Equipamentos para Tintas – Indústrias querem ampliar a produtividade e baixar o consumo de energia

Revista Química e Derivados, Equipamentos para TintasCaso queira manter bem atendida uma demanda hoje aquecida em seus três principais mercados – imobiliário, automotivo e industrial –, a indústria de tintas precisa considerar investimentos em aumento da capacidade de produção, e avaliar a aplicação de tecnologias mais modernas de processo. Sendo, porém, a tinta fabricada da mesma maneira básica, pela mistura de ingredientes, a evolução tecnológica sobressai em características como produtividade, redução de desperdícios e garantia da geração de produtos com padrões bem definidos.

Nesse contexto, são fortalecidos conceitos como automação e integração de equipamentos, e surge espaço até mesmo para o trabalho com linhas e plantas de produção completas, como aquelas disponibilizadas pela multinacional de origem alemã Netzsch (com fábricas em Santa Catarina).

Além de equipamentos individuais – moinhos de esferas, dispersores, equipamentos de moagem a seco, entre outros –, essa empresa oferece também plantas completas para fabricação de tintas, compostas por sistemas de alimentação de sólidos e líquidos, bombas, tanques, moinhos, dispersores, tubulações, instrumentos e parte elétrica (por enquanto, fica faltando apenas o envase). “Há mais de dez anos fornecemos plantas completas para outros setores industriais, mas na produção de tintas eles começaram a ser demandados mais recentemente”, conta Theron Harbs, diretor-geral da Netzsch Equipamentos de Moagem.

Este ano, projeta Harbs, a Netzsch obterá no mercado de tintas um incremento de negócios de 50% (relativamente a 2010). Ele atribui parte desse significativo crescimento a uma recuperação dos negócios que, embora previstos, não se efetivaram no ano passado. “Mas também existe um boom no mercado imobiliário, há sucessivos recordes na indústria automotiva, desenvolve-se a atividade marítima e a exploração de petróleo no pré-sal; e tudo isso exige tinta”, pondera Harbs.

Ele prevê: a indústria de tintas ampliará a demanda por soluções de produção completas, pois elas resultam em sistemas mais confiáveis e com melhores índices de automação. “Em nossas plantas é possível automatizar tudo, da alimentação à geração de relatórios de produção”, ressalta o diretor da Netzsch.

Mas, embora seja possível produzir tinta por processos altamente automatizados, nos fabricantes de médio e pequeno porte o fator custo ainda favorece a opção por equipamentos controlados manualmente, como explica Henri Branco, gerente de vendas da Semco, cuja carteira é composta basicamente por esse gênero de clientes, aos quais esta empresa oferece dispersores tipo Cowles e moinhos de esfera.

Este ano, diz Branco, a Semco realizará no mercado de tintas um volume de negócios similar àquele realizado em 2010. Ele cita, entre as causas desse desempenho, a crescente concorrência de equipamentos chineses, materializada especialmente no segmento dos dispersores. “Vemos o mercado de tintas aquecido, mas quando surgem oportunidades de negócios normalmente encontramos chineses no caminho, e eles vêm com preços 30% a 40% inferiores”, observa.

Há cerca de três anos, conta Branco, a Semco tentou colocar no mercado de tintas um tipo de equipamento então não aplicado: moinhos de imersão. “Esses equipamentos geram ganho de tempo e são muito versáteis, pois se adaptam a qualquer tanque, mas se mostraram caros para essa indústria, que hoje trabalha muito focada em preços”, ele recorda.

Tarefas especializadas – A tendência por alternativas mais produtivas abre espaço também para equipamentos como o sistema de dispersão produzido pela empresa norte-americana Kady Mill, comercializado no Brasil pela Adexim. Ele é composto por um tubo raiado em cujo interior há um rotor dedicado a provocar a desaglomeração das partículas mediante o alto impacto entre elas e as paredes do tubo e, assim, promover sua dispersão.

De acordo com Carlos Russo, diretor técnico da Adexim, com formulações e matérias-primas adequadas esse sistema permite produção contínua de tinta pronta para a completagem, em quantidades variáveis entre cinquenta e quinhentos galões por minuto. “É diferente de um dispersor, e seu principal diferencial é a produtividade: com ele, consegue-se produzir em duas ou três horas um empastamento com fineza de quatro a cinco na escala Hegman (de granulometria, muito usada no setor); com moinhos, isso pode levar de 1,5 a dois dias”, descreve Russo.

Segundo ele, o sistema da Kady Mill é atualmente utilizado principalmente por grandes empresas, tem bastante relevância no segmento das tintas para impressão e presença forte no mercado de tintas automotivas, para o qual exige apenas uma passagem rápida e contínua em um moinho, para o ajuste fino (polimento) das partículas. “Já no mercado de tintas imobiliárias, ele pode substituir os moinhos em 100% das aplicações”, afirma Russo.

Em sua versão de maior capacidade (quinhentos galões por minuto), esse equipamento comercializado pela Adexim é empregado basicamente por produtores de slurries de pigmentos e de cargas, insumos de uso crescente na indústria de tintas como alternativa para agilizar processos.

Alguns grandes fabricantes de tintas produzem seu próprio slurry, mas já existem também empresas dedicadas a seu fornecimento, entre elas, os próprios provedores de pigmentos. Mas, embora um único produtor de slurry possa fornecer esse insumo para vários fabricantes de tintas – que se não dispusessem desse serviço precisariam realizar eles mesmos a moagem –, essa reconfiguração de atribuições e especializações parece não preocupar os fabricantes de equipamentos.

Revista Química e Derivados - Carlos Russo, diretor técnico da Adexim
Russo: dispersor acelera a produção de tintas e slurries

Afinal, “embora realmente cresça o uso dos pigmentos pré-dispersos, isso não impacta os volumes do mercado de esferas para moinhos, pois também esses pigmentos são submetidos à moagem”, argumenta Vinícius Dias, sócio-diretor da Multiesferas. “Muda o cliente, mas não o volume de negócios”, acrescenta.

Para Harbs, da Netzsch, embora possa haver menos clientes interessados em moinhos por conta da concentração da produção de slurry em um conjunto menor de empresas, os negócios dos fabricantes desses equipamentos não devem ser afetados: “Os fornecedores de slurry trabalham com plantas maiores, mais sofisticadas e mais tecnológicas, e assim o volume financeiro dos negócios se mantém relativamente estável”, justifica.

Mas pode, obviamente, haver algumas mudanças nos gêneros de equipamentos utilizados no processo: “Quem mói para slurry pode usar outros tipos de moinhos: a moagem do caulim, por exemplo, é feita com equipamentos para moagem a seco, não usa moinhos de esfera, que servem apenas para base úmida”, observa Branco, da Semco.

Filtrar, agitar, envasar – Também o segmento produtor de filtros busca produtos cada dia mais integrados à tendência da automação. Um exemplo disso são os filtros autolimpantes oferecidos pela Eaton: com timer e/ou sistema de controle lógico de processo, eles promovem automatização em diversas etapas, afirma Alfredo Luz, diretor regional para a América do Sul da divisão filtration da Eaton. Esses filtros, acrescenta, são também mais amigáveis ao meio ambiente do que os filtros bag ou cartucho, pois minimizam ou eliminam os descartes desses elementos e reduzem as taxas de emissão de compostos orgânicos voláteis.

Além disso, prossegue Luz, eles reduzem a necessidade de paradas para a troca dos bags ou cartuchos, e assim liberam para outras atividades os operadores encarregados dessa tarefa. A indústria de tintas e resinas começa a consumir em maior intensidade as versões autolimpantes. “Ela já tem mais consciência da necessidade de atuação ambientalmente mais correta e percebe os benefícios de uma operação constante, sem paradas”, argumenta.

Este ano, prevê Luz, deve haver crescimento sobre 2010 entre 20% e 25% nos negócios gerados pelos filtros autolimpantes da empresa. “Esse índice é similar àquele registrado no segmento dos filtros convencionais, mas há tendência de expansão maior das vendas dos autolimpantes”, ele enfatiza.

Na Agitec, especializada em agitadores e misturadores para líquidos, o mercado de tintas deve este ano registrar vendas entre 10% e 12% superiores àquelas realizadas no ano passado, como prevê o diretor técnico e comercial João Roberto Daneluzzi. “Esse mercado ficou estagnado, mas sentimos crescimento no decorrer deste ano, e temos boas perspectivas também para 2012”, diz. “A demanda cresce especialmente nos segmentos de tintas imobiliárias e automotivas, e menos nas industriais”, detalha Daneluzzi.

Essa demanda, observa o diretor da Agitec, hoje privilegia misturadores e agitadores mais integrados aos processos, e mais capazes de agilizá-los. “Nos últimos dez anos, a produtividade de nossos equipamentos cresceu cerca de 30%”, ele ressalta.

No segmento do envase, a busca por agilidade se alia ao crescente interesse dos fabricantes de tintas em embalagens mais baratas e mais práticas, conta Franz Ronza Neto, diretor-geral da produtora de equipamentos Prodismaq. Esse interesse, especifica Ronza, já se manifesta no uso de embalagens retangulares de plástico, cuja principal vantagem sobre os baldes redondos consiste na redução do espaço necessário ao armazenamento; e agora anuncia tintas em sachês plásticos.

Além de projetar embalagens mais baratas, no processo de envase a indústria de tintas também concede maior espaço às máquinas gravimétricas, deslocando as volumétricas. “As máquinas volumétricas são ainda muito usadas, pois são rápidas e permitem bom controle de volume; mas precisam de muita manutenção, e têm mais problemas com contaminação e desgaste, enquanto as gravimétricas têm mais facilidade de ajuste e manutenção, e consomem muito menos energia”, compara Ronza.

Revista Química e Derivados, Franz Ronza Neto, diretor-geral da produtora de equipamentos Prodismaq
Ronza: envase gravimétrico desloca o rápido volumétrico

Segundo ele, a Prodismaq hoje se dedica basicamente à indústria de tintas, e em seu portfólio há desde máquinas envasadoras gravimétricas para pequenos lotes – semiautomáticas, capazes de se deslocar facilmente dentro de uma fábrica e de atender a necessidades de trocas rápidas de cores – até outras capazes de envasar 1,1 mil latas de 18 litros a cada hora. Este ano, conta Ronza, os negócios da empresa registrarão volume similar àquele realizado em 2010. “Mas a exportação se torna cada dia mais relevante em nossos negócios, hoje direcionados para Chile, Equador, Bolívia e Guatemala”, detalha.

Bombas e esferas – Para atenderem à demanda por maior agilidade e controles mais imediatos, as bombas necessárias à produção de tintas recebem em escala crescente inversores de frequência com os quais é possível alterar automaticamente a rotação do motor e, assim, interferir diretamente também no consumo de energia. “Esse consumo se ajusta automaticamente à rotação”, explica Silvio Beneduzzi, diretor-geral da unidade de fabricação de bombas da Netzsch.

Segundo ele, o crescente uso dos inversores nas bombas da indústria de tintas decorre não apenas de suas características de agilidade e otimização do consumo energético, mas também porque, diferentemente do que ocorre com solventes, nos processos de produção fundamentados na base água eles não precisam ser instalados em espaços segregados, por não haver risco de explosões.

química e derivados, Silvio Beneduzzi, diretor-geral da unidade de fabricação de bombas da Netzsch
Beneduzzi: base água permite colocar inversores nas bombas

Também é crescente, afirma Beneduzzi, a demanda por uma bomba vertical da família BT, lançada há cerca de três anos pela Netzsch, com a qual é possível esvaziar rapidamente líquidos viscosos de tambores com capacidade de duzentos litros. “A recepção desses tambores sempre constituiu uma operação complicada para essa indústria”, observa.

Produtora de bombas helicoidais, pneumáticas e dosadoras de membranas, a Netzsch no ano passado ampliou em cerca de 30% sua capacidade de produção. Este ano, afirma Beneduzzi, o resultado de negócios obtido pela empresa deve ser superior àquele realizado em 2010, pois há incremento da demanda por equipamentos dos produtores de tintas imobiliárias, automotivas e industriais. “E, ao menos nos estados aqui do sul do país, testemunhamos o surgimento de novos clientes nesse mercado”, complementa.

Simultaneamente ao surgimento desses novos clientes, os grandes fabricantes de tintas também ampliam sua produção, como destaca Vinícius Dias, da Multiesferas. “Nas esferas de moagem para tintas, prossegue o movimento de substituição do vidro pelo zircônio”, ele acrescenta.

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Toporcov: esferas de zircônio melhoram reprodutibilidade

Relativamente ao vidro, detalha Rafael Toporcov, também sócio-diretor da Multiesferas, as esferas de zircônio têm várias vantagens: são mais densas, esféricas, uniformes e resistentes, têm superfícies mais lisas e praticamente não reagem com outros materiais. “São características importantes, pois geram melhor repetibilidade de resultados”, afirma.

Revista Química e Derivados, Vinícius Dias, sócio-diretor da Multiesferas, esferas de zircônio
Dias: sinterização produz esferas mais resistentes

Atualmente, diz Toporcov, as esferas de vidro são utilizadas basicamente por empresas menores e por alguns fabricantes que trabalham com pigmentos pré-dispersos, cujas formulações não demandam alto desempenho das esferas. “Mas todos os grandes fabricantes, assim como os fornecedores de pigmentos pré-dispersos, já usam esferas de silicato de zircônio, além de zircônia estabilizada com ítrio e cério”, ele diz.

Amplia-se também, prossegue Toporcov, o uso da tecnologia da sinterização na produção das esferas de zircônio. Relativamente ao método tradicional de eletrofusão, a sinterização gera produtos com maior densidade, sem bolhas de ar internas e sem microesferas agregadas. “Nos produtos gerados por eletrofusão, esses problemas podem gerar quebras de partes das esferas, e por causa delas elevam os custos de manutenção e reposição”, detalha o diretor da Multiesferas, cujas esferas de zircônio são produzidas com tecnologia alemã e matéria-prima australiana, e sinterizadas na China.

Revista Química e Derivados, Theron Harbs, diretor-geral da Netzsch Equipamentos de Moagem
planta completa

Importação e tendências – Esferas sinterizadas de zircônio são comercializadas no Brasil também pela Adexim (nesse caso, importadas dos Estados Unidos e da Coreia). Atualmente, conta Carlos Russo, o silicato de zircônio predomina como matéria-prima desses componentes dos sistemas de moagem. “As esferas estabilizadas com ítrio são normalmente aplicadas na moagem de pigmentos de alta dureza e nos transparentes, enquanto as estabilizadas com cério têm maior durabilidade em relação ao silicato de zircônio”, explica.

Não só as esferas, mas também os moinhos evoluem. A Netzsch, conta Harbs, hoje oferece versões de sua conhecida linha de moinhos Zeta, na qual o aço inox ou temperado é substituído por materiais cerâmicos, como carbeto ou nitreto de silício. “Moinhos feitos com esses materiais têm maior vida útil, realizam trocas térmicas mais eficientes, permitem trabalhar com esferas com dimensões menores, geram menor consumo de energia e nenhuma contaminação”, detalha. Na mesma linha Zeta há também equipamentos para aplicações nanotecnológicas.

Revista Química e Derivados - Theron Harbs, diretor-geral da Netzsch Equipamentos de Moagem
Harbs: planta completa (acima) tem automação facilitada

Além dos moinhos, a Netzsch disponibiliza também dispersores compostos por rotor e estator (fundamentados no mesmo princípio dos sistemas comercializados pela Adexim). Segundo Harbs, embora exista alguma concorrência com importados, os produtores de tintas instalados no Brasil trazem do exterior apenas um ou outro item de série, pois os equipamentos produzidos no Brasil combinam qualidade e tecnologia de ponta com facilidade na reposição de peças, treinamento de clientes e assistência técnica, entre outros diferenciais favoráveis nesse confronto.

Mas, segundo Branco, “se os negócios da Semco estivessem hoje concentrados no mercado de tintas, com a atual concorrência desleal chinesa – que o governo nada faz para combater –, provavelmente a empresa não estaria mais em operação”. Atualmente, ele diz, o mercado de tintas constitui um segmento “marginal” para a Semco, cuja atuação abrange também os mercados químico e petroquímico.

Já Ronza, da Prodismaq, também vê nos serviços disponibilizados pelos fabricantes instalados no Brasil – como assistência técnica e reposição de peças – diferenciais valorizados pelos clientes. Para ele, “a automação ganhará espaço cada vez maior nessa indústria, especialmente a partir do momento em que, assim como já ocorre nos Estados Unidos e na Europa, o Brasil começar a trabalhar basicamente com dois componentes para tinta: uma base e uma cor que serão posteriormente misturadas”.

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