Economia

22 de dezembro de 2017

Entrevista: Evonik faz 10 anos e avança ao futuro com especialidades

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Weber Porto, diretor-presidente da Evonik para a região América Latina e Central

    Weber Porto, diretor-presidente da Evonik para a região América Latina e Central

    Quando foi oficialmente criada, em 12 de setembro de 2007, a Evonik Industries AG era um conjunto de negócios divididos em três grandes áreas: produtos químicos, imóveis e energia. Ao completar dez anos, a companhia se apresenta completamente reestruturada, operando apenas com especialidades químicas e buscando a ambiciosa meta de ser “a empresa mais inovadora do mundo”.

    Não se enganem os mais afoitos com a juventude da companhia. A Evonik é herdeira direta da grande tradição química alemã, tendo sua origem na separadora de ouro e prata de Friedrich Ernst Roessler, estabelecida em 1843, que passou a usar o nome Degussa na década de 1930. Esse era o indicativo telegráfico da então Deutsche Gold und Silber Scheideanstalt (a antiga Roessler). Logo depois da Segunda Guerra Mundial, a companhia decidiu se internacionalizar, constituindo em 1953 a sua primeira subsidiária produtiva, a Bragussa S.A., em Mauá-SP, onde produzia pigmentos e auxiliares cerâmicos, além de sais para galvanoplastia.

    Em 1999, a Degussa uniu seus negócios com a Hüls (do grupo petroleiro Veba). Em 2001, a Veba se consolidou com a Viag para formar a gigante de energia alemã EON, levando a fundir os negócios da Degussa-Hüls com os da SKW Trostberg (da Viag), originando a Degussa AG. Mais tarde, em 2003, a RAG comprou 46,5% da Degussa AG, transferindo para a EON sua importante posição no capital da Ruhrgas. A RAG já havia decidido deixar as atividades ligadas ao carvão e à energia, concentrando seus esforços em produtos químicos. Coerente com essa estratégia, adquiriu o restante do capital da Degussa AG em 2006, alinhando a companhia na holding RAG Beteiligungs, ao lado de outras duas subsidiárias: Steag (energia) e RAG Immobilien (imóveis). Finalmente, a holding se tornou a Evonik, em 2007.

    Apesar dos esforços até então empreendidos, o plano empresarial ainda estava incompleto. Após dez anos de trabalho, a Evonik conseguiu concentrar seus interesses nas especialidades químicas, com foco em produtos inovadores e na satisfação dos clientes.

    Com o objetivo de entender essa reorganização e verificar seus primeiros resultados, Química e Derivados entrevistou o diretor-presidente da Evonik para a região América Latina e Central, Weber Porto. Ele ingressou na Degussa, em 1983, passando por várias posições importantes no Brasil, Argentina e Alemanha, até assumir o cargo atual, em 2000. Sob o seu comando, a companhia desenvolveu forte programa de investimentos produtivos na região entre 2012 e 2015, avaliados em mais de € 200 milhões. Ele recebeu a reportagem nas modernas instalações administrativas regionais instaladas no conjunto EZ Towers, no Morumbi, em São Paulo.

    Química e Derivados – O balanço de 2007 da Evonik reportou vendas globais de € 14,4 bilhões, valor que diminuiu para € 12,7 bilhões em 2016. Isso reflete a reorganização dos negócios?

    Weber Porto – Em parte, sim. Quando a companhia decidiu ajustar o foco nas especialidades, vendemos as áreas de energia e imóveis, mas também os nossos ativos ligados às commodities, embora fossem bons negócios. Foi o caso do negro de fumo, por exemplo. Isso reduziu o faturamento, mas veja que o Ebitda praticamente não foi alterado na comparação entre 2007 e 2017, ficando próximo de € 2,2 bilhões. A mudança foi interessante, portanto.

    QD – A Evonik pretende ser a melhor em especialidades químicas. Como se faz isso, na prática?

    W.P. – Há duas linhas de atuação: desenvolver os melhores produtos e oferecer o melhor approach de mercado, ou seja, suprir cada vez melhor os clientes. Para tanto, a companhia investe anualmente € 500 milhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação, em todo o mundo, com ênfase em sustentabilidade. Contamos com 35 centros de pesquisa próprios em todo o mundo, além de parcerias com universidades. Não basta criar os produtos, mas também é preciso ajudar os clientes a usá-los de forma eficiente, por isso, instalamos laboratórios de aplicação nas áreas de interesse de cada região. Na América Latina, abrigamos laboratórios de personal care, nutrição animal e insumos farmacêuticos em Guarulhos-SP, bem como o de poliuretanos e o de produtos TEGO, ambos em Americana-SP. Mesmo assim, é um negócio desafiador, precisamos ser inovadores, mas também competitivos.

    QD – Como foi feita a reorganização das atividades da companhia nesses dez anos?

    W.P. – Em 2007, a Evonik era uma empresa que atuava com produtos químicos, imóveis e energia. Ficamos apenas com as especialidades químicas. Agrupamos os interesses em três grandes áreas: saúde e nutrição; produtos de performance; e produtos para melhorar a eficiência do aproveitamento de recursos produtivos, resource efficiency. Em 2016, esta última, que atua com itens como sílicas, aditivos para óleo e isoforona e seus derivados, obteve a maior participação nas vendas, seguida por nutrição e cuidados pessoais.


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