Tintas e Revestimentos

FEITINTAS 2000 – Feira prepara setor para o futuro

Quimica e Derivados
1 de agosto de 2000
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    Com o intuito de aprimorar a atuação e, assim, atingir a meta de dobrar em quatro anos o faturamento anual de US$ 132 milhões, esperado para 2000, a empresa adotou o conceito de unidades de negócios, uma das quais dedicada a tintas, adesivos e produtos para construção civil. “O setor de tintas foi um dos primeiros a ser atendido pela Ipiranga e ainda é um dos maiores em volume de negócios, motivo pelo qual decidimos começar por ele o projeto de renovação”, comentou Abrantes.

    A necessidade de rever a forma de atuação partiu da verificação de que o mercado comprador estava se modificando mais rápido que a empresa, por motivos de alteração de escala (via fusões e aquisições), questões ambientais e formulações avançadas, com maior conteúdo tecnológico. “Houve um reposicionamento de todos os elos da cadeia produtiva e era preciso acompanhá-los”, disse. A empresa quer ser reconhecida como provedora de soluções para os problemas dos clientes, além de facilitadora de processos industriais.

    Desde maio de 1999, a ICQ reavaliou o portfólio de produtos para identificar eventuais lacunas. “Vimos que contando apenas com os produtos da nossa linha não era possível formular uma tinta moderna”, avaliou Danilo Timich, gerente de desenvolvimento de negócios. Faltavam, por exemplo, resinas e pigmentos atualizados. Para enfrentar o problema, a empresa contratou uma consultora de renome incumbida de buscar parceiros internacionais, produtores de itens de alta tecnologia, inovadores, capazes de oferecer suporte técnico e de garantir o fornecimento ao País, além de complementar a linha da ICQ. A meta era encontrar fornecedores de itens nos quais houvesse poucas opções de suprimento no Brasil, com desempenho superior e custos competitivos, em condições de permitir a formulação de tintas ambientalmente amigáveis e também apresentar opções criativas para problemas de difícil resolução no setor. “Podemos modificar resinas acrílicas para substituir o poliuretano ou o silicone em aplicações críticas, a custos inferiores”, exemplificou Timich.

    A consultora fez as sondagens preliminares e selecionou 34 possíveis parceiros. Durante a feira de tintas de Dallas (Texas, EUA), em outubro, a ICQ contatou pessoalmente 19 pretendentes, descartando negócios com sete, por motivos de conflito de interesses com outras distribuídas. As unidades fabris dos doze restantes foram visitadas. Mais tarde outras três companhias foram escolhidas. Até agosto deste ano, dez empresas haviam firmado contrato de distribuição com a ICQ: Alcoa (espaçadores), B.F. Goodrich (emulsões acrílicas), B.F.G./Kalama (álcool benzílico e plastificantes derivados), Chitec (aditivos para sistemas de cura por UV), Color Corporation (concentrados de cor para sistemas tintométricos), Dixie (anidridos especiais), Ferro Enamel (pigmentos especiais e luminescentes), Georgia Pacific (resinas fenólicas especiais), ISPO (bases de efeito lótus), e Wacker (sílica, silicones, polivinilbutiral e resina vinílica). Há outras seis parcerias em processo de maturação, com possibilidade de acordo até outubro.

    Com isso, a posição de mercado da ICQ ganhou força. A Color Corporation, por exemplo, já opera na Argentina, onde detém 15% do mercado, mas não atuava no Brasil. Trata-se da empresa pioneira em cores para mix machines, detentora de 50% do mercado dos EUA. A Ipiranga pretende importar os concentrados prontos dos EUA e desenvolver trabalhos com fabricantes locais de tintas para que estes passem a formular bases compatíveis. A princípio, as tintas decorativas imobiliárias serão as primeiras a receber produtos da Color Corporation, sendo seguidas pelas linhas industriais consumidoras de tintas não-seriadas.

    Um dos pontos fortes da seleção feita pela ICQ consiste no fato de boa parte dos produtos das novas representadas constar de especificações de grandes consumidoras internacionais que já operam no Brasil. “Quando essas companhias decidem nacionalizar a fabricação de alguma tinta, elas encontram o nome das nossas parceiras nas fórmulas das matrizes, facilitando nosso trabalho de desenvolvimento de mercado”, comentou Timich, citando o caso da Chitec, renomada produtora taiwanesa de aditivos para as linhas de cura por UV/EB, tanto nas tintas como em plásticos.

    Os acordos também permitirão à ICQ disputar participação em coil coating, a pintura altamente flexível de chapas de aço, capaz de suportar as operações de estampagem por prensas. “Poderemos oferecer a linha de acrílicos da B.F.Goodrich, de alto brilho, ou as epóxi-fenólicas da Georgia Pacific”, informou Timich. A Georgia Pacific produz hidroxiéster multifuncional de fácil arranjo espacial, permitindo produzir resinas específicas com facilidade. “Pode ser comparado a um brinquedo tipo Lego, basta arrumar os blocos da forma desejada”, disse Timich.

    Coerente com a nova proposta de trabalho, a ICQ poderá realizar operações intermediárias para facilitar o uso ou tornar viável a importação de alguns materiais. “Faremos o que for necessário em dispersões, emulsões, misturas ou pré-formulações”, comentou Abrantes, mencionando a existência de instalações próprias para isso ou a possibilidade de terceirizar serviços.

    Ponto fundamental para o sucesso das novas linhas é a prestação de suporte técnico. “Montamos laboratório em Osasco-SP para testar tintas e que também pode ser usado para treinamento interno”, comentou Abrantes. O laboratório conta com equipamentos modernos, representando investimento de US$ 200 mil.



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