Feira da Mecânica: Equipamentos simples mas precisos ganham destaque na exposição

A busca por tecnologias de controle mais precisas e de concepção simples, para facilitar a manutenção dos equipamentos, marcam a Mecânica’2002, ocorrida de 6 a 11 de maio em São Paulo

Química e Derivados: Feira: mecanica_abre. As operações de controle de processos industriais podem tornar-se mais eficientes e alcançar níveis máximos de precisão e mínima manutenção. Esse foi um dos aspectos evidenciados pelas tecnologias que estiveram à mostra na 22ª edição da Feira Internacional da Indústria Mecânica, a Mecânica’2002. Promovida pela Alcântara Machado Feiras de Negócios, com apoio da Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a exposição levou ao pavilhão de exposições do Anhembi, em São Paulo, de 6 a 11 de maio, mais de 1.700 expositores.

Na megaexposição, não faltaram opções para integrar sistemas de bombeamento industrial. Entre elas, as bombas peristálticas empregadas na transferência de fluidos, Watson Marlow Bredel, constituíram um dos pontos altos da apresentação da Spirax Sarco. O equipamento, denominado SPX40, possibilita atingir altas vazões com alto torque, e vem com novo redutor de rotação planetária, operando em sentido horário ou anti-horário, para facilitar a instalação em pontos de difícil acesso. Segundo informações da Spirax Sarco, o usuário desse tipo de bomba pode contar com ganhos significativos de manutenção, pois o fluido

Química e Derivados: Feira: Mais de 1.700 expositores marcaram presença na Anhembi.
Mais de 1.700 expositores marcaram presença na Anhembi.

bombeado não entra em contato com os componentes internos, mas somente com a mangueira, confeccionada em material resistente a maior parte de fluidos, inclusive ácidos e corrosivos, constituindo o único elemento a ser substituído de acordo com as necessidades de trabalho. Outra vantagem associada às bombas peristálticas é poder processar não só líquidos, como também lodos, colas, fluidos viscosos, alimentos, pós, detritos e microorganismos vivos, destinando-se não só ao tratamento de efluentes, como também a várias operações industriais.

Dimensionadas com as mesmas características das bombas helicoidais, as bombas da série L, da Netzsch, também despertaram a atenção do público, principalmente pela alta capacidade de vazão, podendo chegar a 500 m³/hora, e, portanto, bombear maiores volumes, aspecto que também possibilita o retorno do investimento em menor tempo. Além de oferecer precisão para o controle de fluxo contínuo, o equipamento foi desenvolvido para ser compatível com fluidos de alta viscosidade e/ou alto teor de sólidos, podendo contar com várias opções de articulação, e operar a pressões de 4, 6 e até 72 bar, em temperaturas de –40 até 200°C.

Integrando ainda a linha da Netzsch, destacaram-se as bombas da série monobloco (Block), que utilizam como mancal o próprio sistema de acionamento, além da bombas centrífugas que ficam submersas nos tanques de tratamento de efluentes e águas residuais, e que apresentam maior praticidade às operações

Química e Derivados: Feira: Bomba helicoidal Netzsch - vazão de até 500 m3-hora.
Bomba helicoidal Netzsch – vazão de até 500 m3-hora.

das instalações industriais e municipais. Acionados por motor elétrico à prova d’água, esses equipamentos têm capacidade de bombeamento de 4.500 m³/hora, embora o modelo apresentado na Mecânica’2002 pudesse atingir 100 m³/hora.

Para atender aplicações em saneamento, tratamento de água e esgoto, drenagem, irrigação, entre outras, a Imbil lançou na Mecânica bombas re-auto-escorvantes de l,5 polegada e 2 polegadas, para atender às necessidades de pequenas instalações, promovendo bombeamentos na faixa de 35 m³/hora. Entre as soluções para evaporadores, cozedores, filtros e extração a vácuo em fábricas dos segmentos de papel e celulose, tecidos, químico, petroquímico, entre outros, a Imbil promoveu o lançamento da bomba rotativa de vácuo (BV 1000), para operar em faixas de vazão de até 3 mil m³/hora.

Os visitantes da feira também puderam acompanhar várias tecnologias para filtragem de fluidos. Dimensionados para filtragem automática nas indústrias químicas e com aplicações previstas em torres de resfriamento, descargas de colunas de destilação, linhas de análise, aditivos e misturas, com poder de filtração de 149 microns a 6,4 mm de produto final, os filtros rotativos autolimpantes (VRS-2), da Spirax Sarco, chamaram a atenção do público pela sua versatilidade.

Outra novidade em sistemas de filtragem foi apresentada pela Netzsch. Tradicional em sistemas de filtragem por batelada, que operam dentro de capacidades

Química e Derivados: Feira: Bomba re-autoescorvante Imbil.
Bomba re-autoescorvante Imbil.

de 0,02 m³/hora a 100 m³, a empresa agora lança, sob licença da japonesa Ishigaki, o sistema de desaguamento Contipress, para filtragem contínua. Tratra-se de filtro rotativo contínuo, totalmente automatizado em sistema fechado, que tem por foco de mercado as estações de tratamento de efluentes industriais. Alimentado com suspensão floculada por polímeros, esse equipamento possui onze diferentes tamanhos e pode chegar a um rendimento de até 1,2 tonelada de sólidos secos por hora.

A Mecânica’ 2002 também propiciou a exposição de vasta gama de sistemas e tecidos filtrantes para uso industrial. À base de poliéster, polipropileno, náilon e algodão, esses tecidos, após vários tipos de cruzamento têxtil, passam por processo de acabamento termofixado e calandrado e, dentro desse segmento, destacaram-se as lonas filtrantes para filtro prensa, fabricadas pela Air Slaid, de Americana-SP, e que são direcionadas ao tratamento de efluentes. A empresa também levou à feira desenvolvimentos em bolsas centrífugas, discos filtrantes para bombas/filtros e sacos galvânicos, confeccionados sob medida, e de grande utilização no setor químico.

Química e Derivados: Feira: Lona filtrante para filtro-prensa.
Lona filtrante para filtro-prensa.

No segmento de produção de gases industriais de alta pureza, destacaram-se os insumos e serviços oferecidos pela Aga, como a família de gases de proteção para processos de soldagem e o pacote de soluções para os mercados de soldagem e corte a laser, compreendendo gases, projeto e montagem de instalações centralizadas, além de suporte tecnológico.

Outro segmento de grande representatividade na feira foi o de válvulas para controlar vazão e pressão. Fabricadas na França, e disponibilizadas no Brasil, as válvulas borboleta da série Acris, da KSB, foram desenvolvidas para suportar temperaturas nas faixas de 29°C a 160°C, além dos efeitos de fluidos corrosivos, sendo confeccionadas com sede e disco em aço cromo revestido em teflon. Para aplicações químicas de alta corrosão, destacaram-se as válvulas borboleta Danais, também fabricadas pela KSB, para suportar altas temperaturas e pressões, nas faixas entre 50°C a 260°C.

Entre os novos desenvolvimentos Ciwal, chamaram a atenção do público válvulas de controle com concepções globo e esfera. Comandadas à distância por sistema remoto de alta precisão, as válvulas globo foram providas de mecanismo de abertura e fechamento eletro-pneumático e possuem versões em diâmetros de ½ a 12 polegadas, em ferro fundido, aço carbono, aço inoxidável e ligas especiais. Também controlada à distância, a série de válvulas de esfera

Química e Derivados: Feira: Borboleta Acris - alta resistência.
Borboleta Acris – alta resistência.

têm aplicações especificadas para líquidos, gasosos, lodos, sólidos, óleos, hidrocarbonetos, entre outros.

Com grande utilização na limpeza de filtros de manga, as válvulas solenóides de pulso Asco, fabricadas pela Ascoval, também constituíram ponto de atenção dos visitantes da feira, pela capacidade inerente a esse tipo de equipamento no sentido de impedir emissões de particulados na atmosfera.

Mas, juntamente com esse tipo de válvula, a empresa promoveu outros lançamentos, como das válvulas solenóides com travamento magnético e que propiciam baixo consumo de energia, podendo ser acionadas por bateria de 9 volts, e das válvulas com conectores inteligentes para aplicações em fieldbus.

A mostra também contou com a apresentação de válvulas auto-operadas da Spirax Sarco (série 25). Concebida com uma série de pilotos acoplados individualmente, ou conjugados a um único corpo, essa linha assume a função de controlar uma ou mais variáveis de processo, não necessitando de energia externa para acionamento. Capaz de controlar mais de uma variável de processo, pode ter dez diâmetros diferentes, desde ½ polegada até 6 polegadas, possuindo sede e cabeça da sede revestidas com teflon ou uretano sólido, para aplicações em líquidos ou gases.

Química e Derivados: Feira: Esfera Ciwal - controle à distância.
Esfera Ciwal – controle à distância.

Para facilitar o controle de ampla gama de fluidos em função dos diferentes revestimentos empregados, as válvulas de diafragma SG-2000, apresentadas pela Vallair, empresa coligada a Omel, chamaram a atenção pela sua versatilidade.

Com corpos em perfil reto ou angular, essa linha está disponível nas bitolas de ½ polegada a dez polegadas, podendo ter revestimentos e diafragmas em borrachas, teflon ou vidro. Sua operação pode ser manual ou através de comandos pneumáticos que conferem ao equipamento respostas rápidas em regulagens e/ou bloqueio de fluidos homogêneos, ácidos, corrosivos, além de fluidos com sólidos em suspensão.

Entre os produtos mais recentes para o segmento de conexões em aço inoxidável, a Detroit levou à feira a linha do tipo dupla anilha (D-Lok), requisito para os sistemas de instrumentação que operam em condições de alta pressão, na faixa de 15 mil p.s.i. Participaram também da mostra as tradicionais linhas de válvulas para controle de processos, disponíveis para baixa, média e alta pressão (6.500 p.s.i) e que possuem diferentes configurações nas extremidades, além das linhas de tubos flexíveis, fabricados em cobre recozido, náilon ou polietileno e de mangueiras hidráulicas para pressões de trabalho de até 7.000 p.s.i.

Química e Derivados: Feira: Solenóide Asco - sem particulados.
Solenóide Asco – sem particulados.

Com aplicações em agitadores para todos os tipos de líquidos, destacaram-se alguns lançamentos no segmento de redutores. A Geremia, de Bento Gonçalves–RS, apresentou o redutor pendular de eixos paralelos, provido de transmissão por engrenagens helicoidais, com reduções de l:8,75 a l:235, e potências que variam de 0,33cv a 30 cv. Com carcaça em ferro fundido e engrenagens e eixos em aço, outra novidade apresentada pela empresa foi o redutor de eixos parelelos com transmissão por um estágio de engrenagens helicoidais, com reduções de 1:2 a l:9, e potências que variam de 0,5 cv a 15 cv, especialmente desenvolvido para atender ao segmento de bombas de alta pressão.

As atividades de manutenção preventiva direcionadas ao setor de máquinas e equipamentos também se voltaram para a lubrificação, destacando-se nesse aspecto o sistema automático de lubrificação centralizada fabricado pela Bozza. Provido de CLP (Controlador Lógico Programável), o sistema é dotado de um reservatório central interligado a uma rede de tubos, válvulas e acessórios que dosam nas quantidades desejadas e em períodos pré-determinados e conduzem os lubrificantes aos pontos de atrito.

Química e Derivados: Feira: Omel representa válvula diafragma Vallair.
Omel representa válvula diafragma Vallair.

Um dos destaques em automação para ensaios ficou por conta do sistema Contura. Trata-se de máquina automática fabricada pela Zeiss, para promover medições tridimensionais em peças usinadas e de produção seriada, e que opera a uma velocidade de 250 mm. por segundo, sendo capacitada a medir peças nas seguintes dimensões: largura, entre 700 mm a 1.000mm.; altura, entre 600 mm. a 1.600 mm.; e comprimento, entre l.000mm. e 4.000mm. Um dos recursos mais importantes e que vem integrado ao cabeçote da Contura é um scanning, capaz de promover apalpações mecânicas contínuas, com a leitura de cem pontos por segundo. Para se ter melhor idéia do potencial da máquina, uma carroceria de automóvel dispõe de cerca de 300 pontos para leitura. Na Mecânica, a empresa levou para demonstração ao público o modelo SMM-D, capaz de fazer leituras de 300 pontos em 30 minutos.

No segmento de equipamentos para controle de qualidade, a Emic nesta edição da Mecânica deu prioridade às máquinas de ensaios mecânicos de maior porte e mais alta capacidade, na faixa de 500 kgf providas de garras hidráulicas, como o modelo DL 60.000. Destinadas a ensaios de tração em materiais metálicos, segundo padrões ASTM, ABNT, DIN e ISO, as garras são oferecidas em quatro modelos e capacidades que vão de 10 tf, 20 tf, 30 tf e 60 tf, destinando-se principalmente a grandes quantidades de ensaio, em geral acima de 500 ensaios/dia.

Química e Derivados: Feira: Conexões D-Lock - aço inoxidável.
Conexões D-Lock – aço inoxidável.

Outra novidade apresentada pela Emic na feira foi o extensômetro óptico a laser (P–100), desenvolvido em parceria com a empresa alemã Fiedler Optoelektronik, e que permite a realização de medições sem contato com os corpos de prova dos materiais ensaiados (plásticos, borrachas, metais, cerâmicas), para verificar-se a existência de micro-deformações. Esse tipo de equipamento é especialmente recomendado para os casos em que não se pode ter contato com os corpos de prova, como as películas de látex utilizadas na confecção de preservativos, fios em fibra de vidro, utilizados em fibra óptica, para transmissão de dados em telecomunicações, e, ainda, nos casos em que a temperatura do corpo de prova é tão elevada, chegando a l.600°C, que impede o contato, como em se tratando de ensaios de materiais cerâmicos.

A Mecânica’2002 também propiciou à Emic comemorar seu recém-credenciamento junto ao Inmetro, como um dos membros da Rede Brasileira de Calibração, em condições de calibrar máquinas de ensaios e prensas nas faixas de tração de 100 kN e compressão de 5.000 kN, ou seja, ampliando sua capacidade de medição para até 500 tf.

Química e Derivados: Feira: Máquina de ensaios Emic - garra (embaixo) faz 500 por dia.
Máquina de ensaios Emic – garra (embaixo) faz 500 por dia.

 

Química e Derivados: Feira: Máquina de ensaios Emic - garra faz 500 por dia.
Máquina de ensaios Emic – garra faz 500 por dia.

No setor de tratamento térmico do aço (têmpera) e aplicação de revestimentos, destacaram-se na Mecânica’2002 as possibilidades oferecidas pela Brasimet em matéria de revestimentos por PVD (Physical Vapor Deposition), ou seja, deposição física de vapores, já executados em ferramentas e moldes e agora ampliados para deposições em múltiplas camadas, tecnologia disponibilizada à Brasimet pela empresa holandesa Hauzer Techno Coating BV, pertencente ao grupo alemão Ipsen, e que permite que os compostos atuem como lubrificantes secos, sendo indicada para operações de grande abrasividade e que apresentam problemas de aderência quando de moldagens por injeção sob temperaturas elevadas, em torno de 200°C a 300°C.

Especificados para diminuir a necessidade de polimentos e proporcionar acabamento superficial às ferramentas em faixas de dureza de 2.000 a 3.500 Hardners Vickers, os revestimentos realizados no aço são especialmente indicados para injeções com cargas abrasivas, contendo, por exemplo, fibras minerais, fibras de vidro e fibras de carbono, e que geram vapores corrosivos, visando ainda facilitar as operações de desmoldagem.

Química e Derivados: Feira: Peças revestidas por PVD - para abrasão.
Peças revestidas por PVD – para abrasão.

Além de camadas de revestimentos já conhecidas, como nitreto de titânio, nitreto de titânio alumínio, nitreto de cromo e carbonitreto de titânio, a Brasimet oferece revestimentos em PVD em nitreto de titânio alumínio com camada dic (diamon like carbon) e também em nitreto de cromo com camada dic, que irão atuar como lubrificantes secos nas ferramentas.

Como alternativas para solucionar problemas relacionados com instalações, a Henkel Loctite destacou na exposição fios de poliamida, desenvolvidos para vedação de componentes plásticos roscados, e que proporcionam vedação eficiente para tubulações de ar, água, fluidos à base de petróleo, propano e gás natural, podendo ser utilizados em vedações de tubulações condutoras de água potável, por sua propriedade de não contaminar o fluido. Foram ainda objeto de divulgação na feira os agentes desmoldantes poliméricos, utilizados como antiaderentes em moldes e ferramentas.

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