Química

Entrevista: Walter Piccirillo Pinto, fundador da Ipel Itibanyl

Quimica e Derivados
29 de julho de 2013
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    QD – Mas o sr. já é um líder de mercado, não é?
    Piccirillo – Como disse antes, o mercado de biocidas é muito grande. Atuamos forte em tintas, saneantes, cosméticos e couro, mas queremos crescer em outros mercados. Não há números nesse segmento, mas acreditamos que nos posicionamos entre os principais players do mercado local.

    QD – Precisa fazer mais moléculas?
    Piccirillo – Não dá para fazer tudo. Utilizamos mais de 40 ingredientes ativos em nosso portfólio de produtos. Produzimos os ativos mais estratégicos como a família das isotiazolinonas, incluindo CMIT/MIT, MIT e OIT, semiacetais, entre eles as triazinas. Temos tecnologia para sintetizar outros ingredientes ativos, mas nesse momento não julgamos necessário porque há disponibilidade e os custos envolvidos não compensam.

    QD – Os investimentos continuam?
    Piccirillo – A empresa investe continuamente em melhorias em sua estrutura e capacidade produtiva. Em 2010, iniciamos a implantação de um projeto para duplicar nossa capacidade de sínteses e aumentar nossa capacidade de formulação em 60%. Outro projeto é a implantação de um sistema automatizado de envase de produtos formulados. Além dos investimentos em infraestrutura, investimos em pesquisa e desenvolvimento e na área de qualidade. A Ipel é certificada pelas normas ISO 9000 e ISO 14000. Outra frente de investimento é no mercado externo, onde já atuamos na Argentina, Europa e agora estamos focando na China.

    QD – E como vai o investimento na China?
    Piccirillo – Como os chineses estavam vindo para cá, resolvemos ir para lá para aproveitar as mesmas vantagens que eles têm. Nós temos tecnologia, eles têm um mercado que é seis vezes maior que o nosso. Iniciamos com uma estrutura que inclui administração, laboratórios e depósito de produtos. Mandamos daqui o produto em alta concentração para ser diluído e misturado por terceiros, lá na China. Agora vamos nos preparar para produzir naquele país.

    QD – As vantagens são grandes?
    Piccirillo – As matérias-primas são abundantes e baratas, por exemplo. O custo de mão de obra ainda é baixo, mas está subindo. Os impostos são baixos e há incentivos do governo chinês, principalmente para exportação. Estamos atuando sozinhos, sem sócio local. Nós nos instalamos em um polo industrial, que tem uma central de produção de eletricidade, vapor e tratamento de efluentes. Dentro dos polos industriais, as regras e exigências ambientais, trabalhistas e de segurança são comparáveis às dos países desenvolvidos. Fora destes polos, entretanto, não há nada disso. Mas é um sistema adequado para o plano de desenvolvimento deles. Aos poucos eles avançam, respeitando diferenças regionais. Aqui no Brasil é diferente: as leis criadas valem da mesma forma do Oiapoque ao Chuí. É complicado.

    QD – É fácil desenvolver mercado lá?
    Piccirillo – Nosso plano é simples. Vamos começar pequenos, como fizemos aqui. Temos clientes do Brasil que também produzem por lá e eles querem os mesmos serviços que oferecemos aqui. Já é um começo.

    QD – A Ipel tem experiência internacional?
    Piccirillo – Sim. Cerca de 10% do nosso faturamento é obtido com exportações para mais de 15 países. Temos distribuidores em toda a América do Sul, alguns países da África e Ásia. Montamos uma joint venture com um parceiro na Argentina, em 2000, que começou como operação comercial e hoje já conta com laboratórios próprios e unidade de produção, incluindo a síntese de alguns ingredientes. Na Europa, iniciamos uma operação em 2003 na região de Barcelona, com o objetivo de atender o mercado, mas também de acompanhar as questões regulatórias ligadas à diretiva europeia para biocidas (BPD) e para o sistema Reach. Essa unidade também conta com laboratórios de serviços e desenvolvimento.

    QD – A empresa pretende inovar em produtos?
    Piccirillo – A inovação é constante. Temos duas novas linhas de produtos que resultaram de anos de pesquisa. A linha Olus conta com produtos formulados com ingredientes ativos obtidos de extratos vegetais e produtos de origem natural, portanto renováveis. Para chegar a esses produtos, foi preciso fazer uma triagem com centenas de substâncias, como óleos essenciais e extratos vegetais, para ver quais delas eram mais eficientes, bem como buscar sinergias. Conseguimos produtos com desempenho similar aos biocidas atualmente utilizados. Patenteamos a tecnologia e preparamos o pacote toxicológico a fim de permitir seu uso nas mais diversas aplicações (ver cobertura da FCE Cosmetique nesta edição).

    QD – E a outra novidade?
    Piccirillo – É o Agnano, desenvolvido em parceria com uma empresa também nacional, a Nanox. São produtos baseados em nanopartículas de prata que permitem conferir propriedades antimicrobianas aos produtos tratados. Por exemplo, a utilização do Agnano em um revestimento pode proporcionar às superfícies a propriedade de controle de bactérias. Em nossa visão, os biocidas cada vez mais, além de preservar, irão agregar outras funcionalidades aos produtos dos clientes, sendo um fator de diferenciação e de geração de valor.

    QD – É difícil produzir no Brasil?
    Piccirillo – Temos muitos problemas a resolver. Os impostos são cobrados em cascata, acabam ficando muito pesados. Eu costumo dizer que gostaria de fazer uma troca com o governo: eles ficariam com o meu lucro e eu com os impostos. Além disso, as exigências de meio ambiente e segurança, apesar de corretas, têm regulação confusa, muitos órgãos atuam no mesmo processo e não se coordenam. O certo seria ter menos órgãos com melhor estrutura para lidar com as indústrias. Daria mais agilidade e reduziria custos, sem diminuir nenhuma exigência.



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