FCE Cosmetique/Pharma: Feira se firma como plataforma de lançamentos globais de ingredientes cosméticos

Química e Derivados, FCE Cosmetique/Pharma: Feira se firma como plataforma de lançamentos globais de ingredientes cosméticosAs principais feiras latino-americanas dos setores cosmético e farmacêutico, a FCE Cosmetique e a FCE Pharma, fizeram jus à fama e à crescente importância do mercado brasileiro no cenário mundial destas indústrias.

Nas duas exposições, realizadas em São Paulo, de 14 a 16 de maio, e divididas no mesmo Transamerica Expo Center, era comum descobrir entre vários estandes que muitas empresas globais faziam lançamentos simultâneos de novos insumos e sistemas, aproveitando a proximidade de datas de outras exibições internacionais importantes.

Essa manifestação de prestígio do mercado brasileiro se fazia ainda mais evidente na FCE Cosmetique, sem dúvida a feira que atraía mais a atenção dos 19.815 visitantes que passaram pelos corredores do centro de exposições, onde 600 empresas ao todo marcaram presença (43 estreantes).

Vários expositores lançaram ingredientes que, ou tinham sido recentemente apresentados pela primeira vez na principal feira de cosméticos do mundo, a In-Cosmetics, de Paris-FR (16 a 18 de abril), ou estavam sendo mostrados de forma simultânea com a exposição norte-americana da New York Society of Cosmetic Chemists (NYSCC), em New Jersey, realizada dias 14 e 15 de maio.

Esta situação é facilmente explicável. Pelo fato de o Brasil ser o terceiro maior mercado consumidor do mundo de cosméticos (atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão, com vendas totais de US$ 41,7 bilhões), as empresas não pensam duas vezes em introduzir rapidamente as novidades globais por aqui.

Química e Derivados, Maurício Lopes: Oxiteno lançou emolientes e tensoativos de fonte renovável
Lopes: Oxiteno lançou emolientes e tensoativos de fonte renovável

E o mais interessante foi ter havido não apenas casos de empresas estrangeiras adotando o procedimento, mas também de fabricantes de ingredientes nacionais, que apresentaram de forma simultânea nas três feiras algumas novidades para os formuladores de produtos cosméticos, como a Beraca e a Oxiteno.

A Beraca, de São Paulo, tradicional produtora de óleos essenciais da Amazônia, utilizou da estratégia para apresentar o óleo de patauá, extraído desta palmeira amazônica que chega a atingir até 25 metros de altura.

Apresentado na feira francesa um mês antes e ao mesmo tempo na FCE e no evento da NYSCC, o óleo refinado do fruto ovoide do patauá, que apresenta transparência, textura leve e é inodoro – ao contrário do futuro concorrente óleo de oliva (possui cadeia semelhante de ácidos graxos e pode substituí-lo) –, tem função hidratante, alto teor oleico (75%) e capacidade de formação de película sobre a pele. “Além de tudo é um fruto exótico, o que o deixa com grande apelo internacional”, ressaltou a gerente de negócios da Beraca, Vanessa Salazar.

Química e Derivados, Vanessa: óleo de patauá pode substituir o de oliva
Vanessa: óleo de patauá pode substituir o de oliva

Ingrediente processado na fábrica da Beraca na Amazônia, o óleo de patauá (Oenocarpus batava) tem sensorial leve, por ser obtido por meio de um método de refino a vácuo, e é indicado para tratamento do couro cabeludo e para produtos de cuidado com a pele e os cabelos. Ainda muito novo no mercado, não tem referência de aplicação, mas muitas empresas demonstraram interesse pelo produto.

Além do óleo, outro lançamento da Beraca foi um sistema de proteção dérmica denominado DPS (Dermal Protective Active System), que inclui em sua formulação cafeína, catequinas, ácido clorogênico, 6-gingerol e ácido rosmarínico. O sistema ativo tem função anti-inflamatória, antioxidante e antienvelhecimento, ideal para combater o estresse oxidativo e melhorar a função dos fibroblastos em cremes para a pele anti-age e loções firmadoras.

A outra brasileira que seguiu a mesma estratégia de lançamento global de produtos foi a Oxiteno, que estreava produtos ambientalmente corretos de duas linhas. Do portfólio de ésteres emolientes Oxismooth, a empresa mostrava o grade CP, um isocaprilcaprilato, derivado de ácidos graxos do óleo de palmiste (PKO), empregado para conferir alta “espalhabilidade” e sensorial seco para cremes, loções, protetores solares e xampus. Da mesma linha, o isoamilestearato, além de ter alta “espalhabilidade”, conta com um sensorial (toque) mais rico (oleoso). A linha Oxismooth conta com diferentes tamanhos de cadeias graxas, inclusive uma intermediária de isoamilcocoato, podendo ser usada de 0,5% (em cremes pós-barba) até 30% em óleos corporais, para as mais variadas especificações sensoriais. Além da base em óleo de palmiste, produto importado da Malásia em um volume de 100 mil t/ano, segundo revelou o gerente global de home e personal care, Maurício Lopes, a empresa também usa na composição dos emolientes a cana-de-açúcar.

A outra novidade da Oxiteno envolvia o tensoativo aniônico Alkopon NS Eco 92, cujo lauril da fórmula é derivado do óleo de palma. Com alto conteúdo de substância ativa, de no mínimo 92% de sólidos (contra as soluções convencionais a 28%) e elevado poder de formação de espuma, torna-se de mais fácil transporte e tecnicamente indicado para aplicações em sabonetes, por exemplo. Elaborado em forma de flocos, diminui o pó suspenso no ar, facilitando sua manipulação. Apesar de ser sólido, o tensoativo pode também ser empregado em formulações de xampus, espumas de barbear e cremes cosméticos, além, é claro, dos sabonetes sintéticos em barras, sua aplicação principal.

Segundo o gerente global da Oxiteno, a produção do lauril sulfato de sódio de fonte renovável está sendo feita na unidade da Oxiteno em Montevidéu, no Uruguai, uma empresa de tensoativos adquirida em 2012 (American Chemical). “Eles não produziam desse tipo de LESS, mas estamos investindo para melhorar o processo com os ácidos graxos produzidos em nossa unidade de oleoquímica em Camaçari, que processa o óleo de palmiste importado da Malásia”, disse Lopes.

A unidade de negócios de home e personal care da Oxiteno cresce cada vez mais em importância. Representa de 25% a 30% da empresa, crescendo 14% em volume nos últimos anos, tanto por causa de aquisições (montou ainda empresa de tensoativos nos Estados Unidos com a compra de fábrica descontinuada de vitaminas e a Cytec de ésteres em Suzano-SP) como por causa de desenvolvimentos com foco em sustentabilidade. Nesse sentido, a empresa é filiada ao RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil), entidade que regulamenta o manejo sustentável do óleo de palma, e pretende aos poucos migrar para o consumo apenas de produtores certificados pela organização.

No rol dos desenvolvimentos, além dos apresentados na FCE, Lopes lembra de dois solventes produzidos na unidade de Triunfo-RS, de acetato de sec-butila, que substituem alternativas tóxicas em formulações de esmaltes. “Ele também tem uma secagem melhor”, disse. Com o enfoque em produtos avançados, a Oxiteno pretende ampliar sua presença global, hoje diretamente envolvida comercialmente em nove países e já representando 20% das vendas da unidade de negócios.

Química e Derivados, Haruki: novo poliacrilato com sensorial aveludado
Haruki: novo poliacrilato com sensorial aveludado

Polímero funcional – Para não dizer que apenas as empresas brasileiras esperaram o momento da FCE para promover lançamentos globais, a suíça Clariant também destacava nova linha de polímeros apresentada ao mundo há menos de um mês na In-Cosmetics. O destaque ficava por conta do poliacrilato Aristoflex Velvet. Segundo o gerente de marketing regional da Clariant, Gustavo Haruki, o polímero confere às formulações um sensorial mais rico, aveludado (daí o nome em inglês) e sedoso. Para ele, a novidade vai atender à demanda das classes C e D por cosméticos mais sofisticados sem, para isso, precisar aumentar o custo final do produto.

A possibilidade de melhorar a qualidade da formulação, sem tornar o produto caro, é em razão dos polímeros desenvolvidos pela empresa serem funcionais. “O normal é o polímero apenas entrar como espessante, sem conferir propriedades sensoriais, como os nossos conseguem”, explicou Haruki. Além do toque suave na pele, o polímero é pré-neutralizado e pronto para o uso; e pode ser empregado em formulações com fase aquosa ou base óleo. Além disso, tem alta compatibilidade com solventes orgânicos (até 70% com etanol), quando apresenta boas propriedades reológicas e ópticas, tornando-se apropriado para formulações claras (géis, toners e removedores de esmaltes).

O Aristoflex Velvet pode ser empregado em formulações isentas de emulsificantes, desde loções até cremes leitosos, com eficiência em espectro de pH de 3 a 8, funcionando como texturizador e espessante em emulsões, e com boa tolerância a sais. O restante da linha Aristoflex também passará a ser mais trabalhado no Brasil, segundo revelou Haruki. Incluem-se aí desde versões de polímeros para dar o chamado toque refrescante para cremes pós-barba e pós-sol (Aqua Touch) até outro para toque rico e oleoso (HMB) ou um específico para criar efeito brilhoso à fórmula (TAC). A disponibilidade da linha completa mostra uma nova confiança da Clariant nesse mercado, tendo em vista que até o momento suas vendas de polímeros se concentravam mais no polímero AVC, usado como agente gelificante, com toque refrescante, em sistemas aquosos. Além de polímeros, a Clariant possui extensa linha para personal care, que inclui emolientes, emulsionantes, silicones, perolizantes para xampus e surfactantes catiônicos para condicionadores. Em 2012, com a aquisição da francesa CRM International, a empresa também passou a contar com derivados de óleos essenciais para a produção de ceras, emolientes e emulsionantes de origem vegetal.

Química e Derivados, Beatriz: silicone que incorpora água inova formulações
Beatriz: silicone que incorpora água inova formulações

Silicone na água – Um ingrediente bastante novo, e que chegou a ser premiado como a melhor inovação na última In-Cosmetics, de Paris, também marcou presença na FCE. Mais especificamente, estava no estande da distribuidora D’Altomare, representante para a região de São Paulo da norte-americana Dow Corning, especializada em silicones. A novidade era o blend de gel elastomérico orgânico de silicone reticulado EL-7040, de nome INCI caprylyl meticone e PEG-12 Dimeticone/PPG-20 crosspolímero. Em resumo, é uma mistura de elastômero de silicone de alta massa molecular modificado com poliglicol em caprilil meticona.

Segundo a responsável por pesquisa e desenvolvimento da D’Altomare, Beatriz Aleixo Rocha, a grande diferença que fez o ingrediente ser laureado em Paris foi o fato de ele ser hidrofílico, ou seja, o produto incorpora a água ao invés de repeli-la, como os silicones convencionais. “O hidroelastômero dispensa os emulsionantes necessários para permitir a união da água com o silicone nas formulações. Basta incluí-lo na formulação, com os demais ingredientes, para fazer um creme extremamente agradável e sedoso”, disse Beatriz.

O blend incorpora até 75% de água e até 40% de glicerina, tem compatibilidade com ampla gama de ingredientes orgânicos, e mantém ao mesmo tempo uma estrutura viscosa e gelificada na formulação. Sua “espalhabilidade” é melhor do que a dos géis elastoméricos de silicone tradicionais, e ainda oferece benefícios de espessamento com solventes orgânicos e em sistemas à base de álcool.

As propriedades do EL-7040 o tornam indicado para auxiliar na liberação de ativos lipofílicos, incluindo protetores solares e na liberação de ativos solúveis em água, como vitamina C, Aloe Vera e cafeína. Também é indicado pela Dow Corning como modificador reológico em sistemas à base de água e anidros e para uso em variados produtos para os cuidados com a pele, cosméticos coloridos e proteção solar. A coordenadora de pesquisa da distribuidora acredita que o produto irá revolucionar a aplicação do silicone em cosméticos. “Ele vai criar muitos produtos de alta qualidade, com custo relativamente baixo”, disse.

Química e Derivados, Thais: surfactante biodegradável e blend de ácido hialurônico
Thais: surfactante biodegradável e blend de ácido hialurônico

Outra empresa com lançamentos mundiais na feira foi a norte-americana Dow, com três novos insumos também lançados recentemente na In-Cosmetics. O primeiro é o surfactante biodegradável de decilglucosídio Ecosense 3000, para formulações suaves e com baixa irritabilidade para produtos para a pele e para os cabelos. De acordo com a gerente de marketing da área, Thais Baptista da Cruz, o surfactante complementa uma linha de produtos de fontes naturais lançada em 2012, como o 919 e o 1220. “Este grade é mais suave e muito indicado para produtos infantis”, disse. O Ecosense 300 é fabricado na unidade da Dow na China.

O segundo lançamento é o polímero MoistStar HA+, um blend de ácido hialurônico e poliquatérnio 67. Este último componente potencializa a hidratação e o combate às rugas do primeiro, tornando a combinação perfeita para formulações anti-age. “O ácido hialurônico é conhecido pela sua ação contra rugas e encontramos uma maneira de dar um upgrade na função”, explicou Thais. O polímero é produzido nos Estados Unidos.

A terceira novidade é o Ecosmooth Silk, um polímero condicionante que confere proteção térmica ao cabelo. Em bom português, ele protege os cabelos femininos das constantes “chapinhas” e secadores, que com o tempo ressecam e acabam com a vida dos fios capilares. “Ele pode ser usado em xampus, mousses, condicionadores e leave-on, suportando até 60ºC de temperatura”, disse Thais. O polímero cria uma película protetora nos fios. A base química do insumo é o etileno/octeno copolímero e o etileno/acrilato de sódio copolímero.

Química e Derivados, Carla: pesquisa nacional cria conservante 100% natural
Carla: pesquisa nacional cria conservante 100% natural

Conservante natural – Uma empresa 100% nacional aproveitou a FCE para mostrar uma inovação com possibilidade de repercussão internacional. Trata-se da primeira iniciativa de desenvolvimento que conseguiu chegar a um conservante de cosméticos inteiramente natural, mercado dominado por opções sintéticas, sobretudo as de base de isotiazolinonas. A Ipel, com fábrica em Jarinu-SP e especializada em controle microbiológico, atingiu a proeza depois de vários anos de pesquisa própria. O produto foi denominado comercialmente Olus e compreende uma combinação de bioflavonoides, óleos essenciais e derivados terpênicos.

Em fase final de obtenção de patente global e já com autorização da Anvisa para uso em cosméticos, o produto é um óleo essencial originalmente usado como emoliente e emulsificante que, com a combinação, ganhou o efeito secundário de conservante, segundo explicou Carla Alessandra dos Santos, a gerente de marketing e de exportação da Ipel, empresa que completa 25 anos em 2013. “O produto é ideal para cosméticos que querem dispensar insumos sintéticos para obter certificações verdes. Porque mesmo os que tentam ter o máximo de componentes naturais sempre precisam recorrer aos conservantes químicos. Na melhor das hipóteses, adaptam misturas de substâncias de naturais com sintéticas”, disse. Segundo o conhecimento da Ipel, o Olus é o primeiro inteiramente natural.

Produzido em Jarinu, o conservante pode ser empregado em cremes para a pele, produtos para o cabelo e já está sendo usado no Brasil não só em cosméticos como no mercado de tintas e de domissanitários. “E os resultados têm sido ótimos e comprovados”, revelou Carla. Além da baixa toxicidade, baixo nível de odor e sua composição de fontes renováveis, conta com facilidade de homogeneização. A linha conta com três grades: Olus 1000, aditivo natural de bioflavonoides e óleos essenciais; Olus 2000, derivados terpênicos e óleo essencial; e o Olus 3000, derivados terpênicos e bioflavonoides. Todos passaram por testes toxicológicos e hipoalergênicos.

Química e Derivados, Cristina: exploração sustentável para extrair alfa-bisabolol
Cristina: exploração sustentável para extrair alfa-bisabolol

Da candeia – Havia na feira mais uma boa representante do esforço nacional em criar alternativa para atender às demandas globais por ingredientes de alta qualidade e naturais. A Atina Ativos Naturais, de Pouso Alegre-MG, destacava em seu estande a extração controlada do óleo essencial alfa-bisabolol, substância obtida da madeira de candeia (árvore comum nas porções altas da Serra da Mantiqueira e Espinhaço, entre a Mata Atlântica e a zona de transição do cerrado), espécie encontrada em solo pobre e pedregoso. Pela população local sua madeira é muito empregada para forno a lenha, justamente por causa do óleo que lhe confere maior poder calorífico.

Em cosméticos, o alfa-bisabolol é indicado para várias formulações para a pele, em virtude de sua ação anti-irritante e calmante, associada ao efeito bactericida e antimicótico. Estável em ampla faixa de pH, é muito indicado para formulações para peles sensíveis, em pós-barba, pós-sol, produtos para bebês e cremes antissinais. Ainda por ser vetor de permeação cutânea, pode ser usado para carrear outros ativos em camadas mais profundas da pele. Isso sem falar de seu uso na higiene bucal, em pastas de dente para gengivas sensíveis ou atuando na eliminação de biofilmes em antissépticos bucais.

O interessante do alfa-bisabolol da Atina é ele ser o único que atende às normas de certificação ambiental do FSC desde 2005. Em 2009, 100% da produção foi certificada também pela Ecocert, seguindo as normas de certificação orgânica NOP/USDA e a lei de orgânicos do Brasil. Tamanha preocupação com o manejo correto tem a ver com a fundação da empresa. Isso porque a Atina foi criada por um biólogo, consultor ambiental contratado à época pela Natura para rastrear a produção do óleo que estava sendo vendido para a empresa, depois de uma denúncia de que os produtores coletavam o alfa-bisabolol de forma predatória.

De acordo com a sócia e diretora executiva da Atina, Cristina Saiani, o trabalho, além de revelar realmente a extração predatória, serviu para o biólogo (Eduardo Roxo Nobre) criar um plano de manejo sustentável para a exploração, até hoje adotado com sucesso pela empresa. A pena, porém, é isso não ter inibido a extração insustentável por outras empresas, segundo revelou a supervisora de licenciamento ambiental da Atina, Tatiana Tavares. O produto da Atina é exportado para o mundo todo, incluindo Europa e Coreia, e atende grandes empresas nacionais, com destaque a Natura. A produção da Atina utiliza 120 fazendas certificadas e uma própria para extração da madeira, que geram 25 t/ano do alfa-bisabolol a 96% de pureza (contra 42% do sintético) na fábrica em Pouso Alegre. A empresa também produz óleos de café verde, cártamo, chia, macadâmia, maracujá e extratos de juçara, açaí e cacau.

Química e Derivados, Francine: microesferas de vidro oca dão toque de seda à pele
Francine: microesferas de vidro oca dão toque de seda à pele

Distribuidoras diversificam – A diversidade de opções de novos ingredientes na feira era bastante nítida nos estandes de empresas distribuidoras, que trabalham com vários grupos internacionais da área. Nas principais representantes, além da quantidade de opções de tecnologias químicas para a cosmética, havia uma tendência de mostrar aos interessados uma migração forte para o campo das especialidades.

Foi isso que ficou claro, por exemplo, na exposição da M.Cassab, que mostrou novas representações exclusivas para o mercado brasileiro de sua divisão Life Sciences, firmando sua estratégia de posicionar-se como “referência em especialidades cosméticas”, como explicou a gerente da unidade de negócios, Francine Laurindo. “Anos atrás éramos muito ligados à distribuição de commodities, como tensoativos e ceras comuns. Agora temos linhas mais diversificadas de especialidades, que ganharam importância ainda maior com as novidades na feira”, disse Francine. Bom lembrar que a M.Cassab é distribuidora de produtos da Oxiteno.

O primeiro destaque foi a tecnologia de “glass bubbles”, microesferas ocas de vidro da norte-americana 3M, que são acrescentadas a cremes para a pele para preencher linhas de expressão, disfarçando rugas, e dar um toque de seda a produtos cosméticos. As microesferas, cujo princípio da tecnologia é empregado em vários setores industriais, são de material extremamente leve (~ 0,6 g/cm3), borossilicato de sódio e cálcio. Com tamanho de 15 a 135 mícrons, atuam como agente sensorial para dar um toque macio e sedoso à pele. Com efeito deslizante, melhoram a mistura da formulação, resistem a altas temperaturas e podem substituir náilon 12, silicato de magnésio, talco, nitrito de boro, dióxido de titânio e mica.

Química e Derivados, Almir: expectativa de introduzir manteiga de Monoi no Brasil
Almir: expectativa de introduzir manteiga de Monoi no Brasil

Outra novidade da M.Cassab foi a parceria com a empresa israelense IBR, detentora da tecnologia Dormin, de extrato aquoso de bulbos de narciso em seu estado dormente. Sem necessidade de parabenos como conservantes, as formulações feitas com o ingrediente retardam a proliferação celular, mantendo a pele mais saudável. Além disso, e como efeito mais diferente, os estudos in vivo dos bulbos demonstram que eles também inibem o crescimento de pelos indesejados. São indicados para cremes faciais, pós-depilatórios, pós-barba, xampus, ampolas e géis de tratamento capilar.

A tcheca Contipro Biotech também veio com novidades. Mais especificamente o TanActine, que protege a pele da vermelhidão causada pelos raios UV, sendo apropriado para uso em filtros solares. Testado in vivo em 37 voluntários, o ativo glucomannan estimula e estabiliza a intensidade da pigmentação da pele pela produção do hormônio estimulante alfa-melanócito nos queratinócitos. “Isso protege a pele antes da exposição aos raios UV, limitando o desenvolvimento do eritema e regulando o processo inflamatório da pele”, explicou Francine.

A divisão life science da distribuidora quantiQ também tinha novidades. Para o segmento facial, a empresa mostrava da alemã Symrise o ativo SYM3D, um polibuteno que dá brilho e aspecto de ancoragem à pele, disfarçando rugas e linhas de expressão em maquiagem. “O ativo já existia para aplicações anti-age e foi adaptado para esse uso”, disse o diretor de negócio da quantiQ, Almir Ribeiro.

Também contou como novidade da distribuidora pertencente à Braskem o Body3 Complex, da empresa francesa Lucas Meyer, um ativo para auxiliar no tratamento da celulite. E na linha de ingredientes naturais o destaque foi a manteiga exótica de Monoi, uma planta da Polinésia que pode ser usada em produtos capilares para evitar o efeito de cabelo “armado”. “Ela pode ser usada em vários produtos e é a nova sensação na Europa. Tanto é que a trouxemos da feira francesa In-Cosmetics”, revelou Ribeiro. A manteiga representada é da norte-americana Biochemica.

Química e Derivados, Nascimento representa novos sequestrantes da Akzo Nobel
Nascimento representa novos sequestrantes da Akzo Nobel

Ainda no campo da distribuição, a Bandeirante Brazmo reservou algumas novidades para chamar a atenção de seu estande. De acordo com Marcio Luiz do Nascimento, gerente de mercado da empresa, o uso crescente de produtos para cabelo, a tendência mais recente identificada pela empresa, motivou os lançamentos. Nessa toada, faz parte a nova distribuição de produtos cosméticos da linha Dissolvine Akzo Nobel para tratamento de água de xampus, sequestrantes e quelantes substitutos do EDTA, NTA, fosfatos e fosfonatos. Trata-se do ácido diacético/ácido glutâmico (GLDA), sequestrante biodegradável e de baixa toxidez, que atua como agente quelante de cálcio e íons de metais de transição, aumentando a vida útil de cosméticos.

Outra nova representação é da coreana Samsung, de sua linha de espessante hidroxietilcelulose (HEC), assim como dos espessantes de carbômeros da italiana Lamberti. Da japonesa Sekisui, a Bandeirante Brazmo passa a representar sua linha de álcool polivinílico para máscaras faciais e géis de cabelo.

FCE Pharma prioriza instrumental analítico

A feira da indústria farmacêutica, a FCE Pharma, embora não tenha demonstrado a mesma movimentação entre seus estandes como a de cosméticos, atraiu a atenção de grande parte dos visitantes, muitas vezes com interesses em comum. A profusão de empresas de instrumental analítico, de produção de água ultrapura e uma ala dedicada ao controle de contaminação deram o tom da exposição.

A BD Diagnostics, por exemplo, mostrava sua nova linha de sistemas para controle de qualidade microbiológico industrial, que, segundo a coordenadora de desenvolvimento de mercado, Adriana Rossi, garante mais rapidez e segurança em resultados de contagem, esterilidade e identificação microbiana e ainda com custos menores operacionais. O BD Bactec FX, indicado para teste de esterilidade, faz análise completa em um período de cinco a sete dias, contra no mínimo 14 dos sistemas convencionais à base de medidor de variação de CO2.

O sistema, voltado para hemocultura, usa tecnologia de detecção pela fluorescência. O equipamento utiliza um exclusivo fluxo de ativação de frasco, que reconhece os procedimentos após o primeiro manuseio de frasco pelo usuário. “Não há necessidade de pressionar nenhum botão para processar a cultura dos frascos”, disse Adriana. Outro equipamento novo era o cromatógrafo de massa Maldi-tof, já usado em diagnóstico no Brasil e com lançamento para uso industrial em junho.

Química e Derivados, Adriana: citômetro de fluxo para detecção rápida
Adriana: citômetro de fluxo para detecção rápida

O grande diferencial do Maldi, segundo Adriana Rossi, é conseguir identificar com base no estudo das proteínas de amostras qual o gênero e a espécie dos microrganismos em análise. “Cada microrganismo tem proteínas distintas”, explicou a coordenadora. Com esse sistema, é possível substituir os métodos pouco precisos das análises bioquímicas. “E isso de forma muito mais rápida”, completou.

Outro destaque foi o BD FACSMicroCount, um citômetro de fluxo para rápida detecção de bactérias, leveduras e fungos. Segundo Adriana, o equipamento faz liberação de produtos não estéreis em 24 a 48 horas, ao contrário dos sistemas convencionais, que levam de cinco a sete dias. Ele pode ser usado para todo tipo de análise de produto acabado e matéria-prima, cultura estoque, monitoramento de processos fermentativos, análises de água purificada e de processo e quantificação de microrganismos para a fabricação de probióticos. O sistema tem capacidade para produzir 20 amostras/hora de análise qualitativa e mais de 15 amostras/h de quantitativa, gerando resultados gráficos, incluindo intensidade, fluorescência, tamanho e contagem por tempo.

Química e Derivados, Detector Corona: análise independe da estrutura química
Detector Corona: análise independe da estrutura química

A Thermo Fisher Scientific também tinha novidade em instrumental analítico. O detector Corona CAD, acoplado a um HPLC (cromatógrafo líquido de alta eficiência), segundo a vendedora técnica Marilice Rhoden, consegue fazer com que o sistema detecte impurezas até então difíceis de serem descobertas pelo equipamento. “Muitas impurezas não têm característica química detectável pelo HPLC”, disse.

Segundo Marilice, isso é possível porque o detector tem resposta independente da estrutura química. Uma câmara de nitrogênio dá uma carga no analito para permitir sua detecção por ultravioleta. Universidades e departamentos de pesquisa de indústrias farmacêuticas encontram uso no detector e já começam a adotá-lo. De acordo com Marilice, trata-se do único sistema desse tipo no mundo. Com alta sensibilidade e ampla faixa dinâmica, tem operação isocrática ou gradiente e integração simples com qualquer sistema HPLC e UHPLC.

A norte-americana Waters mostrou na feira um novo cromatógrafo apresentado pela primeira vez na Pittcon 2013, principal exposição de analítica do mundo. Trata-se do Acquity UPC2, um cromatógrafo por convergência de ultra performance. O sistema usa como fase móvel primária, em vez de fases líquidas e de gases de arraste, o dióxido de carbono comprimido. Sozinho ou combinado com um cossolvente, trata-se de fase móvel que permite taxas mais altas de difusão e melhores transferências de massa em comparação com os sistemas líquidos. Além disso, permite operação com temperaturas mais baixas em comparação à cromatografia gasosa. Segundo a empresa, a tecnologia inovadora combina o potencial da cromatografia de fluido supercrítico com a tecnologia de UPLC, atingindo altos níveis de separação molecular.

Química e Derivados, Abelha: demanda por peneiramento simples
Abelha: demanda por peneiramento simples

A Haever & Boecker lançou na FCE Pharma um novo sistema de peneiramento para análise de granulometria da Hosokawa Alpine. Trata-se de modelo simples que complementa a linha de versões mais sofisticadas (basic, professional e ultimate). Com controle automático de pressão, o modelo 200LS tem tela touch screen e operação intuitiva em razão de um menu simples de operar. Segundo o engenheiro da divisão de telas, Dario Abelha, o sistema faz a função básica para validação de granulometria e é uma demanda do mercado, que não tem demonstrado necessidades muito avançadas dos peneiradores.

A FCE Pharma contou ainda com uma ala apenas dedicada ao controle de contaminação, organizada pela SBCC (Sociedade Brasileira de Controle de Contaminação), onde várias empresas da área faziam demonstrações ao vivo. O grupo Veco, por exemplo, mostrou o funcionamento de uma unidade de descontaminação UD-600.

Com uma máquina de fumaça, técnicos da CCL Farma, empresa de certificações do grupo, mostravam o processo de filtragem e o uso do equipamento portátil US-600, empregado no controle de partículas. Além disso, a empresa exibia a unidade de filtragem refrigerada UFR 2TR, que refrigera o ambiente e ainda promove o controle da contaminação, pois tem em seu escopo filtros HEPA com capacidade de retenção de 99,99%. A unidade UFR 2TR insufla o ar limpo para dentro do ambiente, gerando pressão positiva para evitar a entrada de contaminantes externos. O espaço demonstrado na feira foi ocupado ainda por cabines de pesagem, segurança biológica, de fluxo unidirecional e vários filtros.

Em uma sala limpa itinerante da SBCC exposta na feira, o grupo Veco ainda fornecia filtros e equipamentos, como uma cabine de segurança biológica classe 2 tipo A1 e o Clean Closet, armário limpo para armazenar uniformes e utensílios de ambientes controlados.

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