Entrevista: Petroquímica precisa manter competitividade

QD – Qual o impacto que a revolução do shale gas tende a causar nas petroquímicas fora dos Estados Unidos? A exploração desse mesmo gás no mercado interno poderá equilibrar o jogo?

Mascarenhas – Mantidas as condições de preço do shale gas americano, o que somente poderá ser verificado após a recuperação plena da economia norte-americana, com os novos projetos intensivos em gás já em operação, a competição seria inviável. Pode haver uma tendência de que o preço desse gás suba para remunerar melhor os investimentos da indústria de lá, sem perda de competitividade, o que pode nos proporcionar uma oportunidade, independentemente de outras medidas e políticas que possam ser introduzidas pelo governo. A oferta do gás do pré-sal a preços aceitáveis seria uma dessas medidas. No Brasil, onde há ocorrência de folhelho semelhante em várias bacias, as melhores oportunidades estão no Recôncavo Baiano, na zona onde já houve a exploração de petróleo. Mas é preciso considerar que esse preço do gás americano deriva em grande parte de uma ampla rede de infraestrutura preexistente, que foi aproveitada para a produção de óleo e gás atual. Assim, mesmo que tenhamos o shale gas produzido aqui no Brasil, os custos de extração e, portanto, o seu preço final não poderão ser semelhantes ao americano.

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