FCE: Lançamentos desafiam câmbio volátil

A despeito das oscilações do real, setor farmacêutico recebe inovações em insumos e equipamentos

Química e Derivados: FCE: Maria Célia - copolímero mascara gosto ruim.
Maria Célia – copolímero mascara gosto ruim.

As feiras Analítica Latin America, FCE Pharma e HBA South America reuniram cerca de 700 expositores, atraindo mais de 23 mil visitantes, entre os dias 31 de julho e 2 de agosto, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Apesar de não atingir a expectativa de obter um crescimento de público da ordem de 25%, em relação a 2001, ficando na faixa dos 12%, as feiras registraram resultados surpreendentes para a VNU Business Media, grupo responsável pela organização do evento. Na opinião do presidente da empresa, Joris van Wijk, mesmo com a crise econômica, os negócios não foram afetados. “A maioria dos produtos no mercado são importados e, mesmo com a alta do dólar, os expositores ficaram satisfeitos com os resultados comerciais”, declarou.

Único evento exclusivo de fornecedores para a indústria farmacêutica, a FCE Pharma mostrou-se imune à retração do mercado industrial, pelo menos no quesito lançamentos. O evento reuniu os principais fornecedores da indústria farmacêutica e confirmou-se como um importante ponto de encontro dos profissionais do setor. Os destaques dessa 7ª edição ficaram por conta de matérias-primas, equipamentos e novas tecnologias.

Química e Derivados: FCE: Sílvia - produtos melhoram pós e suspensões.
Sílvia – produtos melhoram pós e suspensões.

A fim de inovar o conceito de polímeros, a Basf levou à feira a linha de excipientes Kollicoat IR. Indicado para revestimento de liberação instantânea em comprimidos, esse copolímero contém 75% de álcool polivinílico e 25% de polietilenoglicol, além de 0,3% de sílica coloidal. Conforme explicou a coordenadora de marketing regional Maria Célia de Paula Rocha, o produto é de fácil manipulação e bastante flexível, por isso, evitaria rachaduras. Devido à sua estrutura não-iônica, o Kollicoat IR apresenta outro benefício: evita interferência do pH na solubilidade da molécula. “Por já conter o plastificante, o produto elimina uma etapa da fabricação, otimizando o processo”, afirmou Maria Célia. O copolímero mostrou-se útil para mascarar o sabor desagradável dos comprimidos, conferindo proteção aos ingredientes ativos. Ela também destacou que a linha não utiliza solventes comuns e é solúvel em água.

Química e Derivados: FCE: Óleo de oliva e derivados - alternativa natural.
Óleo de oliva e derivados – alternativa natural.

Ainda em relação a excipientes, a Galena apresentou o Celulosix FF. Com a função de ser adsorvente e diluente para cápsulas e comprimidos, além de desintegrante para comprimidos e lubrificante para pós, o produto é formulado à base de celulose microcristalina e dióxido de silício coloidal. Ainda em relação a excipientes, a Galena apresentou o Celulosix FF. Com a função de ser adsorvente e diluente para cápsulas e comprimidos, além de desintegrante para comprimidos e lubrificante para pós, o produto é formulado à base de celulose microcristalina e dióxido de silício coloidal.

Química e Derivados: FCE: Lilian - diferenciação dos genéricos amplia vendas.
Lilian – diferenciação dos genéricos amplia vendas.

A Galena também reservou para a feira o lançamento de outro excipiente, o Polvix 200. De acordo com Sílvia, o produto tem como diferencial o alto desempenho em suspensões, apresentando como vantagem a possibilidade de o formulador obter doses uniformes das partículas dispersas, além da redispersão operada por agitação, originando um produto de aspecto homogêneo, sem aglomerados de partículas.

Composto por hidróxido de alumínio, carbonato de magnésio, dimeticona e ingredientes adjuntos especiais, o Pascolique também foi destaque no estande da Galena. Detentor de propriedades antiácida e antiflatulenta, o produto atua no estômago e no intestino, diminuindo a tensão superficial dos líquidos digestivos, promovendo o rompimento de bolhas gasosas. Seguindo a linha natural, em parceria com a francesa Naturactiva, a Polytechno levou ao estande da Ionquímica na FCE Pharma, óleos de oliva e seus derivados. Com 1,5% a 2% de frações de insaponificáveis compostas de esqualeno, beta-sitosterol e alfa-tocoferol, o óleo de oliva foi apresentado como fundamental no desenvolvimento de novas matérias-primas, como ésteres, emulsificantes e extrato hidro-glicólico.

Há 17 anos no mercado cosmético, a Ionquímica está cada vez mais atuante na indústria farmacêutica, distribuindo com exclusividade produtos da Exsymol S.A.M., empresa situada em Mônaco, especializada em pesquisa bioquímica, e da sueca Karlshamns, atuante no segmento de lipídeos funcionais e óleos para uso parenteral. A Ionquímica conta ainda com a Polytechno, na forma de unidade industrial na área de síntese orgânica, produzindo ésteres, bases auto-emulsificantes e massas para supositórios.

Química e Derivados: FCE: Tampadora automática PRS-720.
Tampadora automática PRS-720.

Na opinião da vendedora técnica Lilian Dias de Melo, se depender da tendência atual do mercado, essa participação da Ionquímica na área farmacêutica só tende a crescer. Isso porque, com a mudança da legislação quanto aos genéricos, as empresas estão sendo obrigadas a buscar diferenciais para concorrer entre si. E uma das alternativas, de acordo com Lilian, seria apostar no extrato vegetal. “A indústria farmacêutica é meio reticente, se comparado à cosmética, mas a gente aposta neste movimento rumo ao que é natural”, ressaltou, referindo-se às linhas de extrato vegetal da empresa.

Máquinas e equipamentos – Quem procurou por novidades em máquinas e equipamentos saiu da feira um pouco frustrado. Mantendo o compromisso de constante aprimoramento, empresas do setor marcaram presença na feira trazendo poucas inovações para o mercado. A Promáquina, por exemplo, não apresentou nenhum grande lançamento, mas destacou a Tampadora PRS-720.

Química e Derivados: FCE: Luciana - dosador de um bico opera por peso.
Luciana – dosador de um bico opera por peso.

Detentora de linha completa de tampadoras automáticas, a empresa mostrou esse novo modelo, indicado para frascos e bombonas de 200 ml até 20 litros, e tampas com diâmetro acima de 28 mm. O fechamento da tampa pode ser feito através de cabeçote magnético ou embreagem de contato.

Também compunha o estande da Promáquina, o dosador de um bico, para materiais líquidos e viscosos. Integrante da linha de semi-automáticos, o equipamento possui sistema de envase por peso, proporcionando precisão e qualidade, segundo Luciana Risso, do departamento comercial da empresa. Desenvolvido para pequenas e médias produções, o dosador atua na faixa de envase de 100 ml até 20 litros. O estande da Lawes, por sua vez, deu ênfase aos novos modelos das máquinas rotativas de compressão para fabricação de comprimidos.

Equipados com sistema direto de acionamento de coroa, controlado por inversor eletrônico de freqüência, os modelos produzem até 133 mil comprimidos por hora, no caso da Lawes 2000-37PSC-Manu e 180 mil, da Lawes 2000-50PSC-Manu.

Química e Derivados: FCE: Máquina rotativa prepara comprimidos.
Máquina rotativa prepara comprimidos.

Construídas com estrutura metálica revestida de chapa inoxidável AISI-304, formando um único gabinete, as máquinas contêm como principais componentes um sistema de compressão elétrico e de pré-compressão, manual, além de coroa dotada de 37 ou 50 postos de trabalho, sendo de tracionamento direto.

“Trouxemos um tipo de tecnologia que antes era necessário procurar fora do País”, comentou o coordenador de vendas Wilian Aguiar. A autoclave 19 L Logen Scientific foi um dos principais lançamentos da Alpax na FCE Pharma. Apresentada como diferencial do equipamento, a câmara de esterilização é confeccionada em aço inox, com alta resistência à temperatura e pressão. A segurança ficou por conta do sistema de fechamento dotado de sensores capazes de assegurar o início do ciclo somente com a porta fechada. Com sistema de vedação em borracha de silicone de alto desempenho, os fabricantes apostam na resistência às variações de temperatura e pressão do equipamento, além da flexibilidade para moldar-se à superfície de contato, evitando vazamentos.

Líder mundial em tecnologia de filtração e purificação de fluidos, a Cuno enfocou o Cuno Check. Desenvolvido para testar a integridade dos cartuchos de membrana, o equipamento, segundo os fabricantes, comprova 100% de eficiência na retenção de bactérias e microorganismos com tamanho até 0,2 micrômetro na filtração de líquidos ou até 0,01 micrômetro na filtração de gases.

Química e Derivados: FCE: Aguiar - linha nacional enfrenta importados.
Aguiar – linha nacional enfrenta importados.

Na feira, a empresa também lançou novas versões do conhecido sistema de filtração Zeta Plus. Sediada nos Estados Unidos, a Cuno conta com 13 fábricas instaladas em sete países, sendo a da América Latina representada pela unidade brasileira desde 1967.

A HB-Domnick Hunter apresentou dois destaques: o Valairdata II e o Nitrox. Desenvolvido para testar cartuchos hidrofóbicos por via seca, o Valairdata II utiliza um aerossol de partículas da ordem de 0,2 a 0,3 micrômetro como agente desafiador. Como se trata de teste a seco, os fabricantes avisam não ser necessário secar o cartucho após a utilização do material.

Química e Derivados: FCE: Fortino - papel toalha substitui pano no laboratório.
Fortino – papel toalha substitui pano no laboratório.

Destinado a gerar gases de alta pureza para alimentação de cromatógrafos, o Nitrox é um equipamento autônomo, podendo ser instalado sob a bancada do cromatógrafo, eliminando a necessidade de tubulações e a presença de cilindros de alta pressão na área do laboratório.

Já a principal atração do estande da Baumer foi a autoclave Plus Pharmma, o primeiro equipamento do gênero fabricado no Brasil que, segundo a empresa, atende todos os requisitos para instalações com conceito sanitário. Com capacidade de 125 a 875 litros de processamento, a autoclave é indicada para processos com rigorosos controles de qualidade.

A Plus Pharmma é aplicada na esterilização de materiais têxteis em geral e de borracha, instrumentais metálicos, ampolas de 1 ml a 20 ml e meios de cultura, com sistema controlado por Proporcional Integral Derivative (PID), dando maior precisão ao processo e garantindo a qualidade. A nova autoclave opera pelo princípio de inteligência artificial, com softwares que controlam todo o processo de esterilização da carga, monitorando, com rigor, os parâmetros críticos. O equipamento possui nove ciclos de esterilização programáveis e manutenção preventiva à distância, entre outras vantagens.

Química e Derivados: FCE: Amorim - cenário atual não favorece investimentos.
Amorim – cenário atual não favorece investimentos.

Limpeza segura – Uma idéia simples e útil. Partindo desse princípio, a Labsynth apresentou um papel toalha de alta tecnologia para uso laboratorial, denominado wiper. Descartável e de alta absorção, o produto, de acordo com Claudio Fortino Junior, do marketing da Labsynth, é resistente, suave e com baixa liberação de partículas, substituindo com vantagem panos e flanelas. Fabricado pela Kimberly-Clark, o wiper pode ser utilizado em tarefas secas e úmidas, sendo recomendado como medida de segurança contra a contaminação cruzada. “É uma evolução do papel dentro do laboratório. Em geral, se usa outro material, destinado mais para a limpeza de cozinha”, comentou Fortino, ressaltando a carência da indústria farmacêutica de um produto específico.

Com o objetivo de oferecer ao mercado farmacêutico soluções integradas de rotulagem, a Novelprint aproveitou a feira para lançar o Rótulo Lacre. Confeccionado com lacre termoencolhível, o rótulo decora e lacra a embalagem em uma única operação. Isso porque após a passagem pela máquina de aplicação automática, a embalagem é enviada para o termoencolhimento. Ao se amoldar no frasco, o rótulo deixa evidente a integridade da embalagem e vem com picote para facilitar a abertura. “Desenvolvemos máquina que permite ao fabricante eliminar uma etapa do processo de produção, juntando a rotulagem e a aplicação do lacre num único equipamento”, explicou a gerente de marketing Walkiria Castro.

Dificuldades – Lançamentos à parte, o clima da feira não era de euforia. Alguns expositores da FCE Pharma apontaram a instabilidade econômica como um dos principais entraves da indústria farmacêutica. Conforme citaram, o potencial do mercado é enorme, porém o momento exige muita cautela. “No cenário atual, sobreviver já é motivo de comemoração.

Química e Derivados: FCE: Oliveira - sala limpa aproxima fornecedores.
Oliveira – sala limpa aproxima fornecedores.

O industrial está com medo de apostar em lançamentos”, ressaltou o coordenador de marketing e vendas da Klöckner Pentaplast Fernando Amorim. Por trabalhar com importação, ele diz ter sofrido no bolso a influência da alta do dólar. Conforme afirmou, o mercado está retraído e, por isso, é visível a dificuldade de movimentar a produção.

Preocupado com os rumos da economia, Israel Xavier de Gusmão, representante da Purifarma, também justificou a ausência de novidades no estante com a instabilidade da moeda brasileira. Distribuidora da Aventis, a empresa levou à feira sua linha tradicional de insumos, pois, apesar das circunstâncias econômicas, na opinião de Gusmão, a FCE Pharma é um evento focado, do qual as empresas do setor não podem ficar de fora.

Outra maneira de enfrentar a crise é unindo forças, como fizeram Dânica, PB do Brasil e BHP Engenharia. Juntas, as três indústrias atuam na área de salas limpas. Responsável pelo projeto, instalação e manutenção do sistema de condicionamento de ar, a BHP uniu-se à Dânica, maior fabricante de sistemas termoisolantes para câmaras frigoríficas e construção civil na América Latina, que ficou a cargo do fornecimento de painéis termoacústicos com padrão GMP, e à PB, responsável pela montagem dos painéis e fornecimento de acessórios.

De acordo com o engenheiro da BHP Sidney Azevedo de Oliveira, a idéia é entregar ao usuário uma sala limpa completa, evitando problemas de gerenciamento e coordenação das obras. Pela primeira vez na feira, o grupo aposta na especialidade de cada empresa para se sobressair no concorrido mercado farmacêutico.

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