Tratamento de Água

Fabricantes mantêm produtos atualizados – Bombas

Marcelo Fairbanks
7 de janeiro de 2019
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    Química e Derivados,Bomba CHTR Vane Island da linha API 610 da KSB

    Bomba CHTR Vane Island da linha API 610 da KSB

    O mercado nacional de bombas industriais começou a dar sinais de recuperação. Entre janeiro e junho de 2018, com base em dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), as vendas dos fabricantes locais cresceram 8,5%, em comparação com o mesmo período de 2017. O consumo aparente desses equipamentos tem previsão de crescer 17,3% neste ano, em relação a 2017.

    Os bons números acima escamoteiam algumas dificuldades e podem gerar uma ilusão de prosperidade. Há um crescimento de vendas em curso, mas a base de comparação é muito fraca, basta lembrar que o faturamento do segmento de bombas industriais ainda está abaixo do obtido em 2010. Além disso, o aumento da competição com importados estrangulou as margens de lucro dos fabricantes nacionais, fato evidenciado pelo aumento de 12% das importações e pela queda de 30% das exportações no primeiro semestre deste ano. Por isso, os números acima não foram recebidos com muita alegria.

    A importação pode ter sido ainda maior. “O setor de óleo e gás importa equipamentos completos, bombas incluídas, em skids e o processo de importação considera o conjunto, sem identificar cada componente”, explicou Biagio Pugliese, diretor comercial da KSB Brasil. Ele comentou que isso também se verifica na importação de linhas de lavagem de garrafas e envase de bebidas, cabines de pintura e outros. Até o ponto em que o levantamento da entidade setorial pode apurar, a entrada de bombas chinesas para construção civil cresceu muito nos últimos anos. Os Estados Unidos são, também, origem importante de bombas trazidas para o Brasil.

    “Há empresas locais que importam bombas e aqui colocam a sua placa de identificação, uma espécie de private label, isso é uma resposta ao alto custo de produção daqui que inibe investimentos em produção”, considerou.

    Química e Derivados, Pugliese: lançamento da bomba CHTR Vane Island completou a linha API 610 da KSB

    Pugliese: lançamento da bomba CHTR Vane Island completou a linha API 610 da KSB

    Embora as vendas da KSB tenham aumentado 15% no primeiro semestre deste ano, Pugliese comenta que o panorama de negócios se apresenta confuso, com os principais segmentos clientes postergando projetos, uns pela instabilidade política provocada pelas eleições, outros pela incerteza com a taxa de câmbio e outros fatores econômicos. “A indústria química, por exemplo, opera com faturamento em dólares abaixo do verificado em 2010, quase não tem projetos de investimento; o setor de óleo e gás também está estagnado, os projetos de refino não estão andando e só há duas plataformas em construção, mesmo assim no exterior”, apontou.

    O setor de saneamento básico caminhou em sentido oposto, registrando 30% de aumento de vendas no primeiro semestre. Porém, Pugliese adverte para o fato de muitas companhias estatais terem antecipado suas compras para não serem afetadas pelas vedações legais impostas em anos eleitorais. “Pode ser que as vendas do segundo semestre fiquem menores, portanto”, disse. Para ele, a maior participação de empresas privadas nesse setor é benéfica, por permitir mais agilidade às negociações, mas também aumentará a competição com importados, exigindo esforços dos fabricantes locais e também do estado, na correção de deficiências de infraestrutura e na redução da carga tributária. “Considerando o custo de produção e impostos, nossos produtos estão mais caros que os fabricados na Europa”, avaliou.

    A mineração brasileira também está desenvolvendo poucos projetos de investimento. A ocorrência de acidentes com impacto ambiental levou à redução de produção mineral. “O Chile é muito forte nesse setor, mas é atendido pela KSB de lá”, lamentou.

    O avanço de projetos de termelétricas traz alento para os fabricantes de bombas. “Cada geradora precisa de bombas para alimentar caldeiras, recircular o condensado e para o sistema de resfriamento, são pedidos grandes, mas com forte pressão para baixar preços e apertar margens”, comentou.

    O setor sucroalcooleiro passou os últimos anos direcionando o caldo de cana mais para a produção de açúcar do que para o etanol. Neste ano, houve mudanças no cenário internacional e o preço do açúcar despencou e aumentou a atratividade do etanol. “Vamos ver na próxima entressafra, que começa em novembro, se os usineiros investirão mais nas destilarias, que usam mais bombas”, comentou. A cogeração de eletricidade pela queima do bagaço também exige comprar mais bombas.

    O setor químico comprou poucas bombas para a produção, mas está apresentando forte demanda por equipamentos para combate a incêndio, em especial nos terminais logísticos. “Esse foi o segmento que mais cresceu em 2018”, apontou.

    Por ter um parque instalado de bombas muito grande no Brasil, a reposição de equipamentos e as atividades de manutenção representam uma fatia maior no faturamento da KSB. “Peças e serviços hoje representam 30% do total faturado, a média histórica não chegava a 20%”, informou.



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