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Ensino: Duas escolas numa só – engessar ou flexibilizar o ensino da engenharia química ?

Quimica e Derivados
14 de outubro de 2002
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    Duração do curso – Uma pesquisa da Associação dos Ex-Alunos da EQ-UFRJ realizada em 2000 e as opiniões emanadas por diversos alunos e consolidada pelo Diretório Acadêmico da EQ-UFRJ revelou a preferência (do mercado) pela graduação em cinco anos para engenharia química.

    Química e Derivados: Ensino: ensino1.Atualização dos cursos – A percepção diária do tratamento diferenciado que os alunos de graduação em Química Industrial recebem na mesma universidade onde se leciona o curso de Engenharia Química, e, ainda, alguma desvalorização em termos de mercado, que ainda ocorre de forma muito discreta, gerou a convicção de que era necessário equiparar os dois diplomas em termos de conteúdo e imagem. Assim, a idéia do curso de “Engenharia Química Industrial” representa uma decorrência daquele fato, bem como da experiência muito feliz da Escola de Química da UFRJ ter formado no Século 20 vários químicos industriais que complementaram suas habilitações em engenharia química e adquiriram uma qualidade excepcional de trabalho. Vale ressaltar que existe no Brasil, pelo menos, um curso já regulamentado formando os “engenheiros químicos industriais”.

    Para elaborar as Tabelas 2 e 3, foram consideradas diversas disciplinas eletivas ministradas na Escola de Química da UFRJ e aquelas propostas pela Comissão de Reforma Curricular em 2002. A discussão em detalhes seria desproporcional ao presente trabalho e, por isto, foi excluída. Alguns exemplos podem ser abordados para o caso da Engenharia de Processos Químicos. Primeiro exemplo: a sigla CFD – Computacional Fluid Dinamics aborda a modelagem computacional associada à simulação de eventos grandes como, por exemplo, derramamento de petróleo no mar, rios, etc. Segundo exemplo: a Engenharia de Polímeros trata da modelagem de reatores e cinética de reações poliméricas e poderia incluir também os equipamentos de extrusão e moldagem de peças.

    Química e Derivados: Ensino: ensino2.Em se tratando de estágios curriculares, verifica-se que um aluno da área de Engenharia Química pode buscar iniciações científicas na própria universidade nos primeiros anos e, posteriormente, em indústrias químicas e empresas de engenharia. Tal perspectiva pode gerar um fator de ansiedade, inclusive se considerarmos que muitos alunos precisam trabalhar para seu sustento. O advento de disciplinas ministradas em períodos semi-vespertinos ou noturnos vem sendo prestigiado por alunos desejosos de obter uma sólida formação universitária e profissional.

    Química e Derivados: Ensino: ensino3.Para melhorar a disponibilidade de tempo para os alunos realizarem estágios em empresas, na jornada de trinta horas semanais, convém limitar o número de disciplinas do 7º ao 10º período em cinco. O “estágio supervisionado” tornou-se “obrigatório” e isso merece uma discussão ampla, pois ocupa uma carga horária anteriormente atribuída ao ensino experimental dentro da própria instituição.

    Conclusões – A flexibilização do ensino de Engenharia Química incorpora necessariamente o reconhecimento de vocações e oportunidades diferenciadas no mercado de trabalho empresarial e acadêmico. A flexibilização proposta entende que o consenso pode ser atingido pela expansão das habilitações de engenharia fundamentadas na Química, do mesmo modo como ocorre no nível das demais que corresponderam aos avançados ocorridos na Física.

    Acreditamos que a idéia de tronco curricular de três anos pode ser adaptada para todas as engenharias. Para tentar a modificação, seria melhor o consenso, que embora mais difícil e lento para ser obtido do que a vitória em processos de votação, é mais duradouro e evita desgastes.

    É importante ressaltar que as idéias inovadoras aqui apresentadas foram balizadas pela vivência atual de alunos cursando a graduação da Escola de Química da UFRJ e por docentes e ex-alunos, e constituem um resultado parcial de discussões que podem romper o engessamento de idéias baseadas no modelo mecanicista americano que se aplica apenas a um tipo de vocação.

    O trabalho prosseguirá para compatibilizar diferentes realidades acadêmicas e de mercado que possam estar ocorrendo no Brasil, visando ampliar as habilitações existentes, propiciar uma trajetória acadêmica empolgante e suavizada para todos os alunos e garantir a qualidade do ensino.

    Referências

    ZAKON, A. – A Expansão da Engenharia Química no terceiro milênio visando a geração de processo, o desenvolvimento e otimização de processos e a atuação industrial – Anais em CD dos VI e VII Encontro de Educação em Engenharia, Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora, Itaipava, RJ, 27 de novembro a 01 de dezembro de 2000 e Petrópolis, RJ, 07 a 13 de novembro de 2001.

    Zakon., A.; Szajnberg, M. e , Nascimento, J. L. – A expansão das ciências naturais e das engenharias em 2001 – Anais do XXIX Congresso Brasileiro de Ensino de Engenharia, COBENGE.2001, Porto Alegre, RS, 19 a 22 de setembro de 2001.

    ZAKON, A. (Entrevista) – Em busca de inovações na Engenharia Química – Informativo CRQ.III do Conselho Regional de Química da 3ª Região, Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, Jornalista Responsável: Maria Rachel Oliveira, páginas 20-21, Janeiro-Fevereiro de 2002.

    Zakon, A.; Szajnberg, M. e Nascimento, J. L. – Introdução às Ciências Naturais: uma proposta – Congresso Brasileiro de Ensino de Engenharia – COBENGE.2002, Piracicaba, SP, setembro de 2002.

    Guigon, J.M.B. – Proposta da disciplina de “Elementos Finitos I” para o Programa de Engenharia Civil da COPPE-UFRJ – comunicação pessoal, março de 2000.



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