Aromas e Fragrâncias

Escassez de matérias-primas reduz oferta de oleoquímicos – Ácidos Graxos

Renata Pachione
6 de novembro de 2020
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    Produção – A Oxiteno é a maior compradora do óleo de palmiste da região para transformação em álcoois e ácidos graxos. A matéria-prima é comprada em sua maioria da Malásia e Indonésia. Na unidade de Camaçari-BA, a companhia faz a cisão do PKO (óleo de palmiste), produz ácidos graxos de cadeia carbônica 8 a 18, sendo que apenas a fração C8-C10 é vendida ao mercado, sob a marca Ultracid 810. O restante da cadeia ácida gerada (C12 a C18) é utilizado como intermediário químico para produção dos álcoois naturais, Alkonat 1214 (fração C12-14), Alkonat 1618 (fração C16-18) e os cortes puros, Alkonat 1698 (C16) e Alkonat 1898 (C18). A empresa atua diretamente no mercado de álcoois naturais e seus derivados etoxilados e/ou sulfatados.

    Fornari enfatiza que a empresa conta com portfólio diversificado e versátil e oferece alto desempenho em um grande número de aplicações. Alguns destaques ficam por conta dos produtos Alkonat e Alkopon. “Seus diferenciais são o fato de derivarem de hidrófobos 100% naturais, certificados, competitivos e com elevada capacidade de resposta às demandas de mercado”, diz.

    A companhia lançou a linha Oxismooth. Ela traz ésteres-emolientes derivados 100% de matérias-primas de origem renovável, que segundo a fabricante, aliam funcionalidade, sustentabilidade e excelentes propriedades sensoriais, altamente indicadas para formulações de loções sanitizantes de mão, com excelente perfil sensorial. Aliás, também servem como substitutos verdes para silicones em aplicações de cuidados da pele, proteção solar e cabelos.

    A unidade oleoquímica abastece a própria empresa com os ácidos graxos necessários à produção de álcoois graxos, estes muito requisitados para a fabricação de produtos de limpeza, solventes e cosméticos. “A integração oleoquímica da Oxiteno é fundamental para garantir aos clientes segurança de abastecimento e sustentabilidade que um mercado exigente e dinâmico requer, principalmente no momento que estamos passando”, diz Fornari.

    A linha de produtos da Almad preza pela diversidade. Bastante extenso, o portfólio atende especialmente os segmentos oleoquímicos e de higiene e limpeza, com destaque à crescente participação nos setores de mineração e nutrição. Aliás, também por isso, a empresa tem aumentado suas vendas. “O faturamento da companhia cresceu 12% em 2019, com melhor logística na distribuição e formulação dos produtos conforme as necessidades dos clientes”, acrescenta Lovato.

    Segundo ele, a empresa investiu muito em pesquisa e desenvolvimento para registros dos subprodutos convertidos em aplicações como condicionadores de solo e fertirrigação (técnica de adubação que utiliza a água de irrigação para levar nutrientes às plantações). Em tempo, recentemente, a Almad recebeu a certificação ISO 9001. “Estamos a poucos passos do GMP+”, orgulha-se, se referindo ao certificado Good Manufacturing Practice.

    Verde – Segundo Fornari, da Oxiteno, o mercado oleoquímico está cada vez mais dinâmico e interessado em parceiros que estejam com certificações de alto nível de sustentabilidade e preparados para lidar com customizações de seus produtos. Entre as demandas que despontaram nos últimos anos, ele destaca os produtos livres de organismos modificados (GMO free) e derivados de plantações de palma certificadas (RSPO). “Estamos aprimorando nossa metodologia para avaliar a sustentabilidade de produtos individuais”, diz. A saber: a planta de Camaçari tem a vantagem de ser integrada na produção dos seus ácidos e álcoois graxos, garantindo produtos de origem natural, com possibilidade de certificação RSPO.

    “O mundo como um todo está migrando para o green”, comenta Coral, da Miracema-Nuodex. No entanto, ele observa que a substituição só se dará efetivamente se os produtos tiverem preços similares aos dos sintéticos ou por imposição das leis, como foi o caso do banimento de produtos contendo chumbo e mercúrio.

    Ricardo Lougon Ávila, diretor comercial da Irgovel, traz um dado do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), segundo o qual 8% da população brasileira têm comportamento de vegetariano e/ou vegano. “Isso abre uma oportunidade muito lucrativa para lançamentos de produtos contendo conceitos e apelos ‘vegetais’, haja vista que os adeptos desta filosofia de vida estão em sua maioria em estrato social mais elevado, portanto, não se preocupam com preços, mas sim em consumir e praticar o conceito”, afirma Ávila.

    Os produtos de Personal Care dialogam diretamente com o conceito natural. Por isso, não é por acaso que entre os principais mercados atendidos com ácidos graxos essa categoria tem se sobressaído. Segundo Marianna Cyrillo, gerente de marketing da Beraca, há um movimento intenso do consumidor em prol de produtos que tragam o apelo sustentável além da ideia de bem-estar e de cuidados pessoais. “De todos os mercados, o de Personal Care enfrentou bravamente a pandemia. A demanda por produtos para o autocuidado aumentou muito”, diz.

    Há cerca de dois anos a tendência dos ingredientes de origem natural se consolidou. Marianna conta que os consumidores anseiam por formulações que tragam benefícios para si e à sociedade como um todo, muitas vezes, não se importando com o custo, quando ali identificam valor.

    Em sintonia com esta tendência, a Beraca traz dois lançamentos. O Beracare CBA (Cannabinoid Active System) é um deles. Trata-se de um complexo de óleos da Amazônia com alto teor de terpenos e ácidos graxos insaturados – especialmente o ácido linoleico. Esse importante componente está relacionado ao aumento da permeabilidade cutânea, melhorando a atividade do ingrediente.

    Segundo a fabricante, o produto auxilia a mitigar os efeitos do envelhecimento precoce relacionados ao estresse inflamatório, com capacidade de dar suporte ao processo de reepitelização e cicatrização da pele. Marianna explica que o CBA é uma alternativa segura ao CBD (Canabidiol), com versatilidade de usos e aplicações em diferentes produtos cosméticos, como tônicos, loções, cremes e sabonetes.

    Química e Derivados - Escassez de matérias-primas reduz oferta de oleoquímicos - Ácidos Graxos ©QD Foto: iStockPhoto

    Extrato de açaí é consumido pelo setor de cosméticos

    A companhia também apresenta como novidade um ingrediente tecnológico e multifuncional que une o cuidado com a natureza, a busca por ingredientes naturais e a preocupação em minimizar os sinais do envelhecimento: o Extrato Sustentável Pro-aging de Açaí. “Ele é obtido por um processo exclusivo e único”, comenta Marianna. O extrato é produzido a partir do fruto da Região Amazônica e colhido por comunidades extrativistas locais.

    Vale dizer que o açaí da Beraca é um ingrediente Zero Waste (não gera resíduo). Ou seja, há pleno aproveitamento da espécie, a partir de uma única matéria-prima, todas as suas partes são aplicadas em diferentes cosméticos – extrato, óleo e esfoliante.

    O óleo de açaí é um ativo cosmético, cuja estrutura é principalmente composta por antocianinas, fitoesteroides e ácidos graxos essenciais (EFA). O perfil em ácidos graxos do óleo de açaí o qualifica como um óleo comestível especial, principalmente pela presença do ácido linoleico e ácido oleico, além de apresentar predominantemente em sua composição ácidos graxos monoinsaturados e ácidos graxos poliinsaturados.

    A Beraca abastece o mercado com alternativas sustentáveis ao óleo de soja e de palma, por exemplo. Aliás, a companhia tem em seu DNA a fabricação e fornecimento de ingredientes naturais provenientes da biodiversidade brasileira de forma sustentável, ética e 100% rastreável.

    A sustentabilidade e biodegradabilidade guiam os novos desenvolvimentos da Miracema-Nuodex. A empresa apresentou ao mercado de borrachas nova linha de aditivos de processo, cujo foco principal trata-se da substituição de matérias-primas petroquímicas por materiais à base de ácidos graxos naturais. “O objetivo foi tornar nossos aditivos de processo mais biodegradáveis e sustentáveis”, diz Rohr.

    Ele anuncia também que a companhia está finalizando o desenvolvimento de uma linha completa de ésteres e amidas de ácidos graxos naturais para a indústria de lubrificantes. O lançamento está previsto para o início do próximo ano.

    A Miracema-Nuodex conta com capacidade instalada de mil t/mês de ácidos graxos, com índice de ocupação média entre 45% e 50%, sendo que cerca de 80% da produção atual se destina ao consumo próprio. A companhia atua no mercado desde 1954, produzindo especialidades quí­micas para uma vasta gama de aplicações.

    Daniela Nunes Teixeira, gerente de Vendas e Processos Industriais, da Química Anastácio, conta que atualmente, mediante a maior procura por produtos de origem natural, como os óleos vegetais e seus ácidos graxos, os mesmos passaram a substituir algumas matérias-primas sintéticas que integram a formulação de produtos de higiene pessoal e cosméticos. “O apelo ecológico devolveu o charme aos produtos obtidos a partir de matérias-primas de origem natural e renovável, ainda que exijam processos mais complexos e sofram com sazonalidades e quebras de safra dos produtos agropecuários”, diz.

    Ela avisa que a empresa atua em parceria com os principais fabricantes mundiais de ácidos graxos e de óleos vegetais. “Com amplo conhecimento em toda a cadeia oleoquímica, atuamos tanto na distribuição, quanto na produção própria e em parceira com terceiros”, afirma. A Química Anastácio obteve recertificações ISO e há pouco tempo recebeu selo de sustentabilidade em toda a cadeia de fornecimento a partir da palma. Vale lembrar que as grandes oleoquímicas globais que operam com vegetais possuem certificações que garantem que o óleo de palma usado na produção dos ácidos graxos seja de procedência legal sustentável.

    A companhia atua desde sua fundação, há 79 anos, no segmento de ácidos graxos. Entre seus principais clientes estão as indústrias de detergentes, sabões, cosméticos, remédios, alimentos, plásticos e química, além dos fabricantes de resinas alquídicas para tintas. Outros consumidores dessa matéria-prima são dos segmentos de aditivos especiais para graxas e lubrificantes. “Atuamos com os principais produtos que compõe a cadeia de ácidos graxos; são eles: ácido esteárico, ácido oleico, ácidos graxos de soja, de coco e de mamona”, comenta Daniela.



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