Equipamentos para Tintas – Indústrias querem ampliar a produtividade e baixar o consumo de energia

química e derivados, Silvio Beneduzzi, diretor-geral da unidade de fabricação de bombas da Netzsch
Beneduzzi: base água permite colocar inversores nas bombas

Também é crescente, afirma Beneduzzi, a demanda por uma bomba vertical da família BT, lançada há cerca de três anos pela Netzsch, com a qual é possível esvaziar rapidamente líquidos viscosos de tambores com capacidade de duzentos litros. “A recepção desses tambores sempre constituiu uma operação complicada para essa indústria”, observa.

Produtora de bombas helicoidais, pneumáticas e dosadoras de membranas, a Netzsch no ano passado ampliou em cerca de 30% sua capacidade de produção. Este ano, afirma Beneduzzi, o resultado de negócios obtido pela empresa deve ser superior àquele realizado em 2010, pois há incremento da demanda por equipamentos dos produtores de tintas imobiliárias, automotivas e industriais. “E, ao menos nos estados aqui do sul do país, testemunhamos o surgimento de novos clientes nesse mercado”, complementa.

Simultaneamente ao surgimento desses novos clientes, os grandes fabricantes de tintas também ampliam sua produção, como destaca Vinícius Dias, da Multiesferas. “Nas esferas de moagem para tintas, prossegue o movimento de substituição do vidro pelo zircônio”, ele acrescenta.

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Toporcov: esferas de zircônio melhoram reprodutibilidade

Relativamente ao vidro, detalha Rafael Toporcov, também sócio-diretor da Multiesferas, as esferas de zircônio têm várias vantagens: são mais densas, esféricas, uniformes e resistentes, têm superfícies mais lisas e praticamente não reagem com outros materiais. “São características importantes, pois geram melhor repetibilidade de resultados”, afirma.

Revista Química e Derivados, Vinícius Dias, sócio-diretor da Multiesferas, esferas de zircônio
Dias: sinterização produz esferas mais resistentes

Atualmente, diz Toporcov, as esferas de vidro são utilizadas basicamente por empresas menores e por alguns fabricantes que trabalham com pigmentos pré-dispersos, cujas formulações não demandam alto desempenho das esferas. “Mas todos os grandes fabricantes, assim como os fornecedores de pigmentos pré-dispersos, já usam esferas de silicato de zircônio, além de zircônia estabilizada com ítrio e cério”, ele diz.

Amplia-se também, prossegue Toporcov, o uso da tecnologia da sinterização na produção das esferas de zircônio. Relativamente ao método tradicional de eletrofusão, a sinterização gera produtos com maior densidade, sem bolhas de ar internas e sem microesferas agregadas. “Nos produtos gerados por eletrofusão, esses problemas podem gerar quebras de partes das esferas, e por causa delas elevam os custos de manutenção e reposição”, detalha o diretor da Multiesferas, cujas esferas de zircônio são produzidas com tecnologia alemã e matéria-prima australiana, e sinterizadas na China.

Revista Química e Derivados, Theron Harbs, diretor-geral da Netzsch Equipamentos de Moagem
planta completa

Importação e tendências – Esferas sinterizadas de zircônio são comercializadas no Brasil também pela Adexim (nesse caso, importadas dos Estados Unidos e da Coreia). Atualmente, conta Carlos Russo, o silicato de zircônio predomina como matéria-prima desses componentes dos sistemas de moagem. “As esferas estabilizadas com ítrio são normalmente aplicadas na moagem de pigmentos de alta dureza e nos transparentes, enquanto as estabilizadas com cério têm maior durabilidade em relação ao silicato de zircônio”, explica.

Não só as esferas, mas também os moinhos evoluem. A Netzsch, conta Harbs, hoje oferece versões de sua conhecida linha de moinhos Zeta, na qual o aço inox ou temperado é substituído por materiais cerâmicos, como carbeto ou nitreto de silício. “Moinhos feitos com esses materiais têm maior vida útil, realizam trocas térmicas mais eficientes, permitem trabalhar com esferas com dimensões menores, geram menor consumo de energia e nenhuma contaminação”, detalha. Na mesma linha Zeta há também equipamentos para aplicações nanotecnológicas.

Revista Química e Derivados - Theron Harbs, diretor-geral da Netzsch Equipamentos de Moagem
Harbs: planta completa (acima) tem automação facilitada

Além dos moinhos, a Netzsch disponibiliza também dispersores compostos por rotor e estator (fundamentados no mesmo princípio dos sistemas comercializados pela Adexim). Segundo Harbs, embora exista alguma concorrência com importados, os produtores de tintas instalados no Brasil trazem do exterior apenas um ou outro item de série, pois os equipamentos produzidos no Brasil combinam qualidade e tecnologia de ponta com facilidade na reposição de peças, treinamento de clientes e assistência técnica, entre outros diferenciais favoráveis nesse confronto.

Mas, segundo Branco, “se os negócios da Semco estivessem hoje concentrados no mercado de tintas, com a atual concorrência desleal chinesa – que o governo nada faz para combater –, provavelmente a empresa não estaria mais em operação”. Atualmente, ele diz, o mercado de tintas constitui um segmento “marginal” para a Semco, cuja atuação abrange também os mercados químico e petroquímico.

Já Ronza, da Prodismaq, também vê nos serviços disponibilizados pelos fabricantes instalados no Brasil – como assistência técnica e reposição de peças – diferenciais valorizados pelos clientes. Para ele, “a automação ganhará espaço cada vez maior nessa indústria, especialmente a partir do momento em que, assim como já ocorre nos Estados Unidos e na Europa, o Brasil começar a trabalhar basicamente com dois componentes para tinta: uma base e uma cor que serão posteriormente misturadas”.

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