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Química

Entrevista: Evonik faz 10 anos e avança ao futuro com especialidades

Marcelo Fairbanks
22 de dezembro de 2017
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    QD – Mas os resultados estão em linha com o planejado na região?

    W.P. – Estão abaixo do projetado em 2012. O board sempre pressiona por melhores números, mas eles conhecem bem as dificuldades econômicas e políticas regionais e compreendem que os resultados virão, mas podem demorar um pouco. Até há pouco tempo, a Argentina estava em péssima situação econômica, imersa em um ambiente político difícil. A eleição do presidente Maurício Macri aliviou um pouco a tensão política e já há um clima de otimismo quanto à recuperação econômica, melhor até que no Brasil. As recentes eleições parlamentares deram vitória ao presidente, que terá maior apoio legislativo para fazer reformas. Macri devolveu à realidade os preços públicos, especialmente de eletricidade e gás, isso elevou a inflação, mas aumentou a confiança de investidores. O Brasil, nem precisamos falar muito, está começando a sair da pior crise econômica de sua história, embora ainda dependa muito do ambiente político. Apesar disso, a economia nacional está crescendo, porém em relação a uma base de comparação muito fraca. Percebe-se que a curva do PIB se inverteu, mas ainda não se sabe qual é a verdadeira inclinação dessa curva, pode ser maior ou menor. Pelo menos, a inflação e os juros caíram e isso beneficia a população. Essas são as duas maiores economias regionais. As demais também estão fracas. A Colômbia estava com um bom ritmo de crescimento há alguns anos, mas estagnou. Não piorou, nem melhorou. Mesmo assim, abrimos escritórios locais na Colômbia, Chile, Peru e Guatemala, acreditando no avanço dos negócios.

    QD – Como o sr. avalia o comportamento dos principais mercados químicos globais? Há quem entenda que a China está deixando de ser o grande supridor químico mundial e isso representaria uma oportunidade para o Brasil. É possível?

    W.P. – Vejo que a velocidade de mudanças no mundo está cada vez maior. O problema é que essa aceleração atrapalha a previsibilidade dos mercados. De fato, a China está em processo de consolidação de negócios e olha mais para dentro do que para o exterior. A grande preocupação deles agora está na proteção ao meio ambiente e isso se reflete na adoção de controles oficiais mais rígidos das indústrias, entre elas a química. O resultado é a elevação dos custos locais e a redução de capacidades produtivas. Portanto, o crescimento chinês em volume químico será menor. No entanto, isso não implica necessariamente a transferência de investimentos para o Brasil. O país ainda precisa demonstrar atratividade para os investidores globais. Continuamos sem uma política adequada de matérias-primas químicas e de insumos, como eletricidade, nossa legislação tributária é muito onerosa, a logística é ruim, mesmo para negociar com os vizinhos. Nessas condições, não temos como nos apresentar como um possível supridor global de produtos. Hoje, quem está atraindo esses investimentos são os Estados Unidos, oferecendo gás natural barato e uma boa estrutura comercial. No setor químico, as empresas só investem aqui para aproveitar oportunidades, não se trata de estratégia de crescimento de longo prazo. Outros segmentos econômicos têm situação diversa, por exemplo, o agronegócio é muito competitivo e atrai players globais para cá.

    QD – Hoje, qual o maior problema para o desenvolvimento econômico do Brasil?

    W.P. – Temos muitos problemas, mas o pior gargalo está na infraestrutura. A economia ainda está deprimida, mas já verificamos restrições de oferta de eletricidade. Os modais de transporte mal dão conta de escoar a produção atual. Caso venha um crescimento mais vigoroso, a falta de recursos logísticos e de pessoal qualificado será limitante.

    QD – É possível obter crescimento nesse cenário?

    W.P. – Com certeza. Essas dificuldades pelas quais o país passou foram uma etapa de seleção. Só sobreviveram os melhores, os que se adaptaram melhor às circunstâncias. Encontramos entre os nossos clientes empresas com altíssima competência técnica, capazes de discutir inovações e absorver com facilidade as novidades, gerando diferenciais importantes para seus produtos. Isso é muito coerente com nossa meta de oferecer soluções eficientes, inteligentes, inovadoras e seguras.



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