FCE Cosmetique / FCE Pharma – Desempenho dos setores farmacêutico e cosmético traz inovações ao Brasil

Revista Química e Derivados, FCE Cosmetique / FCE Pharma, Abertura, Desempenho dos setores farmacêutico e cosmético traz inovações ao BrasilAntecipar tendências em insumos e ativos cosméticos e farmacêuticos é o que prometem as próximas FCE Cosmetique (Exposição Internacional de Tecnologia para a Indústria Cosmética) e FCE Pharma (Exposição Internacional de Tecnologia para a Indústria Farmacêutica) ao público que visitar – de 29 a 31 de maio, no Transamerica Expo Center, em São Paulo – essas grandes vitrines de inovações em matérias-primas, tecnologias e embalagens, reconhecidas por propiciar vantagens competitivas às indústrias dos respectivos setores.

Organizadas pela NürnbergMesse, ambas chegam à 17ª edição com a expectativa de receber 24 mil profissionais vindos de todos os cantos do Brasil e do mundo. Oferecem os melhores resultados das mais recentes pesquisas, com o intuito de poder ampliar o leque de produtos de beleza e de medicamentos aos consumidores e também respaldar o ritmo veloz de crescimento de dois setores pujantes.

O peso econômico é revelado pelas estatísticas. Somente a indústria farmacêutica no Brasil faturou mais de R$ 43 bilhões em 2011, montante 18,77% superior ao do ano de 2010, que registrou o mais alto percentual de incremento da última década (20,09%), constituindo o sétimo maior setor em arrecadação de ICMS – Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços do Estado de São Paulo.

Os resultados garantiram à indústria farmacêutica brasileira em 2011 a sexta posição no ranking dos maiores mercados mundiais, ao deter 3,6% de participação sobre o mercado total, cujo montante é de US$ 550,2 bilhões, sendo superada apenas pelas indústrias farmacêuticas dos Estados Unidos (41,78% de participação sobre o mercado total), Japão (2º colocado), Alemanha (3º), China (4º) e França (5º). “Galgamos cinco posições à frente, de 2003 até 2011, passando de US$ 4,8 bilhões em vendas, para US$ 26,3 bilhões em vendas”, ressaltou Nelson Mussolini, vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma).

Nos últimos quinze anos (1997 até 2011), as exportações cresceram dez vezes mais, passando de US$ 154 milhões (FOB), para US$ 1,4 bilhão. As mais recentes taxas de crescimento são atribuídas principalmente às vendas de medicamentos genéricos, enviados para abastecer os mercados da América Latina e do Oriente Médio.

A escalada de crescimento do setor farmacêutico está, sem dúvida, muito ligada ao envelhecimento da população e às melhores condições das camadas da população menos favorecidas, mas são os genéricos a grande força motriz dos atuais níveis de crescimento. Para confirmar essa informação, basta observar os números: enquanto o mercado de medicamentos cresceu no último ano à taxa de 18,77%, o mercado de genéricos cresceu 41,46%, ou seja, bem mais que o dobro das vendas dos remédios de marca, apresentando em 2011 o maior nível de crescimento de toda a sua trajetória de comercialização no país, desde o início de sua implantação, praticamente, uma década atrás (2002/2003), respondendo por um faturamento em vendas de R$ 8,8 bilhões, montante em boa parte compartilhado tanto por grandes fabricantes nacionais, como EMS, Eurofarma, Aché, NeoQuímica, como internacionais, como Medley e Sandoz, entre outras empresas. Em unidades (caixas/embalagens) comercializadas, o mercado de genéricos movimentou 583 milhões, enquanto o mercado farmacêutico total comercializou 2,3 bilhões de caixas/embalagens em 2011.

A balança comercial no setor farmacêutico continua deficitária (as importações em 2011 alcançaram US$ 6,4 bilhões), e não há perspectiva de reverter esse quadro pelo menos no curto prazo, mas, segundo observou Mussolini, proporcionalmente, ela se mantém no mesmo patamar em todo o período, desde 2003. “Ao analisarmos a evolução das exportações e importações de 1997 até 2011, iremos observar que, enquanto as exportações cresceram dez vezes mais, as importações cresceram seis vezes”, afirmou o vice-presidente do Sindusfarma.

Para crescer mais ou não esmorecer o ritmo de crescimento atual, o Brasil precisaria contar com fortes incentivos governamentais no setor farmacêutico e com uma política que torne a compra dos medicamentos mais acessível à população. Um dos entraves ao crescimento que poderia ser ainda mais acelerado é atribuído à alta carga tributária incidente sobre os medicamentos no Brasil, avaliada em 33,9%, em média, ou seja, mais de um terço do valor pago por um medicamento nada mais é do que impostos, enquanto a média mundial de tributação no setor é de 6,3%.

Revista Química e Derivados, Nelson Mussolini, vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo, Sindusfarma
Mussolini: redução de impostos beneficiaria os consumidores

Os níveis de tributação praticados no Brasil, segundo Mussolini, são considerados excessivos mesmo entre os países latino-americanos, incluindo Argentina (22%, em média), Chile (20%, em média) e estão muito distantes das políticas tributárias direcionadas ao setor de saúde praticadas nos Estados Unidos, por exemplo, onde os medicamentos são isentos.

“Reverter as altas cargas tributárias que incidem sobre os medicamentos é o nosso grande desafio e, graças à regulamentação de preços dos medicamentos (Lei federal 10.742, de 2003), qualquer redução tributária automaticamente seria repassada para o consumidor”, informou Mussolini.

Genéricos fortes – O mercado brasileiro de genéricos realmente tem pela frente muito a crescer, segundo concorda Bruno Sávio Nogueira, analista de mercado da Lafis Consultoria, de São Paulo. “O mercado de genéricos tem apresentado crescimento excepcional desde 2004 (38,97%), continuando em 2005 (31,60%), 2006 (33,37%), 2007 (27,83%), 2008 (24,45%), 2009 (23,57%), 2010 (37,74%), alcançando em 2011 o mais alto patamar (41,46%), e representando em faturamento 20% do mercado total, enquanto em países desenvolvidos já representa mais de 40% ou 50%, como acontece na Austrália, Estados Unidos e em vários países da Europa”, informou Nogueira.

Em vista do potencial de crescimento em direção aos percentuais já alcançados nos países desenvolvidos, o Brasil conta com perspectivas muito positivas para a expansão dos genéricos. “O vencimento de patentes nos próximos dois anos e o incentivo à produção nacional de fármacos e medicamentos que terão preferência nas compras governamentais tornarão o setor ainda mais atrativo”, comentou Nogueira.

O governo estima desembolsar R$ 3,9 bilhões com a aquisição de produtos nacionais entre 2012 e 2013, incluindo fármacos, medicamentos e biofármacos. Os critérios anunciados antes da promulgação do decreto seriam os seguintes: os medicamentos nacionais poderão custar 8% a mais que os medicamentos importados. A preferência, no caso, irá vigorar por um período de dois anos. Em se tratando de fármacos, os nacionais poderão custar 20% a mais do que os importados e a preferência deve vigorar por um período maior, de cinco anos. Já os biofármacos nacionais poderão custar 25% a mais e a preferência, nesse caso, vigoraria também por um período de cinco anos.

química e derivados, caducidade de patentes,Bruno Sávio Nogueira, analista de mercado da Lafis Consultoria
Nogueira: genéricos crescerão com a caducidade de patentes

Em resumo, o mercado farmacêutico brasileiro deverá continuar crescendo nos próximos anos em razão da expansão dos genéricos, e contará a partir de agora com um pouco de incentivo à produção nacional. “O incentivo que não foi concedido décadas atrás ao setor farmoquímico e à química fina agora poderá ser muito importante para a produção local de medicamentos biotecnológicos, incluindo nesse rol todos os medicamentos monoclonais, abrangendo produtos para oncologia e para atuar no sistema nervoso central”, considerou Mussolini.

Mercado aquecido – Os níveis de crescimento da indústria cosmética no ano que passou também superaram as expectativas (18,9%), alcançando o topo, comparativamente às taxas apresentadas pelos dez maiores mercados mundiais.

Assim, a indústria brasileira de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos – terceira maior do mundo – ultrapassou suas próprias marcas em 2011 e acelerou ainda mais o ritmo de crescimento. Reconhecido como um dos mais atraentes da economia nacional, o setor apresentou a maior taxa de crescimento percentual entre os dez maiores mercados de higiene e beleza do mundo. Ou seja, em vendas ao consumidor, alcançou 18,9% de crescimento, superando os incrementos observados no Japão (8,9%) e nos Estados Unidos (3,8%), de acordo com dados apurados pelo Euromonitor e divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). O faturamento do setor em preços ao consumidor superou US$ 43 bilhões, montante 18,9% maior em comparação com o desempenho alcançado em 2010.

FCE Cosmetique / FCE Pharma, Tabela, Mercado farmaceutico (vendas de genericos)
Tabela 1: Mercado farmacêutico - Brasil - Clique para ampliar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Contrariando projeções mais otimistas, ainda não foi desta vez que o Brasil pôde abraçar a vice-liderança mundial no ranking dos maiores mercados de consumo de produtos de higiene e beleza. De certa forma, isso pode ser relativizado, pois o país já é líder absoluto em vendas de desodorantes, fragrâncias, colorações, condicionadores, produtos para alisar, sabonetes, cremes corporais, mantendo também a prestigiosa segunda colocação em produtos para higiene oral, produtos para o público infantil e produtos masculinos.

De acordo com os dados levantados em 2011, portanto, o Brasil deteve 10,1% do market share global no setor de higiene, perfumaria e cosméticos, contra 11,1% do Japão e 14,8% dos Estados Unidos. A quarta maior fatia ficou nas mãos da China (6,5%), seguida da Alemanha (4,5%), França (4,1%), Reino Unido (4%), Rússia (3,3%), Itália (3%) e Espanha (2,6%).

FCE Cosmetique / FCE Pharma, Tabela, Mercado farmacêutico (vendas em reais)
Tabela 2: Mercado farmacêutico - Brasil - Clique para ampliar

No mundo todo, a indústria de higiene e beleza cresceu 9,84%, e movimentou US$ 425,8 bilhões, superando os US$ 387,7 bilhões registrados em 2010. Juntos, os dez maiores mercados responderam por 64,1% do faturamento global, o equivalente a US$ 272,98 bilhões.

Segundo apurou a Abihpec, o setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos no Brasil obteve faturamento da ordem de R$ 29,4 bilhões em 2011, em valores ex-factory (preço de fábrica, livre de impostos sobre as vendas), revelando crescimento de 7,9% em relação a 2010. Todos os itens de produtos para cabelos, abrangendo colorações, descolorantes, condicionadores, fixadores, modeladores, permanentes, alisantes, produtos para tratamento e xampus, somaram R$ 6,7 bilhões em valores ex-factory, ou seja, mais de 22% do total do setor.

A segunda categoria com o maior nível de faturamento foram as fragrâncias, que movimentaram R$ 4,75 bilhões, participando com 16,2% sobre o total. Na sequência vieram os produtos de higiene descartáveis, que movimentaram R$ 3,48 bilhões e alcançaram 11,9% de participação, e os produtos para banho, R$ 3 bilhões (10,2%), e também os produtos de cuidados para a pele, R$ 2,67 bilhões (9,1%).
Na composição do faturamento também se destacam os desodorantes (9% de market share), os produtos de higiene oral (8,1%), as maquiagens (7,9%), os bronzeadores e protetores solares (4,1%) e os produtos para barbear (0,7%).

Na avaliação da Abihpec, o setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos mantém crescimento de 10,9%, em média, em vendas líquidas ex-factory nos últimos cinco anos, motivado especialmente pelo aumento do poder de consumo da classe C e dos investimentos em mídia, inovação e tecnologia. Em 2011, as transações correntes internacionais do setor alcançaram US$ 1,6 bilhão. As exportações fecharam o ano em US$ 754 milhões, crescendo 8,7% sobre 2010. No mesmo período, as empresas participantes do Projeto Setorial Beautycare Brazil, de internacionalização das indústrias brasileiras de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, coordenado pela Abhipec em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), tiveram uma ampliação de 15%, alcançando US$ 126 milhões em vendas internacionais.

Busca de oportunidades – Mais de 600 marcas serão levadas neste ano pelos expositores das FCE Pharma e FCE Cosmetique ao conhecimento do público. Além da numerosa participação de empresas brasileiras, China, França e Índia contarão nesta edição com pavilhões exclusivos, registrando-se ainda maior diversidade entre os países representados por expositores vindos da Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia, Espanha, Estados Unidos, Irlanda, Itália, Japão, Portugal, Polinésia Francesa, Suíça, entre outros.

Pelo menos 37 expositores/marcas estarão estreando neste ano. Na FCE Pharma, que está ocupando 65% da área de exposição, somam 23: Alsanner, Amazonas, Bosch, Cangzhou, Cleanbox Brasil, Copermed, Danisco Brasil, E2PS, Extrujett Perfis Plásticos, GSC, IVM, Particle Measuring Systems, Perfor, Pharmotech, Proenfar, Prodieco, Ricefer, Sifraest Produtos Plásticos, Skan, Suan Farma, Tecma, Tecnibra e Veolia Water. Na FCE Cosmetique, são estreantes: Bral Max, Condensa, Coven, Eco Oil, Exsicata, Kotobuki, Lal Clínica, Liquigás, Metallurgica Jorba, Nature Brush, Primera, Rotac, Saco e Yonwoo.

“Em 2012, buscamos ampliar a presença de marcas globais, a fim de propiciar uma interconexão maior entre as empresas que atuam em diversos países”, informou Ligia Amorim, diretora-geral da NürnbergMesse Brasil, pertencente ao grupo que promove feiras em 80 países.

“O cenário mundial de oscilações econômicas está fazendo com que muitas empresas passem a olhar mais para o Brasil, identificando-o como um potencial mercado para a realização de seus negócios, prevendo crescimento fora de seus países de origem, isso porque observam que o Brasil está crescendo de forma sustentável e constante”, comentou Ligia.

Entre as iniciativas adotadas a partir desta edição está o lançamento do projeto Brazilian Business Partnering – FCE Pharma, dentro do qual serão promovidas rodadas de negócios para estimular a internacionalização das indústrias farmoquímicas e farmacêuticas brasileiras, neste ano por meio de encontros com empresas procedentes do Chile, Colômbia e Peru. “Por enquanto, vamos nos concentrar em empresas da América Latina”, informou Ligia, mas o objetivo é incentivar a promoção comercial das empresas brasileiras no mercado externo, por iniciativa do projeto de Internacionalização dos setores Farmoquímico e Farmacêutico, coordenado pela Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica e de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e apoio da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos) e Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma).

Com o incentivo da Ubifrance Brasil, entidade de apoio às empresas francesas em suas atividades de exportação, dez empresas participam neste ano das feiras organizadas no pavilhão francês: Artelia, Biosynthis, Coverpla, Diffusions Aromatiques, Orland, Sedna, Sodip, Strand Cosmetics, VMI e Technature.

A Associação Brasileira de Cos­metologia (ABC), além de realizar a 26ª edição do Congresso Brasileiro de Cosmetologia, também promoverá o projeto Business Integration, visando uma troca de experiências entre empresários e profissionais do setor cosmético.

A programação técnica também envolverá palestra entregue aos cuidados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de apresentações e debates sobre temas como vencimento de patentes, principais tendências em P&D, oportunidades para os mercados emergentes, soluções para os desafios relacionados com a importação de insumos, registro de novos produtos, biológicos e similares, novidades e regulamentação em biotecnológicos, internacionalização do setor e impactos das superfarmacêuticas.

FCE Cosmetique / FCE Pharma, Tabela, Produtos Farmacêuticos, evolução das exportações e importações
Tabela 3: Produtos Farmacêuticos - Clique para ampliar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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