Envelhecimento Capilar – Coluna ABC Cosmetologia

Química e Derivados - Envelhecimento Capilar - ABC Cosmetologia

Química e Derivados - Envelhecimento Capilar - ABC Cosmetologia

Gerontologia é definida como o estudo dos fenômenos fisiológicos, psicológicos e sociais relacionados ao envelhecimento do ser humano. O envelhecimento é um processo fisiológico associado a declínios estruturais e funcionais progressivos de tecidos e órgãos. Compreender os processos do envelhecimento cutâneo e os mecanismos de como preveni-lo sempre foi de grande interesse da Cosmetologia. Nos últimos anos, as atenções têm se voltado também para o estudo do envelhecimento dos cabelos.

O folículo capilar é considerado por muitos autores como um miniórgão, que sustenta o crescimento do cabelo cíclico ao longo de ciclos de cabelo repetidos, formado por um complexo sistema tecidual multicelular, como células epiteliais, mesenquimais e neuro-ectodérmicas. Ao longo da vida, passa por inúmeros ciclos de nascimento, proliferação, diferenciação e morte celular, e quando submetido a processos como danos oxidativos, encurtamento de telômeros, danos de DNA, entre outros, acaba por envelhecer, uma vez que suas células passam a ter um tempo de vida menor.

Dentre as principais características encontradas no envelhecimento capilar estão as alopecias (queda de cabelo) e a canície (perda da coloração).

ALOPECIAS

A quantidade de folículos pilosos existentes no corpo humano é definida na fase embrionária. Entretanto, o padrão de crescimento capilar está diretamente relacionado ao potencial proliferativo e regenerador das células-tronco, o qual se difere nas diferentes regiões do corpo humano e pode variar de acordo com raça, etnia, sexo, clima, condições nutricionais, variações hormonais, dentre outros fatores epigenéticos.

O folículo contém células tronco que podem ser ativadas ciclicamente, refletidas nas fases de crescimento (anágena) e de repouso (telógeno). Quanto mais longa for a fase de crescimento, mais comprido será o cabelo. Assim, a vitalidade das células-tronco, refletida na duração da fase de crescimento, é uma capacidade mensurável. O enfraquecimento do cabelo é um dos sinais mais comuns de envelhecimento em muitos mamíferos de vida longa e é muitas vezes prematuramente induzido por instabilidade genômica. Do nascimento até a senilidade, o folículo capilar produz diversos fios de cabelo, que apresentam fenótipos diferentes. Principalmente após os 40 anos de idade, os fios tendem a tornar-se mais finos, a diminuir a taxa de crescimento e resultam na diminuição da densidade capilar.

Na alopecia androgenética, as fibras capilares tornam-se mais curtas, mais finas e em menor quantidade, à medida que vão miniaturizando. Nos estágios iniciais dessa condição, as células-tronco do folículo piloso parecem geralmente normais, entretanto uma falha na sua ativação para formar as células germinativas dos cabelos gera a alteração problema. Tais alterações não estão limitadas ao ambiente intrafolicular; elas também incluem o ambiente cutâneo extrafolicular e as alterações hormonais do corpo, como os andrógenos.

Um estudo comparando alopecia androgenética e alopecia senescente demonstrou diferenças significativas nos padrões de expressão gênica, confirmando que de fato representam diferentes entidades. Na alopecia androgenética, genes necessários para o início da fase anágena, sinal epitelial para a papila dérmica, a diferenciação do eixo e a manutenção da fase anágena, foram reprimidos, e os genes para indução e manutenção de fases catágena e telógena foram regulados positivamente; enquanto na alopecia senescente, os genes envolvidos no sinal epitelial para a papila dérmica, o citoesqueleto de actina e a função mitocondrial foram regulados negativamente, enquanto o estresse oxidativo e os genes de resposta inflamatória foram regulados positivamente.

CANÍCIE

A canície também é um processo inerente ao envelhecimento. Existe uma regra geral conhecida como 50-50‐50: cerca de 50% da população terá 50% de cabelos grisalhos aos 50 anos de idade. No entanto, o cabelo grisalho não acontece na mesma idade em todos os fototipos. Entretanto, aos 60 anos, todos os indivíduos terão pelo menos algum cabelo grisalho, independentemente de seu fototipo e etnia.

As células-tronco dos melanócitos compartilham o mesmo local das células-tronco do folículo piloso e são ativadas coordenadamente durante a regeneração capilar. As células-tronco dos melanócitos para a região da matriz do folículo e se diferenciam em melanócitos que geram melanina para os cabelos pigmentados.

O embranquecimento capilar correlaciona-se estreitamente com o envelhecimento cronológico e ocorre em diferentes graus em todos os indivíduos. Embora a canície seja entendida como uma perda de pigmento na haste, suas origens celulares e moleculares são incompletamente compreendidas. As teorias para a perda gradual de pigmentação incluem o esgotamento de enzimas envolvidas na melanogênese, reparo de DNA prejudicado, perda da telomerase, mecanismos anti-oxidantes e sinais anti-apoptóticos. O grisalho está associado à redução dos melanócitos ativos, da atividade da tirosinase e da transferência do melanossomo para os queratinócitos do folículo piloso.

A atividade melanogênica dos melanócitos bulbares pigmentados, que perdura por até 10 anos em alguns folículos capilares, provavelmente, gera grandes quantidades de espécies reativas de oxigênio via a hidroxilação da tirosina e a oxidação da DOPA à melanina. Se não for adequadamente removido por um sistema antioxidante eficiente, um acúmulo dessas espécies reativas oxidativas gerará um estresse oxidativo significativo. É possível que o sistema anti-oxidante se torne prejudicado com a idade, levando a danos no próprio melanócito de seu próprio estresse oxidativo relacionado à melanogênese, que conduz à perda da cor do cabelo.

O cabelo envelhecido é cada vez mais sensível ao intemperismo, com aumento de resíduos de ácido cistético e diminuição da cistina, e aumento da reatividade de fibras para agentes redutores e oxidantes. Além disso, o envelhecimento do cabelo é mais sensível aos raios UV. O comprometimento fotoquímico do cabelo inclui a degradação e perda de proteínas capilares, bem como a degradação do pigmento capilar.

CONCLUSÃO

Química e Derivados - Ana Carolina Henriques Ribeiro Machado, vice-presidente técnica da Associação Brasileira de Cosmetologia
Ana Carolina Henriques Ribeiro Machado, vice-presidente técnica da Associação Brasileira de Cosmetologia

Embora os mecanismos do envelhecimento capilar não sejam totalmente conhecidos, pode-se afirmar que são multifatoriais e fatores como alterações hormonais, poluição, radiação ultravioleta, inflamação e até o mau uso de cosméticos podem acelerar esse processo. Dentre os sinais do envelhecimento estão as alopecias e a canície, que são queixas comuns dos consultórios dermatológicos.

Os tratamentos médicos, farmacológicos ou não, têm auxiliado muito no controle dessas alterações. Dentre as condutas para a prevenção do envelhecimento capilar, pode-se incluir a utilização de produtos cosméticos para a manutenção das condições da fibra e do folículo piloso. Nesse cenário é válido ressaltar a ação de ativos cosméticos sebo reguladores, antioxidantes, filtros solares, normalizadores da microbiota, protetores da barreira cutânea, entre outros.

Num cenário demográfico em que a pirâmide etária teve uma inversão e apresenta uma grande fatia da população com idade acima de 40 anos, vale a pena investir em estudos e protocolos para a prevenção do envelhecimento em todos os âmbitos, incluindo o desenvolvimento de cosméticos para a prevenção do envelhecimento capilar.

Referências:

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TRUEB, R. M.; TOBIN, T. J. (eds.). Aging Hair. Springer, 2010.

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ZHANG, Z. et al. Wnt/β-catenin signaling promotes aging-associated hair graying in mice. Oncotarget, 2017. VOL. 8, Issue 41

Texto: Ana Carolina Henriques Ribeiro Machado, vice-presidente técnica da Associação Brasileira de Cosmetologia 

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