Entrevista: Novo perfil ressalta as especialidades químicas

QD – Há planos de investimento nas fábricas locais?
Fortes – Todas elas estavam bem montadas. Veja a Scandiflex, que possui capacidade para 25 mil t/ano de produção. Não queremos ser produtores de larga escala, orientados a preço, como é típico em commodities. Nosso foco recai nas especialidades. Temos condições de criar soluções para resolver os problemas dos clientes, dentro dos limites econômicos, é claro. Estamos mais para ser uma butique do que um supermercado.

QD – O mercado aponta para esse tipo de atuação?
Fortes – Os plastificantes são insumos importantes em várias aplicações, em tintas, plásticos, borrachas e outros. Os itens mais conhecidos, os ftalatos, estão em trajetória declinante. No mundo, eles representavam cerca de 60% das vendas de plastificantes em 2005. Essa participação caiu para 30% em 2012. É verdade que o mercado total de plastificantes também caiu, mas não nessa proporção. Há muito espaço para produtos inovadores, cada vez mais sustentáveis. Nosso foco, na Scandiflex, são os plastificantes mais sustentáveis. Isso inclui usar insumos de origem natural renovável, como a mamona, derivados alcoolquímicos, ácido cítrico e outras substâncias.

QD – É fácil conseguir todos esses insumos no Brasil? Com custos adequados?
Fortes – Embora o Brasil seja rico em produtos de origem vegetal, nem sempre esses insumos estão disponíveis em preço e qualidade adequados. Felizmente, a Eastman possui uma estrutura logística mundial muito bem estruturada e isso nos garante os suprimentos necessários. Também importamos alguns plastificantes bem conhecidos, como o Eastman 168, um derivado tereftálico de uso amplo.

QD – As condições atuais são favoráveis à produção nacional?
Fortes – A produção química nacional está passando por dificuldades. Participamos dos trabalhos da Abiquim para a recuperação da competitividade setorial e estamos encontrando uma boa acolhida por parte do governo federal, em especial pelo BNDES, no sentido de eliminar gargalos que emperram o ambiente de negócios no país. O BNDES está liderando esse processo, contratou recentemente a consultoria internacional Bain & Co. para avaliar a situação e propor soluções. Mas é preciso fazer uma distinção: os produtores de commodities sofrem mais com a questão da matéria-prima, muito ligada ao petróleo, impostos, custo de energia e outros itens. Como atuamos em nichos de alta especialização, conseguimos ser competitivos, usamos matérias-primas alternativas e temos outro tipo de relacionamento com os clientes, menos dependente dos preços de venda. Sofremos também, mas de forma diferente.

QD – Qual será o papel do canal de distribuição nessa nova estrutura de negócios?
Fortes – A distribuição tem e terá uma grande importância nos nossos negócios, especialmente no Brasil. Tínhamos poucos distribuidores há alguns anos e fomos buscar outros por meio do EBDQuim [Encontro Brasileiro de Distribuição de Produtos Químicos e Petroquímicos, promovido pela Associquim]. Estamos nos reestruturando e certamente isso se refletirá no relacionamento com eles. No passado, nossa tendência era de concentrar negócios em poucos e grandes distribuidores. Verificamos que isso nem sempre proporciona os melhores resultados. Às vezes, alguns pequenos distribuidores fazem melhor o trabalho com nichos de mercado, incluindo a transferência de tecnologia para os clientes. Além disso, o modelo de negócios da Solutia era mais parecido com o de franchising. Vamos avaliar qual será a melhor alternativa para cada divisão de negócios.

QD – O avanço dos Estados Unidos com o shale gas pode impactar os planos de fabricação local?
Fortes – Não, porque estamos nos concentrando em produtos especiais. A proximidade com os clientes é fundamental. Mas o shale gas dará um forte aumento na competitividade dos produtos fabricados nos Estados Unidos, além de permitir a recuperação da economia norte-americana; isso estimulará os negócios em escala global. Também lá, como não estamos em commodities, o impacto para a companhia não será muito grande. Teremos algumas vantagens. Por exemplo: abandonamos os projetos para ampliação do uso da gaseificação de carvão para gerar químicos. Mas ainda usamos muito o carvão nos Estados Unidos. Aliás, a Eastman é muito ativa em programas de redução de consumo de energia, até recebemos o prêmio Energy Star em 2013, pelo segundo ano consecutivo, e temos metas muito ambiciosas nesse aspecto.

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