamento é único na medição dos níveis de água com dataloggers”, garantiu Banderali.

Química e Derivados, Mauro Banderali, diretor da empresa, Fenasan 2008 - Saneamento mostra competencia tecnologica, financeira e legislativa em resposta ao alerta ONU
Mauro Banderali e a sonda multiparamétrica para qualificar padrão de água

Lodo limpo – Na esfera de controle biotecnológico das águas, a Siemens apresentou como novidade o Cannibal – uma tecnologia desenvolvida para minimizar a quantidade de lodo nas estações de tratamento de esgoto.

Segundo o gerente de vendas da Siemens Water Technologies para a América do Sul, Antonio Carlos Palma Júnior, o processo dessa novidade no mercado brasileiro elimina o manuseio dos sólidos biológicos nas estações de tratamento de efluentes. Palma Júnior explicou que uma das principais vantagens do Cannibal é a redução de custos de manutenção nas estações de tratamento, com a eliminação de várias operações.

O Cannibal, segundo o gerente de vendas da Siemens, é processado em três fases envolvendo a remoção inicial de materiais inertes, o biorreator e o sistema de controle SmartCannibal em interação com o sistema SCADA.

“Com tudo isso, o Cannibal economiza energia no sistema de aeração do digestor, reduz o transporte do lodo desidratado para destinação ao aterro sanitário e o consumo de polímeros”, explica Palma Júnior.

Na desidratação do lodo biológico, esse produto gera também um volume maior de biomassa no processo de tratamento, o que proporciona diminuição de custos na manutenção das ETEs. Além do Cannibal, o estande da Siemens colocou em demonstração outros dois produtos: o Bloco Fundo de Filtro e o Sitrans FM MAG 8000.

O bloco é uma solução que possibilita a filtragem da água com perdas mínimas de carga; enquanto o Sitrans é um medidor de detecção de vazamentos desenvolvido para o abastecimento de água nas atividades de distribuição, tarifação e irrigação.

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