Tintas e Revestimentos

Entrevista: Fabricante de tintas nasce para ser líder

Quimica e Derivados
16 de outubro de 2013
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    QD – E se os resultados não forem alcançados?
    Oliveira – Nesse caso, é possível que eles tragam gente do mercado para mudar a operação. É uma visão muito melhor do que a dos investidores que compram as empresas para vender os pedaços. Além disso, eles têm capital para investir e efetivamente investem, basta apresentar projetos bem definidos e viáveis, com uma taxa interna de retorno favorável. Na China, por exemplo, estão sendo aplicados US$ 50 milhões na atualização da fábrica e vários projetos que estavam em andamento foram mantidos.

    QD – Existe alguma meta definida?
    Oliveira – Nossa meta de longo prazo é simples: queremos ser a maior empresa de tintas do mundo. Já somos líderes em pintura automotiva, não deixaremos esse setor de lado, mas precisaremos investir em outros segmentos.

    QD – Quais deles?
    Oliveira – Cada região do planeta possui suas particularidades e demandas. Aqui no Brasil, por exemplo, o maior segmento de mercado em tintas é o setor decorativo imobiliário. Não podemos continuar fora desse segmento. Aliás, a DuPont optou por não atuar nele porque era um grande fornecedor de dióxido de titânio e não via sentido em disputar mercado com seus clientes. Agora não temos mais esse vínculo e vamos entrar no segmento imobiliário.

    QD – A entrada será por meio de aquisições ou partirá do zero?
    Oliveira – Estamos avaliando as duas possibilidades. Não se trata simplesmente de comprar alguém que já esteja no mercado. Essa empresa precisa ter uma participação relevante, produtos qualificados, imagem respeitada, sem problemas ambientais, por exemplo, além de ativos operacionais condizentes. Partir do zero pode ser mais complicado no começo, mas temos área disponível aqui em Guarulhos e pessoal qualificado. Estamos estudando, mas logo teremos essa resposta. Nosso CEO, Charles Shaver, virá ao Brasil em setembro e talvez possamos anunciar alguma novidade.

    QD – A linha industrial é bem parecida com a de tintas automotivas, em termos de composição. Não seria um bom ponto de partida para a diversificação?
    Oliveira – Já temos alguns negócios nessa área. E, realmente, algumas tintas automotivas podem ser usadas diretamente em aplicações industriais. Esquadrias metálicas, por exemplo, podem ser pintadas com as mesmas tintas protetivas que vendemos para automóveis. Mas o segmento é pequeno, em comparação com o decorativo. Além disso, o mercado industrial tem maturação lenta. Podemos produzir as tintas para pintar uma plataforma da Petrobras, mas só a aprovação do produto pelo cliente poderia levar uns dez anos. A construção civil permite retorno muito mais rápido dos investimentos.

    QD – O setor automotivo ainda será o mais importante para a Axalta?
    Oliveira – Não vejo como isso possa mudar. Estamos nesse mercado há mais de 145 anos, se considerarmos as experiências da Herberts e da DuPont, nossas antecessoras. As vendas de tintas automotivas originais e de repintura representam a maior parte do nosso faturamento, muito além de outras atividades. Outros segmentos vão crescer, com certeza, sem prejudicar nossa posição no mercado automotivo.

    QD – De alguma forma, o setor decorativo imobiliário se parece com o da repintura automotiva. Há um grande número de fabricantes de tintas, a demanda é pulverizada, por exemplo. Esse quadro é ideal para uma empresa como a Axalta?
    Oliveira – Sim, esses mercados são parecidos, mas ambos estão passando por mudanças profundas. Com a entrada de leis que impõem qualidade mínima, além daquelas relacionadas à proteção do meio ambiente e até da reciclagem de resíduos sólidos, assistiremos a uma seleção desse mercado, que favorecerá empresas comprometidas com avanço tecnológico e qualidade. Na repintura automotiva, por exemplo, o uso crescente das formulações base água precisa ser acompanhado pela evolução tecnológica das oficinas de pintura. Isso impulsiona a venda de tintas de alta qualidade. O mesmo vai acabar acontecendo no setor decorativo.

    QD – O mercado brasileiro está se comportando bem?
    Oliveira – Está um pouco fraco. Os resultados de 2012 não foram muito animadores e 2013 não será muito diferente. Apesar disso, o futuro do setor de tintas no Brasil é promissor, todos os indicadores e pesquisas mostram que há muito espaço para crescimento. Na indústria automotiva, por exemplo, Brasil e China são sempre apontados como mercados em crescimento, que devem receber mais fábricas nos próximos anos. Há uma expectativa de US$ 34 bilhões para investimentos novos nos próximos vinte anos. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea, informou que o Brasil deve exportar mais de um milhão de veículos por ano a partir de 2014, não só de carros populares, mas dos tipos leves, a categoria B do setor, de valor mais alto. E os destinos não ficarão mais restritos à América Latina, chegando aos mercados mais tradicionais. A frota nacional está crescendo, isso exige mais tintas originais e também de repintura, porque o Brasil é um campeão mundial em colisões de trânsito, infelizmente. A renovação da frota incentiva a repintura, para valorizar o carro usado. O setor automotivo também é um forte impulsionador da economia e da inovação, por isso tem recebido apoio do governo.



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