Aromas e Fragrâncias

Escassez de matérias-primas reduz oferta de oleoquímicos – Ácidos Graxos

Renata Pachione
6 de novembro de 2020
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    Química e Derivados - Escassez de matérias-primas reduz oferta de oleoquímicos - Ácidos Graxos ©QD Foto: iStockPhoto

    Fornari: óleo de palmiste vem da Malásia ou Indonésia

    Setor – A maior capacidade mundial de ácidos graxos está concentrada na Ásia, principalmente Malásia e Indonésia (grandes produtores de palma), que se tornaram bases exportadoras destes insumos e derivados. Segundo Vitor Yokomi Fornari, gerente de produtos Mercosul da Oxiteno, além destes players, a China, que importa diversos óleos e gorduras para produção de ácidos graxos, e Estados Unidos, com elevada utilização do sebo bovino na geração dos seus ácidos graxos, são produtores relevantes mundialmente, porém sobretudo para o consumo interno. “As grandes capacidades e produções de ácidos graxos estão tradicionalmente focadas na região do sudeste asiático e nos Estados Unidos”, enfatiza Fornari.

    Segundo o diretor da Almad, Admir Lovato, todo crescimento do mercado interno nacional se concentra em produtos primários; na base dos oleoquímicos, destaca-se o biodiesel, por ter uma forte produção agrícola que dá suporte a toda cadeia; a exceção fica por conta do segmento de proteínas que gera exportação de produtos de consumo. Segundo ele, os produtos de maior tecnologia são importados a custos mais atrativos. “Por isso, pouco se investe em grandes projetos”, diz Lovato.

    Para ele, outro entrave para a expansão da indústria olequímica diz respeito ao custo Brasil. “Além dos custos diretos de impostos mais os indiretos pelos emaranhados deles, se trabalha muito e onera os administrativos e jurídicos dificultando o desenvolvimento do país”, afirma.

    Química e Derivados - Escassez de matérias-primas reduz oferta de oleoquímicos - Ácidos Graxos ©QD Foto: iStockPhoto

    Unidade de produção da Almad em Araçatuba-SP gera portfólio amplo de derivados

    Brasil – O esperado seria que o Brasil fosse detentor de uma cadeia oleoquímica das mais desenvolvidas e competitivas. Afinal, o país é um importante produtor e exportador de oleaginosas e sebo. Mas, nem em relação aos derivados destas cadeias graxas, o país atinge o patamar que faria jus ao seu potencial.

    Um problema que dificulta a expansão da indústria oleoquímica nacional é o déficit na balança comercial do óleo de palma. O país produz 520 mil t/ano de óleo de palma e importa 600 mil t/ano. “O Brasil depende da importação, por isso, as empresas oleoquímicas não têm muito interesse no seu uso”, comenta Camargo.

    O óleo de palma possui características singulares. É um produto rico em alguns ácidos graxos essenciais, como o C16 e o C18:1, por exemplo, além da própria semente, da qual se extrai o óleo de palmiste, de composição diferente e complementar para aumentar a oferta de ácidos graxos após o fracionamento.

    Embora seja uma fonte usual dos ácidos oleico, linoleico e linolênico, além do palmítico, a soja apresenta baixa concentração de ácido esteárico e não contém uma variedade de outros ácidos, que precisam ser obtidos de outras plantas. Para Camargo, o óleo de palma e o de palmiste são ótimos para a produção de ácidos graxos de cadeia curta e média, principalmente.

    O Brasil é o líder na América do Sul na produção de oleoquímicos a partir do sebo bovino. Segundo Camargo, ao longo dos anos, o insumo deixou de ser considerado “o patinho feio da indústria” para se tornar “a menina dos olhos”. A indústria de higiene e limpeza zela pelo produto. Por aqui, cerca de 90% do segmento de sabão/sabonete emprega o sebo. Segundo Coral, há basicamente dois tipos de sebos, sendo o frigorífico (utilizado no biodiesel) o de melhor qualidade, e o sebo de graxaria.



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