Febrava – Avanço nas metas ambientais do Protocolo de Montreal se reflete sobre as inovações tecnológicas e no volume de negócios deste ano

Química e Derivados, Nádia Bou Chacra, Professora-doutora da USP, Febrava - Avanço nas metas ambientais do Protocolo de Montreal se reflete sobre as inovações tecnológicas e no volume de negócios deste ano
Nádia: salas limpas eficazes na manipulação nanotecnológica

Onda bionanológica na Ilha Salas Limpas – A revolução imperceptível a olho nu provocada pela onda nanotecnológica demonstrou na ilha temática da Sociedade Brasileira de Controle de Contaminação (SBCC) alguns de seus avanços no segmento biotecnológico – que torna possível, por exemplo, a criação de nanodispositivos capazes de percorrer a circulação sanguínea e detectar doenças, reparando os órgãos afetados. Mais especificamente, foram feitas demonstrações públicas sobre o uso, ampliado significativamente nos últimos dez anos, da nanotecnologia na produção da Medicina e dos cosméticos. Sob a coordenação da professora-doutora Nádia Bou Chacra, os alunos da Faculdade de Farmácia da Universidade de São Paulo (USP) fizeram uma prova no laboratório de produção de nanocápsulas classe ISO 5/6 — contendo as substâncias ativas para a formulação de um invento nanobiotecnológico desenvolvido pela própria dra. Nádia Chacra: um colírio que se mantém fixo nas membranas oculares, como se fosse uma lente de contato. Os estudantes da Faculdade de Farmácia da USP também realizaram outras simulações com nanocápsulas para produzir vitaminas aplicadas em cremes e loções cosméticas.

“Posso assegurar que o laboratório montado aqui dentro do novo conceito de áreas limpas é o laboratório dos meus sonhos”, confessou a dra. Nádia. Ela explicou que o conceito de ambiente laboratorial como área limpa cada vez mais ganha força e importância também para as indústrias do alimento, mecânica e microeletrônica, além da biotecnológica. “É um espaço onde se pode controlar com precisão a concentração de partículas em suspensão no ar, oferecendo condições para procedimentos de alta tecnologia, caso da produção de nanocápsulas que desenvolvemos”, esclareceu a professora.

Depois que se constatou o comprometimento com a qualidade e parametrizações regulamentadas por certificação ISO, naturalmente houve uma ampliação da utilização das áreas limpas pelas indústrias de tecnologia de ponta. O planejamento de construção de projetos de Salas Limpas depende de uma longa cadeia de fornecedores de materiais, equipamentos e serviços. A ilha da SBCC/Salas Limpas foi instalada num espaço de400 m², ocupados por 40 empresas fornecedoras de equipamentos de infra-estrutura laboratorial e de climatizadores modulares centrais, unidades desumidificadoras do ar do processo químico, dispositivos e tetos filtrantes, cabines unidirecionais de fl uxo, painéis elétricos, inversores, conversores, sensores de PLCs, transmissores e ativadores. A ilha da SBCC reservou uma área para experimentos em biossegurança na produção de vacinas e um biotério. Na condição de usuária de salas limpas, a diretora de desenvolvimento tecnológico e produção do Instituto Butantan, Hizako Gongo Isaki, explicou que no momento em que os técnicos estão produzindo uma vacina, eles manipulam microrganismos vivos, exigindo a proteção tanto do operador como do meio ambiente contra qualquer contaminante que participe dos procedimentos. “Temos de operar no interior de uma sala extremamente controlada, como devem ser as salas de biossegurança nível4.”

Química e Derivados, Diego Comba, Aluno da Unicamp, Febrava - Avanço nas metas ambientais do Protocolo de Montreal se reflete sobre as inovações tecnológicas e no volume de negócios deste ano
Diego Comba, aluno da Unicamp

No laboratório de biossegurança nível 3 da SBCC, coordenado por Isaki, foram realizadas durante a feira, demonstrações de manipulação de um vírus gripal suspeito de possuir a capacidade de provocar uma pandemia. “Estamos manipulando com esse vírus, que requer todo o cuidado. Porque não pode evidentemente ocorrer o vazamento desse tipo de vírus para o ambiente externo”, disse Isaki, acrescentando que a capacidade de isolamento das Salas Limpas desenvolvidas no País é absolutamente confiável. “A qualidade dos filtros, incubadoras, pisos, divisórias, bancadas e outros equipamentos na infra-estrutura das Salas Limpas não perde em nada para os similares estrangeiros”, avaliou a especialista, com base em uma recente transferência de tecnologia que o Instituto Butantan realizou com a França.

Carro ecologicamente correto – A demonstração de um protótipo de carro a hidrogênio cinco vezes mais econômico que veículo um comum, reduzindo um terço da emissão de gás carbônico, foi a inovação tecnológica que o Laboratório de Hidrogênio do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Estratégico da Unicamp apresentou na ilha de Energia Alternativas da feira.

Segundo o estudante Diego Vaz Pontes Comba, aluno do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp, o automóvel foi desenvolvido pela equipe do professor Ennio Peres da Silva, em parceria com o Ceneh (Centro Nacional de Referência em Energia do Hidrogênio), com base no projeto de um conversor de álcool comum (etanol) em hidrogênio. “A indústria automotiva considera o hidrogênio um gás combustível de grande potencial, tanto pelo alto aproveitamento da energia obtida como por sua queima”, explicou o estudante Vaz Comba. “A vantagem ambiental da queima de etanol convertido a hidrogênio é que ela não resulta emissão de poluentes como óxidos de enxofre, nitrogênio e compostos orgânicos particulados. Como subproduto desta queima, apenas água.”

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