Entrevista

Q&D – Como as empresas têm-se comportado frente às projeções de crescimento das exportações ?
Osmar Elias Zogbi – Com base nas previsões de que a partir de 2003 o cenário para as exportações apresentará melhora sensível em valor e quantidade, as empresas do setor vêm intensificando seus programas de investimento para atender ao crescimento da demanda mundial tanto de celulose, que deverá crescer nos próximos anos a uma taxa média de 2,7%, destacando-se a celulose de fibra curta, com 4,5%, como do papel e papel-cartão, cujas previsões feitas por consultorias especializadas indicam crescimento de 2,2%.

Q&D – Existem planos para incrementar as atividades de reflorestamento no País?
Osmar Elias Zogbi – O setor de celulose e papel utiliza exclusivamente madeira de florestas plantadas, aplicando modernas técnicas silviculturais e de manejo florestal que, conjugadas com solo e clima favoráveis, apresentam altos índices de produtividade. Atualmente, possui uma área florestal de 1,4 milhão de hectares, sendo 69% de eucalipto, 29% de pinus e 2% de outras madeiras. As principais áreas plantadas encontram-se nos Estados de São Paulo, com 308 mil ha, seguido pelo Paraná e Bahia, com 267 mil ha e 217 mil ha, respectivamente. A disponibilidade de áreas florestais em condições de sustentar novos empreendimentos industriais, porém, está muito limitada. O setor industrial vem mantendo sua performance apenas pelo crescimento da produtividade florestal, cujas médias brasileiras situam-se em 45 st/ha/ano e 36 st/ha/ano, respectivamente, para eucalipto e pinus. No entanto, o segmento florestal tem previsão de plantios e reformas programadas para o período de 2003 a 2010, da ordem de 1,2 milhão de hectares, representando média anual de 152 mil hectares. Além disso, a aprovação da filiação do CERFLOR, pela Assembléia Geral do Pan European Forest Certification System, é de grande valia para a área de florestas plantadas e o primeiro passo para que o CERFLOR possa buscar o reconhecimento mútuo junto a esse sistema.

Q&D – Quais são os principais gargalos existentes no setor ? O senhor tem propostas para superá-los?
Osmar Elias Zogbi – O principal gargalo enfrentado pelo setor é a falta de isonomia competitiva com nossos concorrentes internacionais, que somente será alcançada mediante a adoção pelo governo de medidas mais eficazes de apoio à expansão da base florestal, eliminação da acentuada desvantagem em relação ao custo de capital para investimento e capital de giro, e da excessiva carga tributária, além da ampliação de linhas de financiamento de longo prazo. Nesse sentido, nosso setor pode auxiliar o Brasil a ir além, apoiando a adoção de uma política industrial que nos dê a possibilidade de nos tornarmos um agente de desenvolvimento da nossa cadeia produtiva, e permitindo-nos construir em parceria com o governo uma política conjunta de desenvolvimento das exportações, ajudando nossos clientes a vender seus produtos com maior valor agregado no exterior.

Q&D – O senhor poderia analisar a conjuntura setorial envolvendo a celulose de fibra longa e a celulose de fibra curta?
Osmar Elias Zogbi – O Brasil importa cerca de 350 mil toneladas/ano de celulose de fibra longa, pois a demanda interna é superior à capacidade produtiva. Produzida a partir de coníferas, esse tipo de celulose possui características especiais de resistência à tração, sendo utilizada essencialmente na produção de papéis de embalagem, na sua forma não-branqueada, pelas empresas integradas. Já a celulose de fibra curta, produzida no Brasil a partir do eucalipto, e aplicada em papéis brancos de imprimir e escrever, possui grande excedente, regularmente exportado aos mercados da Europa, América do Norte e Ásia.

Q&D – Como estão se comportando a produção e o consumo nos vários mercados do papel, o senhor poderia fazer comentários a esse respeito?
Osmar Elias Zogbi – O Brasil é praticamente auto-suficiente na produção de todos os tipos de papel e cartões, à exceção do papel de imprensa, LWC e alguns especiais, parcialmente importados. O consumo nacional de papel de imprensa até outubro de 2002 alcançou 420 mil toneladas, com as importações representando 55% desse total. As importações, nesse caso, ocorrem por falta de isonomia competitiva, como mencionei antes, uma vez que são importados totalmente isentos de impostos, enquanto o produto nacional sofre tributação ao longo da cadeia produtiva, inviabilizando os investimentos nesse segmento.

Q&D – Como estão os investimentos no segmento dos papéis para impressão e escrever?
Osmar Elias Zogbi – As empresas estão realizando grandes investimentos em papéis de maior valor agregado, a exemplo do papel couchê, tornando-se auto-suficientes e exportadoras. No acumulado de janeiro a outubro de 2002, a produção nesse segmento foi de 1,8 milhão de toneladas, com crescimento de cerca de 2%. As vendas domésticas foram de 1,2 milhão de toneladas, apresentando crescimento de 4,6%, e as exportações totalizaram 555 mil toneladas.

Q&D – O senhor poderia comentar a produção e o consumo nos segmentos dos papéis para embalagem, papel-cartão e papéis sanitários?
Osmar Elias Zogbi – A produção brasileira de papel para embalagem de janeiro a outubro de 2002 atingiu 3 milhões de toneladas, sendo que 1,2 milhão de toneladas foram destinadas à produção de caixas de papelão ondulado e sacos multifolhados. As exportações nesse período apresentaram crescimento de 13%, totalizando 370 mil toneladas. No segmento de papel-cartão, a produção até outubro atingiu 451 mil toneladas, com crescimento de 7%, destacando-se as exportações que cresceram 35%. Já a produção de papéis sanitários até outubro de 2002 foi de 555 mil toneladas, destinando-se essencialmente ao mercado interno, cujas vendas totalizaram 531 mil toneladas.

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