FCE Pharma: Novos ativos reforçam pesquisa e terapêutica

Sem a presença tradicional das empresas do Oriente, evento mantém tradição de lançamento de novas tecnologias

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As mais recentes contribuições tecnológicas à produção de fármacos foram conferidas durante a 8ª FCE Pharma. Realizada no Transamérica Expo Center, em São Paulo, de 13 a 15 de maio último, sob a promoção da VNU Business Media, a feira recebeu mais de 16 mil visitantes, reunindo duas centenas de fornecedores de matérias-primas, máquinas, equipamentos, embalagens e serviços.

Como de praxe, a exposição foi palco de vários lançamentos, acrescentando boas novidades à gama de matérias-primas já empregadas na região. Nesta edição, porém, evidenciou-se maior compromisso dos fornecedores no campo das pesquisas e terapêuticas farmacológicas, observado pela oferta de ativos mais eficazes tanto ao tratamento, como à promoção da saúde.

A Rhodia Pharma Solutions, maior produtora mundial de ácido acetilsalicílico, promoveu três novas versões para o AAS, tradicional analgésico e antitérmico de largo emprego industrial.

Já adotadas em laboratórios da Europa e dos Estados Unidos, como Wyeth, GSK e Sanofi, as novas tecnologias de AAS, desenvolvidas nos centros de pesquisa dos Estados Unidos, Europa e Ásia, facilitam o processamento, realizado sob compressão direta ou a seco.

Assim, duas novas composições de AAS estão trazendo a substância acrescida de amido (Rhodine 2371) e também pigmentada (Rhodine 1416 P), suprimindo as etapas de molhagem, secagem e granulação que demandam tempo e dinheiro, gerando maior ganho em produtividade e economia de custos.

Química e Derivados: FCE: Aymard - boas práticas tranqüilizam clientes.
Aymard – boas práticas tranqüilizam clientes.

Além de conferir efeito visual mais atrativo aos medicamentos, aspecto bastante apreciado em medicamentos O.T.C (Over The Count), de venda livre ao consumidor, a versão pigmentada de AAS pode incrementar a manufatura de comprimidos fabricados em multicamadas coloridas.

Outra inovação foi representada pelo AAS microencapsulado e revestido com etilcelulose. Seus maiores benefícios à saúde são prolongar os efeitos analgésico e antitérmico, bem como oferecer proteção gástrica em face da ingestão do medicamento.

Como segundo maior fabricante de paracetamol (N-acetil-p-aminofenol), a Rhodia Pharma Solutions também dedicou estudos recentes ao desenvolvimento de APAP na forma microencapsulada, visando oferecer proteção gástrica aos pacientes e facilitar a ingestão do medicamento pelo mascaramento do sabor pouco agradável da substância.

Para Daniel Aymard, gerente de negócios na área de ingredientes farmacêuticos da Rhodia Pharma Solutions para a América Latina, a importância de se manter boas práticas de fabricação em todas as etapas de produção tanto de matérias-primas farmacêuticas, como de intermediários de síntese, é preservada pela empresa, oferecendo tranquilidade para as indústrias usuárias.

“Somos a única empresa no mundo a respeitar e adotar as normas da OMS – Organização Mundial de Saúde – relativas à adoção das Good Manufacturing Practices em processos de fabricação de ingredientes farmacêuticos, preocupando-nos em atender às necessidades dos nossos clientes na área de desenvolvimento de novos medicamentos”, informou.

Na qualidade de líder mundial na fabricação de fosfatos de cálcio, desenvolvidos para emprego em complementos nutricionais, medicamentos e alimentos, a Rhodia também evidenciou sua política de contribuir para implementar e difundir estudos que resultem em medicamentos mais eficazes, ao comunicar as conclusões de duas pesquisas sobre novas composições em fármacos.

Uma delas, promovida pela Universidade de Creighton, em Nebraska, nos Estados Unidos, revelou a co-dependência existente entre o cálcio e o fósforo no crescimento e desenvolvimento ósseo, destacando a importância de se associar esses elementos para prevenir e tratar a osteoporose.

Outro estudo de controle, envolvendo 14.275 mulheres com idade entre 31 anos e 70 anos, realizado pelo Grupo da Saúde da Mulher da Universidade de Nova York, destacou o papel do AAS na redução do risco de desenvolvimento de câncer de ovário epitelial.

Química e Derivados: FCE: Valente - anestésicos são as vedetes de exportação.
Valente – anestésicos são as vedetes de exportação.

Exportando para o mundo – Com foco centrado em pesquisa e desenvolvimento, e que resulta na produção de três a cinco novas moléculas ao ano com emprego assegurado em indústrias farmacêuticas da América Latina, Europa e Estados Unidos, a Nortec Química teve participação de destaque nessa FCE Pharma, integrando o seleto grupo de empresas farmoquímicas brasileiras certificado com G.M.P., pela Anvisa.

Entre os novos princípios ativos incorporados neste ano à sua produção estão a efedrina cloridrato, a pseudoefedrina cloridrato e a pseudoefedrina sulfato, para emprego em broncodilatores e descongestionantes. Outro lançamento apresentado na exposição pertence à categoria dos benzodiazepínicos. Trata-se do midazolam, utilizado como pré-anestésico em cirurgias.

Ao lado das novas matérias-primas, também chamaram a atenção princípios ativos tradicionais, como o anti-retroviral lamivudina, droga que integra o coquetel anti-AIDS, além de ativos específicos para terapêuticas cardiovasculares, como a espironolactona e anti-histamínicos, como o citrato de orfenadrina, que motivam inúmeras encomendas no exterior.

Destacados como os princípios ativos mais demandados pelas exportações estão, segundo Flávio Valente, diretor comercial da empresa, os cloridratos de bupivacaina, lidocaina e mepivacaina, além da prilocaina e seu cloridrato, utilizados como anestésicos locais. Nesse rol também se destacam os agentes anti-envenamento, como o benzoato de denatonio e ativos de efeito analgésico e anti-inflamatório, como o diclofenaco, o diclofenaco dietilamonio e o diclofenaco resinato, que geram grande interesse no mercado externo.

Novos fitonutrientes também tiveram sucesso nessa exposição. Na categoria, uma das principais novidades em lançamento foi apresentada pela SP Farma, importadora e distribuidora de matérias-primas para manipulação e produção de fármacos, cosméticos e fitoterápicos. Trata-se de isoflavonas a 40%.

Considerada a classe mais potente dos fitoestrogênicos, esse ativo, com atividade estrogênica e antioxidante, consiste em composto difenólico de origem vegetal, com estrutura similar à dos estrogênios sintéticos, promovendo a formação óssea, com efeito cardioprotetor, além de diminuir o colesterol, sendo indicado em terapêuticas hormonais e para atenuar os sintomas da menopausa.

Outra novidade, segundo apontou o consultor Germano Hansen Junior, foi representada pelo magnésio glicil-glutamina quelato. Fabricado pela Albion, esse ativo é indicado para quadros de baixa resistência imunológica, em pacientes pós-cirúrgicos ou sob tratamentos quimioterápicos e de queimaduras, sendo também recomendado para terapias antioxidantes e estados de estresse físico e mental por oferecer nutrientes para uma adequada resposta imunológica.

Desenvolvido na França, pelo laboratório Oligocaps, outra inovação levada ao público pela SP Farma já vem sendo aplicada como auxiliar em processos digestivos e em regimes de emagrecimento. Trata-se de “kinospherine”, um biopolímero marinho e ativado, da família das glicosaminas, enriquecido com catecolaminas, capaz de neutralizar a maior parte das gorduras encontradas nos alimentos, podendo integrar prescrições de alimentos, compostos nutricionais e medicamentos para tratamento cardiovascular.

Farmacotécnica – Outro expositor que marcou presença na FCE Pharma foi a Galena, ao evidenciar os desenvolvimentos realizados pela unidade de tecnologia avançada, criada em 2002, para pesquisar dificuldades e novas oportunidades para a atuação das indústrias farmacêuticas.

Entre as principais novidades, a tecnologia de revestimento Dragix foi desenvolvida para que fármacos, como a sulfasalazina e a mesalazina, empregados em terapias intestinais inflamatórias, possam ser liberados exatamente no local programado de ação, evitando, assim, uma série de transtornos à saúde dos pacientes, como irritações para a mucosa gástrica, náuseas, vômitos e sangramentos gastrointestinais.

Para otimizar terapêuticas em estreita associação com os fundamentos médicos de cura, a Galena também desenvolveu e lançou nesta FCE Pharma a tecnologia microgranulosix.

Química e Derivados: FCE: Nova linha de bases beneficia suspensões, diz Sílvia.
Nova linha de bases beneficia suspensões, diz Sílvia.

Formada por microgrânulos (partículas desde 1 micron até 1.000 micra), essa tecnologia consiste em núcleo envolvido por membrana especial que protege o ativo dos efeitos da radiação UV, umidade ou do contato com o oxigênio, permitindo a liberação gradativa do ativo.

Com microgranulosix já são oferecidos pela empresa o ácido ascórbico (vitamina C) e o diclofenaco sódico, compostos com propriedades anti-reumática, antiinflamatória, analgésica e antipirética. Nos dois casos, além da liberação gradual dos ativos, são afastadas as possibilidades de ocorrer irritações gástricas, entre outros efeitos prejudiciais à mucosa estomacal dos pacientes.

Outra substância protegida por microgranulosix e que vem obtendo grande aceitação na área médica é diltiazem, ativo empregado em tratamentos de hipertensão arterial sistêmica com ação antianginosa e antiarrítmica.

Segundo lembrou Sílvia de Castro Andrade, gerente de marketing da Galena, a empresa também oferece uma nova linha de bases, a Polvix 200, constituída por formulações prontas em pó, que facilitam a preparação de suspensões estáveis.

Na linha de excipientes funcionais, que atuam na adsorção e diluição de cápsulas e comprimidos, a Galena ainda apresentou o Celulosix FF. Além de conferir homogeneidade no enchimento de cápsulas, essa linha é compatível com ampla gama de princípios ativos e pode incrementar a dissolução de drogas de difícil solubilidade.

Contribuindo para ampliar a oferta de novos excipientes ao mercado, a Forlab Chitec, importadora e distribuidora de especialidades químicas da Basf, Noviant, Astaris, Cabot, Biochemie, Asta Médica etc., com quase 50 anos de atuação no mercado, lançou nessa FCE Pharma a linha Starlac. Composta de lactose e amido pré-gelatinizado, essa linha, produzida na Alemanha, pelos laboratórios Meggle, irá favorecer o enchimento de cápsulas.

Outra novidade em introdução no mercado pela Forlab é a hidroxipropilmetilcelulose. Fabricada pela alemã J.R.S – J.Rettenmaier & Söhne, esse composto, segundo lembrou Sylvia Loloma Hacker Poetscher, gerente de marketing, é produzido em diferentes viscosidades, permitindo tanto o uso em revestimentos, como também podendo atuar como agente suspensor.

Novos ativos de uso farmacêutico também foram conhecidos durante a exposição da Barrera, representante de várias empresas internacionais, como Lipotec, Formosa e Exquim. Da Lipotec, da Espanha, já estão sendo importados a calcitonina de salmão, ativo indicado para medicamentos de combate à osteoporose, além de leuprolide, polipeptídeo de emprego oncológico. Da Formosa, sediada em Taiwan, estão chegando ao Brasil o calcitriol, que também atua no combate à osteoporose, além de dois imunosupressores, como o micofenolato mofetil e tacrolimus, empregados para reduzir riscos de rejeição em transplantes.

No segmento de bioflavonóides, a Barrera ainda apresentou ao mercado o picnogenol, extrato produzido pela Exquim, a partir da casca de Pinus marítimos, encontrados na costa francesa, de comprovada ação sistêmica no tratamento de retinopatias diabéticas.

Ampliando a oferta de fitoterápicos para emprego em fármacos, a Arlanda, representante no Brasil da Alchem, da Índia, também divulgou na feira sua disponibilidade de fornecimento de novos ativos, como a digoxina, para emprego cardiológico, a hioscina N-butil brometo de escopolamina, droga semi-sintética, de efeito analgésico, incluindo também glicirinato de amônia, na categoria dos substitutos do açúcar, e o tartarato de nicotina, derivado das folhas de fumo, com emprego em emplastros antitabagismo.

Compressão direta – A depender da variedade das novas ofertas apresentadas nessa FCE Pharma, o setor farmacêutico na região poderá colher maiores benefícios a partir de 2003, considerando-se os mais de 50 novos ativos incluídos no elenco de ingredientes da Ayalla. Nesse sentido, destacaram-se insumos processados por compressão direta ou a seco, envolvendo categorias de antibióticos, antivirais, celafosporínicos, suplementos nutricionais e fitoterápicos, microencapsulados e granulados, fabricados pela Biodar, de Israel, berço de várias tecnologias farmacêuticas, voltadas à nanologia, microencapsulação e extração por crioterapia, criofilização e liofilização, segundo informou a diretora Sandra C. Ayala de Anselmo. Para Sandra, a oferta ainda deverá ficar mais incrementada a partir das novas parcerias firmadas com a Unigen, fabricante de ativos fitoterápicos exclusivos, e com a Glennmark, da Índia, que irá fornecer princípios ativos que acabaram de perder a patente no mercado brasileiro, como é o caso da glimepirida (hipoglicêmico) e peridonpril (hipotensor).

Consagrada pela quarta vez pela indústria farmacêutica com o prêmio Excelência Farma, a Selectchemie, distribuidora de matérias-primas importadas, com cerca de 60 representações de fabricantes da Europa, Ásia e Estados Unidos, também se destacou na exposição, ao revelar iniciativas arrojadas e lançadas em busca de novos desenvolvimentos para o setor farmacêutico.

Para o diretor Christian Sagesser, muito do dinamismo da empresa deve-se à atuação da trading, instalada na Suíça, que mantém busca contínua de novas matérias-primas que possam contribuir para os setores alimentício, veterinário e farmacêutico.

Outro foco é representado por parcerias internacionais em áreas de especialidade, como é o caso da DMV, da Holanda, dedicada a excipientes, e da Perlen Converting, da Suíça, que se destaca na fabricação de filmes em PVC, com recobrimento termoencolhível em PVDC (polidicloreto de vinila), para embalar comprimidos, vitaminas, sais e matérias-primas em geral.

Química e Derivados: FCE: Fábrica da Schott é modelo mundial, crê Marques.
Fábrica da Schott é modelo mundial, crê Marques.

Embalagens campeãs – Sete vezes premiada pelo fornecimento às indústrias farmacêuticas de ampolas e frascos para parenterais pela Febrafarma – Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica, a Schott Brasil, Divisão Embalagens, de Itupeva–SP, uma das onze unidades industriais pertencentes ao grupo alemão Schott, apresentou novas tecnologias, destacando-se as seringas pré-envasadas em plástico e vidro (linha TopPac), para injetáveis.

Outra linha que chamou a atenção foi a de frascos aerosol em vidro (Purgard), que confere característica translúcida à embalagem, mesmo sendo revestida com resina plástica. Além de oferecer maior proteção e estabilidade aos produtos, esse tipo de frasco evita que os ativos possam interagir com o vidro, como pode ocorrer com algumas proteínas, diluentes e preparações oncológicas.

Outra inovação foi conferida na linha de frascos em vidro, revestidos internamente com óxido de silício, tecnologia que afasta o risco de ocorrência de interações químicas pós-envase de medicamentos sensíveis e com alto índice de pH. Com tantos cuidados para operar, a fábrica brasileira da Schott é motivo de orgulho para Quineo M. Marques, gerente de vendas da empresa. “Considerada modelo mundial, essa unidade é dotada de rastreabilidade total e tem cem por cento da produção sob controle de sistema óptico-eletrônico.” Para construí-la no local programado, segundo frisou, até o solo foi avaliado, visando afastar qualquer risco de contaminação e cumprir todos os princípios das boas práticas de fabricação.

Condecorada pela terceira vez pela produção de frascos e tampas plásticas, a Allplas, de Cotia–SP, destacou sua linha tradicional de produtos, desenvolvida para acondicionar líquidos, cápsulas, drágeas, comprimidos e pós, alcançando produções em torno de 30 milhões de unidades ao mês.

Na linha de tampas plásticas invioláveis em PE e PP, uma das especialidades da produção é acondicionar sílica-gel em tampas e cápsulas por processo automático e em ambiente com temperatura e umidade controladas.

Química e Derivados: FCE: Vieira - PEA -D, PP e PE estão no portfólio.
Vieira – PEA -D, PP e PE estão no portfólio.

Segundo lembrou o diretor comercial Luiz Roberto Aranha Vieira, a produção da empresa também abrange frascos em PEAD, PEBD e PP, fabricados nas formas cilíndrica e oval, e com batoques gotejadores e nebulizadores, além de frascos com terminação própria para tampas, providos de lacre e proteção para crianças, empregados para acondicionar medicamentos em linhas de fechamento automático ou semi-automático. Com qualidade na produção reiterada por seis premiações, o grupo Wheaton, que tem sob seu controle duas outras fábricas, como a Viton, fabricante de embalagens plásticas, e a Farmacap, produtora de tampas em borracha e selos em alumínio para parenterais, também prestigiou a exposição, levando ao conhecimento do público boa parte da linha de produtos tradicionais.

Pela pela primeira vez incluída entre as categorias de premiação, a produção de tubos para efervescentes fez da Exaplas Resinta, do Rio de Janeiro, a mais nova campeã, com direito à condecoração da excelência da indústria farmacêutica.

Pioneira pela atuação há 66 anos no fornecimento de tubos e tampas para todos os fabricantes de vitamina C do Brasil, a empresa tem em linha doze modelos de tubos, em diâmetros de 30 mm a 40 mm e volumes que vão de 39 ml a 167 ml.

Segundo Marcelo Couto Rocha, gerente de marketing, a principal inovação introduzida em 2002 foi a inclusão de mola plástica nos tubos, visando oferecer total segurança contra a quebra das drágeas acondicionadas nas embalagens durante o transporte.

“Por enquanto, afirmou Rocha, apenas a vitamina C Targifor, fabricada pela Aventis Pharma, adotou a inovação, mas a partir de uma avaliação mais cuidadosa, envolvendo o custo-benefício, acreditamos que outros fabricantes possam também se interessar”, afirmou.

Com volumes transformados girando em torno de 120 toneladas/mês e exportações para vários países da América Latina, a empresa tem produção bastante diversificada, incluindo embalagens para produtos odontológicos, como seringas, expositores e demonstradores, injetados em PP e PS e fornecidos para Dentsply, de Petrópolis–RJ; mamadeiras, chupetas, canecas e escovas produzidos para a Novartis, sob as marcas Gerber e Lillo, além de tampas e inaladores fornecidos para a Glaxo Smithkline.

Agraciada pela quinta vez consecutiva com o prêmio no segmento de fabricação de tampas, onde atua há 41 anos, a Védat, de Embú–SP, expôs ampla variedade de produtos, incluindo copos e colheres medidores, e gotejadores automáticos verticais, produzidos em mais de 15 tipos, para atender diferentes densidades e viscosidades de fármacos.

“Há dois anos incluimos em nossa produção a linha de frascos injetados/ soprados em PET, em volumes de 30 ml, 60 ml, 100 ml e 120 ml, tanto mono como biorientados”, informou o diretor Marco Riguzzi.

A partir de julho, segundo antecipou, a empresa deverá lançar frascos com gargalos de 18 mm, 24mm e 28 mm. No primeiro caso, serão atendidos volumes de 10 ml, 20 ml e 30 ml. No segundo, os volumes acondicionados serão de 150 ml e, no terceiro caso, os frascos comportarão volumes de 100 ml e 120 ml.

Química e Derivados: FCE: Wolff - novo sistema monitora ar comprimido.
Wolff – novo sistema monitora ar comprimido.

Novas tecnologias – Várias soluções inovadoras, desenvolvidas especialmente ou adaptadas para emprego na indústria farmacêutica, enriqueceram a mostra de equipamentos apresentados nessa FCE Pharma.

Representando um novo conceito de análise microbiológica para detectar bactérias e fungos em linhas de gases, envolvendo ar comprimido, nitrogênio e gás carbônico, a Millipore expôs na feira um novo sistema para monitoramento do ar, produzido dentro dos padrões ISO 9001, nos Estados Unidos.

Trata-se de conjunto composto de um redutor de pressão, uma tela microperfurada e placas com meio de cultura, montadas em tripé, agregando bomba de sucção do ar com capacidade de análise de 25 litros até mil litros por etapa.

Segundo Auro Wolff, gerente de produto da divisão biofarmacêutica da Millipore, o sistema, comercializado na feira ao preço de R$ 60 mil, vem sendo empregado para monitorar ar comprimido em várias situações de trabalho.

Algumas delas envolvem o fracionamento de pós estéreis, antibióticos e antiinflamatórios de uso injetável. Outras se estendem a processos de fermentação, abrangendo ainda a moldagem de frascos plásticos para acondicionar soro glicosado.

Química e Derivados: FCE: Engelbrecht - sucesso com o Master System.
Engelbrecht – sucesso com o Master System.

Além dessa novidade, a divisão Lab Water também expôs vários equipamentos considerados top de linha na área de purificadores de água para laboratórios de controle de qualidade. Operando nas vazões de 5 litros até 200 litros/hora, esses equipamentos são aplicados no enxágüe de vidrarias, alimentação para umidificadores, autoclaves, preparação de meios para microbiologia, podendo também ser utilizados na fabricação de reagentes químicos e bioquímicos e para uso farmacêutico de água purificada.

Novas tecnologias de purificação de água também integraram os lançamentos promovidos pela Gehaka. Uma delas, segundo destacou o gerente de vendas Fernando Engelbrecht, fez grande sucesso na feira, tratando-se de sistema (Master System), comercializado em torno de R$ 10 mil.

Gerador de água do tipo I, esse equipamento é provido de vários tipos de filtro em carvão ativado, membrana de osmose reversa, resina deionizadora, com lâmpada ultra-violeta, possuindo também filtro microbiológico, para ampliar a gama de aplicações, envolvendo a produção de água para medicamentos injetáveis, análises por absorção atômica, cromatografia líquida, sequenciamento de DNA e cultura de células.

Química e Derivados: FCE: Granulador da Glatt tem agitação diferenciada.
Granulador da Glatt tem agitação diferenciada.

O segundo equipamento em lançamento, comercializado ao custo de cerca de R$ 7mil na feira, consistiu em sistema purificador de água por osmose reversa, com duplo passo e provido de sistema de recirculação de água e tanque, com aplicações também previstas na produção de medicamentos injetáveis.

A terceira novidade, de custo mais acessível, em torno de R$ 2.200,00, evidenciou o purificador de água OS 10 LTH Farma. Segundo Engelbrecht, trata-se de equipamento capaz de operar por sistema misto, envolvendo osmose reversa e que vem acoplado a um desmineralizador e filtro microbiológico, cujo emprego proporciona economia tanto de energia, como de água de descarte, destinado à produção de água para a formulação de produtos farmacêuticos de acordo com as especificações da Anvisa.

A nova geração de misturadores fabricada pela Glatt, na Alemanha, e levada à exposição pela Almapal, também esteve entre os destaques da feira. Nessa linha, um dos equipamentos expostos foi o misturador-granulador para processos de granulação a úmido, com capacidade para atender volumes de 100 litros, correspondendo a 40 quilos.

Com configuração especial, esse equipamento, segundo observou o supervisor de produção Fábio S.Facci, apresenta diferencial nas pás giratórias do agitador que conduzem os granulados para o centro.

O mais novo granulador-misturador de alta velocidade para escalas-piloto laboratoriais foi outro destaque apresentado e comercializado em torno de 50 mil euros. Pela primeira vez exposto no País, esse minimisturador, com capacidade para até seis litros, vem com leito fluidizado e foi desenvolvido para promover a granulação e a secagem dos pós com total eficiência.

Química e Derivados: FCE: Compressora P1200 permite troca integral do rotor.
Compressora P1200 permite troca integral do rotor.

No estande da Almapal, o público também pôde conferir no último dia da exposição um dos modelos da linha de enchedoras fabricadas pela Pam Pharmaceutical, na Índia, capaz de operar com capacidade de enchimento de 25 mil cápsulas/hora.

A vedete no estande da Maquidrex foi a máquina compressora P 1200. Única no mercado a possibilitar a troca integral do rotor, incluindo punções, camas e guias, essa compressora é fabricada pela Fette, da qual a Maquidrex tem representação exclusiva.

Segundo o gerente de vendas Michael Drechsler, todos os fabricantes de medicamentos genéricos já adquiriram esse tipo de máquina que permite a rastreabilidade total no processo de produção.

Com capacidade para produzir de forma versátil 230 mil comprimidos/hora, em formatos redondo, oblongo e também na forma de drágeas para efervescentes, essa compressora, segundo destacou ele, opera com modem e tem set-ups reduzidos.

No rol dos novos desenvolvimentos nacionais, a lavadora para vidrarias fabricada pela Baumer também chamou a atenção do público. A tecnologia, bastante difundida no meio hospitalar, como termodesinfectora de alta eficiência, é provida de sistema de entrada de ar regulado por filtro do tipo Hepa, destinando-se a lavar e secar pipetas, erlenmayers, placas de tubos de ensaio, porta-filtros, instrumentais em geral, inclusive materiais confeccionados em aço inox.

“Se houver contaminação”, observou o diretor Fernando Bustamante, “a lavadora propicia descontaminar toda a vidraria por termodesinfecção por água quente, sob temperaturas acima de 91°C, operação seguida de secagem por ar quente filtrado com o uso de filtro do tipo Hepa, comportando internamente quatro bandejas para a disposição dos materiais, com capacidade útil para 260 litros”, informou.

Comercializado em torno de R$ 70 mil, o equipamento possui processador Siemens de última geração, tem manutenção via Internet, e deverá obter grande aceitação no setor farmacêutico como um todo, em particular na área de laboratórios de controle de qualidade e de análises físico-químicas.

Química e Derivados: FCE: Bustamante - desinfecção com água acima dos 90°C.
Bustamante – desinfecção com água acima dos 90°C.

A nova classe de espectrofotômetros UV-vis (ultra-violeta visível), fabricada pela Dr.Lange, e comercializada na feira em torno de 17 mil euros, pela Alpax, representante exclusivo, também foi conferida pelo público que visitou a FCE Pharma neste ano.

O equipamento é provido de banco de dados que permite análises de acordo com 70 diferentes parâmetros, podendo ser atualizadas via telefone por sistema LangeNet.

Segundo destacou Ricardo Utishiro, gerente de tecnologia e marketing da Alpax, o novo modelo inclui um sistema inovador de kits para análise de efluentes, águas e ambiental, medindo halogênios organicamente ligados, carbono orgânico total e a demanda biológica de oxigênio em cinco dias, além de metais pesados.

Outro equipamento Dr. Lange em exposição na feira, e comercializado em torno de 8 mil euros, foi o espectrofotômetro Xion 500. Desenvolvido para a faixa visível, ele é dotado de parâmetros para análise de água e efluentes pré-programada, opera por absorção e transmitância e possui sistema para identificar rapidamente amostras por meio de código de barras.

Química e Derivados: FCE: Utishiro - espectrofotômetro inova com kits de análise.
Utishiro – espectrofotômetro inova com kits de análise.

No segmento de impressoras, o destaque ficou por conta das novas tecnologias apresentadas pela Zebra Technologies e que foram desenvolvidas para gerar códigos de barra em espaços reduzidos, visando a marcação individual das unidades de um medicamento.

Trata-se das impressoras térmica TLP 3842 e Xi 110 Plus. A TLP 3842 foi desenvolvida para etiquetas, combinando as novas tecnologias de espaço reduzido com a impressão em alta resolução (300 pontos por polegada), para gerar códigos de barra, gráficos e textos. Já a Xi 110 Plus é o primeiro modelo da série Xi com capacidade de impressão real em até quatro polegadas de largura, possuindo três diferentes resoluções.

A nova classe de impressoras atende à colocação de simbologias em espaços reduzidos, de acordo com a nova regulamentação proposta pela FDA – Food and Drug Administration, dos EUA., que será examinada até o final deste ano. Publicada em março último, essa proposta sugere a aplicação do número de codificação designado pelo National Drug Code em cada dose e/ou unidade de medicamento. Outras informações, porém, segundo complementou a própria FDA, podem ser codificadas da mesma forma, como o número do lote e a data de vencimento do medicamento.

Febrafarma premia melhores

Química e Derivados: FCE: Moretto - prêmios para estimular sinergias.
Moretto – prêmios para estimular sinergias.

A indústria farmacêutica premiou mais uma vez seus melhores fornecedores de matérias-primas e embalagens e prestadores de serviços de transporte. A cerimônia de entrega dos troféus “Excelência Farma 2003/FCE/Febrafarma”, realizada na noite do último 14 de maio, foi um dos momentos mais aguardados e concorridos da FCE Pharma, prestigiado por presidentes e executivos da maior parte das empresas expositoras.

Em sétima edição, o tradicional troféu neste ano mudou de nome. Passou de FCE/Sindusfarma para FCE/Febrafarma, em alusão à nova entidade, a Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica, criada em junho de 2002, e que reúne quatorze outras, em representação ao setor.

Para Lauro Moretto, diretor executivo da Febrafarma, e integrante do júri que elegeu as melhores empresas, a seleção tem por objetivo intensificar as parcerias. “Queremos incentivar os fornecedores e aumentar cada vez mais a sinergia”, comentou.

O melhor fabricante nacional de matérias-primas (substâncias ativas e excipientes), segundo o conceito das próprias indústrias, foi a Nortec Química. O vencedor do prêmio na categoria de distribuição de matérias-primas importadas foi a Selectchemie. Na categoria “embalagens”, o troféu ficou nas mãos da Shott, que se destacou pelo padrão de excelência no fornecimento de ampolas e frascos para parenterais.

Itália e Argentina marcam presença

Química e Derivados: FCE: Gabriella - estréia busca aproximação a clientes.
Gabriella – estréia busca aproximação a clientes.

A edição 2003 da FCE não contou com as habituais presenças de empresas chinesas e de outras nações do Oriente, em sua maioria fornecedores de ativos farmacêuticos. Segundo informações da VNU Business Mídia, embora seus dados constassem do catálogo do evento, a epidemia de pneumonia asiática obrigou-os a cancelar suas participações. Com a ausência dos concorrentes, a empresa italiana Poli Industria Chimica destacava-se entre os fornecedores de princípios ativos. Segundo a diretora comercial Gabriella Reffo, a empresa, que já vende no mercado local por intermédio de importadores, veio a feira pela primeira vez para estreitar suas relações com os consumidores brasileiros.

“Possuímos uma planta multipropósito em Milão, auditada pelo FDA (Food and Drug Administration), com processo atendendo as BPF (boas práticas de fabricação)”, disse Gabriella. A empresa é especializada no fornecimento de ciclosporina, aplicada como imunossupressor, além dos esteróides desogestrel, gestodeno, tibolona e oxandrolona, e dos agentes bloqueadores neuromusculares. Segundo Gabriella vários produtos estão em fase final de desenvolvimento e terão sua produção iniciada em breve, como o mesilato de bromocriptina, ergocriptina e lisurida.

“Temos clientes nos Estados Unidos e Europa. Nossos preços são competitivos e por isso podemos atender a contento os consumidores locais”, finalizou Gabriella.

Química e Derivados: FCE: Bichman - presença de olho nas exportações.
Bichman – presença de olho nas exportações.

Participando pela segunda vez da FCE, a Hitec Engenharia, de Buenos Aires, partilhou o estande com outras quatro empresas argentinas. Fornecedora de equipamentos para a indústria farmacêutica, a empresa deu destaque ao misturador granulador de alta velocidade. Com capacidade de 2 a 1.000 litros, o equipamento funciona por um sistema de carga por vácuo e descarga por leito fluidizado. Conta ainda com detecção inteligente do ponto final de granulação.

Também estava sendo promovido um sistema de laqueamento de comprimidos com capacidade útil de 2 a 460 litros. Dotado de sistema de lavagem, dosagem com bomba peristáltica e pistolas com regulagem externa, o equipamento propicia ainda secagem rápida. O engenheiro Mario Bichman que atua no departamento de vendas informou que os equipamentos são fabricados de acordo com as BPF, cumprindo as normas da comunidade européia e do FDA, mas especificamente a parte 11 do 21 CRF (Code of Federal Regulations).

“Pretendemos expandir nossas exportações, por isso viemos ao Brasil e nos próximos dias estaremos expondo também na Achema 2003, na Alemanha” disse Bichman. “Nossos equipamentos têm qualidade semelhante à dos europeus, a preços muito menores”, afirmou. Como desvantagens pode-se citar a inexistência de assistência técnica local. “Nossos técnicos têm que vir da Argentina, o que é moroso e dispendioso”, reconheceu Bichman. “Para solucionar a questão pretendemos ter um escritório em São Paulo dentro de no máximo um ano”, acrescentou.

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