Petroquímica

Elekeiroz – Abiquim – Demanda firme estimula setor a superar obstáculos

Quimica e Derivados
3 de junho de 2013
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    QD – O impacto para a indústria química acaba se revelando no déficit crescente da balança comercial setorial?

    De Marchi – Sim. O levantamento feito pela Abiquim nos últimos doze meses até fevereiro mostra que o déficit comercial químico passou de US$ 30 bilhões. Os importados representam 31% do consumo local de produtos químicos. Isso quer dizer: temos uma demanda enorme, mas não estamos conseguindo supri-la. Outro dado complicado: verificamos que desde 2010 o consumo aparente de químicos ficou estável no país. Nesse período, houve um aumento dramático da importação de produtos finais, ou seja, a cadeia toda foi afetada. Pelo menos, o primeiro trimestre de 2013 já dá sinais de uma recuperação no consumo aparente.

    QD – O que impede novos investimentos no setor?

    De Marchi – A indústria química é de importância fundamental para a economia de um país, trata-se de um setor com faturamento mundial de US$ 5,1 trilhões. O Brasil tem a sexta indústria química do mundo, é um player relevante. Sempre tivemos dificuldades, mesmo assim conseguimos construir essa indústria e não podemos deixar que ela se apague. O maior entrave é o suprimento de matéria-prima competitiva e abundante. Mas, com o pré-sal, temos a expectativa de poder contar com produção local de 4 milhões de barris de óleo por dia em alguns anos, ou seja, o dobro da produção atual. E vai ter uma quantidade assombrosa de gás natural associada a esse óleo todo; e existem estudos preliminares para explorar shale gas também no Brasil. Vamos ter essa matéria-prima disponível, mas é preciso ver a que preço.

    QD – Há algum parâmetro de preço desejado pelo setor?

    De Marchi – Nós precisamos de gás natural a preço competitivo em bases globais. Hoje, apenas 16 empresas usam o gás como matéria-prima de seus processos. Porém, é enorme a quantidade de empresas que usam o gás como insumo de produção, em processos térmicos ou para geração elétrica. O impacto do preço do gás na economia é muito grande.

    QD – O setor químico responderia rápido a mudanças no preço do gás?

    De Marchi – No preço do gás e com a desoneração de impostos em cascata, com certeza. Temos um índice de ocupação de capacidades nos últimos doze meses antes de fevereiro de 2013 da ordem de 80%. O setor pode oferecer imediatamente mais 20% de produção, sem nenhum investimento adicional, apenas rodando a plena carga. Essas mudanças até atrairiam novos investimentos.

    QD – O governo federal tem sido receptivo aos pleitos da indústria?

    De Marchi – Tem havido muitas conversas. Participei dos trabalhos do conselho de competitividade, desenvolvemos um trabalho profundo com vários empresários, economistas e especialistas do BNDES para montar uma proposta setorial que foi entregue ao governo federal em abril de 2012. Até agora não tivemos nenhuma resposta. O que nós precisamos, está tudo lá.

    QD – No ano passado, vários produtos químicos receberam uma proteção adicional por meio da elevação de alíquotas do imposto de importação. Isso beneficiou o setor?

    De Marchi – Sim, tivemos um benefício, mas a indústria química nunca pleiteou isso. Nós pedimos mudanças estruturais para que possamos ser competitivos e também para poder exportar. Não adianta ter alíquotas protetivas, isso só funciona no curto prazo. Além disso, a cadeia a jusante reclama, e com razão. Se as medidas adotadas pelo governo não favorecem a cadeia produtiva como um todo elas não funcionarão. Qualquer empresa que atue em uma cadeia produtiva precisa ter benefícios operacionais, não vantagens tributárias isoladas. Isso mata a livre iniciativa.



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