Farmacêutico e Biotecnologia

FCE Pharma: Novos ativos para reformular o fármaco nacional

Rose de Moraes
24 de junho de 2004
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    A produção de água pura e ultrapura requer monitoramento contínuo da contaminação orgânica em todo o processo de tratamento, segundo os padrões estabelecidos pela Mettler Toledo, que destacou na feira o analisador de carbono orgânico total 550 TOC. Com essa tecnologia, desenvolvida pela Thornton, adquirida pela Mettler Toledo em 2001, pode-se monitorar a presença de orgânicos contidos na água farmacêutica e medir a condutividade (contaminação da água por material iônico), estabelecendo-se níveis de qualidade tanto para a água purificada, como para a água destinada à produção de medicamentos injetáveis. Com ampla faixa operacional de 0.05 Mohm-cm até 18.2 Mohm-cm, o equipamento realiza monitoramento portátil ou em linha, sem requerer reagentes ou substâncias químicas, e opera em faixa de medição de 0.1 ppb até 1.000 ppb (partes por bilhão).

    Imbuída da mesma preocupação com a qualidade dos sistemas desenvolvidos para purificar água a ser destinada à fabricação de produtos injetáveis, a Aquamundi apresentou na feira o AM 4040dp. “Trata-se de purificador por osmose reversa de duplo passo, que deverá concorrer com equipamentos importados, com a vantagem de ser um produto nacional e contar com financiamento aprovado por linha de crédito Finame, representando alternativa aos sistemas de purificação de água por deionização, que empregam resinas de troca iônica”, informou Carlos Cattoi, engenheiro químico da Aquamundi.

    Desenvolvida há mais de três décadas nos Estados Unidos, a tecnologia de tratamento físico da água por osmose reversa, que emprega membranas semipermeáveis, fabricadas com fibras de poliamida ou acetato de celulose, ainda precisa, segundo ele, tornar-se mais conhecida no País.

    Química e Derivados: FCE: Dosadora EDM 3295 - velocidade de 70 a 4 mil frascos por hora. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Dosadora EDM 3295 – velocidade de 70 a 4 mil frascos por hora.

    De acordo com esse sistema de tratamento, a água, conduzida sob pressão, seguirá percurso tangencial à superfície da membrana, que, permeada, irá rejeitar os sais contaminantes. A vantagem de tratar a água por osmose reversa para uso farmacêutico associa-se ao baixo custo operacional, por não exigir manutenção, e traz como resultados a possibilidade de potabilizar águas salobras, técnica conhecida como dessalinização, e purificar água para uso em áreas da saúde, com fornecimentos para procedimentos médicos, como hemodiálise e produção de drogas injetáveis, tornando-a apropriada para consumo humano.

    De acordo com o engenheiro Cícero Franco, responsável pela área de gestão tecnológica da Aquamundi, a osmose reversa nos Estados Unidos já se tornou referência para o tratamento doméstico de água, mercado onde a empresa também planeja ingressar. Segundo ele, os conceitos de purificação e filtração ainda são empregados inadequadamente. “Filtração significa separar sólidos e líquidos por intermédio de meio poroso, passando a água por camada de areia ou carvão, ou ainda por membrana semipermeável, enquanto purificação significa tratar a água oriunda de sistema de destilação, deionização ou osmose reversa, resultando em água não apenas filtrada, mas com baixa presença de sais contaminantes”.

    Fluidos para conduzir – As tecnologias de transporte e dosagem de fluidos também contaram com destaque especial na 9ª FCE-Pharma que proporcionou ao público conhecer as novas bombas peristálticas fabricadas pela Watson Marlow, empresa do grupo Spirax Sarco, representada no Brasil pela Almapal, que promoveu o lançamento na feira do modelo 520S.

    Destinado a bombeamentos até 4 litros/minuto, o novo modelo, segundo Renata Pinheiro e Campos, gerente geral para o Brasil da Watson Marlow, foi dimensionado para operar com treze tipos de mangueiras, fabricadas em diversos materiais, como silicone, marprene, hypalon, EPDM, borracha natural, nitrílica, neoprene, bioprene e inclusive chemsure, um novo composto de matérias-primas, formado pela mistura de PTFE e silicone, lançado há pouco mais de dois anos no mercado mundial em conjunto com a Gore, dos Estados Unidos.

    Química e Derivados: FCE: Cattoi - purificador de água de injetáveis à base de osmose. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Cattoi – purificador de água de injetáveis à base de osmose.

    Apesar de lançadas no mercado brasileiro em 1997, as bombas peristálticas da Watson Marlow já têm inúmeras aplicações consagradas no País. Alimentando filtros-prensa, ou promovendo bombeamentos, transferências e dosagens de ácidos sulfúrico, clorídrico, fluorídrico, elas são empregadas na condução de vários produtos químicos agressivos e sensíveis ao cisalhamento.

    Como benefícios gerados por esse tipo de tecnologia, onde só as mangueiras entram em contato com os fluidos, estão a ausência de contaminação e a possibilidade de executar operações a seco, sem requerer auxílio de válvulas, selos ou gaxetas e a variedade de vazões, incluindo desde microlitros até 120 m³/hora, sob pressão máxima de 16 bar.

    Para aplicações em processos farmacêuticos, biotecnológicos e juntamente com bombas a vácuo, as mangueiras de silicone Sani-Tech STHT-W, apresentadas na feira pela Stockval, também causaram grande interesse entre o público. Fabricadas nos Estados Unidos pela Saint-Gobain, são curadas a platina e reforçadas com fio em aço inox 316 L, resistindo a temperaturas desde -62°C até 260°C, tendo inclusive especificação para autoclaves a 121°C durante 30 minutos.

    “Em diâmetros de meia polegada até três polegadas, alcançam pressões de 150 psi e 75 psi, respectivamente, podendo ser também fabricadas em diâmetros de quatro polegadas, sob encomenda”, informou Walter Walsh Siefer, da Stockval. Para baixas pressões, a empresa também está trazendo ao mercado brasileiro a linha de mangueiras de silicone Tygon 3350.



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