Equipamentos para Tintas – Indústrias querem ampliar a produtividade e baixar o consumo de energia

Revista Química e Derivados - Carlos Russo, diretor técnico da Adexim
Russo: dispersor acelera a produção de tintas e slurries

Afinal, “embora realmente cresça o uso dos pigmentos pré-dispersos, isso não impacta os volumes do mercado de esferas para moinhos, pois também esses pigmentos são submetidos à moagem”, argumenta Vinícius Dias, sócio-diretor da Multiesferas. “Muda o cliente, mas não o volume de negócios”, acrescenta.

Para Harbs, da Netzsch, embora possa haver menos clientes interessados em moinhos por conta da concentração da produção de slurry em um conjunto menor de empresas, os negócios dos fabricantes desses equipamentos não devem ser afetados: “Os fornecedores de slurry trabalham com plantas maiores, mais sofisticadas e mais tecnológicas, e assim o volume financeiro dos negócios se mantém relativamente estável”, justifica.

Mas pode, obviamente, haver algumas mudanças nos gêneros de equipamentos utilizados no processo: “Quem mói para slurry pode usar outros tipos de moinhos: a moagem do caulim, por exemplo, é feita com equipamentos para moagem a seco, não usa moinhos de esfera, que servem apenas para base úmida”, observa Branco, da Semco.

Filtrar, agitar, envasar – Também o segmento produtor de filtros busca produtos cada dia mais integrados à tendência da automação. Um exemplo disso são os filtros autolimpantes oferecidos pela Eaton: com timer e/ou sistema de controle lógico de processo, eles promovem automatização em diversas etapas, afirma Alfredo Luz, diretor regional para a América do Sul da divisão filtration da Eaton. Esses filtros, acrescenta, são também mais amigáveis ao meio ambiente do que os filtros bag ou cartucho, pois minimizam ou eliminam os descartes desses elementos e reduzem as taxas de emissão de compostos orgânicos voláteis.

Além disso, prossegue Luz, eles reduzem a necessidade de paradas para a troca dos bags ou cartuchos, e assim liberam para outras atividades os operadores encarregados dessa tarefa. A indústria de tintas e resinas começa a consumir em maior intensidade as versões autolimpantes. “Ela já tem mais consciência da necessidade de atuação ambientalmente mais correta e percebe os benefícios de uma operação constante, sem paradas”, argumenta.

Este ano, prevê Luz, deve haver crescimento sobre 2010 entre 20% e 25% nos negócios gerados pelos filtros autolimpantes da empresa. “Esse índice é similar àquele registrado no segmento dos filtros convencionais, mas há tendência de expansão maior das vendas dos autolimpantes”, ele enfatiza.

Na Agitec, especializada em agitadores e misturadores para líquidos, o mercado de tintas deve este ano registrar vendas entre 10% e 12% superiores àquelas realizadas no ano passado, como prevê o diretor técnico e comercial João Roberto Daneluzzi. “Esse mercado ficou estagnado, mas sentimos crescimento no decorrer deste ano, e temos boas perspectivas também para 2012”, diz. “A demanda cresce especialmente nos segmentos de tintas imobiliárias e automotivas, e menos nas industriais”, detalha Daneluzzi.

Essa demanda, observa o diretor da Agitec, hoje privilegia misturadores e agitadores mais integrados aos processos, e mais capazes de agilizá-los. “Nos últimos dez anos, a produtividade de nossos equipamentos cresceu cerca de 30%”, ele ressalta.

No segmento do envase, a busca por agilidade se alia ao crescente interesse dos fabricantes de tintas em embalagens mais baratas e mais práticas, conta Franz Ronza Neto, diretor-geral da produtora de equipamentos Prodismaq. Esse interesse, especifica Ronza, já se manifesta no uso de embalagens retangulares de plástico, cuja principal vantagem sobre os baldes redondos consiste na redução do espaço necessário ao armazenamento; e agora anuncia tintas em sachês plásticos.

Além de projetar embalagens mais baratas, no processo de envase a indústria de tintas também concede maior espaço às máquinas gravimétricas, deslocando as volumétricas. “As máquinas volumétricas são ainda muito usadas, pois são rápidas e permitem bom controle de volume; mas precisam de muita manutenção, e têm mais problemas com contaminação e desgaste, enquanto as gravimétricas têm mais facilidade de ajuste e manutenção, e consomem muito menos energia”, compara Ronza.

Revista Química e Derivados, Franz Ronza Neto, diretor-geral da produtora de equipamentos Prodismaq
Ronza: envase gravimétrico desloca o rápido volumétrico

Segundo ele, a Prodismaq hoje se dedica basicamente à indústria de tintas, e em seu portfólio há desde máquinas envasadoras gravimétricas para pequenos lotes – semiautomáticas, capazes de se deslocar facilmente dentro de uma fábrica e de atender a necessidades de trocas rápidas de cores – até outras capazes de envasar 1,1 mil latas de 18 litros a cada hora. Este ano, conta Ronza, os negócios da empresa registrarão volume similar àquele realizado em 2010. “Mas a exportação se torna cada dia mais relevante em nossos negócios, hoje direcionados para Chile, Equador, Bolívia e Guatemala”, detalha.

Bombas e esferas – Para atenderem à demanda por maior agilidade e controles mais imediatos, as bombas necessárias à produção de tintas recebem em escala crescente inversores de frequência com os quais é possível alterar automaticamente a rotação do motor e, assim, interferir diretamente também no consumo de energia. “Esse consumo se ajusta automaticamente à rotação”, explica Silvio Beneduzzi, diretor-geral da unidade de fabricação de bombas da Netzsch.

Segundo ele, o crescente uso dos inversores nas bombas da indústria de tintas decorre não apenas de suas características de agilidade e otimização do consumo energético, mas também porque, diferentemente do que ocorre com solventes, nos processos de produção fundamentados na base água eles não precisam ser instalados em espaços segregados, por não haver risco de explosões.

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