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Logística, Transporte e Embalagens

Entraves regulatórios atrasam a chegada de inovações – Embalagens

Hamilton Almeida
31 de maio de 2019
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    “Atualmente, estamos nos deparando com problemas no tocante às embalagens homologadas plásticas, como bombonas e tambores que, a Resolução ANTT 5232/16 e suas atualizações (Exigência para o transporte de produtos classificados como perigosos para o transporte que estejam acima da quantidade limitada por embalagem interna) impõe que a validade dessas embalagens deve ser de cinco anos”, revela Glória.

    Todos os testes referenciados nessa resolução, bem como nas portarias do Inmetro que se referem ao assunto, devem dar essa garantia de uso. Os fabricantes, porém, estão oferecendo apenas três anos. “As nossas empresas certificadas pelo Prodir, distribuidoras de produtos químicos e petroquímicos que se comprometem a dirigir suas ações quanto ao manuseio, uso, armazenamento, transporte e disposição dos produtos buscando a melhoria contínua de suas ações e a proteção para a saúde, segurança de funcionários, clientes, comunidade e meio ambiente, com ênfase na responsabilidade socioambiental e atitudes totalmente comprometidas com a legislação vigente, levantaram os problemas com os IBCs, das embalagens plásticas e da certificação única para os três modais”, destaca Glória.

    Ela avalia: “Se o tempo de validade for alterado, diminuído, teremos um gasto não só com as embalagens, mas também com o retrabalho (reenvase/rotulagem, etc. dos itens que estavam nessas embalagens) desses produtos, que podem ser encaminhados até para disposição final, gerando um aumento de resíduos”. E salienta: a redução do tempo de validade dessas embalagens para 3 anos inviabiliza a refabricação ou o recondicionamento previsto na legislação, aumentando os gastos com o descarte.

    Glória Benazzi é engenheira química pela UFRJ e administradora de empresas pela Suesc/RJ. Atuou no Inmetro de 1977 a 1996, sendo responsável pela inspeção e fiscalização de veículos que transportam produtos perigosos. Foi responsável pela elaboração de regulamentos técnicos de transporte de produtos perigosos e pela acreditação de organismos de inspeção, bem como do treinamento e certificação de inspetores que realizam as inspeções em veículos que transportam produtos perigosos a granel. Foi superintendente dos Comitês Brasileiro da ABNT de Segurança contra Incêndio (CB-24) de 1991 a 1997 e de Transporte de Tráfego (CB-16) de 1998 a 2005 e é coordenadora da Comissão de Transportes Terrestres de Produtos Perigosos/ABNT desde 1981.

    Empresas – O gerente da divisão onshore da Intertank, Henri Gonçalves, reconhece que se enfrenta um período de “dificuldades mercadológicas, como todos os demais setores da economia”. E agrega: por conta de algumas indecisões no âmbito legislativo e regulatório, o mercado de produtos perigosos e de risco, incluindo os inflamáveis, retarda decisões quanto à melhor forma logística de atender os clientes.

    Química e Derivados, Gonçalves: investimentos constantes em tecnologia garantem segurança

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    Luiz Francisco da Cunha, diretor executivo da Schütz Vasitex, pondera que o mercado de IBC vem aumentando a sua participação não somente no segmento de produtos químicos, mas em outros também. O incremento “está muito atrelado aos benefícios e vantagens sustentáveis e econômicos que a embalagem provê, de até 50% em toda a cadeia”.

    Química e Derivados, Cunha: embalagens plásticas já têm ciclo de vida fechado

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    Considerando que o setor químico “é muito dinâmico e procura sempre inovações em embalagens”, Renata Canteiro, diretora técnica da Embaquim, informa que a empresa alcança, a cada ano, novos clientes e aumenta a sua atuação oferecendo embalagens sustentáveis, mais eficientes, que garantem economia de material e espaço.

    Ela opina, entretanto, que, no momento, o mercado está paralisado, aguardando o desmembramento das propostas políticas para que a economia possa de fato voltar a aquecer: “A médio e longo prazos, esperamos que o fator sustentabilidade deixe de ser somente uma palavra da moda e passe a fazer parte da rotina de tomada de decisão também para escolha de embalagens industriais, ou seja, que haja uma preocupação real da indústria com a performance global da sua atividade, e não seja vista somente como apelo de marketing para o end user”.

    Na opinião de Gonçalves, o crescimento dos negócios é vegetativo. “Não temos maiores perspectivas, até porque o mercado, como um todo, espera por decisões do governo para definir novos investimentos.” De qualquer modo, ele avalia que “as perspectivas são bem positivas, mas as decisões são lentas, principalmente as de curto e médio prazos”.

    Após anos de estagnação, o cenário se reverteu a partir de 2018, na visão de Cunha, quando houve aumento na demanda por embalagens industriais, em especial, a partir do segundo semestre. “Com a retomada da economia prevista para 2019, a Schütz Vasitex prevê crescimento do mercado, não somente com aumento na demanda por parte dos produtos standard, como também pela introdução dos recentes lançamentos do grupo, IBCs especiais para uma variedade de aplicações específicas”.

    Na ótica da Bomix, o mercado “é bem linear, bastante estável em relação a volumes”, define Alexandre Rosário, diretor comercial. “Dependendo da conjuntura econômica do Brasil, caso o país deslanche, temos certeza que haverá aumento de demanda”, acrescenta.



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