Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Esmalte – Formulações atuais geram cores vibrantes

Renata Pachione
9 de maio de 2020
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    Química e Derivados - Esmalte da Bella Brazil: unhas mais bonitas, sem usar formaldeído

    Esmalte da Bella Brazil: unhas mais bonitas, sem usar formaldeído

    Formulações atuais geram cores vibrantes e evitam danos à saúde do cliente

    Formulação básica do esmalte 
    Formador de filme: Nitrocelulose [C6H7O3(ONO2)3]
    Resina: Tosilamida formaldeído ou tolueno-sulfonamida-formaldeído.
    Plastificantes: Acetil Tributil Citrato e cânfora.
    Solventes: Acetatos, álcoois e tolueno.
    Corantes: Pigmentos orgânicos ou inorgânicos.
    Fonte: Rosemary Miliauskas, consultora técnica para P&D

    Química e Derivados - Vocci: polímeros acrílicos curados por UV duram mais

    Vocci: polímeros acrílicos curados por UV duram mais

    O consumidor de esmaltes para unhas impulsiona os fabricantes a proporcionarem experiências além da coloração. Dessa forma, a indústria passou a oferecer matérias-primas que agregam funcionalidade ao produto, simultaneamente, a uma grande variedade de cores, com muito brilho e alta durabilidade. A segurança dos usuários também norteia os desenvolvimentos. Os esmaltes isentos de ingredientes considerados tóxicos e alérgenos estão sendo mais aceitos e ganhando participação no mercado.

    “O esmalte se tornou um grande acessório tanto quanto brincos, maquiagens ou sapatos”, afirma a consultora técnica para Pesquisa & Desenvolvimento, Rosemary Miliauskas. Ela tem razão. Prova disso se vê na posição do Brasil no ranking mundial. O país é o segundo maior mercado em faturamento (atrás dos Estados Unidos), e se contabilizado o volume vendido (frascos), alcança a liderança, segundo Douglas Vocci, diretor da Focus Química.

    As explicações são muitas. Anderson Oba, diretor de marketing e comercial da Nitro Química, aponta que o esmalte de unha é um item de beleza importante e de grande relevância na autoestima das pessoas. Além disso, por ser de baixo custo, em momentos de crise econômica, o produto sofre menos impacto do que outros cosméticos.

    Lilian Furlan, gerente técnico-comercial da Adexim-Comexim concorda: “as vendas sempre são significativas e expressivas, superando até mesmo os momentos mais adversos da nossa economia”. Segundo ela, isso ocorre porque os consumidores adquiriram o hábito de embelezarem e cuidarem das unhas.

    Química e Derivados - Flávia: ativos encapsulados chegam ao ponto desejado

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    Flavia Zanella, gerente de desenvolvimento de vendas – Beauty Actives e Regional Marketing – Personal Care Latam, da Croda, no entanto, tem outra percepção sobre a demanda. Para ela, o segmento não está tão blindado assim dos reveses da economia brasileira. “O mercado de esmaltes não tem apresentado crescimento nos últimos dois anos, acompanhando a tendência geral do mercado de cuidados pessoais no Brasil”, afirma.

    De qualquer forma, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), a categoria de maquiagem para unhas movimentou R$ 735 milhões, em 2019 (vendas ex-factory), apresentando um crescimento de 9,4% em relação a 2018. As incertezas da atual situação do país impedem a associação de fazer projeções sobre o comportamento do setor. No entanto, já é possível diagnosticar o crescimento em valor da demanda por produtos voltados ao tratamento das unhas.

    Dentro do vidrinho – A fórmula básica de um esmalte conta com formador de filme, resinas, plastificantes, solventes e corantes. A proposta primordial dessa composição é gerar uma substância que, aplicada à unha, se transforme em uma película dura e brilhante depois da secagem, de forma a deixá-la colorida.

    A sua composição pode variar bastante dependendo do desempenho desejado. Em geral, cabe aos solventes uma parcela entre 60% e 80% da formulação, sendo o acetato de etila e o acetato de n-butila os químicos mais requisitados pela indústria. Além disso, esses solventes têm um apelo cada vez mais exigido pelos consumidores: são isentos de compostos aromáticos (free). “Eles são os solventes ativos para as principais resinas utilizadas na produção do esmalte de unha, ou seja, apresentam excelente poder de solvência, além disso, possuem baixa toxicidade”, afirma Denilson Vicentim, coordenador de assistência técnica da área de Solventes do Grupo Solvay na América Latina.

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    O etanol e o isopropanol participam da categoria de solventes para esmaltes de unhas, porém em menor participação, se comparados aos ésteres. O tolueno também é empregado nas formulações, porém o ingrediente é um caso à parte. Essa matéria-prima tem sido banida por conta da sua toxicidade – é classificado como depressor do sistema nervoso central (SNC) das pessoas – e por provocar alergia aos usuários. “O sistema solvente do esmalte de unha que contenha tolueno pode ser reformulado e substituído com vantagens técnicas por ésteres”, observa Vicentim.

    A nitrocelulose é o principal componente responsável pela formação do filme que confere brilho e durabilidade ao esmalte de unhas, duas exigências recorrentes entre os consumidores. Aliás, por causa desse atributo, o ingrediente está presente na maior parte dos esmaltes de unhas do mundo, incluindo as principais marcas globais do mercado. Trata-se de um polímero derivado da celulose e solúvel em solventes orgânicos, que apresenta alto teor de insumos renováveis em sua composição. Até por isso, ao contrário de polímeros derivados do petróleo, forma uma película permeável capaz de agir contra o adoecimento da unha ou da pele.

    Combinada com os componentes do esmalte, essa matéria-prima forma uma película brilhante, flexível e permeável nas unhas. Dependendo da formulação desejada pelos fabricantes, são empregadas determinadas resinas complementares. Essas resinas, por sua vez, trazem ao filme as propriedades de aplicação considerando suas características: algumas possuem mais brilho, outras são mais flexíveis, por exemplo. “É preciso eleger a combinação de acordo com a característica desejada no esmalte de unha, respeitando normas técnicas e de saúde”, explica Oba.

    A cor – Fundamental na composição do esmalte, os pigmentos respondem pela cor e os efeitos de brilho. “Grande parte do valor do esmalte vem justamente da cor e do brilho que ele oferece ao consumidor”, reforça Flavia, da Croda, ressaltando que, sem o pigmento, o esmalte seria incolor como a base ou a cobertura extra brilho.

    Carlos Fernando de Abreu, CEO da Colormix Especialidades, explica que a maioria das formulações é parecida; isso ocorre porque os pigmentos são utilizados na forma de chips, produzidos pela sua dispersão em nitrocelulose, principalmente, ou através de sua dispersão líquida. “Bons pigmentos são fundamentais para obtenção de um produto de qualidade, pois são responsáveis pela cobertura de cor, solidez, uniformidade e espessura do revestimento, além de compor efeitos diversos”, completa Abreu.

    Vale lembrar que pigmentos destinados para o mercado de esmaltes possuem, em geral, alto valor agregado, por causa do seu grau de pureza e processamento, ou do tratamento de superfície. O mesmo acontece em relação aos tipos de efeitos, como micas, borossilicatos e metálicos, por exemplo.

    Nesse segmento, novas tecnologias se traduzem em pigmentos tratados, cujo processamento melhora o processo de fabricação e o acabamento dos produtos finais, além dos pigmentos termocrômicos e fotocrômicos, cujas colorações são alteradas com a variação de temperatura ou exposição à radiação ultravioleta.



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