Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

FCE 2017: Indústrias farmacêuticas e de cosméticos registram visitação recorde

Hamilton Almeida
9 de julho de 2017
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    Química e Derivados, FCE 2017: Indústrias farmacêuticas e de cosméticos registram visitação recorde

    Química e Derivados, Carvalho: visitantes buscaram novos insumos e conhecimentos

    Carvalho: visitantes buscaram novos insumos e conhecimentos

    Representantes das indústrias farmacêuticas e de cosméticos parecem não se abalar com as turbulências das crises política e econômica que sacodem o país e revelam otimismo para a realização de negócios neste ano e, mais ainda, no futuro próximo.

    Dois grandes eventos delinearam essa situação de certa forma privilegiada. As 22as edições da FCE Cosmetique e FCE Pharma – Exposição Internacional de Tecnologia para as Indústrias Cosmética e Farmacêutica, realizadas paralelamente de 23 a 25 de maio, no São Paulo Expo, receberam o recorde de 15.400 visitantes, 9% a mais que no ano passado, e irradiaram vitalidade por meio de um elenco variado de inovações em produtos.

    As mostras reuniram 600 expositores que ocuparam a área de 40 mil m2. “Houve um aumento de 9% na área da FCE Cosmetique, em relação à edição anterior, e de 5% na FCE Pharma”, declarou Diego N. de Carvalho, diretor de Portfólio da NürnbergMesse Brasil.

    Pesquisa preliminar da empresa organizadora com o público visitante constatou que 29% pretendiam investir de R$ 500 mil a R$ 1 milhão; 52% se identificaram como presidentes ou vice de organizações; 16% como gerentes e coordenadores; e outros 16% como técnicos e engenheiros. “Mais de 68% deles são de pequenas e médias empresas”, acrescentou Carvalho. Principais motivos que levaram o público a congestionar as ruas do entorno do pavilhão: busca por novidades e por novos fornecedores, promoções e vendas. Mas muitos foram atrás de capacitação, oferecida na Arena do Conhecimento e no Congresso de Cosmetologia.

    Química e Derivados, Vânia: mercado de higiene pessoal representa 2% do PIB

    Vânia: mercado de higiene pessoal representa 2% do PIB

    Na cerimônia de abertura oficial, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, falou que os setores cosmético e farmacêutico estão na “vanguarda da pesquisa e da inovação”. Ao lembrar que a indústria agrega valor, paga maiores salários e estimula o setor de serviços, arrematou: “São dois setores estratégicos que estão crescendo, são um bom termômetro do Brasil”.

    Reforçando a linha otimista, o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nélson Mussolini, disse: “Aqui está quem, apesar dos problemas, leva o país adiante. Fabricamos saúde em caixinha e geramos 100 mil empregos diretos e 600 mil indiretos”.

    A presidente da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), Vânia Leite, enfatizou que o mercado brasileiro de produtos de higiene pessoal representa 2% do PIB e já é o 4º maior do mundo. João Paulo Picolo, diretor geral da NürnbergMesse Brasil, reconheceu o “período delicado” da economia brasileira e insistiu no objetivo das exposições: “Ser uma plataforma eficiente para a geração de negócios”, trazendo qualidade, inovação e tecnologia.

    No 30º Congresso Brasileiro de Cosmetologia, cujo lema foi “Inovação e tendências: a influência do consumidor”, foi aberto espaço para novos hábitos de consumo, como as preferências por produtos Halal, orgânico, natural e vegano. Cosméticos para pacientes oncológicos e para proteção contra a luz azul dos dispositivos eletrônicos (poluição digital) são novos nichos.

    No caso do mercado Halal, os números impressionam. Segundo Dib Ahmad El Tarrass, gestor de desenvolvimento do Halal industrial da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), os seus pares consumiram US$ 20 bilhões em cosméticos em 2014 no mundo e a perspectiva é dobrar esse valor até 2019. Cosméticos com certificação Halal são produtos que não contém álcool e nem ingredientes de origem animal proibidos pela lei islâmica.

    O planeta abrigava 1,5 bilhão de muçulmanos em 2010 e esta cifra deverá saltar para 2,7 bilhões em 2050 (30% da população total). Em 23 países, eles superam 90% dos habitantes. E nessa conta, observou Tarrass, devem entrar ainda os não muçulmanos que buscam saúde e se identificam com o conceito Halal de qualidade e estilo de vida. Esse costume coincide com a tendência mundial por produtos com fórmulas mais naturais.

    Há empresas de olho nessa oportunidade de mercado. Ele citou a Basf como pioneira em oferecer matérias-primas para produtos de higiene pessoal. A L`Oreal construiu uma fábrica na Indonésia, em 2012. A Prolab Cosmetics, de Diadema-SP, foi a primeira empresa do ramo certificada no Brasil (há dois anos). “Os consumidores muçulmanos gastam cada vez mais com cosméticos”, garantiu.

    Carol Murua, gerente de certificação da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), alegou que há 5 milhões de veganos que não querem contribuir com a exploração e testes em animais para cosméticos e outros produtos. E o secretário-executivo da entidade, Guilherme Carvalho, pontuou que a certificação de produtos cresceu 500% nos últimos três anos: “Temos 300 produtos certificados, incluindo cosméticos”.

    Também ficou claro que há uma preocupação especial da indústria em entender o comportamento dos consumidores. “Como compreender um mercado que está envelhecendo – na nova velhice, as pessoas são ativas e querem cuidar da aparência –, os consumidores são hiperconectados e afeitos à experimentação e novas marcas, e rompem com valores tradicionais, como o conceito de gênero?”, indagou o professor Airton Rodrigues, da Facamp – Faculdades de Campinas. Há 600 milhões de pessoas no mundo na pós meia-idade, entre 55 e 65 anos.

    “A geração com menos de 32 anos – 61% da população – é mais questionadora e quer ser ouvida. Adora novidades e as redes sociais. Só vão se fidelizar a uma marca se se sentirem engajados. O novo consumidor quer saber como é feito o produto e qual é o seu impacto no meio ambiente”, definiu Larissa Messias, diretora de recursos humanos da Estée Lauder.

    Por outro lado, o Brasil “está se redefinindo” e um novo país está surgindo: “mais reflexivo, mais responsável e mais participativo”. Larissa externou que “a grande maioria das empresas acredita no mercado nacional e na recuperação econômica”.

    A gerente de contas da Croda, Luciana Muniz, anunciou o lançamento da terceira geração dos peptídios, “uma Matrikina totalmente nova, baseada na estrutura de ligações cruzadas do colágeno”. Os testes clínicos realizados (uso de um creme duas vezes por dia durante seis semanas) comprovaram a eficácia do produto batizado de Matrixyl Morphomics.

    Ele é capaz de reduzir as linhas verticais, as rugas entre as sobrancelhas e ao redor dos olhos (pés de galinha) e as linhas de marionete, que fazem o rosto parecer triste, além de atuar na recuperação da pele após o franzir da testa. “A maioria dos peptídios têm uma ação biológica. Agora, temos também um estímulo mecânico”, observou Luciana. O novo produto “refaz as conexões da pele entre o núcleo do fibroblasto e a matriz extracelular”. O nível recomendado pela empresa é de 2%.

    Fabrício A. de Sousa, da Aqia Química Industrial, discorreu sobre os problemas causados à pele pela maior exposição à irradiação azul (consequência da era digital), como manchas, inflamação, danos ao DNA e oxidação dos lipídeos. E forneceu a receita de cura: o sucrapeptídeo vegetal.



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