Química

Energia – Energia cara e sustentabilidade estimulam projetos de cogeração e de aumento de eficiência

Marcelo Fairbanks
18 de setembro de 2010
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    Existem estudos até para a queima de hidrogênio, combustível de queima complicada, por apresentar velocidade de chama muito alta. E esse gás tem alto valor de mercado, sendo preferível destiná-lo para fins mais nobres. “Correntes residuais contendo algum teor de hidrogênio podem ser aproveitadas”, comentou.

    Química e Derivados, Fábio Nugnezi, Gerente-geral da unidade de geração da ABB, Energia - Energia cara e sustentabilidade estimulam projetos de cogeração e de aumento de eficiência

    Nugnezi: setor sucroalcooleiro aproveita melhor as turbinas

    Ela salienta a diferença de eficiência de conversão entre os sistemas meramente térmicos (de ciclo aberto), por volta de 35%, os de ciclos combinados, por volta de 55%, e os de cogeração com turbinas (de combustão), que podem atingir média de 85%. E estes ainda proporcionam autonomia em refrigeração e água quente.

    Em sua tese de doutoramento, concluída na Holanda, ela estudou a gaseificação de vários materiais para fins de aproveitamento energético. “No futuro, tudo vai ser gaseificado antes da queima, com melhor aproveitamento dos combustíveis e melhor desempenho ambiental”, afirmou. Por enquanto, ela salienta que a tecnologia de gaseificação de carvão e de lixo urbano já está consolidada. No caso do lixo, o método evita totalmente a formação das dioxinas, compostos altamente tóxicos. No caso do carvão, a gaseificação torna mais fácil a captura do CO2 liberado, permitindo aproveitamento posterior.

    Monica também acredita na intensificação de iniciativas de aumento de eficiência energética nos processos industriais, embora isso signifique investimentos de adequação.

    O aproveitamento do gás natural padece de deficiências legais e tributárias. A chamada Lei do Gás não foi ainda regulamentada, impedindo a aplicação de vários dispositivos. Surgiu a figura do autoimportador, para eventuais interessados em trazer gás natural liquefeito, com a liberdade de instalar seus próprios terminais e estações de regaseificação. “Isso seria interessante no caso de polos industriais montados em regiões costeiras”, comentou. A lei também prevê a existência de autoprodutores e dos consumidores livres de gás, figura essa que ainda depende de regulamentação estadual. O transporte de gás pelos dutos existentes também carece de regulamentação mais aberta para admitir direitos de passagem para terceiros.

    A consultora entende que o sistema elétrico poderia ser usado como modelo de regulamentação para o gás natural, apoiando a sua expansão. “As agências de gás e de eletricidade não deveriam atuar separadamente, como hoje”, afirmou, salientando serem áreas complementares.

    Tecnologia disponível – Setores industriais que podem gerar vapor em quantidade superior à demandada pelos seus processos internos têm muitos motivos para se tornarem geradores de eletricidade. “O mercado livre de energia remunera bem e é preciso incluir na conta os ganhos com créditos de carbono”, explicou Fábio Nugnezi, gerente-geral da unidade de geração da ABB. As usinas sucroalcooleiras usam bastante esses créditos, previstos no Protocolo de Kyoto. Esses recursos financeiros já são computados para determinar o equilíbrio econômico-financeiro dos projetos setoriais.

    Dona de um amplo portfólio de equipamentos e serviços para a área de energia, a ABB identifica um amplo mercado para a cogeração de vapor e eletricidade. “A instalação de uma turbina a vapor é interessante, abaixa a pressão na linha para uso nos processos e gera eletricidade”, comentou. Nugnezi salientou que o plano decenal da matriz energética nacional contempla a maior geração de energia com menor consumo de gás natural, hoje já escasso para suprir as termelétricas instaladas.

    A ABB tem realizado vários estudos de eficiência energética para usinas sucroalcooleiras com o objetivo de verificar o consumo de bagaço para uma unidade de energia. “Esse mercado está mais desenvolvido e vai crescer com a consolidação setorial em grandes empresas”, afirmou. Outros setores também têm bom potencial, a exemplo da produção de celulose, para o qual a ABB desenvolve um projeto de cogeração para 200 MW, no Mato Grosso do Sul. Também a Petrobras é um grande cliente, contando com geradoras próprias nas suas refinarias e nas plataformas offshore. “Nesse caso, são sistemas de alta confiabilidade e tripla redundância, produzindo muita energia em um espaço reduzido”, comentou.

    Química e Derivados, Francisco Vieria, Gerente de desenvolvimento de negócios em eficiência energética da ABB, Energia - Energia cara e sustentabilidade estimulam projetos de cogeração e de aumento de eficiência

    Vieira: ISO 5001 incentivará ações em eficiência energética

    Embora vários setores possam investir em cogeração, Nugnezi considera que isso nem sempre é atraente. “Para uma usina de açúcar e álcool, a renda adicional com eletricidade é muito significativa em relação ao valor da produção, o que nem sempre se repete em outros casos”, afirmou.

    Eficiência crescente – Processos industriais com mais de quinze anos de implantação e desprovidos de sistemas de automação e controle avançados constituem um forte mercado para investimentos em aumento de eficiência energética. “Há muitas oportunidades, porém é preciso investir em projetos com payback entre três e cinco anos, que nem sempre são aprovados pelos clientes”, lamentou Francisco Vieira, gerente de desenvolvimento de negócios em eficiência energética da ABB.

    Vieira acredita na melhoria do cenário a partir de 2011, com a chegada da norma ISO 5001, voltada para a gestão da energia. “Essa norma exige o comprometimento de todos os escalões das empresas para atingir uma redução efetiva no consumo de energia”, comentou. Ela também pode quebrar a lógica atual de avaliação meramente econômica das medidas de eficiência energética. Segundo Vieira, essas iniciativas também produzem resultados positivos no campo ambiental e de sustentabilidade.



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