Feira mostra crescente sinergia entre cosméticos e fármacos

“O Caged indica que o salário médio em Goiás é cerca de um terço da média paulista; ainda que a produtividade do trabalhador seja um pouco menor, a diferença compensa”, apontou. Ele explicou que essa mudança representa um investimento elevado e exige aprovação prévia das instalações pela Anvisa. Alternativas estudadas pelo setor incluem retardar o lançamento de novos produtos, atitude que compromete a posição de mercado das companhias e, a mais plausível, reduzir ou adiar investimentos em capacidades produtivas adicionais no Brasil. A recente desoneração de tributos sobre a folha de pagamentos, concedida pelo governo federal, não foi recebida  com alegria unânime no setor. Segundo o presidente executivo, em geral, o setor farmacêutico é intensivo em capital e tecnologia, mas não em mão de obra. “Algumas empresas empregam mais pessoal e tiveram algum benefício”, admite. Além disso, a lei estabelece que as desonerações devem se traduzir em redução do preço final dos produtos beneficiados, ou seja, acabam sendo neutras para as indústrias, embora possam ajudar a conter a inflação.

Dados do Sindusfarma apontam que a carga tributária incidente sobre medicamentos no Brasil chega a 32,9%, um peso excessivo para produtos essenciais, ligados ao restabelecimento e à manutenção da saúde humana. “O sal de cozinha tem carga de 15%, nada contra, mas gostaríamos de um tratamento isonômico”, afirmou. “Não quero crer que o governo dê pouca atenção ao setor farmacêutico porque o impacto do preço desses produtos é pequeno no cálculo do IPCA.” O setor espera ser incluído no rol das atividades beneficiadas pela PEC 115/2012, obtendo assim a desoneração do PIS/Cofins.

Ao mesmo tempo, Mussolini não vê espaço para novas rodadas de fusões e aquisições no setor farmacêutico. “Já houve essa etapa, tanto no exterior como por aqui, com o objetivo de formar empresas com caixa forte para bancar esforços de pesquisa e desenvolvimento”, comentou. A título de exemplo: as cinco maiores empresas farmacêuticas mundiais investem entre 5% e 9% de seu faturamento em P&D.

No Brasil, Mussolini elogia os esforços de fiscalização da Anvisa, responsáveis pelo fato de o setor ter alcançado forte crescimento, porém com qualidade elevada. “Há mais empresas nacionais do que internacionais no setor, que sabe muito bem fazer o jogo dos genéricos, das patentes e das boas práticas de fabricação, atuando de forma competitiva”, considerou. Para ele, a qualificação abre para o setor um futuro promissor, apoiando a geração de conhecimento mediante a participação crescente em pesquisas e nos testes clínicos de novos fármacos. Além disso, há um estímulo marcante criado pela exigência de transferência tecnológica nas compras governamentais.

Essas compras, aliás, deveriam ser maiores. “O Brasil gasta pouco com a saúde pública, apenas 7,1% do total de gastos públicos; o Chile investe 16%; e a Argentina, 14,7%, apenas para citar países próximos”, comentou Mussolini. Nesse quadro, do faturamento setorial de quase R$ 50 bilhões, as compras de medicamentos pelo governo somam perto de R$ 10 bilhões, ou seja, 20%. Segundo o executivo, no país, os gastos privados em saúde superam ligeiramente os públicos, ou seja, quase a metade das despesas nesse item sai do bolso da população. “O SUS atende boa parte da população, por isso é importante que o fornecimento de remédios acompanhe esse serviço”, acrescentou.

Os dados da entidade também mostram que o setor apresenta um déficit na balança comercial de cerca de US$ 5,3 bilhões, número pequeno perto de outros setores, como o de eletrônicos e de fertilizantes. “As importações de medicamentos prontos são pequenas, o pesado está nos farmoquímicos”, avaliou. Nesse campo, ele entende que o Brasil perdeu a oportunidade de se tornar um player mundial nas décadas de 60 e 70, a exemplo do que fez a Índia. “Esse quadro é difícil de reverter, mesmo porque a maioria dos países do mundo depende da importação de farmoquímicos”, considerou. Ele afirma, porém, que o governo entende como ponto estratégico assegurar para o Brasil uma forte participação no campo dos produtos de origem biológica, cuja produção deve ser desenvolvida por aqui, independentemente da origem do capital investido.

Durante a FCE Pharma, o setor espera encontrar novidades relacionadas à  tecnologia de produção. “O foco da feira neste ano recai na rastreabilidade, que exige contar com equipamentos e sistemas avançados, pois essa é a maior preocupação mundial”, salientou. A troca de informações e experiências daqui e do exterior durante o evento contribui para a evolução setorial e alavanca negócios importantes, segundo Mussolini.

 

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