Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Etanol – Produtividade agrícola cai e importação aumenta para abastecer frota nacional – Perspectivas 2018

Hamilton Almeida
3 de março de 2018
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    Em 2017, a produção de ATR repetiu o volume do ano anterior, contabiliza a Datagro. Até 1º de dezembro, com a safra próxima do encerramento, a produção de ATR foi 0,32% superior à de 2016. “O mix de produção iniciou a safra bem açucareiro e, a partir de agosto, reverteu na direção do etanol. No acumulado da safra, a produção de etanol e açúcar ficou também muito próxima daquela observada no ano passado. Em 2017/18, o Brasil deve moer 651,6 milhões de toneladas de cana, produzir 38,73 milhões de toneladas de açúcar e 27,68 bilhões de litros de etanol”, destaca. Estas estimativas somam as regiões Centro-Sul (encerrando em 31 de março) e Norte-Nordeste (em 31 de agosto).

    O consumo de combustíveis do ciclo Otto (gasolina mais etanol) evoluiu 1,7%, embora o PIB tenha crescido apenas 0,7%, o que indica o vigor e a resiliência desse negócio. Em 2018, com previsões de avanço do PIB entre 2,5% e 3%, o consumo de combustíveis do ciclo Otto deve aumentar 3% a 3,5%.

    O consumo de etanol para usos industriais e alcoolquímica, no entanto, apresentou um pequeno recuo, de 1,47 bilhão de litros para 1,41 bilhão, reflexo das dificuldades enfrentadas pela economia em geral, principalmente a redução de demanda para tintas no setor automotivo.

    RenovaBio – Nastari considera que a participação do etanol no consumo de combustíveis do ciclo Otto tem variado bastante nos últimos anos. Em gasolina equivalente, entre 30,3% e 45%, nos últimos 8 anos.

    “Esta é uma variação muito grande e denota a falta de política para o setor de combustíveis líquidos. Com o RenovaBio, o novo Plano Nacional de Biocombustíveis, aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado, respectivamente, nos dias 28 de novembro e 12 de dezembro, isso tende a mudar no médio prazo, trazendo mais estabilidade e previsibilidade para o mercado”, opina.

    “O RenovaBio vai estimular investimentos em eficiência e valorizar os biocombustíveis por sua capacidade de promover descarbonização. Irá estimular o etanol 2G, e todos os métodos de produção de biocombustíveis (etanol, biodiesel, biogás/biometano e bioquerosene) que sejam eficientes do ponto de vista energético e ambiental”, afirma.

    Pádua também ficou animado com a aprovação do RenovaBio, que vai criar um cenário de retomada de desenvolvimento. Cauteloso, espera pela regulamentação, que deve tardar mais dois anos. De qualquer forma, “é uma política de longo prazo, que vai dar segurança ao investimento e levará o setor a ganhar produtividade”.

    Ele também espera que estimule a indústria automobilística a melhorar a eficiência do etanol nos veículos. Se for bem regulamentado, “haverá uma retomada do etanol de cana 1G, 2G, etanol de milho…”.

    O Projeto de Lei da Política Nacional do Biocombustível (RenovaBio) cria a política específica para todos os biocombustíveis e as bases para o desenvolvimento sustentado dessa atividade, com previsibilidade para os agentes públicos e privados.

    Em outras palavras, o RenovaBio é uma política de Estado que objetiva traçar uma estratégia conjunta para reconhecer o papel de todos os tipos de biocombustíveis na matriz energética brasileira, tanto para a segurança energética quanto para mitigação de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa.

    “Todo o programa se baseia em metas de descarbonização e estima-se que gerará 1,4 milhão de empregos diretos e 4,2 milhões de empregos indiretos, investimentos de R$ 1,4 trilhão e substituição de importações na casa de 300 bilhões de litros de gasolina e diesel”, pronuncia o professor da FEA/USP Ribeirão Preto, Marcos Fava Neves.

    A Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) também projeta que haverá novos investimentos da ordem de R$ 1,4 trilhão até 2020, ano em que o RenovaBio será implementado oficialmente. O montante deve ser aplicado, na sua maioria, na construção de novas usinas para a produção de mais etanol. Atualmente, o combustível é majoritariamente fabricado à base de cana-de-açúcar – mais eficiente, com maior qualidade e com menor capacidade poluente dentre as outras matrizes agrícolas para este fim.

    A entidade diz ainda que o investimento previsto também será aplicado na adequação dos parques produtivos existentes, mas com capacidade parcialmente ociosa, como é o caso da maioria das usinas brasileiras.

    Na região Nordeste, por exemplo, as unidades fabris sucroalcooleiras operam ocupando, no máximo, 70% de suas capacidades produtivas, conforme avalia a União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), entidade que reúne cerca de 21 mil produtores. Em Pernambuco, a ociosidade é ainda superior: 40%.

    Conjetura-se que o RenovaBio poderá gerar uma economia interna de 300 bilhões de litros de gasolina e diesel, que seriam importados no período 2020-2030.



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