Química

Energia – Energia cara e sustentabilidade estimulam projetos de cogeração e de aumento de eficiência

Marcelo Fairbanks
18 de setembro de 2010
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    A abordagem da ABB nesse campo visa, inicialmente, a área de utilidades das indústrias, com características muito parecidas em todos os segmentos. “Com o avanço do relacionamento, podemos projetar mudanças nos processos, contando com o auxílio dos especialistas da ABB em cada situação”, explicou. Geralmente, os clientes de grande porte tendem a ser mais receptivos às abordagens. É preciso lembrar que a maturação desses projetos é lenta, estimada entre seis meses a um ano para a apresentação das primeiras sugestões.

    Vieira explica que a ABB prefere desenvolver suas atividades com base nas indicações dos clientes quanto aos seus pontos mais críticos. “Poderíamos fazer um estudo global da planta, com um balanço energético detalhado para identificar todas as perdas, mas isso seria muito caro e muito demorado, gerando um volume enorme de dados que seriam pouco aproveitados”, explicou. “Os clientes querem respostas rápidas e focadas, com resultados rápidos.”

    Além disso, ter um balanço global de energia pode não ser muito útil. Segundo Vieira, alguns dos balanços disponíveis apenas indicam a quantidade de energia consumida por unidade de produto, mas fica faltando detalhar cada subsistema da produção para localizar os problemas existentes.

    Fábricas mais recentes contam com instrumentação inteligente, capaz de prover todas as informações necessárias para conduzir os processos da forma mais eficiente. Basta gerar índices obtidos das medições e promover o ajuste fino das operações. “Por exemplo, a queima de gás nas caldeiras é ajustada conforme a variação da demanda, buscando operar no ponto ótimo de combustão”, explicou.

    Vieira comentou que a sua divisão dentro da ABB não está ligada diretamente à venda de equipamentos e sistemas da companhia, embora ela disponha de instrumentos, motores, acionamentos, retificadores e todos os outros produtos ligados à energia industrial. “Somos identificadores de oportunidades, muitas vezes fazemos só as avaliações e as sugestões de mudanças nos processos para que o cliente depois as promova”, afirmou. Ele mencionou a existência de uma grande demanda por estudos de eficiência energética, porém com pouca implementação. Há casos de economia de 40% a 50% da energia consumida, mas com projetos barrados pela visão imediatista que recusou um prazo de retorno do investimento de três anos. Por isso, a empresa muitas vezes desenvolve as medições e estudos em parceria com os clientes, a fim de compartilhar a responsabilidade e aumentar o comprometimento com a implantação das sugestões.

    Abordagem holística – Por sua vez, a Bayer Technology Services (BTS) propõe uma abordagem mais completa possível do uso da energia em processos industriais de modo que alcance o máximo resultado possível. Para tanto, desenvolveu dois programas complementares: o Bayer Climate Check e o STRUCTese. O primeiro tem por alvo determinar a pegada ambiental (industrial footprint) de cada produto, envolvendo suas matérias-primas, processos, resíduos e atividades logísticas envolvidas.

    O STRUCTese propõe uma metodologia completa para avaliar a eficiência do uso de energia, monitorando, reportando e melhorando suas aplicações. Esse programa envolve medições apuradas, criação de indicadores, avaliação em cascata dos processos (permitindo avaliar perdas estáticas e dinâmicas) e, também, promove um benchmarking com indicadores internacionais. Tudo isso se reflete no desempenho econômico e também ambiental.

    A BTS nasceu da reestruturação do grupo Bayer, promovida em 2003. Seu objetivo está ligado à otimização das fábricas e processos do grupo no mundo todo, além de prestar serviços a terceiros, nas áreas de engenharia, start up, manutenção e processos unitários. Obteve faturamento de 380 milhões de euros em 2009, dos quais 25% vieram de clientes fora do grupo. A empresa não comercializa tecnologia dos produtos Bayer, mas desenvolve inovações em processos produtivos, contando com aproximadamente 200 patentes em temas diversos, de catálise a biocombustíveis. Um dos pontos fortes está no tratamento de efluentes complexos de empresas de química fina.

    Além da Alemanha, a BTS conta com escritórios na China, Índia, Dubai, Cingapura e está montando estrutura própria no Rio de Janeiro, onde conta com oito engenheiros especializados. O foco recai nas companhias químicas de diversos portes, tão mais interessantes quanto mais complexos forem os seus processos.

    O campo de avaliação ambiental e de eficiência energética assume ares de prioridade para a BTS, dada a relevância do tema em escala global. Com dados da Agência Internacional de Energia, a empresa salienta que as indústrias representam 30% de todo o consumo de energia no mundo. E a mesma agência prevê uma redução das emissões de gases do efeito estufa em 50% nos próximos vinte anos, apenas com práticas de eficiência energética.

    Com a experiência acumulada em mais de um século de Bayer, a BTS identifica um potencial médio de redução de 20% no consumo de energia em processos industriais. Boa parte desse ganho pode ser alcançada com pequenos investimentos. Até o momento, o Bayer Climate Check foi implantado em 140 fábricas em todo o mundo, correspondendo a 90% do total de emissões de CO2 do grupo empresarial.



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