FCE Cosmetique 2010 – Insumos de origem natural renovável predominam entre as inovações e destacam a posição brasileira

 

Os frutos da biodiversidade brasileira e de outros países faz algum tempo entraram na mira de pesquisas empreendidas em vários centros de excelência em cosmetologia espalhados pelo mundo. Recentemente, porém, registrou-se um largo advento de novos ativos de origem natural, em sua maior parte de fontes vegetais renováveis. Essa tendência foi revelada na maior plataforma de inovações e negócios para o setor cosmético da América Latina, representada pela 15ª FCE Cosmetique, a exposição internacional de tecnologias para a indústria cosmética, realizada de 25 a 27 de maio, no Transamerica Expo Center, em São Paulo, sob a organização da Nürnberg Messe.

O apelo “natural” para as novas formulações cosméticas, a julgar pela avalanche de novos ativos e ingredientes, assume gigantescas proporções. Deve frutificar ainda mais nos próximos anos em linhas botânicas, frutais e aromáticas de artigos para higiene pessoal, cuidados com a pele e cabelos, além de formar cosméticos especiais, como antirrugas, antienvelhecimento, clareadores e rejuvenescedores.

Portanto, os ativos provenientes de fontes vegetais estudados e comprovados quanto aos seus efeitos hidratantes, antioxidantes, regenerantes e terapêuticos não oferecem benefícios apenas à cútis e aos cabelos, mas também são fonte promissora de negócios para toda a cadeia produtiva de cosméticos. Poderão inserir o Brasil em posições privilegiadas de oferta de ingredientes naturais, principalmente no rumo das exportações.

Um exemplo da agregação de valor dos ingredientes e ativos naturais ao setor cosmético vem do mate orgânico colhido na Região Sul do país, que começou a conquistar fama internacional pelas mãos da norte-americana Arch Química. A empresa acaba de lançar um extrato padronizado em cafeína (entre 8,5% e 9%), após comprovar em laboratório a sua poderosa ação antioxidante, comparável à da vitamina C, que deu origem ao inovador Phytoterra Organic Maté Extract, cuja grande vantagem é a alta estabilidade. Exibido pela primeira vez na FCE Cosmetique deste ano, o extrato é recomendado para formulações cosméticas para a pele, como cremes e loções antienvelhecimento, e também para recuperar e tornar mais saudáveis os cabelos.

As preocupações com a certificação orgânica das matérias-primas, rastreabilidade dos processos e a eficácia dos ativos também se apresentaram na Beraca, com participação destacada na 15ª FCE Cosmetique. Reconhecida em vários mercados internacionais pelo fornecimento de ingredientes naturais da Amazônia, a empresa inaugurou recentemente sua primeira filial no exterior, em Paris, na França, pretendendo incrementar suas exportações. Aproveitou a exposição para destacar duas novas parceiras internacionais com a empresa alemã Henry Lamotte e com a empresa francesa Greentech, divulgando na feira também dois complexos de ingredientes que receberam recentemente certificação orgânica (Ecocert).

Química e Derivados, Carlos Mansur, Departamento comercial da Íon Química, FCE Cosmetique 2010 - Insumos de origem natural renovável predominam entre as inovações e destacam a posição brasileira
Mansur exibiu novos insumos criados no Brasil e no exterior

Trata-se do Anti-Acne Active System e do Anti-Dandruff (anticaspa) Active System. O primeiro, formado por ativos como beta-cariofileno, flavonóides e limonóides, com comprovada ação anti-inflamatória, é recomendado na concentração de 1,5%, e direcionado para cremes, loções, serúns e géis destinados a peles oleosas e propensas à acne. Reunindo propriedades anti-inflamatórias e antisseborréicas, o segundo ativo, formado por beta-cariofileno e selênio, apresenta comprovada ação anticaspa.
Outro destaque ficou por conta do Biofunctional Cupuaçu Extract Organic, extrato de cupuaçu orgânico, pertencente à linha Rain Forest Specialties. Sua ação hidratante prolongada se deve às altas taxas de absorção de água, em torno de 440%.

Karité para embelezar – A oferta de matérias-primas de origem vegetal, que vem contribuindo para a rápida vegetalização de fórmulas cosméticas, aumentou significativamente nessa temporada. Com glicerídeos de soja e frações insaponificáveis das nozes do karité, árvore nativa das savanas africanas, mas também encontrada no Brasil, a AAK Lipids for Care, da Suécia, desenvolveu, e a Íon Química apresentou Phytolan. “Trata-se de desenvolvimento capaz de propiciar toque acetinado e hidratação diferenciada, aumentando em 150% a retenção hídrica e formando filme protetor duradouro”, informou Carlos Mansur, do departamento comercial da Íon Química.

Também com frações insaponificáveis do karité, a Íon apresentou ésteres triterpenos concentrados em 55% (Lipex Shea Tris), desenvolvidos pela AAK. Ricos em amirina, butirospermol e lupeol, possuem propriedades bioativas e anti-inflamatórias e são recomendados para produtos pós-sol, pós-barbear, pós-depilatórios e fórmulas para hidratação.

Com um fitohormônio, responsável pelo crescimento dos vegetais, a Exsymol, de Mônaco – outra parceira da Íon –, desenvolveu uma auxina biomimética, para estimular os colágenos reconstrutores e promover ação antienvelhecimento neuro-cutâneo. “Trata-se de uma réplica idêntica à da auxina produzida por síntese molecular, que promove o crescimento natural do colágeno, também exercendo atividade antioxidante”, explicou Mansur.

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