Energia Nuclear – Ampliação do parque nuclear depende de decisões políticas

química e derivados, Angra 3, energia nuclearEnquanto aguardam a definição política sobre a construção de novas usinas, esperada para 2012, Eletronuclear, INB e CNEN concluem os planos para a nova fase produtiva. A Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), órgão responsável pelos estudos técnicos para a definição das políticas públicas do Ministério das Minas e Energia, está elaborando as diretrizes do Plano Nacional de Energia para 2035, a ser publicado em meados do próximo ano. Um dos capítulos mais aguardados deste trabalho é o que trata da geração termonuclear. Especialistas, acadêmicos e mesmo os responsáveis pela implementação dos processos produtivos avaliam que ali terão a indicação de que o Brasil irá, ou não, instalar usinas e criar as condições necessárias para o desenvolvimento local de uma cadeia produtiva para a indústria nuclear.

As respostas definitivas para essas questões, porém, não são técnicas, mas políticas. Tanto assim que, procurada, a própria EPE preferiu não se pronunciar, alegando que “a participação da tecnologia nuclear na matriz energética brasileira está em discussão no âmbito da Presidência da República”. Entende-se a cautela da EPE. Em 2007, quando foi elaborado o plano nacional de energia em vigor, previu-se que até 2030 estaria em operação a usina de Angra 3, capaz de gerar 1.405 MW, e o Brasil ainda contaria com usinas capazes de gerar mais 4 mil MW, sendo 2 mil MW instalados no Nordeste e 2 mil no Sudeste, perfazendo um investimento total estimado em aproximadamente US$ 25 bilhões.

Com exceção de Angra 3, que está em obras e tem previsão de entrar em operação em dezembro de 2015, os demais planos foram para a gaveta presidencial após a polêmica global sobre a segurança das usinas nucleares, instalada pelo acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em março. Essa ocorrência abalou a confiança mundial na tecnologia, mas não impediu que governos de países como França, China, Holanda, Finlândia, República Tcheca, Rússia, Estados Unidos e o próprio Japão mantivessem seus projetos de expansão nuclear. Em outubro, a Argentina inaugurou a central nuclear Atucha 2, com potência de 700 MW, e a presidente Cristina Kirchner anunciou a construção de Atucha 3.

Duas usinas novas em 2035 – Na Comissão Nacional de Energia Nu­clear (Cnen), autarquia ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, Francisco Rondinelli Junior, coordenador geral de planejamento e avaliação, diz que o futuro do programa brasileiro de energia nuclear só deve se tornar público depois de concluídos os estudos sobre os efeitos do acidente de Fukushima. “A reação imediata é de medo, normal quando falta informação. Mas a expectativa do setor é que os impactos na população sejam pequenos”, acredita o executivo.

No cenário traçado por Rondinelli, até 2020, a única usina a ser incorporada ao parque nuclear brasileiro é mesmo Angra 3. Não há mais tempo hábil para concluir outra. Para ser erguida, uma usina nuclear toma dez anos de trabalhos entre a decisão e a entrada em operação, sendo seis anos de construção e quatro anos de preparativos e licenciamentos. Em sua avaliação, o Brasil deverá colocar mais duas usinas nucleares em operação até 2035, sendo que a primeira deverá ter sua construção iniciada em 2015, e mais outras duas até 2040.

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Rondinelli: matriz energética precisa ser diversificada

Rondinelli acredita que dois fatores deverão favorecer a decisão pela geração nuclear no Brasil. O país necessita ampliar drasticamente sua oferta de energia e, para isso, terá que diversificar a sua matriz energética. O outro ponto é que o país reúne todas as condições favoráveis para incluir a geração nuclear em seu portfólio energético. Segundo o Plano Nacional de Energia em vigor, o consumo de eletricidade brasileiro em 2005 foi de 375 TWh (Terawatt-hora, que representa 10¹² Wh) e, nos diferentes cenários de crescimento econômico previstos pela EPE, a demanda em 2030 será de 850 TWh, em caso de baixo crescimento, podendo chegar a 1.250 TWh se a aceleração econômica for muito forte. No momento, alguns analistas trabalham com um consumo próximo de mil TWh.

Além disso, o plano do governo é reduzir a dependência da fonte hidrelétrica de energia, hoje responsável por mais de 80% da oferta, para, no máximo, 70%. A dependência hidráulica é avaliada como arriscada, uma vez que está sujeita aos humores da natureza. Uma seca prolongada levou ao apagão de 2001. Outro problema: estima-se que até 2030 o Brasil já terá esgotado sua capacidade de agregar novas capacidades hidrelétricas significativas ao seu parque gerador. “Precisaremos de um mix de fontes de energia. Nesse contexto, a geração nuclear é muito competitiva”, diz o executivo. Segundo Rondinelli, o valor de comercialização da energia hidráulica, hoje na casa de R$ 90,00 por MWh, não pode ser acompanhado por nenhuma alternativa. Entre as energias térmicas, o preço definido para a energia que será gerada em Angra 3 (R$ 148,65 por MWh) está próximo do ofertado pelas usinas acionadas por combustíveis fósseis.

As fontes renováveis como solar e eólica geram baixo impacto ambiental e possuem custo intermediário entre a hidráulica e as térmicas. No último leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o valor de comercialização da energia eólica ficou em R$ 99,00 por MWh. Porém, avalia o executivo, são energias cuja produção depende de fatores que estão fora de controle, disponibilidade de sol e vento. “São importantes fontes complementares, mas não podemos montar uma estratégia energética com grande dependência de energia cuja oferta não é firme”, acredita. Já o gás natural que poderá ser ofertado com a exploração do pré-sal pode vir a ser uma opção segura para a geração de eletricidade. Na avaliação de Rondinelli, porém, ainda é cedo para calcular a competitividade desta fonte, uma vez que ainda não se sabe o tamanho da oferta e da demanda de outros potenciais clientes, como a indústria química, alimentação de fornos industriais e o consumo automobilístico.

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INB explora a mina de urânio de Caetité, na Bahia

Reservas de urânio – A participação da energia nuclear na matriz elétrica brasileira é de 2%, enquanto a média mundial gira em torno de 16%. Na França, o maior usuário, chega a 75%. Angra 1 e 2 atendem por volta de 45% da demanda do estado do Rio de Janeiro e, mesmo com a expansão de quatro novas usinas, a geração nuclear ficará perto de 4% da matriz nacional. Do ponto de vista do potencial de oferta de combustível para a geração nuclear, esta participação poderia ser bem maior.

Em se tratando do insumo primário, o urânio, o Brasil é uma potência. Segundo o professor da Universidade de São Paulo, Luís Antônio Albiac Terremoto, ligado ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), o Brasil possui a sétima maior reserva de urânio do mundo, totalizando 309 mil toneladas do concentrado U3O8, sendo que apenas 25% do território nacional foi prospectado. Especula-se que outras 500 mil toneladas possam ser encontradas nas áreas ainda não devidamente analisadas, colocando o Brasil como provável detentor da 2º maior reserva mundial, atrás apenas da Austrália.Nos cálculos do professor, apenas as 309 mil toneladas efetivamente prospectadas são suficientes para abastecer 37 usinas nucleares iguais a Angra 2 (que gera 1.350 MW) durante 65 anos. “Essa quantidade de urânio possui um conteúdo energético duas vezes maior que o volume de óleo nos campos do pré-sal já conhecidos oficialmente”, diz Terremoto.

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Silva: país tem condições para fechar todo o ciclo produtivo

A responsável legal pela exploração do minério é a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que atua desde a mineração até a produção do combustível. Atualmente, a estatal explora urânio na mina de Caetité, na Bahia, que possui uma reserva de 100 mil toneladas, quantia suficiente para atender Angra 1, 2 e 3, além das quatro usinas previstas no Plano Nacional de Energia 2030, por toda a vida útil destas unidades. Segundo o engenheiro químico Luiz Filipe da Silva, assessor da presidência da INB, hoje são processadas 400 toneladas anuais do concentrado do minério, conhecido como yellow cake. O plano é investir R$ 100 milhões e ampliar para 800 t/ano o processamento do minério a partir de 2015.

Além disso, a INB estrutura a exploração da jazida de Itataia, em Santa Quitéria-Ceará, onde será instalado um complexo industrial para o beneficiamento de fosfato, ingrediente para fertilizantes agrícolas, e urânio. Esse projeto, relata Silva, está em fase de licenciamento ambiental, com expectativa de produzir 1.100 t/ano de urânio e 200 mil t/ano de fosfatos a partir de 2016. Depois de cinco anos, os planos são de elevar para 1.500 toneladas a produção anual de urânio. O investimento de US$ 350 milhões será efetuado pela empresa privada Galvani, que em troca ficará com o fosfato extraído. A jazida de Santa Quitéria possui reservas geológicas de 142,5 mil toneladas de urânio associado ao fosfato. A primeira mina de urânio explorada no Brasil, em Caldas-MG, foi inaugurada em 1982, para atender Angra 1, e já está esgotada. Dois depósitos de urânio potenciais são Pitinga, no Amazonas, e Carajás, no Pará. Estima-se que juntos somem 300 mil toneladas. “Temos uma grande riqueza mineral. Precisamos saber o que faremos. Vamos usar para gerar energia aqui ou vamos exportar?”, indaga Silva.

Investimentos em Resende – A etapa seguinte do processo produtivo do combustível que alimenta as usinas nucleares é a conversão do yellow cake (U3O8) para o estado gasoso, na forma de hexafluoreto de urânio (UF6). Hoje a demanda brasileira é atendida pela Areva, na França. Segundo Luiz Filipe da Silva, a INB se prepara para investir R$ 460 milhões para nacionalizar o procedimento, por meio de uma fábrica que será erguida em 2017, ao lado da unidade de enriquecimento isotópico da INB, que está sendo montada em Resende, no Rio de Janeiro. A tecnologia será fornecida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP).

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Fabrica de Resende transforma urânio em combustível de usina

O enriquecimento isotópico tem por objetivo aumentar a concentração do urânio acima da natural – quando contém apenas 0,7% do isótopo de urânio235 – para algo como 3% a 4% e permitir sua utilização como combustível para a geração de eletricidade. O processo é realizado em cascatas de ultracentrífugas que, no caso de Resende, foram desenvolvidas e estão sendo fornecidas também pelo Centro Tecnológico da Marinha. Atualmente, 5% da demanda brasileira do material é atendida pela INB, sendo o restante fornecido pela unidade inglesa da multinacional Urenko.

Filipe da Silva relata que a fábrica de enriquecimento está sendo erguida em duas fases. A primeira exigirá um aporte de R$ 600 milhões e deve ser concluída em 2015, para ser responsável por atender 60% da demanda brasileira atual. A segunda deverá ser realizada entre 2016 e 2020 e exigirá investimentos de R$ 1,3 bilhão, com contrato de fornecimento tecnológico também com o CTMSP. Prevê-se que, no final do processo, Resende tenha capacidade de atender 100% da necessidade de Angra 1, 2 e 3. “2012 será um ano de definições, temos condições de fechar o ciclo produtivo da energia nuclear no país”, diz o executivo. A INB, relata Silva, já realiza em Resende as demais etapas da produção do combustível nuclear, ou seja: a reconversão do gás hexafluoreto de urânio (UF6) a dióxido de urânio (UO2), sob a forma de pó; a posterior transformação do material em pastilhas; e a montagem do elemento combustível. A unidade de montagem da INB tem capacidade nominal de 250 t/ano de urânio, suficiente para a primeira carga de um reator de 1.300 MWe ou para recargas anuais de até três reatores desse porte.

Cadeia produtiva – “Só Estados Unidos, Rússia e Brasil possuem urânio e dominam o ciclo de energia nuclear por completo. Não faz sentido desperdiçar esta vantagem”, diz Edson Kuramoto, presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear. Para o executivo, aproveitar o potencial no setor é estratégico para o país, além das questões de demanda de energia e aproveitamento do urânio. É também uma questão de desenvolvimento tecnológico para diversos segmentos industriais, como químico, elétrico e metal-mecânico, que são chamados para atender às demandas da indústria nuclear e levam o aperfeiçoamento de suas práticas para outras atividades. Além disso, o investimento no setor é importante para a formação de conhecimento nos melhores centros universitários e capacitação de recursos humanos, principalmente de engenheiros e outros especialistas. “A tecnologia nuclear é de arrasto, capaz de difundir desenvolvimento para todo o país”, afirma.

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Kuramoto: interesse é grande, mas falta política bem definida

O interesse por negócios no setor foi demonstrado no final de 2010, com a realização de um concorrido evento na Federação das Indústrias de São Paulo, onde foram apresentadas as oportunidades para as empresas nacionais em fornecimentos de equipamentos, materiais e serviços para a expansão da geração nuclear no país. “A expectativa é grande, mas ninguém investe enquanto não houver uma política de estado que defina com clareza qual será o papel da energia nuclear na matriz energética brasileira”, diz Kuramoto.

Esta definição política, no Brasil e no mundo, depende em muito da capacidade da indústria nuclear de conseguir convencer a sociedade de que possui respostas para os seus maiores problemas. Um deles é a segurança das usinas, posta em xeque por uma dezena de acidentes de diferentes proporções, sendo que em pelo menos três ocasiões com grande repercussão, como em 1979, na usina Three Mile Island, na Pensilvânia (EUA), o desastre deste ano em Fukushima, no Japão, e o pior de todos, o vazamento radioativo de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

Luís Antônio Terremoto pondera sobre as distinções das situações. Em Chernobyl, relata, era utilizado um reator RBMK (sigla em russo para reator de alta potência com canais), desenvolvido e adotado apenas em alguns países integrantes da extinta União Soviética, mas que possuía características de projeto inadequadas. “Mesmo assim o acidente só ocorreu após os operadores violarem cinco regras básicas de segurança”, diz. Em Fukushima, prossegue o professor, o reator BWR (sigla em inglês para designar reator nuclear refrigerado por água fervente), cujo modelo comercial mais antigo foi justamente o acidentado, também apresenta deficiências de projeto, embora tenha sido preciso combinar um terremoto de grande proporção seguido de um tsunami para tirar a situação do controle. No Brasil, relata o professor, o reator utilizado é o PWR (sigla em inglês para reator nuclear refrigerado a água pressurizada), tipo mais utilizado hoje para gerar energia elétrica (61% do total mundial). O modelo PWR, previsto para ser mantido na expansão nuclear brasileira, tem como base o conceito de defesa em profundidade, com a existência de seis barreiras sucessivas para evitar o escape de radiação ionizante para o meio ambiente, informa o professor. Neste modelo, a remoção do calor residual dos produtos de fissão radioativos ocorre por intermédio de convecção forçada, que requer o bombeamento de água acionado com energia elétrica. A argumentação de Terremoto, apesar de demonstrar que o sistema de segurança adotado nas usinas brasileiras é superior ao de Chernobyl e ao de Fukushima, evidencia, porém, que não há infalibilidade em relação aos projetos nucleares, como não o há em nenhuma atividade. A questão é determinar qual é o tipo de risco que a sociedade está disposta a correr em troca de eletricidade.

[toggle_box title=”Leia Mais: Iperó fará radioisótopos em 2018″ width=550″Width of toggle box”] O Programa Nuclear Brasileiro, elaborado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnem), prevê o investimento de R$ 850 milhões na instalação do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), em Iperó – São Paulo. A previsão inicial datava em 2015 a entrada em operação, mas já se fala em um atraso que deverá levar para 2017 ou 2018 o início das atividades. O RMB deverá contar com um reator de 30 MW e terá como objetivo tornar o país autossuficiente na produção de radioisótopos usados na medicina, indústria, agricultura e meio ambiente.

Além disso, o RMB também poderá ser usado para teste de irradiação de combustíveis nucleares e materiais estruturais utilizados em reatores de potência, bem como para realização de pesquisas com feixes de nêutrons em suporte a várias áreas do conhecimento. Atualmente, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) opera um reator multipropósito que conta, porém, com um reator de baxa potência, o IEA-R1, que tem pela frente uma vida útil inferior a 10 anos. Sem o novo RMB, o Brasil poderá aumentar ainda mais sua dependência de radioisótopos importados.

O Principal uso dos radioisótopos está na produção de radiofármacos, com diversas aplicações, como contrastes em exames diagnósticos, ou em medicamentos na área da medicina nuclear. Os dois isótopos mais utilizados são o iodo-131, para diagnósticos de distúrbios de tireoide, e o tecnécio-99, usuado em fámacos para diagnóstico de cânceres e outras doenças no coração, cérebro fígado e nos ossos.[/toggle_box]

Resíduos radioativos – Outro problema apontado pelos críticos da tecnologia nuclear é a falta de uma política global para a destinação final dos resíduos gerados pelas usinas. Segundo o professor Terremoto, entre 1982 e 2007, o volume total de rejeitos radioativos com atividades média e baixa (materiais cuja contaminação não é removível, como luvas, peças de vestuário, filtros, resinas) gerado na operação de Angra 1 e 2 totalizou 2.186 m3, uma média de aproximadamente 87 m3 por ano. Esta média anual, porém, vem sendo reduzida ao longo dos últimos cinco anos. Já o volume de combustível nuclear irradiado – com alta atividade –, que deve ser retirado do cerne do reator das duas usinas e armazenado em piscinas de estocagem anexas, soma aproximadamente 13 m3 por ano. Mas este é um depósito intermediário, antes da destinação final.

Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear, relata que atualmente existem tecnologias seguras para o gerenciamento de rejeitos de média e baixa atividades. Eles são acondicionados em embalagens metálicas, testadas e qualificadas pela Cnen, órgão responsável pelo manejo dos rejeitos radioativos, e transferidos para um depósito construído no próprio sítio da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, onde estão as usinas de Angra. A destinação final deste resíduo, diz o executivo, não é considerada hoje um desafio tecnológico e a Cnen já elabora estudos geológicos para escolher o local para implantar um Repositório Nacional de Rejeitos Radioativos de Média e Baixa Atividade para atender às necessidades atuais e as que virão com a expansão do parque gerador nuclear brasileiro.

Segundo Guimarães, os combustíveis usados (“queimados”) não são considerados rejeitos de alta atividade, uma vez que eles ainda guardam cerca de 40% de sua capacidade de gerar energia. Por essa razão, para os elementos combustíveis “queimados” nos reatores das usinas nucleares, está sendo concebido pela Cnen, em colaboração com a Eletronuclear, um sistema de encapsulamento, transporte e armazenamento em um Depósito Intermediário de Longa Duração. “Essa concepção permite a armazenagem com opção de recuperação posterior do combustível, criando condições para esperar a melhor solução técnica e econômica para o destino final dos rejeitos de alta atividade, ou a decisão de reciclagem do combustível usado para a geração de energia elétrica, solução que já é praticada por diversos países”, diz o executivo. O Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro (CDPNB) estabeleceu como meta que o Repositório Nacional entre em operação em 2018 e o Depósito Intermediário de Longa Duração para Combustível Usado em 2026.

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Um Comentário

  1. Com esse “escândalo” da Lava a Jato presume-se que, infelizmente, o país será forçado a abandonar de vez essa alternativa moderna de geração de energia. É uma pena.

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