Explosivos: Empresa oferece patentes de explosivos

Reiventando a pólvora: Empresa oferece patentes de explosivos com fórmulas inéditas no mercado mundial.

Criavidade, tempo livre, amor pelo tiro e muito conhecimento em química.

A mistura desses ingredientes fez com que o aposentado José Franklyn Copche, que durante anos foi o proprietário de uma empresa de recuperação e refino de metais preciosos, reinventasse a pólvora.

A afirmação é literal. Colecionador de armas e membro da Federação Brasileira de Tiro, ele tem como hobby passar algumas horas por dia em um laboratório fazendo pesquisas sobre novas fórmulas, em especial de explosivos.

Seus estudos já resultaram na descoberta de três produtos, todos eles patenteados e que prometem fazer grande estardalhaço: o propelente plástico (pólvora) Planum, o explosivo primário FX e o propulsor de aerossóis Aeroplan.

Os bons resultados obtidos com as primeiras experiências feitas a partir das fórmulas descobertas incentivou Copche a procurar dois amigos antigos, também aposentados, com o propósito de que fosse criada uma empresa.

Um desses amigos é Miguel Roberto Cichitosi, durante muitos anos engenheiro de produção de várias multinacionais e, desde 1989, proprietário da Planum Engenharia e Comércio.

O outro é o administrador de empresas Fernando Alves Leite, com vasta experiência em departamentos de marketing e vendas de várias indústrias multinacionais de renome.

A união resultou na criação, em 2002, da Planum Indústria e Comércio, empresa com o objetivo de transformar as invenções de Copche em produtos comerciais.

“No caso do Planum e do FX, explosivos que para chegarem ao mercado precisam ser fabricados em plantas industriais que levem em conta os requisitos de segurança previstos pelo Exército, queremos vender as patentes das fórmulas. Já no caso do Aeroplan, temos a intenção de montar uma fábrica própria em breve”, explica Leite.

Química e Derivados: Explosivos: Leite - esq., Copche e Cichitosi dir. - planos de vender patentes e montar fábrica. ©QD Foto - Cuca Jorge
Leite – esq., Copche e Cichitosi dir. – planos de vender patentes e montar fábrica.

Na palma da mão – O propelente plástico Planum foi criado a partir de experiências que visavam substituir a nitrocelulose utilizada para detonar as armas de fogo. “Como amante do tiro, me preocupava com a presença dessa substância poluente nas armas”, revela.

A intenção não deu certo, mas gerou uma fórmula bem mais valiosa. Com o desenvolvimento das pesquisas, Copche descobriu um substituto para as pólvoras utilizadas atualmente na produção dos fogos de artifício, rojões e das famosas “bombinhas”.

“Todos os anos se repetem as ocorrências de acidentes causados pelos fogos, que causam danos sérios à integridade física dos usuários, em especial nas crianças.

Esses acidentes ocorrem devido ao uso das pólvoras negra ou cloratada, fabricadas com matérias-primas perigosas e poluentes, como clorato de potássio, perclorato de potássio, alumínio em pó, antimônio, sulfeto de antimônio, enxofre micropulverizado, nitrato de potássio e carvão vegetal micropulverizado”, explica o inventor.

O propelente Planum tem formulação baseada em um polímero nitrogenado de constituição proveniente de compostos utilizados na fabricação de termoplásticos.

Por tratar-se de um produto molecular é homogêneo, com aparência de pó branco, leve, semelhante ao PVC micropulverizado, inodoro, insípido, insolúvel na água e em álcoois, ácidos, bases e nos demais solventes aromáticos ou alifáticos.

“A nossa pólvora apresenta queima rápida, inodora e praticamente sem fumaça. Ela explode de forma muito mais segura”, informa Copche. Para provar o que diz, o inventor da fórmula não se furta da experiência de detonar um pequeno punhado do explosivo na palma de sua mão.

“Além disso, ela resiste a todo tipo de choque, atrito ou percussão, podendo ser manuseada, armazenada e transportada com muita segurança. Também é resistente à umidade e não reage com superfícies metálicas ou outros propelentes”, emenda.

Química e Derivados: Explosivos: Teste mostra que as pólvoras utilizadas em fogos de artifício causam danos ao papel durante a explosão. ©QD Foto - Cuca Jorge
Teste mostra que as pólvoras utilizadas em fogos de artifício causam danos ao papel durante a explosão.

As vantagens, de acordo com os sócios da Planum, não param por aí. Por utilizar matérias-primas não poluentes, a nova pólvora emite CO2, N2 e vapores de água após sua detonação. As pólvoras convencionais emitem resíduos tóxicos na atmosfera, como o óxido de alumínio, trióxido de antimônio e gás sulfuroso.

Outra vantagem, acrescenta Cichitosi, protege uma das partes mais sensíveis dos corpos dos empresários: o bolso.

“As matérias-primas utilizadas na fórmula da pólvora Planum são mais baratas e encontradas em abundância no território nacional, o que não ocorre com as usadas na produção das pólvoras convencionais, muitas delas importadas”, garante Leite.

“E o processo de fabricação pode utilizar máquinas e é mais seguro. Os métodos indicados para a fabricação das pólvoras usadas hoje são manuais, o que, além do custo elevado, representam risco para a segurança dos funcionários e das plantas industriais”, acrescenta Cichitosi.

De acordo com Leite, o potencial de mercado desse produto é imenso, tanto no Brasil quanto no exterior. Por aqui, estima-se que a produção de pólvora cloratada supere a marca das 300 toneladas por mês.

Cerca de 90% a 95% da produção está concentrada na cidade de Santo Antônio do Monte (MG), onde existem cerca de 20 empresas produtoras, todas com capacidade instalada próxima das 15 toneladas por mês”, informa.

O principal fabricante de pólvora negra é a Imbel, empresa controlada pelo Exército Brasileiro com capacidade de produção avaliada em 800 toneladas por mês.

Os números do mercado externo também impressionam. O país maior produtor mundial é a China, onde a pólvora surgiu há cerca de 1,2 mil anos. Lá, a fabricação mensal atinge a casa das 3 mil toneladas.

Química e Derivados: Explosivos: c_cloratada_2. ©QD Foto - Cuca JorgeA intenção dos dirigentes da Planum é encontrar um parceiro com cacife suficiente para, por meio da compra total ou parcial da patente do explosivo, colocá-lo nos mercados nacional e externo.

Esse parceiro atuaria, a partir da fórmula desenvolvida por Copche, na produção de explosivos para fogos de artifício ou em outras aplicações onde haja interesse de exploração comercial, desenvolvidas a partir de adaptações tecnológicas feitas em conjunto.

É interessante que as empresas interessadas em adquirir a patente tenham a percepção de que o lançamento de produtos mais seguros pode resultar na proibição da fabricação dos fogos de artifício utilizados hoje, o que aumenta ainda mais o potencial de mercado.

“A lei prevê a possibilidade de substituição de explosivos quando houver um sucedâneo menos perigoso no mercado”, reforça Leite.

Idéia de arromba – A trinitroglicerina, substância mais conhecida por TNT, é utilizada há anos em operações militares ou comerciais, como, por exemplo, a realização de explosões planejadas por pedreiras em montanhas ou por técnicos especializados em demolições.

Para que a explosão do TNT seja concretizada, são necessários os detonadores conhecidos como espoletas, nome dado a cartuchos de alumínio que recebem uma pequena quantidade de um explosivo feito a partir da azida de chumbo, material extremamente poluente e perigosíssimo por ser muito sensível ao atrito.

Química e Derivados: Explosivos: c_cloratada_3. ©QD Foto - Cuca Jorge“Nós conseguimos chegar a uma fórmula bem mais segura do que a que se utiliza da azida de chumbo. Nosso produto, o FX, não usa essa substância e também não utiliza substâncias perigosas em seu processo de fabricação, como os ácidos nítrico e sulfúrico, nitratos ou cloratos”, orgulha-se Copche.

O surgimento do FX também contou com uma pequena ajuda do acaso. “Para falar a verdade, estava procurando um substituto para o estifanato de chumbo usado como espoleta nas armas de fogo”, diverte-se o inventor.

De acordo com Cichitosi, o FX exige muito menos cuidado para a sua fabricação e manuseio. O sócio da Planum afirma que quando aglutinado e plastificado o novo explosivo pode ser moldado em esferas, barras, botões ou em outros formatos.

Além disso, ao explodir emite gases muito menos poluentes: óxido nitroso, gás carbônico e água. “Outra vantagem é que suas matérias-primas são todas nacionais, o que não acontece com as espoletas atuais”, acrescenta Copche.

O FX já foi testado e aprovado pelo exército brasileiro e pode se tornar em um valioso produto de consumo não só para o mercado interno.

“Existem várias pesquisas sendo feitas em todo o mundo para substituir a azida de chumbo nas espoletas, mas não temos notícia de alguma fórmula nova que tenha obtido bons resultados”, garante Copche.

Química e Derivados: Explosivos: Com a pólvora desenvovida pela Planum, a explosão prova uma queima de menor intensidade no papel. ©QD Foto - Cuca Jorge
Com a pólvora desenvovida pela Planum, a explosão prova uma queima de menor intensidade no papel.

A Planum já está conversando com uma grande empresa privada instalada no Brasil e que demonstrou interesse em adquirir a patente.

“Por enquanto preferimos manter o nome da empresa em sigilo”, despista Leite. De qualquer forma, a provável compradora é uma das três grandes fabricantes privadas de espoletas de azida de chumbo presentes no país, as multinacionais Orica, de origem australiana, e Magnum, com sede na Alemanha, ou a nacional Britanite.

“Queremos fechar negócio com uma empresa de porte, que tenha condições de produzir a quantidade necessária do produto para suprir o mercado brasileiro e também para atender o mercado internacional”, emenda.

Não existem números muito confiáveis, mas estima-se que no Brasil são produzidas cerca de 4,5 milhões de espoletas por mês.

Cortina de fumaça – O Aeroplan não é um explosivo e nem foi desenvolvido a partir das experiências feitas por Copche para melhorar o desempenho das armas de fogo.

O produto surgiu do pedido de uma empresa brasileira interessada em desenvolver um novo propulsor para extintores de incêndio.

Esses propulsores são os responsáveis pela geração do efeito de aerossol que esses equipamentos possuem e que permite, mediante o acionamento de uma válvula, a pulverização da água ou dos produtos químicos indicados para combater os incêndios.

Química e Derivados: Explosivos: c_plastico_2. ©QD Foto - Cuca JorgeDe quebra, o propulsor pode ser aproveitado em outra aplicação interessante, a da emissão de intensa fumaça branca. Essa característica é útil em operações militares, como, por exemplo, as de salvamento na floresta, ou civis, caso das granadas de inseticidas utilizadas para combater a dengue ou dos efeitos pirotécnicos planejados para espetáculos os mais variados.

“Nosso produto tem desempenho bastante superior ao dos similares hoje utilizados pela indústria de extintores, que são importados. Ele se utiliza de matérias-primas nacionais, de custo bem menor e não poluentes”, garante o inventor da fórmula.

Por não conter enxofre, nitratos ou cloratos, ele não se inflama por choque ou atrito e emite CO2, N2 e vapor de água durante sua queima, ao contrário dos importados, que geram vapores nitrosos ou clorados na atmosfera. “O Aeroplan também é bastante eficiente.

Nos extintores são usados, em média, 150 gramas dos similares importados usados. Conseguimos resultados semelhantes com 40 gramas do nosso produto”, informa Copche.

Química e Derivados: Explosivos: c_plastico_4. ©QD Foto - Cuca JorgeDe acordo com Cichitosi, os resultados dos ensaios encorajaram a Planum a montar uma planta para fabricar o produto.

Os sócios não sabem o tamanho exato desse mercado, mas lembram que só o número de extintores fabricados no País revela seu grande potencial de mercado.

“Queremos começar fabricando quantidades pequenas, em torno de até 1 tonelada por mês, e ir ampliando nossa capacidade à medida que o mercado aumente a demanda”, informa Leite.

Os investimentos necessários para a empreitada, a empresa espera obter com a comercialização das patentes do propelente plástico e do FX. E do sucesso das novas empreitadas de Copche em seu laboratório.

“Temos outros produtos que estão sendo desenvolvidos e devem ser patenteados em breve”, informa.

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3 Comentários

  1. A sigla abreviada TNT não corresponde a Trinitroglicerina, mas sim ao Trinitrotolueno. São compostos explosivos completamente diferentes, a Nitroglicerina e o Trinitrotolueno, como o próprio nome já diz.

  2. Esse fx deve ser uma versão polvora flexe.
    Mistura permaganato Potacio e magnesio.
    Essa pólvoras flex explodem igual fulminatos azida.

  3. Olá!
    Como posso entrar em contato com o Sr. José Franklin Copche?
    Sou diretor da Federação Paulista de Tiro Esportivo, e tenho interesse no propelente citado no artigo, para uso em provas de tiro ao alvo usando armas obsoletas, de antecarga.
    grato
    Dr. Mauro Rabinovitch

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