Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Esmalte – Formulações atuais geram cores vibrantes

Renata Pachione
9 de maio de 2020
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    Eu sou free – Os produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes são divididos em duas categorias de acordo com o grau de risco (1 ou 2). Segundo esta determinação, os esmaltes são considerados de grau 1, ou seja, possuem propriedades básicas que dispensam informações detalhadas quanto ao seu modo de uso e restrições.

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    A segurança dos usuários está na berlinda em todos os setores da indústria de esmaltes. Alguns exemplos sobre o que tem sido feito quanto ao controle e à regulação dos produtos que envolvam riscos à saúde pública ficam por conta do DBP (dibutilftalato), do formol e da cânfora. Rosemary explica que, no Brasil, o emprego do formol é permitido em cosméticos apenas com a função de conservante ou endurecedor de unhas, com concentrações máximas de 0,2% e 5%, respectivamente (Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 15, de 2013).

    Quanto à cânfora, a Câmara Técnica de Cosméticos (Catec) recomenda estabelecer a concentração máxima de 4,0% do ingrediente em esmalte para unha. O plastificante DBP, por sua vez, foi banido em 2005 das formulações de esmaltes, e vem sendo substituído pelo ATBC (acetil tributil citrato). “Ele é 100% de base biológica e não é uma espécie de ftalato hidrogenado”, observa Rosemary.

    Mas, independentemente da le­gislação vigente, cada vez mais o produto free permeia os projetos da indústria da beleza. “Os fabricantes de cosméticos, em geral, estão mais atentos e demandam ingredientes menos agressivos e de origem natural, evitando os derivados de petróleo”, ressalta Oba, da Nitro Química. Com o esmalte não é diferente. O segmento segue essa mesma rota, abrindo-se para os produtos cujas fórmulas não contenham ingredientes considerados tóxicos ou agressivos.

    Os clássicos são aqueles com fórmulas 3 free (isentas de tolueno, formaldeído e DBP) e os hipoalergênicos (isentos de tolueno e formaldeído), mas a indústria hoje também oferta ao consumidor brasileiro composições 9 free, livres também de resina com formaldeído (RTS-F), cânfora, parabenos, fosfato de trifenilo (TPHP), tosilamida de etilo e xileno. No Brasil, a Natura foi pioneira no desenvolvimento desse tipo de esmalte, com a linha Una, cujos produtos são apresentados também como 100% veganos. Classificado como hipoalergênico, o produto foi lançado em agosto do ano passado.

    Oferecer opções variadas de formulações com algum percentual de ingredientes naturais ou veganos tem se mostrado um caminho sem volta. Se o conceito ficará restrito a um nicho ou alcançará grandes volumes de vendas ninguém arrisca dizer, mas, de qualquer forma, os profissionais da área sabem que não dá para ignorar o tema. “Certamente os produtos free irão se consolidar no mercado de cosméticos, especialmente nos esmaltes de unhas”, vislumbra Lilian, da Adexim-Comexim.

    O diretor da Focus Química, no entanto, faz um alerta quanto ao oportunismo de algumas empresas. Segundo ele, o conceito free tem um forte apelo de marketing que, em alguns casos, pode ser utilizado para ludibriar o consumidor. “Muitos colocam que seu produto é livre de algo que jamais existiu ou existirá em um esmalte de unhas”, avisa.

    Com o conhecimento de quem tem larga experiência fabril em Pesquisa & Desenvolvimento e Controle de Qualidade, a química e consultora técnica Rosemary também percebe a tendência de aumento da demanda por produtos menos agressivos e irritantes. Ela aponta, no entanto, que esse fenômeno só se fez possível porque o consumidor está aprendendo a não exigir o mesmo desempenho dos esmaltes tradicionais. “Não tem comparação em termos de fórmula, performance e nem de custos similares. Mas ele (consumidor) está disposto a pagar por isso em troca de um estilo de vida e/ou pensamento”, afirma.

    Segundo ela, ainda existe, porém, uma restrição muito grande por parte das consumidoras brasileiras em trocar a durabilidade de uma semana por um produto que pode permanecer nas unhas poucos dias, com o benefício de não ressecá-las, por exemplo.

    Uma questão desafiadora se dá quanto à estabilidade dos produtos. De acordo com Rosemary, as bases mais novas acabam perdendo um pouco a capacidade de aderência na unha. “Quando misturamos matérias-primas de origem vegetal (óleos, por exemplo) nas bases de esmaltes, temos a aderência prejudicada. Ou seja, após dois ou três dias, este esmalte ‘descasca’ facilmente, perde a aderência, pois não houve um tipo de ‘cura’, uma fixação do produto sobre a unha”, explica.

    A diretora comercial da Bella Brazil Cosméticos, Alessandra Lima, observa que uma de suas tarefas é reverter a ideia de que a não utilização do formol vai abreviar a duração do esmalte e reduzir o brilho. Sendo assim, ela faz questão de apresentar o mais recente lançamento da fabricante: o esmalte Ultra Secante Bella Brazil. A sua formulação não inclui DBP, tolueno ou formaldeído. O produto possui um único componente complementar: o disiloxane, silicone que acelera a secagem do esmalte. “Ele evapora e acelera a secagem, e o principal, não perde o brilho”, afirma Alessandra. Testes dão conta de que a secagem do esmalte leva até um minuto, em média.

    Química e Derivados - Esmalte Pôr do Sol, da linha Tô de Boa de produtos em gel

    Esmalte Pôr do Sol, da linha Tô de Boa de produtos em gel

    Um ponto importante quanto aos produtos menos irritantes se refere aos custos. Afinal, esses esmaltes são acessíveis? Às vezes, não. “Quando você exclui um item da composição que é agressivo, por exemplo, o tolueno, você necessita colocar mais três ativos para dar o mesmo efeito, e são ativos com custo mais elevado, mas que garantem brilho e durabilidade”, exemplifica Alessandra.



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