Feira mostra crescente sinergia entre cosméticos e fármacos

A Euromonitor, em sua publicação Five Trends in Beauty for 14 Countries in North and South America, avalia que os produtos para cuidados capilares continuam a comandar o crescimento dos negócios setoriais no Brasil. Fortes campanhas publicitárias apoiam a entrada de novos produtos e marcas com apelos voltados para a qualidade, porém ainda um passo atrás das linhas premium, cujo crescimento local tem sido moderado. Os xampus dominam as vendas no segmento, mas há excelentes prognósticos para o crescimento dos produtos para tratamento capilar, condicionadores e pós-xampus. No país, os bons dados macroeconômicos e a elevação do salário mínimo têm explicado esse forte crescimento das vendas, além da afinidade cultural dos brasileiros aos produtos de higiene e beleza.

A consultoria apontou uma tendência na comercialização desses produtos, ainda muito ligada às vendas em supermercados, com o crescimento das redes de lojas especializadas em cosméticos, situadas em pontos estratégicos. Essa novidade tende a tomar mercado do sistema de vendas diretas. Os negócios pela internet também mostram ligeiro aumento.

Para o futuro, a consultoria aponta como sendo mais promissores os cosméticos colorantes, itens para cuidados pessoais masculinos e produtos para limpeza bucal. Ao mesmo tempo, nota-se uma retração das vendas dos sabões em barra, principal produto para banho no Brasil.

Toda a região da América Latina é considerada muito promissora pela Euromonitor no campo de higiene e bilhõesbeleza. A consultoria estima que os produtos mais populares (vendidos em supermercados) devem apresentar crescimento de 29,5% nos próximos cinco anos, percentual superior aos dos produtos premium, mais caros, que chegariam a 27,7%. Em escala global, esses aumentos ficam em 15,7% e 14,6%, respectivamente.

Farma tem queixas – Os resultados do setor são interessantes: as vendas de todo o setor farmacêutico no Brasil somaram R$ 49,63 bilhões em 2012, com elevação de 15,75% sobre o valor registrado em 2011. Foram comercializadas no ano passado quase 2,59 bilhões de unidades, 10,61% acima do alcançado em 2011. Em dólares, o faturamento ficou 1,09% menor, somando US$ 25,40 bilhões. Apesar disso, a indústria farmacêutica nacional acendeu a luz amarela em seus prognósticos. “Não temos certeza de que teremos um 2013 melhor que 2012. Sabemos que o setor crescerá bem acima do PIB, como sempre acontece, mas não estamos convictos quanto aos resultados”, analisou Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma). Ele atribui um alto grau de incerteza ao controle oficial de preços dos medicamentos, que fixou reajustes abaixo da evolução dos custos de produção. Na média do setor, o aumento de preços autorizado em abril deste ano foi de 4,56%. “Em 2012, o dólar era cotado a R$ 1,60, agora está por volta de R$ 2,00 e isso influencia muito nossas operações, dependentes de insumos importados. Além disso, os salários ficaram 7,5% mais caros em 2012 e estão subindo perto de 8,3% neste ano, tudo isso pressionaa rentabilidade”, explicou. A inflação oficial de 2012 chegou a 6,5%.

A lei de controle de preços dos medicamentos, criada em 2003, atribui à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamento (Cmed) o poder de arbitrar o percentual de aumento dos preços. O órgão define três faixas de reajustes, conforme o grau de participação de genéricos. A faixa em que os genéricos representam 20% ou mais do faturamento teve autorização de reajuste maior que as demais, chegando a 6,31%; a faixa intermediária, com 15% a 20% de genéricos, ficou com 4,51%; enquanto a faixa com menor peso de genéricos só pôde reajustar seus preços em 2,7%. “Esta última categoria agrupa os medicamentos mais avançados, protegidos por patentes, que precisam oferecer uma remuneração maior para quem investiu no seu desenvolvimento. Desta forma, está se desestimulando a inovação”, comentou Mussolini.

Em uma análise de médio prazo, ele salienta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cresceu 31,8% entre 2008 e 2012, enquanto o preço médio dos medicamentos teve evolução de 23% (com máximo de 30% e mínimo de 17%). “Essa lei de reajustes está ultrapassada, foi criada num contexto em que a moeda nacional era muito instável”, avaliou. Há um alento: segundo Mussolini, o governo federal tem se mostrado disposto a discutir a questão com o setor. O executivo salienta que a perspectiva setorial de baixa remuneração tende a apresentar reflexos. Um deles poderá ser a transferência paulatina das indústrias do setor para fora do estado de São Paulo, onde os custos são muito elevados e a tributação é excessiva. Ele aponta o estado de Goiás como um destino possível, com atividade farmacêutica já consolidada e boa atratividade.

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