Álcool: Gasolina cara permitiu avanço do etanol, mas endividamento alto preocupa os produtores – Perspectivas 2016

Preços – O aumento dos preços, desde setembro de 2015, serviu para equalizar oferta e demanda. Os preços ao produtor subiram, para o etanol hidratado, de R$ 1,18 por litro para R$ 1,88/l. “Isso dá uma ideia da evolução dos preços de junho até agora. Houve uma recuperação e teve impacto ao consumidor. Há uma redução no consumo de etanol mensal para ajustar a oferta e a demanda.” Nastari defende a importância de mais clareza e transparência na relação de competitividade entre a gasolina e o etanol.

No mercado externo, o consultor nota um “incremento marginal” tanto nas importações como nas exportações. O etanol é exportado por uma questão estratégica: como o etanol de cana produzido no Brasil possui baixa intensidade de carbono, o produto recebe um prêmio pela sua capacidade de reduzir a emissão de carbono. Como o ano foi muito seco na região Norte-Nordeste, importou-se etanol de milho, sem esse prêmio. No balanço, ele considera essas trocas positivas, pois incrementam o comércio internacional.

Pelas contas da Datagro, na safra 2015/16 o país exportou 1,8 bilhão de litros e importou 0,77 bilhão de l na safra 2015/16. Nos anos 2014/15, as vendas externas somaram 1,29 bilhão de l e as compras internacionais, 0,67 bilhão de l. Na safra 2013/14, exportou-se 2,73 bilhões de l e importou-se 0,31 bilhão de l. O “consumo interno vigoroso” justifica o declínio das vendas internacionais.

Pode-se dizer que o desempenho geral do setor álcool melhorou. Mas, também deve-se considerar que sofre com a dívida acumulada nos anos de crise.

Com 370 usinas em operação, 83 fechadas, 70 em recuperação judicial e nenhuma em implantação ou em projeto, o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo e o segundo maior de etanol. Só perde para os Estados Unidos, cuja produção anual chega a 54 bilhões de litros. Mas, enquanto o Brasil substitui 42% da gasolina por etanol, nos EUA o índice é de apenas 10%.

O setor apresenta uma dinâmica de investimentos em mecanização de colheita e plantio e também na cogeração, principalmente na região Centro-sul. No Norte-Nordeste, o índice de mecanização é menor. Na área de mecanização, quase todas as empresas estão investindo, inclusive algumas do Norte-Nordeste. Em cogeração, alguns grupos se destacam: São Martinho, Raízen e a Jalles Machado.

Tecnologia – Também há várias novidades tecnológicas. No plantio, novas técnicas de multiplicação de mudas, como as pré-brotadas. A embriogênese somática, como forma de multiplicar e plantar a cana, poderá revolucionar e reduzir o investimento em 40% no plantio. “O etanol será mais competitivo a médio prazo”, prevê Nastari.

E há tecnologias ligadas à fermentação, que aumentam o rendimento, além de haver instrumentos para aumentar a eficiência na geração de energia elétrica usando resíduos de cana, bagaço e palha. Há ainda tecnologias para aproveitamento de resíduos para biodigestão gerando biogás e biometano.

Os efeitos da recessão são mais visíveis nos segmentos de mercado de alcoolquímica e outros fins. Dados da Datagro revelam que essa indústria deve absorver 2,16 bilhões de litros da safra 2015/16. Nas safras anteriores, os números foram mais animadores: 2,36 bilhões de l (2014/15) e 2,33 bilhões de l (2013/14).

A queda no consumo de quase 10% verificada atualmente é bem maior que a retração geral da economia brasileira. O álcool é utilizado em tintas e solventes (se a indústria automotiva cai, caem também as vendas de tintas e de álcool), bebidas, farmacêutica, cosméticos etc.

Nastari alimenta a esperança, contudo, de que quando a economia se recuperar, a tendência será a volta do crescimento para todos esses segmentos. O mercado de alcoolquímica também sofre uma ligeira redução por conta da diminuição dos preços da nafta e da maior competividade dos derivados de petróleo em relação ao etanol para usos químicos.

Usina – Um dos maiores produtores de açúcar e etanol do Brasil, o Grupo São Martinho anunciou que encerrou a safra 2015/16 com a moagem de 20 milhões de toneladas de cana, volume 7% maior em relação à quantidade de cana processada.

O Conselho de Administração do grupo autorizou a expansão da capacidade de processamento de cana da usina Santa Cruz, situada em Américo Brasiliense-SP, de 4,5 milhões para 5,2 milhões de t. O projeto contempla um aporte de R$ 41,7 milhões, que serão destinados à aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas e industriais.

Haverá aumento da capacidade de produção de etanol e energia elétrica. Com a expansão do processamento de cana, a usina saltará a sua produção de etanol dos atuais 141 mil m3 para 200 mil m3. A cogeração de energia crescerá de 220 mil MWh para 258 mil MWh. Já a produção de açúcar passará de 347 mil t para 353 mil t por safra.

Os aportes necessários deverão ocorrer ao longo da safra atual e da safra 2016/17. A utilização da nova capacidade operacional da Santa Cruz se dará somente a partir da safra 2017/18.

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