Equipamentos – Grundfos investe para suprir demanda por bombas

Ao assumir, em maio, a gerência geral da Bombas Grundfos do Brasil, Sandro Sandanelli aceitou um desafio importante: duplicar o faturamento local no prazo de três anos, ou seja, manter um ritmo de crescimento de vendas de 25% ao ano. A empresa de origem dinamarquesa é especializada em soluções para bombeamento, com uma receita global de US$ 3,6 bilhões por ano. A subsidiária brasileira prevê registrar faturamento de R$ 60 milhões em 2012, com incremento de 10% sobre o ano anterior.

“Tivemos um ano difícil em muitos setores, especialmente para os fabricantes de bens de capital mecânicos”, comentou Sandanelli. Apesar disso, ele prevê que 2013 iniciará um ciclo de fortes investimentos para preparar o país para sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada do Rio em 2016. Depois disso, ele acredita que as vendas para saneamento básico (água e esgotos) devam permanecer em forte elevação. “É um segmento de mercado no qual ainda é preciso fazer muitas obras em todo o país, elas são inevitáveis”, afirmou.

Com experiência em equipamentos mecânicos – atuou por 18 anos na filial brasileira da também dinamarquesa Danfoss –, Sandanelli está investindo para reforçar a infraestrutura de negócios da Grundfos, de modo que suporte o crescimento projetado de vendas futuras. Exemplo disso é a construção de uma bancada adicional de testes para bombas de grande porte, que deverá ser instalada na sede, em São Bernardo do Campo-SP (onde funcionou por muitos anos a fábrica da Mark Peerless, comprada mundialmente pela Grundfos), em 2013, mediante investimento de € 1 milhão.

Equipamentos de grande porte são consumidos tipicamente por empresas de saneamento básico ou para o fornecimento de utilidades em grandes indústrias, frequentemente montados em cascos bipartidos, com diâmetros de 12 a 14 polegadas, ou superiores, sempre executados conforme projetos elaborados para cada caso específico e vendidos por meio de licitações públicas. “As empresas de saneamento básico costumam presenciar os testes das bombas antes da entrega”, comentou Sandanelli. Além disso, ele informou que a Grundfos tem por política interna só fabricar ou montar equipamentos que possam ser testados no local de produção. Sem a nova bancada, a subsidiária ficaria com sérias limitações de tamanho de equipamentos.

A nova bancada permitirá testar os produtos nos parâmetros de pressão e de vazão impostos pelas novas normas europeias, que serão exigidas a partir de 2017. Segundo o executivo, elas são muito mais detalhistas que as normas nacionais da ABNT.

Além disso, a companhia acabou de concluir um investimento de R$ 7 milhões para implantar o sistema de gerenciamento empresarial da SAP, o mesmo da matriz. O reforço na estrutura operacional incluiu a abertura de filiais em Recife-PE e no Rio de Janeiro-RJ, a ampliação do quadro de representantes comerciais e da rede de assistência técnica nacional.

Os negócios da Grundfos são divididos em quatro áreas. A CBS é voltada para obras de grande porte, como estádios e arenas esportivas, shopping centers e condomínios, incluindo soluções para água de incêndio e pressurização de edifícios, que podem com isso se ver livres das pesadas caixas-d’água apoiadas no topo das torres. “Os equipamentos mantêm a pressão constante na linha de distribuição de água em toda a edificação e isso acaba economizando energia, porque elimina as partidas e paradas frequentes”, explicou. A área CBS deve registrar forte crescimento nos próximos anos.

Outra divisão importante para a companhia é a DBS, voltada para equipamentos seriados de pequeno e médio porte, incluindo irrigação agrícola de pequeno tamanho (os grandes ficam alojados na CBS). Os produtos dessa divisão são geralmente comercializados por lojas especializadas em todo o país.

A terceira divisão está relacionada com água e utilidades industriais, incluindo os negócios com companhias de saneamento básico, bombas submersíveis para poços artesianos e captação em rios, transporte de esgoto e outros de grande porte.

Química e Derivados, Sandro Sandanelli, Bombas Grundfos do Brasil
Sandanelli: estrutura reforçada para dobrar vendas

“Temos bombas com rotores com aberturas amplas, os S-Tube, que podem lidar com a presença de sólidos”, comentou Sandanelli.

O engenheiro de aplicações para produtos de waste water Renato Vagner Zerbinati explica que os rotores S-Tube equipam as bombas da série S da Grundfos. “Eles permitem gerar mais pressão com menos vazão, contando com abertura de passagem bem ampla”, afirmou. São equipamentos que funcionam no fundo de tanques de esgoto, colocados nos cavaletes de suporte com o auxílio de duas barras de guia, sendo suportados por correntes ou cabos de aço. Isso facilita as operações de manutenção.

A quarta divisão da Grundfos se dedica ao fornecimento de conjuntos para aplicações industriais, em vários segmentos, como óleo/gás, automotivo, alimentos e bebidas, e componentes para maquinários hidráulicos e de refrigeração (como OEM). O segmento industrial ganhou novos modelos de bombas NK e NG agora confeccionados também com aço inoxidável, sob normas construtivas. Tornos mecânicos podem contar com novas bombas dos tipos MTA e MTS, usadas na fabricação de autopeças.

“Em geral, as linhas de inox estão sendo importadas, mas logo serão montadas no Brasil”, comentou Sandanelli. São equipamentos de aplicação sanitária, que aceitam limpeza no lugar (CIP), usando liga inox 316 (interior e exterior).

Ele comentou que o volume de vendas anual das quatro divisões está equilibrado, com cerca de 25% para cada uma delas. Nos próximos anos, ele espera que a divisão CBS amplie sua participação, acompanhando a demanda nacional.

Custos elevados – Um empecilho para os planos de ampliar a fabricação local são os custos elevados apresentados pelo país. Sandanelli comentou que o grupo dinamarquês possui várias fábricas ao redor do mundo, a exemplo do México e da China. “Temos duas unidades mexicanas que atendem à demanda da América do Norte, mas não fabricam os mesmos produtos que produzimos aqui”, explicou.

Segundo o executivo, os custos de produção no México são muito menores que no Brasil. “Os mexicanos estão se saindo melhor do que a China. Eles têm mão de obra qualificada e de baixo custo, câmbio favorável e logística eficiente”, avaliou. As fábricas chinesas se mostram mais competitivas em equipamentos seriados, fabricados em alto volume. Ele comentou que o grupo internacional tem transferido a produção de peças para as unidades mexicanas.

Apesar disso, a maior fonte de bombas e peças para a Grundfos brasileira ainda é a matriz, na Dinamarca. “Estamos estudando como ampliar nossa produção em São Bernardo, realocando a área de estocagem, adotando mais turnos e até pensando em comprar mais áreas operacionais”, revelou. Isso justificaria a aquisição de empresas concorrentes. “Estamos mais interessados em área fabril do que em portfólio, pois o nosso é bastante amplo e não pretendemos ir além do nosso core business”, salientou.

A despeito das dificuldades competitivas, a filial brasileira ainda consegue obter entre 5% e 10% de seu faturamento anual com exportações, normalmente direcionadas para outros países da América Latina. “Nosso foco é o mercado interno”, afirmou o gerente geral.

Uma das estratégias mundiais da Grundfos para aumentar sua produtividade e reduzir custos consiste na padronização de componentes, tanto o quanto possível. Essa padronização abrange até a pintura dos equipamentos. Com isso, é possível operar com estoques menores de peças, item que também facilita a manutenção.

Aliás, as operações de reparos e revisões de conjuntos de bombeamento representam entre 5% e 10% do faturamento anual da subsidiária local, valor interpretado como relevante para a companhia. “Os clientes querem suporte técnico e baixo custo de manutenção”, explicou. Os produtos seriados têm uma rede de assistência técnica nacional com 80 prestadores de serviços credenciados. Alguns modelos, no entanto, só são abertos e consertados na unidade de São Bernardo do Campo.

Permanece como incógnita a evolução das vendas para a Petrobras. Grande consumidora das bombas para utilidades, a estatal é exigente tanto na qualidade dos equipamentos quanto no seu grau de nacionalização. A subsidiária brasileira possui alguns modelos totalmente fabricados aqui, caso da linha de combate a incêndio, em parte herdada da Mark. “Quando se verifica o índice de produção nacional de todo o faturamento da empresa, nós estamos acima dos 65% requeridos”, explicou. Em geral, cerca de dois terços do faturamento no país decorrem de produtos feitos ou montados aqui.

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