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Ensino: Duas escolas numa só – engessar ou flexibilizar o ensino da engenharia química ?

Quimica e Derivados
14 de outubro de 2002
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    Por fim, consideramos possível formar engenheiros químicos industriais polivalentes – que equivaleriam aos antigos profissionais que adquiriam formação Química Industrial e, depois, da engenharia química convencional (voltada para projeto) – e estimular as vocações para as novas áreas de engenharia de processos químicos, gestão tecnológica, segurança industrial, ambiental, química fina, bem como algumas consagradas, como a petroquímica, saneamento, materiais, petróleo e gás.

    Química e Derivados: Ensino: ensino1b.Busca de equilíbrio – Muitos calouros ingressam na universidade no esplendor da juventude, mas nem sempre compreendem o mundo novo repleto de novas responsabilidades que os acolhe. Motivá-los ao estudo intenso de imediato, exigindo-se aberta ou dissimuladamente a perda de horas de lazer pode resultar na perda acentuada do entusiasmo pelo ingresso ao mundo acadêmica, sob uma avalanche de conceitos, metodologias e instrumentos científicos intrigantes. Freqüentemente, surge o desespero individual e coletivo perante a queda dos coeficientes de rendimento acumulado, acarretando frustrações que devem ser evitadas.

    Química e Derivados: Ensino: ensino1cA dificuldade maior dos docentes no exercício de suas funções talvez resida na Síndrome do Óbvio: “Isto é óbvio, não precisa ser dito”. A dificuldade maior dos alunos, comprovada por docentes com formação e preocupação pedagógica (Nascimento, 2001), é a de estabelecer “pontes” ou conexões entre as matérias do segundo grau e as da universidade, bem como aquelas integrantes do próprio currículo de graduação (Zakon, Szajnberg e Nascimento, 2002). A fama da Escola de Química reside na sua forte tradição de ensino das químicas fundamentais e tecnológicas nos seus cursos de graduação, ora em fase de redução na engenharia química, o que frustra muitos alunos.

    Para se chegar a nossa proposta, foi fundamental a interação entre alunos e professores. A experiência de docentes com muita experiência didática é importante para um processo de reforma curricular assim como as idéias renovadoras de novos professores. Porém, é imprescindível ouvir alunos de diversos períodos do curso de graduação e, também, ex-alunos com tempos e especialidades diferenciadas. Obter um consenso para uma proposta curricular constitui um desafio gigantesco que deve ser enfrentado porque é compensador.

    Qualquer proposta que seja decidida no voto, principalmente sob o pretexto de atender prazos, está fadada ao insucesso parcial ou total, e seus efeitos danosos recaem sobre os alunos e sobre os envolvidos na administração do ensino universitário.

    Portanto, as propostas incorporadas nas Tabela 1 e 2, e na Figura 1, deverão ser objeto de discussões adicionais, pois mesclam e divulgam proposições de docentes, ex-alunos e alunos veteranos – alguns dos quais com formação obtida em Escola Técnica Federal de Química. Não basta inovar; é necessário prover meios para que o aluno possa aprender suavemente uma massa de conhecimentos destinada a transformá-lo num profissional criterioso, criativo e entusiasta da habilitação adquirida.

    Assim, as idéias humanísticas emanadas da Associação dos Ex-Alunos da EQ-UFRJ em consonância com a experiência adquirida por vários profissionais que atuaram em operação e gestão de indústrias químicas, projetos, vendas técnicas e consultorias foram incorporadas. Algumas experiências docentes voltadas para o estabelecimento de “disciplinas-ponte” foram incorporadas na proposição do tronco curricular de três anos. Dentre as propostas estabelecidas pela Comissão de Reforma Curricular da Escola de Química da UFRJ (2002), foram aproveitadas várias idéias de disciplinas correspondentes às ênfases para estabelecer as propostas dos sétimo ao décimo período dos cursos genéricos de Engenharia de Processos Químicos e Engenharia Química Industrial, porque incorporavam tendências de consenso coletivo a serem valorizadas.

    Nivelamento no primeiro ano – A maior importância do primeiro período reside em apresentar uma visão ampla e moderna do contexto da profissão, por meio das disciplinas introdutórias às Ciências Naturais (mundos científico e tecnológico vistos pela História, Matemática e Termodinâmica), às Químicas Analíticas (a “alma” das profissões da Química) e à Computação (indispensável instrumento em todas as áreas de atuação). As disciplinas genéricas de Química Geral e Analíticas são indispensáveis. No caso de Basic, Fortran e Planilhas Eletrônicas, vale ressaltar que as duas linguagens são diferentes, porém seus programas são intercambiáveis, em nível de projeto ou de pesquisa acadêmica. Muitos programas antigos de Fortran são válidos para pesquisas de Cinética Química.

    Segundo Guigon (2000), programas elaborados em Fortran 77 podem ser submetidos ao compilador do Fortran 90, que oferece melhor desempenho computacional dentre as linguagens conhecidas, bem como existem versões para microcomputadores tipo PC. As aulas de Desenho Técnico vinculam-se à expressão milenar mais intuitiva e expressiva de qualquer ramo da engenharia, visto que qualquer equipamento, construção, artefato num processo de concepção e acabamento é descrito por meio de tal recurso (pois “uma imagem vale mais que mil palavras”).

    No segundo período é necessário introduzir os aspectos fundamentais e característicos em Humanidades para que o estudante perceba as potencialidades do seu esforço individual e coletivo perante a sociedade. A descrição e concepção dos processos químicos industriais inorgânicos (milenares) e orgânicos consagrados, destacando as matérias-primas, os tratamentos e recursos de controle físico e químico, nas disciplinas introdutórias à “engenharia de processo” (ou tecnologia química), constitui uma inovação decisiva para consolidar convicções estudantis: se o aluno gostar, permanece matriculado; em caso contrário, muda de curso e evita desgastes pessoais e despesas.



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