Química

Entrevista: Evonik faz 10 anos e avança ao futuro com especialidades

Marcelo Fairbanks
22 de dezembro de 2017
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    QD – Algumas empresas desenvolvem sua lógica de negócios pela integração vertical, das matérias-primas aos produtos finais. Não é o caso da Evonik, pelo visto.

    W.P. – Preferimos não atuar nas matérias-primas básicas. Mas isso não significa que abandonamos a lógica da cadeia produtiva. Por exemplo, a partir do propeno, produzimos tanto metionina quanto acrílicos e seus derivados. Também há uma diretriz de organização por mercado atendido, identificando oportunidades.

    QD – A companhia se desfez de alguns negócios, mas também comprou outros. Há um alinhamento estratégico nessas operações?

    W.P. – Com certeza. A Evonik fez duas grandes aquisições nos últimos dois anos. Em 2016, foram adquiridos os negócios de aditivos especiais da Air Products, por US$ 3,8 bilhões. Neste ano, foi a vez das sílicas da J.M. Huber Corporation, por US$ 630 milhões. Veja que os aditivos da Air Products incluem aminas e aditivos para poliuretano e também endurecedores para epóxi, temos outros produtos e atuação destacada em ambas as resinas, usadas em tintas e adesivos. No caso das sílicas, trata-se de insumos específicos para uso em cremes dentais, por exemplo, muito complementares à nossa atuação, com produção instalada nos Estados Unidos. As sílicas tradicionais da Evonik são indicadas para uso industrial, na fabricação de tintas e pneus. Em ambos os casos, não foram constatadas superposições de itens e obteremos grandes sinergias.

    QD – Em termos regionais, como se distribuem as vendas da Evonik? A América do Sul e Central é importante no resultado global?

    W.P. – As vendas ainda são muito concentradas na Europa, que representa 49% do total registrado no balanço de 2016. A região da Ásia e Pacífico já é a segunda mais forte, com 22% das vendas, seguida pela América do Norte, com 20%. Nossa área, que abrange da Guatemala para baixo, responde por apenas 6% do faturamento global. É uma participação pequena, mas relevante. Em 2007, nossa região obteve vendas de € 460 milhões, correspondentes a 3% do total da companhia. Em 2016, foram € 763 milhões. Estamos crescendo, é uma região jovem, tem grande potencial. Por isso, recebeu investimentos acima de € 200 milhões, entre 2012 e 2015.

    QD – O Brasil recebeu grande parte desses investimentos. Aliás, a Evonik, nesse período, foi a segunda maior investidora química no país. Esse ciclo foi concluído ou ainda há novos projetos?

    W.P. – Temos um pipeline de novos investimentos, mas eles aguardam o momento certo para serem ativados. Acabamos de iniciar a produção de quatro fábricas na região, portanto ainda temos muita coisa para digerir. Começamos com a fábrica para 60 mil t/ano de metilato de sódio, um catalisador para a produção de biodiesel, instalada na Argentina em 2013. Partimos em Castro-PR a produção de l-lisina por processo biotecnológico, dedicada à alimentação animal. Iniciamos a fabricação de 50 mil t/ano de surfactantes especiais para cosméticos e produtos de household, em Americana-SP, onde também começamos em 2016 a produção de sílicas precipitadas de alta dispersão, ingrediente especial para borrachas e pneus. Sem falar nos laboratórios de desenvolvimento e aplicação de produtos. Fizemos muita coisa em três anos.

    QD – A economia regional, no entanto, não andou bem nesse período. Foi possível ocupar bem as capacidades e apresentar os resultados esperados para os acionistas?

    W.P. – Algumas atividades obtiveram resultados melhores do que outras na região. No caso do metilato, o mercado de biodiesel evoluiu muito bem. A Argentina é grande exportadora de biodiesel, enquanto o Brasil está caminhando para incorporar 10% do éster no seu diesel, a mistura B10. Trata-se de um negócio promissor. Lembro que não somos o único fornecedor desse catalisador na região, que está bem suprida atualmente. A produção local de l-lisina está operando muito bem, em termos tecnológicos. O mercado de rações animais está em franca evolução, especialmente no caso das aves. Afinal, o Brasil é um dos maiores produtores de proteína animal do mundo e deve aumentar sua produção porque é muito eficiente nessa atividade. A planta de surfactantes está rodando bem, mas o mercado caiu em 2015 e 2016. No ano passado, pela primeira vez em décadas, o setor de cosméticos registrou queda de faturamento. Esse setor é que demanda mais produtos especiais. Acredito que esse mercado deve se recuperar em alguns anos. A linha de sílicas precipitadas de alta dispersão (HDS) partiu há poucos meses e estamos na fase de aprovação do material junto aos fabricantes de pneus, que é o maior mercado para elas. É uma tecnologia muito avançada de sílicas, necessária para a produção dos pneus verdes, que apresentam baixa resistência ao rolamento e contribuem para reduzir o consumo de combustíveis e, por consequência, as emissões de CO2. As vendas de pneus verdes já crescem mais do que as dos tipos convencionais. No Brasil, os pneus já estão sendo etiquetados com a indicação da faixa de consumo de combustível, isso ajudará a aumentar a aplicação da sílica HDS. Além das novas fábricas, operamos uma grande unidade de peróxido de hidrogênio no Espírito Santo e oferecemos toda a linha de produtos da companhia para a região.



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