Química

Entrevista: Arkema investe na produção nacional

Quimica e Derivados
20 de maio de 2014
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    QD – Não sobra muita coisa… Mesmo assim, como a Arkema está investindo aqui?
    E.S. – Nem tudo está perdido, o Brasil é um país grande e mantém firme a intenção de se tornar uma potência global em termos econômicos e industriais. É certo que o ritmo de crescimento do PIB caiu, mas os principais indicadores macroeconômicos ainda são interessantes. Perto dos países vizinhos e de alguns europeus, a situação daqui é muito boa. Essa variação do PIB, dos 7% para os atuais 1,5% a 2%, é o resultado das fragilidades de que já falamos. A matriz nem sempre entende essa queda.

    QD – Qual o montante dos investimentos que estão em curso por aqui?
    E.S. – Posso dizer que, nos últimos exercícios fiscais, estamos investindo no Brasil de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões por ano, considerando todas as nossas unidades de negócios. E estamos estudando novas oportunidades.

    QD – Também em resinas ou em outras unidades?
    E.S. – Em todas elas. A Arkema está estruturada em doze unidades de negócios, mas só temos produção local em quatro: derivados do enxofre, peróxidos orgânicos, emulsões acrílicas e aditivos, as duas últimas voltadas para coatings, principalmente. Também temos muitos negócios com a importação de outras unidades, a exemplo dos gases fluoroquímicos para refrigeração, das poliamidas especiais – muito usadas em atividades offshore –, o Kynar [PVDF] e os polímeros Plexiglas [metacrilato de metila] para peças automotivas. Nosso maior mercado global é o de produtos químicos para óleo e gás, como peneiras moleculares para plataformas e a linha de aditivos anticorrosivos feitos pela Ceca, nossa subsidiária integral, mas ainda precisamos atuar mais nesse mercado aqui no Brasil.

    QD – Por aqui, a Arkema ficou mais forte em emulsões e aditivos. Mas, os investimentos realizados não são tímidos em relação ao tamanho da companhia no mundo?
    E.S. – Ainda estamos entrando nesse mercado, que é o nosso segundo maior faturamento mundial. Compramos um player de porte médio, que produzia commodities. É preciso considerar que os grandes fabricantes e tintas, com a exceção da PPG, produzem as suas resinas. Os pequenos e médios se abastecem de uma ampla rede de players, com vários níveis de qualidade e de preço. Temos alguns clientes corporativos, com contratos mundiais de suprimento, mas é um volume pequeno. Nós precisamos nos diferenciar, fazer produtos mais nobres e, por meio deles, abrir portas nos grandes clientes do setor.

    QD – Qual o caminho para conseguir isso?
    E.S. – Investindo. Estamos trocando o reator 6 da fábrica de Araçariguama, o principal da linha, e queremos comprá-lo no Brasil. Ele será maior que o atual e terá toda a instrumentação e controle no estado da arte mundial, sendo totalmente automatizado. Com ele, teremos um ganho de produtividade e de qualidade. Além disso, estamos inaugurando ainda neste mês de abril um laboratório completo para desenvolvimento de produtos e assistência técnica aos clientes de emulsões e aditivos, da Arkema e da Coatex. Nós já conseguimos deter, aproximadamente, 10% do mercado de emulsões especiais no Brasil, sempre em base água, não temos nada com solventes. E vamos crescer. Aliás, a ideia inicial da Coatex era produzir aditivos nessa instalação. Hoje, nossa produção de emulsões já supera em muito a dos aditivos, embora esses tenham um valor muito interessante e uma concorrência menor.

    QD – Como o sr. qualifica o mercado de resinas para tintas e adesivos no país?
    E.S. – O Brasil tem um consumo grande de emulsões e a tendência de mercado aponta para uma sofisticação. A Abrafati tem feito um trabalho notável para melhorar a qualidade das tintas e isso exige usar resinas de qualidade superior. Isso também se percebe claramente nos adesivos e materiais para construção. Portanto, é um mercado em evolução, e nós temos tecnologia para suportar esse avanço. Por exemplo, iniciamos a produção nacional da linha Encor, da Arkema, de emulsões acrílicas de alta qualidade e desempenho. Começaremos a oferecer por aqui as emulsões Encor 726, 726 plus e 1243.

    QD – Em termos globais, a Arkema é conhecida por manter processos integrados. No Brasil, a Basf está construindo um complexo de ácido acrílico e acrilatos em Camaçari-BA. Sua operação será cliente deles?
    E.S. – De fato, nós atuamos na cadeia completa dos acrílicos, nos monômeros, polímeros e emulsões, com fábricas na Europa e nos Estados Unidos. Na China, acabamos de estabelecer uma joint venture com a Jurong, denominada Sunki, para comprarmos o site mais moderno de acrílicos daquele país. Aqui no Brasil, no passado, nós tentamos construir uma unidade de acrílicos, mas a Basf acabou vencendo a disputa. Não queremos ser totalmente dependentes deles, mas vamos comprar uma quantidade significativa de ácido acrílico e dos acrilatos de etila, butila e 2-etil-hexila fabricados em Camaçari. Isso também vai depender do grau de proteção tarifária que eles venham a receber do governo federal.



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