Petroquímica

Elekeiroz – Abiquim – Demanda firme estimula setor a superar obstáculos

Quimica e Derivados
3 de junho de 2013
    -(reset)+

    QD – A Elekeiroz é mais conhecida como fabricante de plastificantes. Essa é a definição do seu escopo?

    De Marchi – Vamos além. Somos fortes nos plastificantes e nos intermediários necessários para a sua produção. Essas duas áreas representaram 69% do faturamento de 2012. Temos uma fatia de 62% no mercado brasileiro de plastificantes. As resinas de poliéster responderam por 25% do nosso faturamento, mas só temos 7% de market share. Nossa produção de ácido sulfúrico só traz 6% ao faturamento e detém 4% da capacidade instalada do ácido no país.

    QD – Ainda vale a pena produzir ácido sulfúrico?

    De Marchi – Produzimos 250 mil t/ano muito bem localizadas, em Várzea Paulista-SP, e elas são entregues para vários clientes que produzem fertilizantes, detergentes, cosméticos e até usinas sucroalcooleiras, todos situados em um curto raio de distância. É uma commodity, o custo do frete pesa muito, pode inviabilizar a operação. Além disso, temos uma vantagem com a produção do ácido sulfúrico: ela permite gerar energia suficiente para suprir 75% da nossa demanda nesse local. Só compramos 25% da rede elétrica, temos uma boa economia.

    QD – Não dá para aumentar a produção para cobrir esses 25%?

    De Marchi – Infelizmente, não é tão fácil. Não dá para fazer um “puxadinho”, seria preciso montar uma unidade nova, com uma capacidade produtiva muito superior à atual. Não seria viável economicamente.

    QD – O DOP ainda é o carro-chefe dos plastificantes? Ele sofre com restrições dos clientes?

    De Marchi – O DOP é o melhor plastificante que existe, seu desempenho é insuperável. Desde a década de 70 que se ataca o DOP, mas até hoje não há comprovação científica nenhuma de que ele represente algum risco à saúde. Tanto assim que o DOP é o único plastificante aprovado para a fabricação dos tubos que levam soro e sangue para os pacientes em hospitais. Mesmo assim, temos várias opções de plastificantes, ftálicos ou não.

    QD – Daí a importância de contar com os intermediários?

    De Marchi – Exatamente. Temos produção integrada de butanol e octanol, além dos anidridos ftálico e maleico. Isso nos permite fazer muitas combinações: nos ftálicos temos o DOP (dioctil), DBP (dibutil), DPHP (dipropil heptil); nos derivados maleicos, o DOM (dioctil maleato). Temos também produção de DOA (dioctil adipato) e do TOTM (trioctiltrimetilato). Do ponto de vista do aproveitamento de recursos renováveis, produzimos o Plastek 81, um substituto do DOP elaborado com base em glicerina. Isso nos dá uma grande vantagem no mercado brasileiro, tanto para aditivação do PVC como em tintas e outros produtos.

    QD – A inovação entra pelos plastificantes?

    De Marchi – Sim, e também pelos poliésteres, nesse caso olhamos para aplicações mais nobres, como as do setor automobilístico. Não há muito o que inovar em ácido sulfúrico.

    QD – Como a Elekeiroz integra as operações dos sites de Várzea Paulista e Camaçari-BA?

    De Marchi – Nós somos muito eficientes na produção, mas o custo de transporte é muito alto, sempre estamos procurando alternativas mais econômicas. A melhor seria a cabotagem, depois as ferrovias. Os caminhões seriam a terceira opção, mas essa é a mais usada, dadas as deficiências dos outros modais. Além disso, temos um consumo considerável de DOP na Região Nordeste. Como temos octanol e anidrido ftálico em Camaçari, fazemos esse plastificante por lá e o excedente é exportado. Trazemos octanol de lá para Várzea Paulista, onde temos o ftálico, para ter DOP competitivo no Sudeste e no Sul. E esse site é mais diversificado.

    QD – Os resultados de 2012 foram bons?

    De Marchi – Conseguimos aumentar nossa receita líquida em 16%, chegando a R$ 899,8 milhões, ampliamos o volume expedido de produtos em 6,3%, para 470,6 mil toneladas. Mas o lucro líquido caiu de R$ 14,8 milhões para R$ 500 mil em 2012. O Ebitda melhorou, de R$ 27 milhões em 2011, chegou a R$ 38,4 milhões. Esperamos resultados melhores em 2013 com as expansões realizadas em 2012, como a do ácido 2 etil hexanoico, um produto interessante.

    QD – Os problemas enfrentados pela Elekeiroz são típicos do país, afetam todo o setor químico.

    De Marchi – Exatamente. Um dos maiores desafios que o setor enfrenta no Brasil é ter estrutura de produção distante do local de consumo. Mas o governo federal poderia nos ajudar (e a toda a economia nacional) caso desonerasse a incidência dos impostos em cascata e fizesse pesados investimentos no setor de logística. Pelo menos na área de inovação as coisas têm andado bem, as verbas chegaram aos centros de pesquisa, há estímulos aos cientistas. Tem muita coisa a fazer, mas está funcionando. Os juros também baixaram um pouco.

    QD – O câmbio continua defasado?

    De Marchi – Os analistas estimam que o dólar deveria estar entre R$ 2,80 e R$ 3. Vemos que não só os produtos importados estão mais baratos que os nossos, mas até os serviços por aqui estão bem mais caros. Uma consulta médica particular na Alemanha, por exemplo, custa menos que no Brasil. Acabei de chegar dos Estados Unidos e as contas de restaurante de lá estavam mais leves que as daqui. A defasagem cambial explica isso.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *