Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Expansores – Espumas de poliuretano buscam substitutos para os HCFCs

Rose de Moraes
15 de maio de 2011
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    Até meados de 2011, conforme previsto por Souza, deverá ser mantido o fornecimento do HCFC-R141b, em escala reduzida, para aplicações em refrigeração, mantendo-se, porém, durante todo o ano de 2011 o seu fornecimento para as aplicações médicas, como para a siliconização de agulhas.

    No decorrer de um curto período, o HCFC-R141b pode simplesmente sumir do mercado de refrigeração. Ao disponibilizar a nova molécula, a DuPont do Brasil pretende, contudo, promover uma virada no curso dessa história e recuperar vendas, não somente no maior mercado de PU expandido, reconquistando sua participação, mas também levantar ganhos nas vendas destinadas às formulações das casas de sistemas.

    Programa brasileiro para eliminar HCFC estimula conversões

    De acordo com o Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFC, em quatro anos, de 2005 até 2009, o país registrou 67% de crescimento no uso dos HCFCs, predominantemente do HCFC-R141b, graças à forte demanda do setor de espumas de poliuretano, que consome 95% do total importado, sendo o remanescente (5%) utilizado na indústria farmacêutica e na limpeza de peças e de circuitos de refrigeração, como solvente, na forma de aerossóis.

    A conversão do uso dos HCFCs prevê atingir num primeiro momento as espumas rígidas para isolamento térmico, utilizadas no setor de refrigeração doméstica, em que se constatou predomínio do HCFC-R141b e, segundo informações técnicas, rápida migração para o uso de ciclopentanos.

    A eliminação dos HCFCs envolverá as seguintes etapas: em 2013, haverá congelamento no consumo, tomando-se por base a média de 2009 e 2010; em 2015, deverá ocorrer 10% de redução no consumo, seguida de 35% de redução até 2020 e de 67,5% até 2025, permitindo-se uma média anual de 2,5% para serviços de manutenção durante o período de 2030 até 2040.

    Alternativas pró-substituição – A debandada geral que ocorreu no mercado brasileiro no ano passado em relação ao uso do hidroclorofluorcarbono HCFC-R141b não passou despercebida também por outro grande fornecedor, a Solvay. Ao contrário, para não deixar parceiros desassistidos e assegurar posições conquistadas ao longo de anos de atuação, a companhia até colaborou na importação de pentanos, embora há vários anos responda pela produção na França, em Tavaux, e na China, de grandes volumes de HCFC- R141b, fornecidos ao mercado brasileiro desde 1996.

    A introdução de hidrocarbonetos, como os pentanos, talvez possa ser explicada por seu custo relativamente baixo, apesar da inflamabilidade, que impõe custosa adaptação dos usuários.

    “Estamos atuando em prol das substituições do HCFC-R141b há alguns anos e, nos últimos tempos, centramos nossas ações em países em desenvolvimento, apresentando-lhes o hidrofluorcarbono pentafluorbutano HFC-R365mfc, que tem ODP equivalente a zero e, diferentemente do HCFC-R141b, não agride a camada de ozônio”, informou Mário Sérgio Avezú, gerente de vendas e marketing de fluorquímicos da Solvay do Brasil.

    Considerado um grande feito, a nova estrutura molecular, sem a participação do cloro, conseguiu preservar as propriedades de isolamento do expansor, dando base à produção do HFC-R365mfc desde 2003.

    “O HFC-R365mfc é inflamável, mas não é tóxico, e apresenta baixo fator de condutibilidade térmica, entre 10 mW/mK e 13 mW/mK (miliwatts por metrokelvin), permitindo aos usuários trabalhar com um produto líquido em temperatura ambiente e com ponto de ebulição por volta de 30ºC até 40ºC. Contudo, apesar dos atributos, por ser inflamável, a empresa não pretende comercializá-lo na forma pura e, sim, como a blenda não-inflamável Solkane 365/227, composta por pentafluorbutano (R365) e heptafluorpropano (R227).

    Na China, país considerado líder mundial na fabricação de geladeiras, cresce, de acordo com Avezú, a utilização do pentafluorbutano (R365) em blendas com hidrocarbonetos, aliando-se baixa condutibilidade térmica e melhoria nas propriedades com reduções de custo.

    Por ter função decisiva no isolamento térmico, o agente expansor é o responsável pela capacidade de isolamento das espumas de poliuretano, e deve propiciar espumas com boas características de resistência à compressão e de estabilidade dimensional, além de apresentar baixa difusividade, para que não haja o risco de migração da espuma com o passar do tempo.

    Revista Química e Derivados, Mário Sérgio Avezú, gerente de vendas e marketing de fluorquímicos da Solvay do Brasil

    Avezú: pentafluorbutano forma espuma sem dano ambiental

    Formulado na blenda Solkane (R365+R227), o expansor da Solvay poderá ser encontrado em duas versões. Uma delas traz a combinação de 93% de pentafluorbutano (R365) mais 7% de heptafluorpropano (R227) e já é comercializada nas casas de sistemas formulados de PU, empenhadas em substituir o HCFC-R141b. A segunda versão, ainda não disponível ao mercado brasileiro, é composta por 87% de R365 e 13% de R227.

    “Muitos setores estão testando a nossa nova blenda com o objetivo de promover as validações e temos a expectativa de que esse movimento em direção às substituições do HCFC-R141b ganhe força e acelere no Brasil, antes mesmo do período estipulado para o cumprimento das metas traçadas pelos tratados internacionais, pois o país tem a posição de líder nas mudanças tecnológicas na América Latina e um papel muito importante a cumprir nas exportações de espumas expandidas para outros mercados que não mais aceitam produtos que não tenham zero ODP”, afirmou Avezú.

    Em defesa do novo desenvolvimento, o diretor ainda acrescentou: “A nova blenda é compatível com todas as demais matérias-primas, como os polióis, isocianatos, silicones, retardantes de chama etc., exigindo apenas alguns ajustes na receita, sem implicar alterações na linha de produção e, além disso, também está alinhada com o propósito de não contribuir para o aquecimento global”, frisou.

    Soluções não-inflamáveis – Países considerados emergentes, como Brasil, Índia, Rússia e México, além de optarem por soluções com zero ODP e zero GWP, também vêm denotando maior aceitação por tecnologias não-inflamáveis, segundo acredita Marco Antonio Fay, diretor de Sistemas Formulados da Dow Brasil. Por esse motivo, a empresa vem investindo no desenvolvimento de mais de quarenta diferentes formulações de sistemas de poliuretanos com agentes de expansão já incorporados para aplicações em diversos setores.



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