Aromas e Fragrâncias

Escassez de matérias-primas reduz oferta de oleoquímicos – Ácidos Graxos

Renata Pachione
6 de novembro de 2020
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    Química e Derivados - Escassez de matérias-primas reduz oferta de oleoquímicos - Ácidos Graxos ©QD Foto: iStockPhoto

    O momento é inusitado e sem precedentes. A indústria oleoquímica está utilizando muito pouco da sua capacidade instalada. Falta matéria-prima para suprir a demanda local, o que eleva os preços e encarece a produção dos ácidos graxos. O problema se arrasta há alguns anos, porém agora beira o colapso. Inflacionados, os preços dos óleos e das gorduras acabam provocando um efeito rebote em toda a cadeia.

    Independentemente do tipo de óleo ou gordura, todo o mercado é vinculado à soja. Por isso, a escassez da matéria-prima obrigou o país a importar a oleaginosa de vizinhos, como Argentina e Paraguai. O Brasil até assumiu a liderança mundial na produção de soja, deixando os Estados Unidos para trás. Porém, ainda assim, a situação é caótica para quem depende da oleaginosa.

    Química e Derivados - Escassez de matérias-primas reduz oferta de oleoquímicos - Ácidos Graxos ©QD Foto: iStockPhoto

    Rohr: preço da soja explodiu e arrastou o dos derivados

    Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o país deve encerrar 2020 registrando o menor volume das duas últimas décadas com menos de 670 mil toneladas em estoque. “Houve uma retração na oferta local e, consequentemente, uma explosão de preço da soja e seus derivados”, afirma o engenheiro André Rohr, diretor da Miracema-Nuodex.

    De acordo com Felipe Camargo, gerente comercial de Oleochemical Products, da Aboissa Brokers, a demanda está em alta e a escassez de matéria-prima faz com que o mercado oleoquímico opere com ociosidade entre 70% e 80%. As perdas vêm de todos os lados. A Aboissa está às voltas com pedidos de empresas interessadas na compra de ácido graxo de sebo e soja, porém não consegue atendê-los, e se vê obrigada a selecionar o cliente mais estratégico. “O prejuízo é imenso. Estamos trabalhando a conta-gotas”, enfatiza.

    O alento é que o prognóstico se mostra positivo. Camargo vislumbra que na próxima safra de soja, para fevereiro e março de 2021, a situação esteja próxima à normalidade, porém sem quedas significativas dos preços. “O desafio é sobreviver neste ano”, diz. Passada essa crise, o mercado deve crescer, até porque tem grande potencial. Ele cita, por exemplo, a tendência de uso de ácido graxo de linhaça para a fabricação de algumas resinas especiais. “Já existem alguns projetos em andamento”, anuncia.

    Química e Derivados - Escassez de matérias-primas reduz oferta de oleoquímicos - Ácidos Graxos ©QD Foto: iStockPhoto

    Camargo: dólar caro e apetite chinês desabasteceram mercado

    A Aboissa é hoje um dos maiores e mais respeitados brokers de commodities da América Latina. Com vasto conhecimento da cadeia produtiva mundial, conta com brokers especializados e focados em cada família de produtos.

    Para Camargo, o ano de 2020 tem sido fora da curva. No acumulado dos últimos doze meses, o Brasil exportou 93 milhões de toneladas de soja, o que provocou uma série de problemas a setores como o de biodiesel, ração animal, alimentos e tintas, entre outros. No primeiro semestre do ano, as exportações brasileiras de soja em grão superaram a marca das 60 milhões de toneladas. “O apetite chinês somado ao câmbio favorável à exportação gerou um desabastecimento interno de soja”, ressalta.

    Ele explica que a oleaginosa acumulou alta de preço de 80% nos últimos doze meses, e o preço da saca no porto chegou a bater o valor histórico de R$ 140. A título de comparação, vale dizer que no mesmo período do ano passado, a saca era comprada a R$ 88.

    No Brasil, a soja baliza o preço de outras commodities, pois é a principal oleaginosa do país. Em torno de 70% do biocombustível fabricado no mercado nacional é proveniente do óleo de soja. O restante se divide entre o sebo bovino (20%) e os outros óleos e gorduras. Conforme aponta Rohr, a inclusão do éster metílico de ácidos graxos como molécula biodegradável no óleo diesel (o biodiesel) desequilibrou o mercado oleoquímico, aumentando a demanda sem a devida compensação na oferta.

    A situação chegou ao ponto de obrigar o governo a rever a mistura obrigatória de biodiesel no óleo diesel. A Diretoria Colegiada da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), com a autorização do Ministério de Minas e Energia (MME), aprovou a redução do percentual dos atuais 12% para 10% para o bimestre (setembro/outubro). Antônio Carlos Coral, gerente de suprimentos da Miracema-Nuodex, lembra que há um projeto que determina que a cada dois anos essa proporção aumente, chegando a 23% até 2030.



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