Especialidades: Wacker expande centro técnico no país

A Wacker Química do Brasil inaugurou em abril a expansão de seu centro técnico e também da Wacker Academy, estrutura de treinamento e difusão de conhecimentos aplicados sobre produtos químicos usados em tintas, materiais de construção civil, adesivos, têxteis, borrachas de silicone e itens para cuidados pessoais.

Com isso, a companhia pretende aprofundar o relacionamento com seus clientes, mostrando em bases reais como ingredientes químicos fabricados por ela podem gerar efeitos diferenciadores nos produtos elaborados por eles.

A estrutura física da Academy, embora esteja instalada no sítio de produção e distribuição da Wacker em Jandira-SP, é totalmente independente das demais.

“Desde 2003, nosso centro técnico tem apoiado nossos clientes, ajudando-os a desenvolver produtos e aplicações, além de ter abrigado atividades para demonstrações e treinamentos, mas agora teremos um espaço mais adequado, mais confortável e disponível para essas atividades, que são fundamentais para o desenvolvimento dos negócios da companhia”, explicou Danilo Timich, diretor-geral da Wacker Química do Brasil, subsidiária da Wacker, grupo de origem alemã que obteve faturamento de € 4,63 bilhões em 2012.

O espaço da Academy compreende laboratórios de aplicação e um auditório com equipamentos adequados para efetuar aplicações de produtos finais.

Timich explica ser de mão dupla o relacionamento entre a empresa e os clientes.

Química e Derivados, Wacker, Danilo Timich: apoio para clientes desenvolverem produtos
Timich: apoio para clientes desenvolverem produtos

“Em geral, trazemos os clientes para cá e mostramos um produto semelhante ao que eles produzem, porém aprimorado com a inclusão de um aditivo desenvolvido por nós; caso um cliente goste do resultado, já tem uma formulação pronta para iniciar imediatamente a sua fabricação”, comentou.

“Muitas vezes, o cliente acompanha a nossa demonstração e aponta outras necessidades para as quais gostaria de encontrar uma solução; então nós o colocamos em contato com a divisão de desenvolvimento para encontrar essa solução, mediante um contrato de serviço, sob confidencialidade.”

O gestor da Wacker Academy no Brasil, Marcelo Borba, explica ser essa uma forma de oferecer treinamento continuado, atualizado e qualificado, colocando os técnicos dos clientes em contato com especialistas de alto nível da companhia.

A estrutura da Academy contempla o relacionamento com outros centros da companhia – o de Jandira é o sexto, e o sétimo será inaugurado em maio, no México –, facilitando o intercâmbio de experiências.

Química e Derivados, Marcelo Borba, Wacker, intercâmbio com especialistas de cada área
Borba: intercâmbio com especialistas de cada área

“Oferecemos seminários, simpósios e conferências, com a presença de um cliente ou de vários, simultaneamente”, disse, salientando que a presença de concorrentes em um mesmo seminário técnico não é usual em vários países latino-americanos, embora isso seja aceito no Brasil.

As atividades propostas podem ser feitas também in company, ou on-line, dependendo do escopo selecionado.

Borba mencionou como exemplo o baixo uso de tintas de silicone no Brasil, embora tenham propriedades excelentes, capazes de alcançar vida útil de revestimento acima de trinta anos.

“O Brasil ainda não sabe usar essas tintas, esperamos mudar essa situação com transferência de tecnologia”, afirmou.

Em compensação, o uso de argamassas colantes e também de pisos autonivelantes de alto desempenho, ambos fabricados com a adição de acetato de vinil etileno (VAE) da Wacker, tem encontrado boa aceitação e deve se transformar rapidamente em padrão de mercado na construção civil.

Esse foi o campo dos primeiros treinamentos ministrados pela companhia, antes da recente inauguração.

“Nas novas instalações, o primeiro treinamento está agendado para maio, em construção civil e tintas, mas estamos preparando algo para cosméticos”, adiantou.

Especialista na química do silício, a Wacker participa com insumos para a fabricação de painéis solares, wafers de silício para eletrônica, óleos, emulsões e borrachas de silicone para aplicações diversas, de artigos médicos a tintas, selantes e hidrofugantes para construção.

Além disso, produz o VAE e derivados da fermentação microbiológica de açúcares.

Crescimento regional – A Wacker Química do Brasil atende o mercado sul-americano, no qual obteve vendas de US$ 100 milhões em 2012, perfazendo a média anual de crescimento de 15% entre 2006 e 2012.

Segundo Danilo Timich, as vendas no Brasil foram aumentadas em 8% no ano passado, um resultado que se assemelha mais ao de países de economia madura.

“E não podemos esquecer que o PIB brasileiro cresceu apenas 0,9% em 2012, ou seja, esses 8% evidenciam bons resultados da introdução de produtos mais modernos no mercado”, ponderou.

Além disso, o Brasil não possui atividades de duas grandes áreas da companhia: a Polysilicon (produtos para painéis solares) e a Silitron (para chips eletrônicos).

No balanço da companhia, a região das Américas (todas elas) avançou 31% em vendas, enquanto a Ásia chegou a 48%, contra apenas 3% de aumento na Europa, duramente afetada pela crise econômica.

A companhia gera cerca de 85% de suas receitas fora da Alemanha.

“O foco dos negócios globais está na Ásia, região onde temos fábricas e há um mercado consumidor voraz”, afirmou Timich.

Isso não condena a América do Sul ao relento.

“Sabemos que muito do crescimento futuro virá de regiões mais novas, como a América Latina, por isso mantemos investimentos como o reforço da Wacker Academy”, informou.

A companhia investiu € 1,2 milhão nessas estruturas, somando a de Jandira e a do México.

A operação regional, sediada em Jandira, exige acompanhamento cuidadoso, especialmente para se proteger contra os efeitos das variações cambiais.

“Temos estratégias para lidar com isso, muitos dos produtos que vendemos aqui são importados”, comentou Timich. Outro fator de preocupação constante são as atividades logísticas.

Química e Derivados, Wacker, Ensaio de arrancamento de adesivo no centro técnico
Ensaio de arrancamento de adesivo no centro técnico

Um dos pontos fortes da companhia consiste em aproveitar a grande diversidade de negócios e de clientes atendidos.

O maior negócio em volume é o dos silicones, que conta com uma unidade de produção de emulsões instalada em Jandira.

“Esses produtos são os que trabalhamos há mais tempo no país, com bons resultados, mas temos um foco atualmente direcionado para o uso de VAE, principalmente na construção civil, e para iniciarmos por aqui os negócios com biociências voltadas à nutrição e aos fármacos”, explicou o diretor-geral.

Nessa atividade, ganham destaque os aditivos funcionais, indicados para alimentos industrializados, com o objetivo de unir praticidade e qualidade de vida.

As dispersões de VAE permitem formular tintas com odor praticamente imperceptível desde o momento da aplicação.

Trata-se de um produto muito usado em países desenvolvidos e que tem grande potencial de demanda por aqui. “O Brasil ainda não regulamentou as tintas com baixo VOC”, disse.

Uma dificuldade com o uso dessas dispersões seria a necessidade de trazê-las já preparadas do exterior, um custo elevado.

As vendas do VAE em pó, para pisos nivelantes e argamassas, por exemplo, são mais fáceis, pois o material sólido tem transporte menos oneroso.

A aceitação rápida dos aditivos e resinas para construção pode ser explicada pelas transformações sofridas por esse segmento de mercado.

“A demanda mudou de perfil nos últimos anos e o objetivo atual dos construtores é aumentar a produtividade, com prazos e custos menores de execução dos serviços”, avaliou Timich.

“Temos no exterior tecnologias para projeção de concreto, pisos autonivelantes e argamassas adesivas que são fáceis de assimilar pelos usuários.”

Borba exemplifica: um piso autonivelante com VAE proporciona uma superfície perfeita para o assentamento de porcelanatos em peças grandes, sem desníveis, acelerando muito o trabalho.

“Podemos fazer pisos autonivelados com resistência mecânica muito superior à do concreto, servindo para aplicações industriais exigentes”, informou.

Algumas aplicações podem ser inusitadas.

Foi desenvolvida no Brasil a aplicação de VAE na forma líquida para formar uma película fina, porém capaz de proteger pilhas de minério de ferro e evitar que o vento carregue nuvens de pó vermelho por longas distâncias, o que poderia criar problemas com a vizinhança, além da perda de material.

Esse filme é totalmente destruído quando o minério é processado nos altos-fornos.

“Temos uma variedade de produtos para melhorar os processos produtivos dos clientes, o que permite reduzir o consumo de insumos.

Silicones antiespumantes aplicados na fabricação de celulose ajudam a reduzir o consumo de água e a acelerar o processo, com economia dupla”, disse Timich.

Para 2013, ele espera que os resultados alcançados continuem a superar a evolução do PIB em vários pontos percentuais. “Queremos avançar mediante a inovação, ajudando nossos clientes a crescer”, finalizou.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios